31 de julho de 2018

Hélio Bicudo, um dos autores do impeachment de Dilma, morre aos 96 anos

 por esmael


O jurista Hélio Bicudo, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, morreu nesta terça-feira (31) aos 96 anos.


Apesar de ser um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), Bicudo não titubeou em assinar a petição para derrubar a presidenta eleita juntamente com Janaina Paschoal e Miguel Reale Junior.

Após o golpe contra Dilma, Hélio Bicudo mostrou arrependimento. Na montagem do ministério por Michel Temer, o jurista disse que Geddel Vieira Lima (MDB-PR) jamais deveria ter cargo no governo.

Há mentes parvas dizendo que Bicudo ‘se foi’ ao saber que Janaina seria vice de Jair Bolsonaro (PSL).

Hélio Bicudo morreu na manhã de hoje em sua casa, nos Jardins, em São Paulo.

Acadêmica Angélica Sampaio fará o lançamento do Poema-Luz, com o seu selo editorial Sol Literário, na FLIP 2018


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e textoÉ com muita alegria que a acadêmica de Letras, Angélica Sampaio fará o lançamento de seu Poema-Luz, que sairá com o selo editorial Sol Literário, na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) através da programação coletiva do grupo literário Mulherio das Letras, que contará com diversos lançamentos, saraus, feira de livros e divulgação de obras e autoras. 




Local: Casa do Desejo - Paraty 

Dia: 27/7/2018
Horário: 19h30 


A FLIP ocorrerá de 25 a 29 de julho. 

Livro aborda temática da luta contra o câncer

Um relato que celebra a vida e o amor. Assim se mostra o livro "Sobre Viver: Crônicas da Sala de Espera", de Marcelo Lavor. O publicitário mergulha no drama da doença, a partir das memórias do que viveu ao lado da esposa, diagnosticada com um câncer.
À venda desde julho na Amazon, em versão e-book, o livro será lançado, em edição impressa, nesta terça-feira (31), às 19h, na Livraria Cultura. Na ocasião, haverá um bate-papo com o autor. A obra pode ser comprada pelo valor de R$ 30.
"Sobre Viver" reconstitui os dois anos em que a esposa viveu com o câncer. Desde o diagnóstico - "foram os cinco minutos mais terríveis da minha vida, quando o médico chegou e me disse o que ela tinha", recorda Lavor -, passando pelos tratamentos e, por fim, a remissão da doença.
Da primeira consulta, que comprovou que algo estava errado com a saúde de sua companheira, até o fim dessa jornada, em dezembro de 2017, quando os resultados dos exames atestaram que ela estava bem, Marcelo Lavor ficou ao esposa, de forma integral. Deixou o seu trabalho de diretor de criação na agência de publicidade em que trabalhava para acompanhar a mulher numa batalha, com muitas idas ao médico e aos hospitais; exames; e sessões de quimioterapia.
"Procurei saber qual era o meu papel e, ao final, descobri que era o de estar junto, sempre. Ao longo desse tempo (como publicitário), vivi contando a história dos outros. Com isso tudo que aconteceu na minha vida, resolvi mudar o enredo da história, ou seja, contar não a história dos outros, mas a nossa história. A minha e a dela", ressalta o escritor.
Descobertas
A primeira decisão criativa de Marcelo Lavor para a obra foi de garantir que não seria uma livro de "coitadinhos". O autor explica que quando se deparou com essa situação fez buscar informações para saber qual seria o seu papel naquele momento. Entre suas pesquisas e conversas, o autor de deparou com apenas duas versões da história: a do médico e a de quem estava doente. Nunca do acompanhante.
"Me propus a fazer algo diferente: contar a história do ponto de vista do coadjuvante. O personagem principal vai estar sempre presente ali no 'palco'. Embora os holofotes não vão pra ele o coadjuvante (o acompanhante) faz parte dessa história", relata Lavor.
Trazendo temáticas como filhos, amigos, música e o prazer em cozinhar, já que os constantes enjoos de sua esposa fizeram com que Marcelo usasse sua criatividade para preparar novas receitas.
Homens
Marcelo frequentou ao longo desses dois anos diversas salas de espera, entre consultas, laboratórios, exames, quimioterapia e cirurgias. Dessa experiência, o autor traz outra reflexão. "Quem eu via nessas salas de espera? Vi todo mundo, só não vi homens. Os homens não frequentam as salas de espera. A maioria dos homens que vi lá estavam ali como pacientes. Mas não como acompanhantes".
Todos os textos individualmente tem começo, meio e fim e podem ser lidos em qualquer ordem. Entretanto não deixa de existir uma certa cronologia. Marcelo Lavor escolheu o formato da crônica ("com um quê de poesia, que é o meu jeito de até escrever", revela) para contar a história do casal.
O processo de criação durou oito meses. A ideia do título não é a de sobreviver, no sentido de resistir, de escapar, mas o livro é sobre o viver, sobre a vida. Se assemelhando com uma obra de memórias, o autor não se preocupa com a classificação que é dada a sua obra.
"É um diário de bordo da tempestade. Tem alguns textos que são mais tensos, mais pesados. Tem um texto por exemplo que se chama Limites, feito no auge do tratamento, que eu estava esgotado, cansado, e tem aqueles momentos que você acredita, mas que bate aquele desespero. O livro acabou servindo como um desabafo, uma catarse", pontua Lavor.
E-book
Antes mesmo de ganhar uma versão impressa, o livro que estava sendo vendido na Amazon em formato digital já tinha havia recebido relatos de leitores. "O livro está sendo um guia. O prefácio da doutora Paula Tôrres percebeu o potencial que o livro tinha para ajudar outras pessoas. Nele ela escreve: Na 'Nau da Esperança', no oceano da vida revolvido pela tempestade no oceano da vida".
Na orelha do livro o poema, escrito pelo próprio Marcelo, descreve muito bem como é o casal. O livro inicialmente ia terminar com o texto, poema, "Esse Livro é Seu", mas como a esposa dele era muito católica, a cura teve que ser consagrada por Nossa Senhora Aparecida, em romaria a cidade de Aparecida (SP).
Uma semana depois os dois foram para a grande paixão de Marcelo Lavor, um show de rock, e daí se fez necessário um posfácio, intitulado de "O Segredo e o Profano".
Mais informações:
Lançamento do livro "Sobre Viver: Crônicas da Sala de Espera". Nesta terça-feira (31), às 19h. Na Livraria Cultura (Shopping Varanda Mall - Av. Dom Luís, 1010, Aldeota). 
Gratuito. Contato: (85) 4008.0800

