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Savassi Festival 2019 celebra o jazz e a música instrumental

Musicistas se sentem incentivados com o projeto do Savassi Festival.
A carioca Ilessi se apresenta no dia 10, no palco Mulheres Criando.
A carioca Ilessi se apresenta no dia 10, no palco Mulheres Criando. (Reprodução/Facebook Ilessi)

Por Larissa Troian
Repórter Dom Total
Reunindo mais de 100 atividades, entre shows gratuitos e a preço populares, a 17º edição do Savassi Jazz Festival acontece entre os dias 5 e 11 de agosto. Em seu 17º ano, o festival, que já faz parte do calendário cultural da capital mineira, reafirma sua vocação para o estímulo e a difusão do jazz e da música instrumental, trazendo artistas nacionais e internacionais, promovendo workshops, experiências em estúdios, e lançando novos trabalhos pelo selo musical Savassi Festival Records e a criação do Clube de Jazz.
Os shows na rua com entrada franca acontecem na Praça Floriano Peixoto – Palco Instituto Unimed-BH –, e na Savassi – Palco Cemig. Neste último, a programação de domingo (11/08) tem Ellen Oléria e Alma Thomas no Tributo a Nina Simone, Lars Möller e MG Big Band (Dinamarca/Brasil) e Seamus Blake (EUA), além do projeto Concertos no Parque, no Parque Municipal Américo Renné Giannetti. A Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais se reúnem a dois nomes marcantes da música mineira: Sérgio Santos, um dos maiores expoentes de sua geração; e Rafael Martini, que coleciona prêmios e trabalhos aplaudidos pela crítica especializada.
O organizador do evento, Bruno Golgher, conta que a escolha dos artistas passa por “múltiplos critérios”, e que por baixo da programação do evento, “a organização do festival detém uma porção de subprojetos, que vão acontecendo e resultam no que o público vê”.
Outras atrações e atividades se espalham pela cidade em teatros, bares, cafés e restaurantes durante todos os dias. Nesta edição, o festival abre espaço também para o choro, com Ellas no Choro, Choro do Jura Juramento 202 e Assanhado Quarteto. Além dos shows, DJs prepararam sets temáticos que acompanham os estilos dos artistas da programação.
Para Bruno, o Savassi Festival “é um projeto evolutivo, que começa com desejos não realizados. Cada um desses lugares que agregam os shows tem um pouquinho de historia, e fazem o evento ser diferente e especial”.

Selo e Música Nova
Na edição de 2017, o Savassi Festival criou o projeto Música Nova, com o objetivo de estimular a produção de obras inéditas de música instrumental por meio de financiamento a músicos convidados. Dessa forma, o músico teria condições para elaborar seu trabalho e apresentar o resultado ao público durante o Savassi Festival. Nesta edição, o percussionista mineiro Túlio Araújo e o pianista Daniel Grajew apresentam o álbum Quantum. Na mesma noite, o mineiro Deangelo Silva mostra o resultado de Hangout. Ambos os trabalhos integram o projeto de financiamento.
Deangelo Silva, que já participou de várias edições do festival a convite do organizador, frisa que o evento é um “braço direito” para a manifestação dos artistas: “Estou fazendo o lançamento do Hangout através do Musica Nova e, para mim, é uma grande honra. O lançamento será dia 5, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), junto com Frederico Heliodoro, Felipe Villas Boas e Antônio Loureiro. Meu primeiro disco Down river também foi lançado no Savassi Festival”.
                        Deangelo Silva se apresenta hoje, às 21h30, no CCBB. Foto: Flavio Charchar

