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Trajetória do ousado coletivo de cinema cearense "Alumbramento" é revelada em livro




Mesmo na contramão da grande indústria, coletivo produz filmes selecionados para importantes festivais no Brasil e no mundo; publicação será lançada nesta quarta-feira (7)


Como um grupo de artistas jovens, baseado na capital cearense, sem dinheiro e sem grande estrutura, consegue produzir cinema e alcançar reconhecimento da crítica internacional? A pergunta é suscitada pelo carioca Marcelo Ikeda, autor do livro "Fissuras e Fronteiras: O coletivo Alumbramento e o cinema contemporâneo brasileiro", que será lançado nesta quarta-feira (7), às 19h, na Escola Porto Iracema das Artes. A resposta está ao longo das quase 400 páginas da própria obra de Ikeda, professor do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Ele conta que sua história se confunde com a do coletivo, que começou a se desenhar no Rio de Janeiro. "No início dos anos 2000, o cinema brasileiro estava muito pautado pela ideia da retomada, das leis de incentivo. Eu fazia parte de uma geração de jovens do Rio que queria um outro cinema, influenciado pelo digital, com modelos mais flexíveis de realização. Lá, eu conheci o Ivo Lopes Araújo e os irmãos Pretti, Luis e Ricardo", relembra a parceria entre um cearense e dois fluminenses que em 2006, já em Fortaleza e em parceria com outros entusiastas, formariam o coletivo.
Convidado para ministrar um curso na capital cearense, Ikeda se viu maravilhado com a cena audiovisual da cidade, que vivia "Um momento de muita efervescência" e o inspirou a registrar a produção local. "Comecei a escrever textos sobre esses curtas que poucas pessoas conheciam na época, destacando a originalidade, inventividade desses filmes. Eu participei de tudo isso e fiquei tão entusiasmado que em 2010 fiz o concurso para a UFC".
Coletivo AlumbramentoColetivo Alumbramento
"Raimundo dos Queijos" revela um dos lados da vida no Centro da cidade
Os escritos iniciados há mais de uma década foram se avolumando e, em 2015, se tornaram fonte de pesquisa para a publicação, contemplada pelo X Edital de Incentivo às Artes, da Secretaria de Cultura do Ceará (Secult).
"Esse livro não é tipo institucional, que só faz loas e elogios ao Alumbramento. Ele contextualiza a importância do coletivo dentro do momento do cinema brasileiro, como foi possível essa trajetória e os percalços. São muitas pessoas que fazem parte de um coletivo, então, naturalmente, nem todo mundo pensa da mesma forma, por isso que falo de fissuras. Tiveram disputas de poder", embasa o autor.
Além da história e bastidores, a obra apresenta uma analise fílmica de quase todas as produções do grupo. "A minha ideia é que o leitor entenda melhor as características do funcionamento do coletivo e possa descobrir aspectos sutis dos filmes que não tenha percebido antes".
Marcelo Ikeda ressalta ainda o olhar longe do estereótipo que os cineastas lançaram sobre Fortaleza e o Nordeste. "Nos anos 90, a região, em geral, sempre era representada com a coisa do sertão, do cangaço, da seca, da miséria. E o coletivo propõe um cinema urbano, uma outra forma de representação. Tem muito da cidade no filme, mas é uma outra representação do espaço que se via em grande parte do cinema cearense".
Coletivo AlumbramentoColetivo Alumbramento
"A Amiga Americana", ganhou prêmio de Melhor Produção Cearense no 20º Cine Ceará
Festivais
Com 13 anos de existência, o coletivo tem na filmografia mais de 10 longas-metragens e pelo menos 30 curtas-metragens. Entre eles, estão títulos de relevância como "Longa Vida ao Cinema Cearense" (2008), Menção Honrosa do Júri no I Janela de Cinema Internacional de Recife; "A Amiga Americana" (2009), consagrado como Melhor Produção Cearense no 20º Cine Ceará; "Raimundo dos Queijos" (2010), Prêmio Criação Livre no Cine Esquema Novo 2011, em Porto Alegre; "Doce Amianto" (2013), agraciado com o prêmio de Melhor Filme do Rio Festival Gay de Cinema de 2014 e "Estrada para Ythaca" (2010).
As produções ganharam também projeção no exterior. "O Mundo é Belo" (2010) foi uma das atrações do 67º Festival de Veneza, na Itália; "O Uivo da Gata" (2013) foi exibido no 42º International Film Festival Rotterdam, na Holanda; e "Dizem que os Cães Veem Coisas" (2012) e "Com Os Punhos Cerrados" (2014) integraram edições do Festival de Locarno, na Suíça. Isso só para citar alguns destaques recentes.
Lançamento
A programação do evento contará com uma palestra de Marcelo Ikeda, às 19h, sobre o coletivo Alumbramento e o processo de escrita do livro. Outro atrativo do lançamento é a oportunidade de adquirir a obra com 50% de desconto.
Serviço
Lançamento e palestra do livro "Fissuras e Fronteiras"
Data: Quarta-feira (7)
Horário: 19h
Local: Escola Porto Iracema das Artes (Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema).
Gratuito

Coletivo AlumbramentoColetivo Alumbramento
Fissuras e Fronteiras: O coletivo Alumbramento e o cinema contemporâneo brasileiro 
Marcelo Ikeda 
Editora Sulina 
2019, 375 páginas 
R$ 55 

Diário do Nordeste

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