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Diário do Nordeste

Manifestações e anseios da juventude no espaço urbano são iluminados pelo II Colóquio Diálogos Juvenis

por Antonio Laudenir - Repórter
Grafite
Grafite, música, Intervenção urbana e cultura pop são alguns dos temas do evento ( Foto: Thiago Gadelha )
Conversar com a diversidade das práticas, invenções, subjetividades e repertórios culturais dos jovens é um desafio em constante mutação para a pesquisa acadêmica. Adentrar este território, permeado por uma faixa da população por vezes marginalizada e pouco questionada quanto a seus desejos é um dos muitos objetivos do II Colóquio Diálogos Juvenis Sentimentos Intensos: Cidade e Arte.
Reunindo pesquisadores, docentes e público em geral, o encontro tem início nesta terça-feira (31), no Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) e segue até 2 de agosto com uma série de conferências, mesas-redondas, apresentações de trabalhos, performances e palestras no departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC) e no Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
A atividade de abertura conta com a presença da Profa. Dra. Cornélia Eckert. Representante do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a convidada apresenta a conferência "A arte de narrar as (nas) cidades: Etnografia de (na) rua, alteridades em deslocamento".
Através do encontro entre diferentes agentes sociais como as universidades, estudiosos e personalidades com atuação no campo das juventudes, o evento tem como intenção refletir acerca dos repertórios juvenis diante de referentes como cidade, arte e outros dispositivos de intervenção e interação com o espectro urbano.
A premissa é identificar as pluralidades de temas estudados neste campo, articulando e fortalecendo toda uma rede de pesquisa tanto em nível teórico como metodológico. Como alternativa para uma percepção mais profunda sobre os rastros dessa juventude, o perímetro urbano ergue-se como território de observação. A cidade, assim, eleva-se como palco destas relações comunicativas e sociais. Em constante modificação ao longo das décadas, a urbe interfere nos anseios dos jovens e estes, por sua vez, buscam resistir nesse ambiente através de manifestações e dispositivos de intervenções próprios.
Histórico
A proposta do "Diálogos Juvenis" surgiu no momento da criação do Laboratório das Artes e das Juventudes (Lajus), em março de 2012. À época foram promovidas ações mensais que se constituíram base para a construção do atual Colóquio. Foram realizados encontros temáticos entre narradores-chave e pesquisadores com o intuito de identificar as intercessões entre o discurso acadêmico e as falas e percepções dos grupos estudados. Com esse estímulo, o Lajus organizou o I Colóquio Internacional Diálogos Juvenis: Diminuindo distâncias entre Narradores e Pesquisadores.
Nessa primeira atividade, a missão foi identificar e dialogar com as práticas diversas de juventudes e suas demandas por direitos. Sem dúvidas, um caminho para possibilitar o estreitamento de relações entre o âmbito do Ensino Superior e o desenvolvimento de ações inter-setoriais, ampliando a atuação da pesquisa para além dos muros das instituições de ensino.
Urgência
A segunda edição que tem início nesta terça-feira reflete os esforços conjuntos do Lajus, em parceria com a Rede Luso-brasileira "Todas as artes, todos os nomes" e com a pós-graduação em sociologia da UECE. Outro apoio decisivo é mediado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Dragão do Mar, Galeria Sem Título e Rede Luso-Brasileira de Pesquisadores em Artes e Intervenções Urbanas (Raiu).
A lista de trabalhos selecionados para discussão nos Grupos de Trabalho (GTs) reverbera a atuação tanto de acadêmicos locais como de diferentes pontos do País e do exterior. Cada artigo se lança como um documento que aprofunda os muitos aspectos culturais, sociais e políticos pelos quais os jovens protagonizam ou estão a mercê cotidianamente.
São quatro grupos divididos tematicamente por "Afetos, memórias e intervenções artísticas nos contextos urbanos"; "Sociabilidades Juvenis e seus Circuitos: entre afetos, redes e consumos"; "Territórios, sonoridades, estéticas e cenas"; e "Metamorfoses artísticas e criativas nas sociedades contemporâneas".
Ao todo, 76 artigos serão apresentados na quarta-feira (1). Os autores e coautores estão organizados por blocos e sessões e a riqueza de temas e manifestações pesquisadas é um dos destaques dentro da programação.
A diversidade de pensamento e apreciações intensifica a proposta de intercâmbio entre narradores, pesquisadores, estudantes e demais interessados em discutir as juventudes em seus entrelaçamentos afetivos, simbólicos e materiais com a cidade.
Assuntos urgentes e carentes de aprofundamento, tanto por parte da sociedade como da mídia tradicional, integram a lista de trabalhos. Muitos desses temas são comuns ao dia a dia de jovens e atravessam experiências ou manifestações mediadas pela música, grafiti, identidade racial, políticas públicas, violência, intervenção urbana, cultura pop, sexualidade, afirmação social, esporte e expressão corporal. Algumas pesquisas chamam atenção pelo ineditismo ou pertinência das abordagens.
São resíduos e expressões ancoradas em diferentes campos e realidades geográficas. João Augusto Neves Pires (Unicamp) comparece com o artigo "Circuitos e afetos dos jovens punks na cidade de São Paulo na década de 1980", enquanto Raquel Cristina Araújo Freitas (UECE) e Diógenes Werne da Costa Lopes (UECE) recortam "Singularidade e produção fílmica na praia das Goiabeiras". Tereza Rafaella Cordeiro Maciel (UFC) ilumina questões pertinentes de mobilidade através de "O Ciclo ativismo Feminista Contemporâneo: um movimento de luta das mulheres pelo direito à cidade".
Plural
O corpo e a atitude política abastecem Joana Darc Oliveira Gomes/ Maria Dedita Ferreira de Lima (UEVA), autoras de "Meu cabelo minha identidade: a (re) construção social da beleza e a identidade em disputa entre as estudantes da escola carmosina, na cidade de Sobral - CE".
Vyullheney Fernandes de Araujo Lacava (UFRN) monta uma observação de campo em "Cartografia de sonoridades drags - territórios musicais, rostidades e montações". Expressões subterrâneas como o heavy metal, a cultura gótica, o surf, funk, cultura geek são algumas das muitas manifestações esmiuçadas e cuidadas pela rede pesquisadores.
Performances e lançamentos editoriais também integram os três dias de atividade. Thomas Saunders interpreta "REGinger", às 9h, no Auditório José Albano, do Centro de Humanidades I (UFC). Às 18h do mesmo dia, Waldírio Catro (Porto Iracema das Artes) e Eduardo Bruno (USP) participam com "I am a jingle, isso é um aviso". Na quinta (2), 9h, será a vez da bailarina/performer Sílvia Moura destrinchar a performance "Tempestade".
No dia da abertura do II Colóquio Diálogos Juvenis, Alexandre Barbosa Pereira lança "A Maior Zoeira na Escola: experiências juvenis na periferia de São Paulo" (editora Unifesp); Antonio Sabino da Silva Neto (organizador) chega com "Incursões Socioantropológicas: pesquisas de campo no Ceará". Outros títulos presentes são "Perecível (fotografias, haicais e outros escritos)" (Felipe Camilo); "Juventudes e ensino médio: transições, trajetórias e projetos de futuro" (Maria Alda de Sousa Alves); e "Quem é o melhor DJ do mundo? Disputas simbólicas na cena de música eletrônica", de autoria de Marcelo Garson.
Diário do Nordeste