Como desdobramento do Música Nova, surgiu o Savassi Festival Records, selo de música responsável por financiar e acompanhar o artista ao longo da construção do álbum, desde a gravação até a etapa final do CD e sua distribuição, além de promover a publicação e divulgação da obra. Inicialmente, o selo tinha como intuito contemplar artistas do projeto, porém seu alcance foi ampliado nesta edição do festival e, agora, também abrange outras obras de músicos que se alinham ao seu viés estético, como o violonista Lucas Telles e o pianista Davi Fonseca.
O contrabaixista paulista Marcos Paiva, considerado pela crítica especializada como um dos nomes mais importantes da música instrumental brasileira, também integra o Música Nova, porém apresentará sua obra inédita em 2020, durante o Savassi Festival.
Novidades da edição
O Clube de Jazz, que desde o dia 26 de julho e até 10 de agosto apresenta 20 shows, foi criado especialmente para esta edição. No formato das casas do gênero ao redor do mundo, o clube, que conta com o patrocínio da Maxtrack, reúne artistas no Salumeria Central, um ambiente aconchegante para ouvir música de qualidade, acompanhada de boa comida e boas bebidas.
Pela primeira vez, o Savassi Festival cria um palco especial para mulheres instrumentistas. No sábado (10/08), no Palco Cemig, na Savassi, a partir das 15h, a mineira Luísa Mitre e seu quinteto do dia (Luísa Mitre, Marcela Nunes, Camila Rocha, Paulo Fróis e João Paulo Drumond) abrem o dia, com repertório de composições instrumentais autorais, explorando a linguagem do piano brasileiro em gêneros como o choro, forró, samba-choro e samba-de-roda.
Musicista premiada (18º Prêmio BDMG Instrumental, Festival Internacional de Piano Solo Fips, 2018, entre outros), Luisa Mitre participa de shows e gravações de variados cantores e instrumentistas. A artista, que atua também como educadora, ressalta a importância do palco exclusivo para mulheres, em parceria com o Coletivo Mulheres Criando: “A gente sabe que nossa participação ainda é muito pequena se comparada ao número de homens no projeto, mas o caminho é esse e deve continuar e crescer. Esse incentivo é de suma importância para dar voz aos trabalhos instrumentais de mulheres”.
Luisa Mitre conta que seu trabalho surgiu no próprio Savassi Festival, em 2017, pelo programa Música Nova: “Fui uma das compositoras convidadas, fomos eu e mais três compositores de Belo Horizonte. Dessas obras inéditas minhas, surgiu o meu disco Oferenda, lançado no ano passado também pelo selo do Savassi Festival”. Logo após a apresentação de Luisa Mitre, a multi-instrumentista paulista Carol Panesi revela a sua trajetória no jazz, acompanhada de seu grupo.
                    A paulista Carol Panesi se apresenta no dia 10, no palco Cemig. Foto: Luan Cardoso
A cantora e compositora carioca Ilessi encerra as apresentações mostrando seu trabalho expressivo e intenso, resultado de profunda pesquisa da música brasileira desde 1998. Ilessi conta que, no festival, vai estrear show que integra um projeto de disco, que deverá ficar pronto no próximo ano e teve início numa parceria com o músico Bernardo Ramos. “Neste show com o Bernardo Ramos Trio (Bernardo Ramos, Bruno Aguilar e Felipe Continentino), vamos apresentar um repertório com músicas de compositores que foram alguns dos pilares da minha formação musical, e canções que marcaram minha vida e influenciaram minhas composições. Vamos apresentar músicas minhas e de Bernardo, mas este show é prioritariamente de intérprete. Ser cantora é meu principal ofício e o que eu mais amo, apesar de amar também muito profundamente tocar, compor e dar aula de canto”.
A artista se sente extremamente honrada pelo Coletivo Mulheres Criando, no qual se descobriu de fato, compositora: “Fui convidada pela Deh Mussulini, compositora, que era integrante do Coletivo Mulheres Criando e uma das curadoras das mostras do coletivo, a realizar no Rio de Janeiro a produção e a curadoria do Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras, me incluindo na programação. Como eu tinha poucas músicas, eu dizia que não era uma compositora”.
Para ela, o palco Mulheres Criando é uma conquista do coletivo e abre espaço para a reflexão sobre o protagonismo masculino em todas as áreas, inclusive na música: “O fato é que temos muitas mulheres brilhantes atuando na música e a partir de nossa conquista de espaços, chegará um momento em que não será necessário um palco de mulheres, porque estaremos em pé de igualdade em relação aos homens. Por enquanto, estamos galgando lentamente em direção a essa conquista”.
Bruno Golgher ressalta que o palco exclusivo para as mulheres se fez necessário a partir de uma percepção de quantas mulheres extremamente talentosas atuam na música instrumental: “Nós temos muitas mulheres na canção, no rock, no rap. Na musica instrumental, a gente ainda tem um trabalho a ser feito. Desenhamos esse palco e, no futuro, eu gostaria que ele quase como ‘voasse’, se transformasse num festival em si mesmo. Meu desejo é que o Savassi sempre tenha esse palco, e que a gente sempre consiga fazer mais”.
Prêmio Jazz de Minas 2019
O Prêmio Jazz de Minas foi criado pelo Savassi Festival para homenagear músicos de relevância do estado no cenário da música instrumental. Artistas como Chico Amaral, Túlio Mourão e Juarez Moreira foram os premiados em anos anteriores. Neste ano, o violonista, arranjador e compositor Thiago Delegado será o homenageado. O prêmio será entregue no dia 7 de agosto, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), às 20h15.
Referência no violão de sete cordas, o instrumentista e compositor mineiro Thiago Delegado se destaca por sua performance que mistura a sonoridade simples à sofisticada composição. Em seu repertório, canções registradas em quatro álbuns: Sambetes (2018), Viamundo (2015), Thiago Delegado Trio: Ao vivo no Museu de Arte da Pampulha (2012) e Serra do Curral (2010). Revelando intimidade com seu instrumento e com uma linguagem musical sem fronteiras, Delegado incursiona por diferentes gêneros musicais: choro, samba, bossa nova e jazz, explorando todas as possibilidades do seu sete cordas e renovando antigos temas. O resultado é um som moderno, animado, virtuoso e surpreendente. Uma das características mais marcantes do trabalho do instrumentista é a capacidade de atrair o público, tornando a música instrumental acessível a todos através de interpretações calorosas.
Bruno conta que esse ano resolveu homenagear “a noite do Thiago Delegado”. Para ele, em um mercado que está em mutação o tempo todo, “o artista ter uma noite fixa (todas as quintas-feiras, na Casa de Cultura, com o projeto DelegasCia), um evento que essencialmente convida as pessoas a participarem, é um feito fenomenal, e o Thiago Delegado tem uma força muito permanente nesta cena”. Bruno destaca que é isso que vai gerando o repertorio dos artistas, projetos e conteúdos.
Novos Talentos 2019
O Novos Talentos do Jazz é um concurso voltado para grupos de jazz e de música instrumental, que seleciona bandas cujos integrantes tenham até 30 anos de idade. As bandas selecionadas pelo edital realizarão shows em grandes festivais de música instrumental. Este é mais um ponto positivo do festival, que fornece a possibilidade de novos nomes de apresentarem em cena. Esse ano, as bandas escolhidas foram A Engrenagem, de Brasília; Matheus Lana Quarteto, de Belo Horizonte; e Quarteto a Dois, também de Belo Horizonte.
SERVIÇO
SAVASSI FESTIVAL 2019 – BELO HORIZONTE E NOVA LIMA
Data: 5 a 10 de agosto.
Locais: praças, rua, teatros e restaurantes.
Valores: entrada franca a R$ 25 (inteira).
Programação completawww.savassifestival.com.br

Redação Dom Total

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