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Museu da Cultura Cearense sedia no dia 19 até sábado (21) um ateliê de gravura

por Felipe Gurgel - Repórter
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Xilogravura da exposição "Ximenes 50 anos": no ateliê derivado da mostra, técnica da gravura é abordada também no campo contemporâneo
A partir desta quinta (19), até sábado (21), o Museu da Cultura Cearense (MCC), equipamento do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), abre um ateliê de gravura, em paralelo à realização da exposição "Ximenes 50: uma estética cearense". A mostra está em cartaz até o próximo dia 29, com acesso gratuito, e pontua a produção de um gravurista político e premiado desde a década de 1960.
O ateliê, voltado a 15 participantes, dentre iniciados e leigos em artes visuais, foi idealizado pela educadora Nágila Gonçalves Lima (estudante de Artes Visuais do IFCE). A estudante Paloma Albuquerque, do mesmo curso, também facilitará o processo, desenvolvido dentro do Núcleo Educativo do MCC.
"Na nossa proposta pedagógica, do estágio, temos de participar de alguns projetos, coordenados pelo Ícaro Sousa, e um deles se chama 'Ampliando olhares, dialogando com a obra'. Nesse ateliê, a gente dialoga com a exposição do Ximenes", situa Nágila.
A educadora resume o processo, adiantando que o grupo deve trabalhar práticas de gravura, com técnicas de encravo e utilizando materiais diversos. "Diversos tanto na forma de gravar a matriz como na forma de imprimir. A motivação para se trabalhar com a exposição do Ximenes é focar na xilogravura, como um dos principais mecanismos de iniciação das artes gráficas cearenses", explica.
Nágila pontua como a xilogravura hoje é difundida, para além do ambiente expositivo, pela própria criação publicitária. Com o processo do ateliê, a gravura, segundo a educadora, "é incorporada como objeto artístico que dita tendências diversas de aplicação visual. A importância é enfatizar a xilogravura, e a partir daí olhar para outras técnicas também (como a isogravura, feita no material de isopor)", resume.
Participantes
O ateliê não tem um foco necessariamente especializado. Segundo Nágila, a seleção dispensa a necessidade de se apresentar um portfólio artístico. Há participantes que nunca tiveram contato com a gravura, e ainda alunos de cursos de artes visuais e design.
Embora a xilogravura seja uma expressão artística muito associada à cultura popular, o ateliê aborda a gravura também no campo contemporâneo.
"Fazemos a leitura das imagens, passamos pela história da xilogravura no Ceará, como tudo aconteceu. Então, a gente troca esses saberes, pra poder dialogar com todos os públicos, tanto para quem está desenvolvido na gravura, como para quem está iniciando", detalha Nágila.
A educadora acrescenta que, dentre os participantes que já desenvolvem trabalhos com gravuras, o processo ajuda a vislumbrar como comercializar a obra. Em resumo, um dos objetivos finais do percurso educativo é estimular o grupo a fazer trabalhos em conjunto, após a realização do encontro.
Segundo o professor Sebastião de Paula (Artes Visuais do IFCE), o cenário da gravura no Ceará foi ampliado para além do reconhecimento da cultura popular ainda na década de 1980. Ele credita aos "gravadores" do Cariri a força dessa expressão. O professor conta que existia a ideia (equivocada) de que a gravura teria sido criada na região cearense.
"E a gravura é milenar. Depois da década de 80, o (artista) Eduardo Eloy volta pra Fortaleza, começa a dar cursos na cidade, e o cenário começa a mudar. Surgiram novos gravadores, que passam a circular nacional e internacionalmente, como o Francisco de Almeida, Nauer Spíndola, Aberlado Brandão", exemplifica.
Sebastião admite que, a depender do ambiente que o público circule, ainda persiste a ideia de a gravura ser marcada sobretudo pela cultura popular. No entanto, ele aponta para as renovações da linguagem, ao situar que os gravuristas passaram a se inserir num contexto criativo de hibridização (e fusão) com outras manifestações artísticas.
"Principalmente depois do desenvolvimento da tecnologia, a gravura se inseriu muito nesse campo ampliado. É uma das linguagens das artes visuais que mais atuam nesse sentido. Tem a escultura no campo ampliado, depois a gravura começou a aparecer mais nesse âmbito. Além do impulso que recebeu da arte urbana também", reflete.
Unifor
Para oferecer uma dimensão desse "campo ampliado", de julho a outubro do ano passado, a linguagem da gravura foi tema de exposição aberta no Espaço Cultural da Unifor (Édson Queiroz). A mostra "Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras da Coleção Itaú Cultural", com a curadoria assinada por Marcos Moraes, contemplava cinco séculos da produção gráfica europeia.
A exposição reuniu 148 peças, produzidas através de diferentes técnicas dos séculos XV a XIX. Antes de aportar em Fortaleza, "Imagens Impressas" esteve em Santos (SP), Curitiba (PR), e seguiu para o Rio de Janeiro (RJ).
A curadoria destacou a obra de nomes como o francês Honoré-Victorien Daumier (1808-1879), Edouard Manet (1832-1883), Eugène Delacroix (1798-1863), Francisco de Goya (1746-1828), Henri de Toulouse-Lautrec (1864- 1901) e Rembrandt van Rijn (1606-1669).
Mais informações:
Exposição "Ximenes 50 anos: uma estética cearense". Aberta para visitação gratuita até 29 de julho, de terça a sexta, das 9h às 19h; e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h. Acesso gratuito. Contato: (85) 3488.8621
Diário do Nordeste

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