Exposição Novos Olhares para Monalisa é atração no Museu Histórico de Quixadá

por 

O público de Quixadá e região tem a oportunidade de apreciar pelos próximos 60 dias uma coletânea especial de artes plásticas, a Exposição Novos Olhares para MonaLisa e o Regionalismo, uma mostra particular de versões da madona italiana, propriedade da colecionadora e médica Veridiana Brasileiro. São 76 obras de pintores, a maioria cearenses. Estão expostas no Museu Histórico Jacinto de Sousa. Podem ser apreciadas aos sábados e domingos das 8h às 12h e de terça a sexta-feira das 8h às 17h.
Veridiana Brasileiro participou da abertura da exposição. Ela informou que a coletânea conta hoje com mais de 250 obras. A paixão pelas artes começou na adolescência, por influência dos pais, visitando museus e galerias de arte. Ela ficou encantada com a personagem mais enigmática de Leonardo da Vinci, a Mona Lisa, que ganhou a denominação na língua portuguesa, de Monalisa. Começou a perceber versões da pintura e há 10 anos passou a adquiri-las. A original, especialistas estimam o valor de mercado da obra em US$ 2,5 bilhões.
Nas versões feitas para esta coleção, os artistas receberam a provocação para interpretar a Monalisa e se expressarem em suas próprias identidades artísticas. Os resultados são criativos, interessantes e atraem a atenção dos visitantes, explica o administrador do Museu de QuixadáDavid Melo, ressaltado que a visitação é gratuita, sendo a oportunidade para os jovens, que retornam às aulas neste início de semana conhecerem uma exposição diferente.

Dentre as artes expostas estão a Beata Maria de Araújo, uma releitura em xilogravura de Zé Lourenço, de Juazeiro do Norte; as três facetas de Monalisa, em guache e grafite, de Vando Figueredo, de Fortaleza; a Monalisa no Brasil, pintura em acrílico sobre tela do artista plástico Dion Mesquita, de Mossoró, e outras técnicas como couro sobre madeira, na obra sem título de Espedito Seleiro, de Nova Olinda.
Em setembro a Exposição Novos Olhares para Monalisa e o Regionalismo poderá ser apreciada pelo público do Cariri. A colecionadora confirmou a mostra no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Ela também já assumiu outros compromissos, mas não revelou os detalhes. Seu objetivo é promover a arte brasileira, através da pintura mais conhecida no mundo. O quadro clássico está exposto no Museu do Louvre, em Paris, na França.
Exposição Novos Olhares – MonaLisa e o Regionalismo
Museu Jacinto de Sousa – Quixadá
De terça a sexta – Das 8h às 17h
Sábados e domingos – Das 8h às 12h

Diário do Nordeste

Os muitos significados de Iracema

Gustavo Simão - Especial para O POVO
Gustavo Simão - Especial para O POVO
Ela dá nome à praia e ao bairro. Está no bloco de carnaval, casando com o Bode Ioiô. No teatro musical, em adaptação do dramaturgo e diretor Ilclemar Nunes. Na dança, no atual projeto da bailarina Rosa Primo. Está também esculpida em cinco monumentos espalhados por Fortaleza. Mais de 150 anos depois, a Iracema de José de Alencar continua como uma das figuras da literatura cearense mais representadas e referenciadas no Estado.
Entre as cinco estátuas da personagem na Capital, três são mais conhecidas: a da praia do Mucuripe (1965), de Corbiniano Linsa; a Iracema Guardiã (1995), de Zenon Barreto, que fica na Praia de Iracema; e a da Lagoa da Messejana (2004), de Alexandre Rodrigues. Completam a lista a Iracema de Descartes Gadelha (2002), localizada em frente ao Rotary Club Fortaleza, e a de Francisco Zanazanan (2005), no Palácio Iracema.

