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Sesc recebe palestra de Aline Bei, ganhadora de prêmio literário

Confira a entrevista com Aline Bei, paulistana que ganhou o Prêmio SP de Literatura 2018, na categoria estreantes com menos de 40 anos, com 'O peso do pássaro morto', e estará em Rio Preto neste sábado no Sesc


Escritora ganhou o Prêmio SP de Literatura, que é o maior do país em valor individual
Escritora ganhou o Prêmio SP de Literatura, que é o maior do país em valor individual
Aline Bei nasceu em São Paulo, em 1987. É formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia-Helena. Foi editora e colunista do site cultural OitavaArte. Em O peso do pássaro morto, narra a história de uma mulher cujas perdas foram redefinindo o seu olhar sobre a vida. Foi ganhadora do Prêmio SP de Literatura, junto com Ana Paula Maia e Cristina Judar, em 2018. Jovem e antenada com os desafios da escrita na modernidade, Aline representa uma nova geração de escritores. Neste sábado, 3, o público terá a oportunidade de participar de um bate-papo inédito com a autora, que estará no Sesc de Rio Preto. No início da semana, Aline Bei concedeu uma entrevista exclusiva ao Diário da Região. 
Diário da Região - Quando você começou a se dedicar à escrita? Quais foram os desafios?
Aline Bei - Foi na época da faculdade, quando cursei Letras na PUC, comecei a escrever para a revista que tínhamos no centro acadêmico. Sempre foi um desafio prazeroso escrever, encontrar o silêncio da presença preenchida de um ator em cena dentro da palavra escrita. O teatro foi o meu primeiro espaço de criação, sou formada em Artes Cênicas. Por isso, a Literatura e o Palco caminham juntos dentro de mim, ainda que eu não atue mais.
Diário - Como foi a emoção de receber o Prêmio São Paulo de literatura por O peso do pássaro morto, seu primeiro romance?
Aline - Eu fiquei sem palavras, quase sempre me pego assim em momentos chaves da minha vida, por isso acredito tanto na força do silêncio.
Diário - Qual foi a inspiração para o título da obra e como foi o processo criativo?
Aline - O título nasceu de uma memória afetiva, quando eu era menina um canário morreu na minha mão. Já o processo do livro aconteceu dentro de uma oficina de escrita, mediada pelo Marcelino Freire. Foi tudo muito aberto e divido com outros escritores, o Pássaro nasceu sendo lido em voz alta, talvez por isso seja um texto tão oral.
Diário - O livro apresenta uma narrativa marcada pelo tom poético. Como você concebe a relação entre prosa e poesia na literatura?
Aline - Pra mim, sempre foi algo natural entrelaçar essas duas potências. Sou leitora de Poesia e gosto muito de contar e ouvir histórias, penso que a narrativa ganha força quando se encontra com o Mistério do Poético.
Diário - A internet e as redes sociais nos trazem a ilusão de que todos devem ser felizes o tempo todo. Qual é o papel da tristeza - e das perdas - na construção da narrativa em O peso do pássaro morto?
Aline - O Pássaro nasceu do verbo perder, eu queria escrever sobre isso desde que li o poema A Arte de Perder, da Elizabeth Bishop. Particularmente, sou uma figura melancólica e ao mesmo tempo muito alegre, são sentimentos complementares, pra mim.
Diário - Outro tema marcante no livro é a banalização da crueldade, evidenciada mesmo em "inocentes" brincadeiras de infância. O que você tem a dizer sobre isso?
Aline - Deveríamos ser educados para acolher os medos e os erros, dos outros e os nossos, mas acontece o contrário, e começa na escola, com um sistema de notas para avaliar a absorção do conhecimento das pessoas, o que já enraíza a triste competição que a vida da gente acaba virando, o tempo todo.
Diário - Você tem planos de escrever um novo romance?
Aline - Estou escrevendo, o livro está no segundo ano de processo.
Diário - Quais são as suas expectativas para a vinda a Rio Preto? Tem alguma mensagem que você gostaria de adiantar aos nossos leitores?
Aline - Estou muito animada, tenho certeza que será uma troca linda. Quero adiantar o meu agradecimento, a todos, especialmente à Vera Milanese (psicóloga, escritora e colaboradora do jornal Diário da Região) que por puro afeto decidiu me levar até São José e conseguiu.
Serviço:
  • Palestra com Aline Bei. Neste sábado, 3, às 16h, no Sesc Rio Preto. Encontro com 40 vagas. Gratuito. Informações: (17) 3216-9300.

Trecho de O peso do pássaro morto, 2017

Não Consigo.
tentei segurar
as lágrimas que caíam na
minha mão em
concha,
eram tantas,
será que com o uso
um dia a lágrima acaba?,
a vida
pode ser longa e eu não
queria
virar
uma menina sem lágrima
no meio do caminho
uma mulher.

Fonte: Diário da Região

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