Professores pedem tombamento do prédio da antiga Escola Normal Rural

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Quando inaugurado, em 1934, o prédio contava com cinco salas de aula, um espaço para diretoria e secretaria e dois pátios para recreio. Auditório foi construído depois. (Foto: Biblioteca/IBGE)
Juazeiro do Norte. Na última sexta-feira (06), um grupo de professores locais se reuniram, no Memorial Padre Cícero, para discutir o tombamento do prédio da antiga Escola Normal Rural do Município, fundada em 1934. Na ocasião, foi criada uma comissão composta por 12 pessoas da sociedade civil, representantes da Secretaria Municipal de Cultura, da Crede 19 e da direção da EEEP Professor Moreira de Sousa.
Neste primeiro encontro, foram discutidas as questões judiciais na elaboração de um projeto de tombamento que será pedido junto à Secretaria de Cultura do Ceará. Os professores temem que o prédio sofra algum dano em sua estrutura arquitetônica ou, até mesmo, sua demolição, já que o espaço se encontra ocioso. A ideia é pedir a cessão do prédio junto ao Governo do Estado e realizar atividades culturais no local.
Em junho de 2016 a fachada voltou a ser pintada. (Foto: EEEP Moreira de Sousa)
Os cursos profissionalizantes mantidos pelo EEEP Professor Moreira de Sousa ocupam apenas as salas da parte do prédio que se localiza na Rua do Cruzeiro. A parte do prédio a ser tombada fica na Avenida Dr. Floro, onde está a fachada original. A Prefeitura de Juazeiro do Norte está apoiando a iniciativa dispondo a equipe técnica da Secretaria de Cultura.
Segundo o professor e pesquisador Daniel Walker, um dos colaboradores do projeto, neste primeiro momento a equipe está cuidando de reunir a documentação e fazer o levantamento do local. “Nós estamos preocupados. É um prédio ocioso, por isso, estamos temendo duas coisas:  ele estragar com o tempo e acaba caindo ou passar a sediar alguma outra atividade e fazer uma série de mudanças, adaptação e perder características”, explica.
Lá, funcionou o antigo Museu Pedagógico, que mostrava as atividades realizadas na Escola Normal Rural. Por isso, o objetivo da comissão é manter no local alguma atividade ligada a educação e cultura como antes. “Manter uma fachada parecida e que quando fazer a restauração, fique do mesmo jeito. Se não tiver cuidado e correr, será deformado. Não é bom que fique ocioso”, acrescenta Daniel.
Além disso, Daniel Walker acredita que o projeto pode começar a criar a “cultura de tombamento” em Juazeiro do Norte, já que, segundo ele, muitos prédios históricos tem se tornado estacionamentos. Na próxima sexta-feira (13), o grupo volta a se reunir para distribuir as tarefas e elaborar os documentos necessários para o pedido.
História
A Escola Normal Rural de Juazeiro, fundada em 13 de junho de 1934, foi a primeira no gênero criada no Brasil – a segunda na América do Sul -, sendo um marco na educação juazeirense. Como na época havia uma maioria da população morando na zona rural, a instituição fornecia disciplinas contextualizadas para a agricultura, ligadas ao modo de produção no campo e colheita. Mas lá também havia o chamado “curso pedagógico”, que seria o curso normalista.
A escola também tinha a finalidade de formar docentes para a educação no campo, com intenção de realizar um dos sonhos de Padre Cícero Romão Batista. O primeiro exame admissional ocorreu no dia 13 de março de 1934, no Orfanato Jesus Maria José. Até a edificação ficar pronta, foi no lar para crianças que aconteceram as primeiras aulas. Depois de inaugurado, o prédio contava com cinco salas de aula, um espaço para diretoria e secretaria e dois pátios para recreio.
Diário do Nordeste

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