Em visita na manhã da última sexta, 27, à Iracema Guardiã, a reportagem encontrou a funcionária pública piauiense Iara Moraes Sousa, que, de férias na Capital, tirava selfies com o mar e o monumento ao fundo. Questionada se conhecia a figura representada, ela titubeou. "Eu já ouvi falar Ela foi uma pessoa muito importante para o Estado, sei que foi abandonada grávida, né?", arriscou. A mistura de elementos da ficção original com a realidade costuma ser comum, como explica o doutor em Memória Social Tiago Coutinho. "A repetição contínua de Iracema coloca a ideia que ela existe, é respeitável, importante para a nossa história", afirma.
Como contextualiza o pesquisador, o movimento de relembrar a personagem faz parte de uma política elitista que data da época do Império, quando José de Alencar escreveu o livro e encontrou sucesso nacional. "O Estado teve orgulho. Para a elite intelectual letrada, a entrada de um escritor cearense na história da literatura nacional foi importante, o que até se justifica, já que historicamente as políticas culturais são desiguais entre o Sudeste e o resto do Brasil", ressalta. "Até hoje existe esse sentimento (de orgulho) quando se vê um ator cearense na Globo, por exemplo. A gente comemora, mas isso é importação de inteligência", traça um paralelo. Vale lembrar que, apesar de cearense, o autor passou grande parte da vida no Rio de Janeiro, para onde se mudou aos 11 anos e, também, onde faleceu em 1877.

Como política elitista, Tiago observa que as estátuas e suas localizações apontam para processos de desigualdade. "Os monumentos não são baratos, precisam de bronze e outros materiais, então surgem pelo Estado ou por algum grupo rico que decide bancá-las. Por isso, é natural que estejam em lugares elitistas. Isso não é um fato isolado de Fortaleza", aponta. "Você não costuma ter grandes monumentos em bairros periféricos porque as políticas não são voltadas para eles. É a elite contando a própria história para si mesma. Resta aos demais estudarem-na nos livros e, então, se organizam visitas, excursões", pondera. Quando se coloca uma estátua num local não-turístico, como a Lagoa de Messejana, Tiago argumenta que a intenção dos grupos econômicos é a "valorização" do espaço.
"Estátuas, em geral, são imposição de memórias. Quando se escolhe fazer uma, está se querendo dizer que aquilo é importante para ser lembrado. Elas são uma tentativa da elite impor uma lembrança", reforça. Os contextos históricos, sociais e políticos têm grande influência nesse panorama. "A primeira estátua de Iracema foi inaugurada em 1965, justamente nos 100 anos de publicação do livro. Naquele ano, quem é o presidente do Brasil? Castelo Branco (o primeiro da época da Ditadura Militar). Que é o quê? Cearense. Por isso, ele vai para Fortaleza inaugurar a estátua", reconta. Essa inauguração ocorre temporalmente bem próxima, inclusive, da conquista de Castelo Branco de tombar a Casa de José de Alencar junto ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional. O equipamento, então, é entregue à administração da Universidade Federal do Ceará.

Entre presenças físicas e simbólicas, o doutor critica que uma das principais consequências da reiteração da memória de Iracema são os recorrentes gastos de recursos públicos e privados. O pesquisador contrapõe as ações de reforço da figura da índia ao longo dos anos com as ações práticas relacionadas às causas indígenas. "A consequência mais drástica dessa memória é que não se faz um debate mais honesto sobre a violência da colonização. Desde quando Iracema foi publicado, já se tratava como se não houvesse mais indígenas no Brasil. É uma questão seríssima que foi sendo apagada do debate público, enquanto o que o ocupa é a idealização de uma índia que nunca existiu. O exagero de Iracema é reflexo de uma política conservadora em relação à memória do Ceará", considera Tiago.

Leia Amanhã
A casa de José de Alencar enquanto referência do autor e sua obra para a Cidade
O Povo

III Feira de Cordel Brasileiro acontece na Caixa Cultural Fortaleza

A Caixa Cultural Fortaleza vai se tornar palco da celebração da cultura popular do Brasil em agosto. De 16 a 19, o espaço na Praia de Iracema recebe a terceira edição da Feira do Cordel Brasileiro, com espaços voltados para a celebração da literatura do cordel. O evento é inteiramente gratuito, com atrações que acontecem de quinta-feira a sábado, das 14 às 21 horas e no domingo, das 14 às 19 horas.
O evento reúne nomes na área da xilogravura, cordel, repentistas, violeiros, declamadores, pesquisadores entre outros especialistas da área. Uma das principais atrações desta edição é o músico Beto Brito, que já trabalhou com artistas, como Zé Ramalho. Além dele, tocam Gereba Barreto e Marcus Lucena, que apresenta seu novo trabalho ao lado de Tarcísio Sardinha e Adelson Viana. Outra grande atração é o lançamento do livro “Orixás em Cordel”, com a presença do autor Mestre Bule-Bule.
A Feira também inclui atividades formativas e palestras com pesquisadores. Entre as oficinas, o evento vai receber espaços de xilogravura e cordel, com inscrições de 7 a 15 de agosto, por meio dos emails encenaproducoes@gmail.com e aestrofe@gmail.com ou pelo telefone (85) 3023 3064. As oficinas possuem um limite de 20 vagas.
A programação detalhada da III Feira do Cordel Brasileiro deve ser divulgada em breve.
Serviço
III Feira do Cordel Brasileiro
Quando: de 16 a 19 de agosto
Onde: Caixa Cultural Fortaleza (avenida  Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema)
Gratuito
O Povo

Festival de Brasília 2018 divulga os filmes em competição

Como no ano passado, foram selecionados para as duas principais mostras competitivas nove longas e 12 curtas.


