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Pessoas com deficiência ainda não têm assegurados o acesso a bens culturais

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São vários os direitos garantidos pela Lei Brasileira de Inclusão: acesso a bens culturais; acesso a programas de televisão, cinema e teatro em formato acessível; acesso a monumentos e locais de importância cultural; adoção de soluções para eliminar, reduzir e superar barreiras que impeçam o acesso ao patrimônio cultural; promoção da participação de pessoas com deficiência em atividades artísticas, intelectuais, culturais e esportivas. Na prática, entretanto, os direitos não são efetivados e o acesso aos bens culturais ainda é uma realidade distante.
Apesar do avanço dos recursos tecnológicos, o acesso das pessoas com deficiência a programações e espaços de arte no Brasil ainda é obstruído por uma série de barreiras. Izabeli Sales Matos - integrante da Associação dos Cegos do Estado do Ceará - explica que os mecanismos existem em abundância e vem evoluindo cada vez mais. "Entretanto, infelizmente, na prática, ainda são poucos os equipamentos preocupados e dispostos a fazer uso desses recursos e estratégia para que haja acessibilidade", acredita.
Para Nilton Câmara, doutorando em Linguística e intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) há 20 anos, a pior barreira é a atitudinal. Ele explica que, em algumas situações, as apresentações teatrais e shows musicais são taxados como acessíveis, mas o que acontece na realidade é uma "gambiarra" - pois não há preocupação com a visibilidade do intérprete ou com a logística de iluminação, por exemplo. Recentemente, Nilton ganhou voz nas redes sociais ao questionar a atitude do youtuber Whinderson Nunes, que, durante apresentação no programa global Caldeirão do Huck, fez uma espécie de "piada" simulando gestos atribuídos a Libras.
"Quantos milhões de telespectadores assistiram e vão achar que Libras é qualquer coisinha", indaga Nilton. Ele se manifestou no Facebook e foi seguido pela comunidade surda. Como resultado, o youtuber pediu desculpas publicamente, se reconheceu "ignorante" diante do universo surdo e disse estar buscando um professor em São Paulo para aprender a língua. "O lado bom é que abriu uma discussão", pondera Nilton Câmara, que também é professor de Libras na Universidade Estadual do Ceará (Uece).Galiana Brasil - gerente do Núcleo de Artes Cênicas e também membro do Comitê de Acessibilidade do Instituto Itaú Cultural, localizado em São Paulo - explica que há um déficit histórico quando se analisa o acesso das pessoas com deficiência aos bens culturais. O instituto desenvolve uma série de ações para trazer o público com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades para as dependências do equipamento. "O que estamos fazendo não é só cumprimento de lei, é um dever histórico. Os direitos foram negados para essas pessoas por muitos anos", pontua.
As ações incluem mecanismos que facilitem a compreensão e a apreciação de exposições, presença de intérprete de Libras em todas as programações - presenciais ou virtuais -, e a eficácia de estruturas físicas, que incluem rampas e outros elementos. O custo para desenvolver as ações, apontado como vilão por muitos gestores de centros culturais, é tratado por Galiana como um investimento. "Se a gente vestir a capa do 'é caro', a gente não avança. Tem custo, sim. É preciso trabalho, capacitação de pessoal, estudo. Mas é necessário avaliar como investimento, e não como custo. É um público em potencial que fica muito reprimido. E os equipamentos culturais não precisam atrair público? Precisamos olhar nessa perspectiva", sustenta a gestora. 
O Povo

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