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Zorro, um dos primeiros heróis da literatura americana, faz 100 anos

Personagem nascido em 9 de agosto de 1919 tornou-se ícone da cultura pop
CLAUDE CASTERAN
PARIS
Pôster do filme "A Lenda do Zorro", com Antonio Banderas - Divulgação
Seu nome remete à figura de uma pessoa que luta contra todas as injustiças: Zorro, nascido em 9 de agosto de 1919 da imaginação de Johnston McCulley, tornou-se ícone tão famoso da cultura pop quanto Tarzã, ou o Superman.
Depois de sua primeira aventura, "A maldição de Capistrano", que foi lançada em um "pulp" californiano, McCulley escreveu outras 60 histórias, fazendo de Zorro um dos primeiros heróis de capa e espada da literatura americana.
Foi nas telas, porém, nas grandes e nas pequenas, que o justiceiro mascarado ganhou notoriedade.

ANTES DO ZORRO

Para criar seu personagem, McCulley se inspirou em um mexicano a meio caminho do bandoleiro e o patriota, e que vivia na Califórnia do século 19, em pleno período da febre do ouro: Joaquín Murieta, que defendia os ameríndios diante dos gringos.
O poeta chileno ganhador do Prêmio Nobel da Literatura Pablo Neruda dedicou a ele sua única obra de teatro.
Outra figura que inspirou McCulley foi "Pimpinela Escarlata", um justiceiro inglês que atuou durante a Revolução Francesa e foi criado no início do século 20 pela escritora Emmuska Orczy, uma britânica de origem húngara.

A HISTÓRIA

Don Diego de la Vega, um jovem aristocrata de origem espanhola e com a aparência de estudante inofensivo, sentia-se revoltado com os poderosos corruptos e cruéis que abusavam do povo humilde de Los Angeles e arredores.
Para defender os fracos e oprimidos, resolve se transformar no Zorro (raposa, em espanhol) e se veste totalmente de preto, escondendo sua identidade por trás de uma máscara que mostra apenas seus olhos e seu fino bigode.
Ele conta com o fiel Bernardo, seu mordomo que é mudo e finge ser surdo para melhorar a condição de escudeiro do patrão, e também com Tornado, seu inteligente alazão negro.
Outro personagem recorrente é o robusto sargento Demetrio López García, um pretenso inimigo que é mais simpático do que perigoso.

SÉRIE MÍTICA

Mas foi a série de televisão da Disney (composta por 78 episódios gravados entre 1957 e 1961) que fez o personagem ganhar popularidade em nível internacional.
O ator Guy Williams, com seu 1,90m de altura, sorriso cativante e esgrimista na vida real, foi o escolhido para encarnar o justiceiro hispânico na série, que, em 1992, foi colorizada. Era ele mesmo, e não um dublê, que fazia os duelos de espada, mesmo quando elas eram de verdade. 
"O dia das lutas era sexta-feira. Assim, caso houvesse algum problema, eu teria algum tempo para me recuperar de um ferimento", contou o ator em uma entrevista na época.
A assinatura de três traços com a espada para formar a letra "Z", de Zorro, era a marca registrada da série. Novas produções protagonizadas pelo Zorro foram filmadas na Colômbia e nas Filipinas recentemente e vendidas para quase 100 países.

ESTRELA DE CINEMA

No cinema, houve mais de 50 Zorros, incluindo paródias e versões eróticas. As mais conhecidas foram interpretadas pelos galãs Douglas Fairbanks (1920), Tyrone Power (1940), Alain Delon (1975) e Antonio Banderas (dois filmes, 1998 e 2005).
O criador de Batman, Bon Kane, assegurou que o filme mudo "O signo do Zorro" (1960), com Fairbanks, o influenciou muito na hora de criar seu super-herói. Tornado serviu, inclusive, de inspiração para o Batmóvel.
Atualmente, há um projeto em preparação em Hollywood com o ator mexicano Gael García Bernal. Os quadrinhos, a música e os videogames também exploraram ao máximo a imagem de Zorro.

O QUE DIZEM SOBRE ZORRO

- "Tem traços de Robin Hood e, em parte, Peter Pan e Che Guevara", afirmou a escritora chilena Isabel Allende em uma entrevista em 2005, por ocasião da publicação de seu romance "Zorro".
- "Não apenas pune, como Superman, os ataques à propriedade privada, como também intervém toda vez que a dignidade, ou a liberdade humana, são ultrajadas. O Zorro remete à consciência cívica que tanto faz falta atualmente", afirmou o escritor francês Yann Moix, em 2010.
- "Em um cavalo subindo a montanha, vem chegando então o Zorro/Por onde passar, a justiça se fará, deixando a marca do Zorro!", como afirmava, na versão em português, a música de abertura da série da Disney.
AFPF. de São Paulo

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