Cena do filme 'Los Silencios', de Beatriz Seigner.

Cena do filme 'Los Silencios', de Beatriz Seigner. (Divulgação)
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro divulgou nessa segunda-feira, 30, os selecionados para suas duas principais mostras competitivas, de longa e curta-metragem. São, no formato que repete o do ano passado, nove longas e 12 curtas. De acordo com informações da assessoria, estes filmes foram escolhidos entre 742 inscritos, por duas comissões de seleção.
Filmes de Longa-metragem
Bixa Travesty, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman (SP), documentário
Bloqueio, de Quentin Delaroche e Victória Álvares (PE), documentário
Ilha, de Ary Rosa e Glenda Nicácio (BA), ficção
Los Silencios, de Beatriz Seigner (SP/Colômbia/França), ficção
Luna, de Cris Azzi (MG), ficção
New Life S.a., de André Carvalheira (DF), ficção
A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral Almeida (SP), ficção
Temporada, de André Novais Oliveira (MG), ficção
Torre Das Donzelas, de Susanna Lira (RJ), documentário
Filmes de Curta-metragem
Aulas que Matei, de Amanda Devulsky e Pedro B. Garcia (DF), ficção
Boca de Loba, de Bárbara Cabeça (CE), ficção
Br3, de Bruno Ribeiro (RJ), ficção
Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados, de Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito (PE/MG), documentário
Eu, Minha Mãe e Wallace, de Irmãos Carvalho (SP/RJ), ficção
Guaxuma, de Nara Normande (PE), animação
Kairo, de Fabio Rodrigo (SP), ficção
Liberdade, de Pedro Nishi e Vinicius Silva (SP), documentário
Mesmo com Tanta Agonia, de Alice Andrade Drummond (SP), ficção
Plano Controle, de Juliana Antunes (MG), ficção
Reforma, de Fábio Leal (PE), ficção
Sempre Verei Cores no seu Cinza, de Anabela Roque (RJ), documentário

Agência Estado

30 de julho de 2018

FORA DE CONTEXTO



Grecianny Carvalho Cordeiro*

A corrida para a eleição presidencial começou, pelo menos, extraoficialmente, posto que o calendário eleitoral ainda se fará cumprir.
Embora ainda confuso e nebuloso os nomes dos candidatos à presidência da República, já podemos deduzir o que virá pela frente.
Depois de tantos percalços e desencantos, o povo brasileiro sonha com um candidato capaz de restaurar a confiança no poder político, de fortalecer as instituições, de continuar a batalha contra a corrupção, de recuperar a economia...
Pelo jeito, continuaremos na fantasia, porque o mundo real vem se mostrando bem diferente.
Pelo que temos visto, a preocupação dos políticos em geral e dos candidatos à presidente da República, é muito simples, e difere bastante das aspirações do povo brasileiro.
Para eles, o Brasil da Lava Jato é pernicioso, pois lhes retirou os amplos poderes para exercer uma política de toma-lá-dá-cá, capaz de perpetuar um esquema de corrupção que visa somente a atender os interesses pessoais e de alguns grupos.
Para eles, o Brasil que se quer passar a limpo não pode continuar, sob pena de destruir por completo o poderio da classe política, que precisa permanecer intocada e acima da lei.
Para eles, o Brasil precisa retomar os trilhos e voltar à normalidade.

O Poder Judiciário deve manter-se silente, dizendo amém àqueles que os indicaram para os postos mais altos de seus Tribunais, recusando-se a tomar decisões capazes de desagradar os gestores públicos e os altos figurões.
O Ministério Público deve manter-se preocupado apenas com os crimes usuais, sendo-lhe vedado cuidar dos crimes de corrupção, pois estes devem ter ampla liberdade para o seu cometimento e garantia total de impunidade, como sempre foi.
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A Polícia Federal deve manter-se focada na investigação de crimes de tráfico internacional de drogas, serviço de imigração, bem longe de crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro.
PoderJudiciário, Ministério Público e Polícia Federal devem ficar quietos, passivos e permissivos, em seus pequenos universos.
E quanto à imprensa? Que fique bem caladinha.
Senhores aspirantes ao cargo de presidente da República, lembrem-se que o Brasil que vocês pretendem governar não é o Brasil do passado, mas o Brasil do futuro.
O povo brasileiro não quer mais suas instituições guardadas em uma caixinha insignificante, acuadas e com medo de agir, mas sim, trabalhando ativamente para o país e não para os grupos no poder.
Portanto, não fiquem fora de contexto.
*Promotora de Justiça

Flip expande próprios horizontes ao abrir espaços para parceiros

A 16ª edição da festa terminou nesse domingo, com a cara mais diversa nos últimos anos.


Para presidente da Liga Brasileira de Editoras, Raquel Menezes, a Flip 2018 confirma que a Flip 2019 será palco para as independentes.

