Por que devemos estudar o português

Carlos Delano Rebouças*

De vez em quando sou indagado por alguns alunos sobre a real importância dos conhecimentos de Língua Portuguesa para a vida, ou seja, em que se pode aplicar diante de tanta ênfase que nós professores a damos sobre a sua relevância.

A princípio, justificamos pelo fato de ser nossa língua materna, esta mesma que usamos como ferramenta principal na nossa comunicação diária com os demais usuários, e que por isso devemos defender a sua melhor utilização no que se refere ao atendimento de sua norma culta. Em outras palavras, uma questão de respeito.

Também acredito que precisamos dominá-la com excelência, embora exista a defesa de que o mais importante é que haja a perfeita compreensão da mensagem enviada dentro do processo de comunicação. Contudo, quando essa interação comunicativa verbal não se realiza de acordo com a norma culta da língua portuguesa e ainda envolvendo partes dominantes de suas regras gramaticais, sem demora surgem as primeiras manifestações de desaprovação dos textos construídos, as quais se configuram em críticas com cara de preconceito. Nasce assim o preconceito linguístico.

Esse preconceito, não obstante seja percebido pelas suas vítimas, a ele pouco se dá atenção no cotidiano social, contudo, suas consequências são facilmente vistas nas mais diferentes e comuns situação do dia a dia. Por exemplo, no exercício profissional, quando se produz um documento oficial ou mesmo um simples e-mail enviado, percebe-se que seus autores se tornam alvos de piada devido aos excessivos erros percebidos. Também quando se candidatam a uma oportunidade de emprego e têm que produzir uma redação sobre temas diversos. Logo se estabelece o terror para muitos candidatos e a lamentação para que fará a correção. 

Embora se tenha a certeza dessa realidade - que faz com que nossos argumentos estejam sempre em dia para embasar a resposta que devemos dar a quem nos indaga sobre a importância do domínio da norma culta da língua portuguesa - lamenta-se bastante por nem sempre surtir o efeito esperado, que é o de levar o indagador a aceitá-los como uma verdade inquestionável, resultando na conscientização de que deve existir um esforço para melhorar seus conhecimentos, mesmo que não seja por amor, nem mesmo por respeito, mas por necessidade. Contudo, acreditamos que pode se tratar de um contexto transformável, quem sabe a começar pelo sepultamento de tão inaceitável indagação.

*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

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