Para presidente da Liga Brasileira de Editoras, Raquel Menezes, a Flip 2018 confirma que a Flip 2019 será palco para as independentes. (Luciana Serra/Estadão Conteúdo)
Enquanto o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, era seguido por "fãs" e discutia numa mesa um tema espinhoso e urgente como a judicialização da política, do outro lado do centro histórico de Paraty um grupo de jovens subia num barco ancorado para debater literatura, mercado editorial e também outros temas políticos. A 16ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) terminou nesse domingo, 29, com a cara mais diversa da Festa nos últimos anos.
Avaliada como "extremamente positiva" pela produção da Flip, a parceria com as casas colaborativas de editoras, veículos de comunicação e entidades floresceu e trouxe mais gente para a cidade. Ainda não há um número fechado, mas a ocupação das ruas era visivelmente maior do que em 2017.
As mudanças têm o dedo da curadora Joselia Aguiar que, desde o ano passado, trouxe a preocupação de expandir os horizontes da Flip, levando mais autores mulheres e negros para a programação principal, mas também oferecendo espaço para editoras pequenas.
"Em 2017, os autores estavam na programação para falar de vários assuntos, não só disso, mas era o que sempre aparecia nas notícias. Como este ano a homenageada era Hilda Hilst, que trata de temas como amor, morte, Deus, as pessoas mudaram a chave", comentou. Para ela, essa face da Flip se estabilizou. "Vai ser assim sempre", disse. A organização não confirmou se a jornalista continua no comando.
Entre as novidades prometidas para 2019, um aplicativo e um painel de LED a ser instalado na Praça da Matriz com a programação de todas as casas parceiras - como os espaços atuam de maneira independente, é difícil acompanhar a lista de eventos ou mesmo produzir material impresso com antecedência. Segundo a produção, 90% dos assentos da Tenda do Autores foram ocupados, com 6.820 pessoas passando ali até o sábado.
O clima entre as editoras independentes era de missão cumprida com sucesso. "Tivemos a Casa Libre e Nuvem de Livros cheia todo o tempo, ápice na homenagem a Marielle Franco", diz a editora Raquel Menezes, presidente da Liga Brasileira de Editoras. "Mais de cem pessoas estavam do lado de fora para ouvir Conceição Evaristo." Para ela, a Flip 2018 confirma que a Flip 2019 será palco para as independentes.
E um tom nostálgico marcou a última mesa de debates da 16ª Flip, no domingo, 29. Três artistas que tiveram um contato próximo com Hilda Hilst relembraram momentos que ajudaram a compor seu perfil. "Hilda era rock’n’roll, uma mulher irreverente e original", comentou o músico Zeca Baleiro, que lançou um disco com poemas dela como letra. "Apesar de viver um personagem, ela falava com sinceridade", atestou o fotógrafo Eder Chiodetto, que registrou imagens de Hilda para o livro O Lugar do Escritor. "Hoje, percebo que escolhi encenar O Caderno Rosa de Lori Lamby porque é sua obra mais alegre", confessou a atriz Iara Jamra, sobre o trabalho que interpretou nos anos 1990.

Agência Estado

Melhor carreira para o futuro? Saber pensar

Inteligência artificial e a relevância renovada da filosofia no mercado de trabalho

robot thinking
Desde seus primeiros dias na costa leste do Mediterrâneo, mais especificamente na costa do que hoje é a Turquia, a filosofia teve que enfrentar a acusação de ser inútil. Repetidamente, os filósofos tiveram que se defender contra a acusação de não contribuir com nada para a sociedade como um todo. E desde a história de Thales de Mileto de cair num poço enquanto olhava para as estrelas, nunca faltaram histórias de filósofos desajeitados, e eles quase constituem todo um gênero literário dentro da história da filosofia.
Mas, apesar dessa representação usual, a filosofia tem sido um fator-chave na formação da história. Não apenas no sentido de que os filósofos tiveram um papel ativo em momentos importantes (apenas temos que pensar em Brutus e Cássio tramando contra CésarJohn Locke participando da fundação do partido inglês Whig ou John Stuart Mill como um oficial administrativo da Companhia Britânica das Índias Orientais), mas também no sentido de que os trabalhos dos filósofos na verdade moldaram as ideias da sociedade ocidental. As pessoas tendem a esquecer, mas a verdade é que o que hoje entendemos por pesquisa científica, economia e até política, só para citar as primeiras coisas que vêm à mente, são o produto final de um processo de pensamento que foi iniciado por filósofos.
E todos os sinais atuais apontam para uma época em que a filosofia voltará a ser crucial na formação da opinião pública. Os desenvolvimentos em inteligência artificial (IA) são de tal magnitude e estão ocorrendo em ritmo tão rápido que eles estão pressionando por uma reavaliação de conceitos fundamentais, e é o filósofo, e seus colegas humanistas, que estão em uma posição melhor para fazer, ou pelo menos iniciar este processo de reavaliação.
Todas as empresas de tecnologia que trabalham no campo parecem entender isso. Elas estão contratando dramaturgos, poetas e até mesmo comediantes para ajudá-las a melhorar seus assistentes pessoais baseados em inteligência artificial, e estão cortejando filósofos para ajudá-las a entender a natureza dessas invenções.
É em conexão com esses desenvolvimentos que o bilionário e empreendedor de tecnologia Mark Cuban tem afirmado ultimamente que, em um futuro próximo, a graduação em filosofia será mais valiosa do que uma graduação em ciência da computação ou engenharia:
“Eu vou fazer uma previsão; em 10 anos, um diploma de artes liberais em filosofia valerá mais do que uma graduação tradicional de programação… O que está acontecendo agora com a inteligência artificial é que começaremos a automatizar a automação. A inteligência artificial não precisará de você ou de mim para fazer isso, ela será capaz de descobrir como automatizar as tarefas nos próximos 10, 15 anos. Agora, a parte difícil não é se mudará ou não a natureza da força de trabalho. A questão é, durante o período em que isso acontece, quem será deslocado?
Os analistas veem o mercado de trabalho como algo que mudará radicalmente nos próximos anos e até mesmo afirma que os empregos que são mais lucrativos agora (contabilidade e programação de computadores, por exemplo) estarão sujeitos aos poderes da automação. Para se manter competitivo, ele aconselha os jovens a se formarem em cursos que ensinam a pensar de uma maneira geral, como filosofia:
“Saber como pensar criticamente e avaliar a partir de uma perspectiva global, eu acho, será mais valioso do que o que vemos como carreiras do momento, como a programação”.

Aleteia

Programação parceira é destaque em balanço de encerramento da Flip

O aumento da programação parceira foi um dos destaques da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2018 e foi considerado "extremamente positivo" por Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul, que organiza o evento. Mauro destacou que a Flip foi concebida para requalificar o espaço urbano do centro histórico de Paraty e se disseminou de forma mais ativa com as casas parceiras.
Em 2018, a festa literária contou com 22 espaços alternativos que ocuparam o centro histórico com programações diárias. Cada um teve uma organização independente, o que fez com que autores de renome e personalidades circulassem em diversas mesas de discussão na cidade.
Clique na imagem abaixo e confira a cobertura completa da Flip 2018:
banner Flip 2018

"Desde o Ocupa Paraty, com 40 instituições locais fazendo uma programação incrível do outro lado do rio, às casas parceiras, colaborando com a Flip e tendo programações independentes e ativando a cidade de maneira absolutamente incrível", pontuou ele, que destacou também as inaugurações da Biblioteca Estadual Maria Angélica Ribeiro e do Cinema da Praça, onde também houve programações culturais durante a Flip.
Para o ano que vem, o plano é criar um aplicativo que possa informar de forma mais centralizada toda a programação que ocorre durante o evento. Além disso, pode ser instalado um telão de led na Praça da Matriz, para que o público possa acompanhar a lista de atrações em tempo real.

Palco Principal

Até a noite de sábado (28), a Flip teve 90% de ocupação no auditório principal em suas mesas, que reuniram 6.820 pessoas. Na tenda gratuita, onde parte do público acompanhou as atrações na Praça da Matriz, a Flip reuniu 9.361 pessoas até a noite de sábado.
Mesa Barco Com Asas, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
Mesa Barco Com Asas, na Flip - Walter Craveiro/Flip/Direitos reservados
O público total da festa ainda está sendo contabilizado em parceria com a Fundação Getulio Vargas. A taxa de ocupação dos hotéis e pousadas variou de 90% a 95%, segundo Mauro Munhoz.
A curadora da Flip, Joselia Aguiar, avaliou positivamente a adoção de novos formatos, como mesas com dois entrevistadores e um autor, uso de vídeos durante as mesas e participação de autores por meio de perguntas gravadas em vídeo.
Joselia também comemorou a recepção de autores desconhecidos no Brasil, como o italiano Fabio Purstela, e o sucesso da mesa da autora russa Liudmila Petruchévskaia, que não costuma dar entrevistas nem falar sobre sua obra em público.
Neste ano, a Flip manteve a diversidade da edição anterior, com uma proporção maior de mulheres e autores negros e negras em relação às edições anteriores a 2017. Segundo a curadora, essa participação vai se manter, e os autores cada vez mais serão convidados a falar sobre os mais diversos temas, e não só sobre questões que envolvem suas identidades. "Vai ser sempre assim", prometeu Joselia. 

*O repórter viajou a convite da EDP, empresa patrocinadora da Flip 2018. 

Agência Brasil

No Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, ONU apela para reação

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No Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, celebrado nesta segunda-feira (30), a Organização das Nações Unidas (ONU) apela para que os países fortaleçam as formas de combater esse crime contra seres humanos.
Relatório da ONU revela que quase um terço das vítimas desse tipo de crime são crianças. Atualmente, 71% das pessoas traficadas são meninas e mulheres.
No Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas o tema lançado é “Respondendo ao tráfico de crianças e jovens”. Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) calcula que o mundo tenha pelo menos 21 milhões de vítimas de trabalho forçado. O número exato é desconhecido.
Em comunicado, a relatora especial da ONU sobre tráfico de pessoas, a italiana Maria Grazia Giammarinaro, disse que muitas pessoas são enganadas por criminosos e traficantes incluindo imigrantes, refugiados e pedidos de asilo, em busca de proteção ou de uma vida melhor.

Ameaça

Para a relatora, o clima político atual contra a imigração trata as pessoas como ameaça, quando elas podem contribuir para a prosperidade dos países onde vivem e trabalham.
Maria Grazia ressaltou que os países têm a obrigação de evitar o tráfico, classificado como violação dos direitos humanos. Ela citou o Pacto Global para Migração, que estabelece que os países devem ter medidas individuais e indicadores de identificação dos migrantes propensos a tráfico e exploração, incluindo os mecanismos internacionais de proteção.
O pacto deve ser adotado durante encontro internacional no Marrocos, em dezembro deste ano.
O comunicado ressalta que, em todo mundo, a sociedade e organizações civis têm desempenhado um papel importante para salvar vidas e proteger as pessoas do tráfico durante operações de busca e resgate.
A relatora finaliza o comunicado dizendo que, mesmo em tempo difíceis, a inclusão é a resposta para salvar as pessoas. O Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas é liderado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (Unodc).
*Com informações do site da Organização das Nações Unidas (ONU) Brasil

Agência Brasil

Saudade da disciplina de OSPB

Carlos Delano Rebouças*


Lembro-me do início de minha vida escolar, no saudoso Colégio Educandário Casimiro de Abreu, na Barra do Ceará, cuja direção, por longos anos, esteve nas mãos do também saudoso professor Joaquim Batista de Lima. Por lá, aprendemos muito, principalmente, o senso de civismo que hoje não se consegue mais definir.

Todos os dias, enfileirados, todos os alunos encaravam como um ritual cantar em coro o nosso hino nacional antes de adentrar a sala de aula na quadra poliesportiva. Hei daqueles que não o cantassem corretamente ou desviasse a atenção para outras coisas. Assim também era com os demais hinos, como os famosos da Bandeira, da Independência, do estado do Ceará, do Soldado Brasileiro, dentre tantos, cantados principalmente, nas datas comemorativas.

Ai que saudade deste tempo..., de educadores como o professor Joaquim, que zelavam pelo senso de civismo de seus alunos e que permitem, hoje, com grata lembrança, seus antigos alunos declinar alguns dos belos versos, desses belos hinos, pasmem, ainda desconhecidos pela grande parte da juventude brasileira.

Saudades também de algumas disciplinas que fizeram parte de juventude estudantil brasileira, pelo menos até a década de 80, por exemplo, a Organização Social Política Brasileira, ou simplesmente OSPB. Essa matéria, por muitos anos no Brasil, proporcionou a muitos dos seus filhos a possibilidade de adquirir um pouco mais de consciência cívica, de senso de cidadania e de amor ao nosso país; fez com que essa “brava gente brasileira” pudesse desenvolver seu senso crítico sobre os seus direitos e deveres, de uma nação que carecia de um sentimento nacionalista.

Mas voltando aos meus tempos de estudante do Colégio Educandário Casimiro de Abreu e à louvável atitude do eterno Professor Joaquim, posso, hoje, entender que velhos tempos não voltam mais. Ou seja, que os ensinamentos de um passado não tão distante insistam em se manter vivos na memória daqueles estudantes, isso mesmo, na memória, já que nos livros de OSPB, os gestores públicos da época trataram de eliminar, com a abolição de uma disciplina que servia como arma contra seus interesses.

O povo brasileiro não precisa cantar o hino nacional; não precisa saber que feriado é o do dia 07 de setembro nem mesmo o do dia 15 de novembro, muito menos saber quem foi Tiradentes e se a sua morte representa um dia de feriado no calendário nacional. São conclusões tiradas e aceitas ao longo do tempo, decorrentes da postura política em nosso país.

Na realidade, para os políticos brasileiros, mesmo os que não tiveram ou não aproveitaram a oportunidade de ter estudado, como eu, em uma escola como Educandário Casimiro de Abreu, e sob a direção de um educador como o Professor Joaquim, jamais sentiram saudades desse tipo de conhecimento, quanto mais da velha Organização Social Política Brasileira.

*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

27 de julho de 2018

Fernanda Montenegro em noite histórica na Flip 2018

A Sessão de Abertura da 16ª Festa Literária Internacional de Paraty – Flip trouxe a obra de Hilda Hilst, Autora Homenageada desta edição, interpretada por dois grandes nomes da arte brasileira: a atriz Fernanda Montenegro, que realizou uma leitura dramática de textos da autora, sob direção de Felipe Hirsch, e a compositora Jocy de Oliveira, que criou uma apresentação especial para a abertura da Flip. A Sessão de Abertura contou também com falas do diretor geral do Programa Principal, Mauro Munhoz; Liz Calder, presidente da Flip; e Joselia Aguiar, curadora da edição.

“Nossa Sessão de Abertura é um símbolo de artes e gêneros que não têm fronteiras entre si. Teatro, música e literatura integrados”, afirmou Mauro. Na sequência, subiu ao palco do Auditório da Matriz Liz Calder, que deu boas-vindas aos paratienses e aos visitantes da Flip. “Estou feliz da vida com o nosso programa deste ano e, especialmente, com essas duas mulheres magníficas”, disse ela, em referência à participação de Fernanda e Jocy. Joselia relacionou Lima Barreto, Autor Homenageado 2017, e Hilda Hilst – os dois navegantes de vários gêneros, que não fugiram às questões de sua época. “Neste ano temos uma Flip mais intimista, sem deixar de tocar em temas candentes: o racismo, a violência religiosa e de gênero”, pontuou Joselia.

Leitora de Hilda Hilst, Fernanda Montenegro declamou textos da escritora que assinalam sua face política, erótica, cômica e metafísica. “Sempre me perguntaram por que eu escrevo, e uma palavra que eu não tinha lembrado – talvez quem sabe por amor próprio – é a palavra debilidade. É uma sensação de debilidade maior do que de força, o ato de escrever”, leu Fernanda. E a atriz deu também voz a íntimas confissões da escritora: “Parece que eu consegui dizer coisas poeticamente de verdade”. Também à dor de não ser lida. “Acho que as tentativas que eu fiz em seguida, meu teatro, a ficção, foram tentativas de aproximação, um ir em direção ao outro. Mas algo de trágico aconteceu, porque foi um fracasso completo.” Aplaudida de pé, Fernanda se despediu festejando a autora: “Maravilhosa Hilda Hilst, inesgotável Hilda Hilst, amada Hilda Hilst!”.

Então surgiram da plateia as sopranos Gabriela Geluda e Doriana Mendes, que executaram parte da obra Ouço vozes que se perdem nas veredas que encontrei, de Jocy de Oliveira – em menção às vozes do além-mundo que Hilda buscava capturar em seu gravador. Jocy chamou atenção para a presença da morte na obra da escritora: “Em 1970, Hilda decidiu mergulhar em curiosas experiências tentando registrar vozes de mortos. Hilda tentava se comunicar com outros mundos”. Ao apresentar sua segunda obra que trouxe à Flip, Medea Solo, Jocy associou a transgressão de Hilda à da personagem mitológica Medeia. “Foi no grito das mulheres guerreiras excluídas que resgatei o grito de Medeia, o direito de ser diferente num mundo em que ela foi considerada terrorista. A Medeia desterrada, discriminada: questões pertinentes do mundo atual.”

Declarou por fim: "São muitas as Hildas. Ela encarna um universo poético único e nos representa como mulheres. Nós, mulheres, somos todas Hilda".

Fonte: Flip.org.br