28 de fevereiro de 2019

É bem assim!

Por Carlos Delano Rebouça*
Vivemos, sim, uma sociedade de conhecimentos, onde impera o preconceito de se achar que uma profissão pode ser mais valorosa ou importante que a outra, nutrindo uma espécie de segregação de classes, muitas vezes definindo caracteres a partir das escolhas profissionais, seja por imposições da vida, seja unicamente por identificação.

Somos todos "peças de um jogo", quem sabe, como um xadrez, em que nos movimentamos ou em sua função somos movimentados em busca do sucesso, no qual cada uma com sua devida importância. Um sucesso que não é de um só – de alguém ou de ninguém –, e sim de quem tem humildade de entender que o “nós” é bem melhor de se dizer.

Todos temos algo a ensinar, a agregar de alguma forma para o crescimento da sociedade, para a edificação de um outro ser que não necessariamente se enxerga pelo espelho do egoísmo.

Deixamos nossas marcas, nossos feitos, nosso legado, nossos ensinamentos. Valorizemos, portanto, cada profissão existente, sem jamais transferirmos nossos mais indomáveis sentimentos, esses mesmos que maltratam e machucam sem escolher a quem, apenas pelo simples fato de se enxergar diferenças.
*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

Jejuns, lágrimas e gemidos

Padre Geovane Saraiva*
Pe. Geovane SaraivaO convite de Deus, pela voz da sua Igreja, nos vem para refletir sobre nossa realidade pecadora, não dentro de um olhar pessimista da contraditória existência humana, mas sim do Deus que quer abrir mentes e corações ao seu amor infinito. Ele exige de seus seguidores um compromisso franco, sincero e repleto de esperança, num grau de clareza, de tal modo que, se o pecado de Adão entrou no mundo – sendo causa de morte e escuridão –, a obediência de Cristo, o novo Adão, ocasiona-nos, segundo a promessa divina, a restauração do mundo, sendo ele mesmo remédio aos males da humanidade.

Resultado de imagem para quaresma Jejuns, lágrimas e gemidosQue os sinais da graça de Deus, pela caridade, pela oração e pelo jejum, neste início de Quaresma, permeiem nosso compromisso com o mesmo Deus, na comunidade dos batizados. A celebração da Quarta-feira de Cinzas nos diz: “Voltai a mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos, rasgando o vosso coração, e não as vossas vestes” (Jl 2, 12). Portanto, somos convencidos, evidentemente, de que a essência da conversão é, de verdade, um coração aberto, generoso e contrito, no qual se supõe um forte desejo de mudança, de vida interior.

Pensemos, pois, nas cinzas – matéria tão leve, mas que se dispersa num sopro – que são colocadas nas cabeças dos fiéis seguidores, que buscam Jesus de Nazaré! Elas nos revelam que não somos nada, como nos dizem as palavras do Livro Sagrado: “Minha existência, perante Ti, Senhor, é como um nada” (Sl 39, 6). Assim sendo, ante essa indizível verdade, o orgulho humano é convidado a declinar e a desfazer-se, transformando-se em fragmentos ou migalhas, na apropriação dos incomparáveis bens ou dons de Deus.

Comovidos por nossa própria humildade, oriunda de um Deus terno e afável, numa viva esperança, a Igreja convida os seus filhos, neste tempo favorável e de graça, a inclinar a fronte para acolher as cinzas, num visível sinal de humildade, num pedido de perdão pelos seus pecados e pelos de toda a humanidade, na certeza de que Deus quer a conversão interior dos irmãos de boa vontade, respondendo, não só com súplicas e louvores, mas, sobretudo, com o coração aberto, lembrando que todos são chamados a mergulharem no mistério do amor de Deus.

Nos caminhos do referido mistério, aplacados por nossas boas obras, é importante não prescindir da inclusão de tal prática para todas as pessoas necessitadas de conversão, inclusive as mais virtuosas, muitas vezes tidas como puras e santas, mas que necessitam igualmente de conversão, próximas destas verdades: seu nada, sua condição vulnerável e sua realidade mortal. Assim seja!

*Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE -geovanesaraiva@gmail.com

27 de fevereiro de 2019

O maior mitômano do mundo

domtotal.com
Trump colocou a Europa contra a parede, antes mesmo de negociar ou combinar algo como se faz normalmente com aliados.
Resta saber o quanto Donald Trump irá neste seu caminho tortuoso para impor a sua vontade, conflitando com todos os argumentos sérios de uma democracia.
Resta saber o quanto Donald Trump irá neste seu caminho tortuoso para impor a sua vontade, conflitando com todos os argumentos sérios de uma democracia. (Reuters/Joshua Roberts)
Por Lev Chaim*

Há questão de dias, o presidente norte-americano Donald Trump disse que suas tropas iam deixar a Síria e ele iria soltar os guerrilheiros do Estado Islâmico, caso os países europeus não trouxessem de volta os seus compatriotas que lá foram lutar, um dia. Em outras palavras, colocou a Europa contra a parede, antes mesmo de negociar ou combinar algo como se faz normalmente com aliados. Acho que o senhor Trump não conhece esta palavra. Mas hoje, leio nos jornais holandeses que ele ordenou ao seu ministro do exterior, para não dar permissão para que uma jovem norte¬-americana do Estado de Alabama, Hoda Muthana,  retornasse ao país, depois de ter ido lutar pelo Estado Islâmico há quatro anos, quando só tinha vinte anos de idade. Ou seja: mitômano de primeira classe, que exige que os europeus façam o que ele manda, mas não observem o que ele faz.  

Mas o meu assunto, hoje, é o ‘estado de emergência’ declarado por Trump, medida esta criada pelo Congresso em 1976, para ser usada quando o país estivesse sendo submetido a algum tipo drástico de ameaça vinda do exterior. Que fique claro que, neste assunto, não é o caso. Trump, para não fechar novamente o governo federal pelo impasse entre o executivo e o legislativo, declarou o ‘estado de emergência’. Assim, ele pode decidir sem tem que pedir o apoio da Câmara dos Deputados, de maioria democrata e que está contra esse dispendioso muro entre o México e os Estados Unidos, cujos custos estão avaliados entre 15 e 67 bilhões de dólares. Ninguém sabe ao certo.

Ao contrário de outros presidentes, que fizeram o mesmo, Trump só o fez para impor a sua própria vontade e cumprir a promessa de campanha de construção desse famigerado muro. Com isto, ele inicia duas enormes guerras em diferentes frentes: perante o Congresso Norte-americano e os tribunais do país, pois essa medida, ‘estado de emergência’, só foi criada para dar mais poder ao presidente quando vítima de uma ameaça externa concreta. Esse não é o caso, segundo vários analistas europeus e norte-americanos.

Os fatos: o total de pessoas que tentam atravessar aquela fronteira do México com os Estados Unidos, no momento, está em seu número mais baixo de toda a história. Ele não pode usar esse muro como um argumento de extrema necessidade para se evitar a invasão estrangeira. E tem mais: não só será uma difícil batalha no tribunal, como também o próprio Congresso poderá desfazer este ‘estado de emergência’ declarado pelo presidente, caso tenha uma maioria de 2/3 de parlamentares. Para isto, muitos republicanos teriam que ir contra uma decisão de Trump, o que até agora não ocorreu, mas nada é impossível. Proeminentes republicanos, como Marco Rubio e Mitt Romney, já criticaram abertamente esta tentativa de Trump de declarar o ‘estados de emergência’ para burlar o Congresso e tomar decisões ao bel prazer, como é de seu feitio.

E não é só isto, dizem muitos analistas. Muitos republicanos estão com medo de abrir um precedente para Trump, no campo de um ‘estado de emergência’ para construir o seu muro prometido durante a campanha, e de que, no futuro, um presidente democrata possa fazer o mesmo, para pedir um desarmamento civil da população do país, coisa que, até o momento, não sucedeu. Além do que, se Trump conseguir a verba para o muro, desviando dinheiro de outros projetos prioritários do país, estará também enfrentando a raiva de muitos lobistas profissionais, que lutaram para a aprovação de seus projetos no Congresso.

Agora, resta saber o quanto Donald Trump irá neste seu caminho tortuoso para impor a sua vontade, conflitando com todos os argumentos sérios de uma democracia, que é baseada num governo, num congresso e na Justiça. Portanto, meus caros leitores, esta medida de Trump, de declarar um ‘estado de emergência’ ainda não é corrida vencida, pois, ele irá enfrentar oposição de todos os lados possíveis. E tem mais: se Trump conseguir impor a sua vontade à força neste assunto, a liderança dos Estados Unidos no comando do mundo livre estará totalmente em perigo, pois não será mais um exemplo de democracia válida para quem quer que seja, nem para seus aliados e nem para seus inimigos. É mais um Putin da vida, que tenta impor a sua vontade sobre a nação.

* Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal.

Ex-secretária renuncia à cadeira na Academia que concede Nobel de Literatura

Ex-secretária da Academia Sueca Sara Danius
12/04/2018
TT News Agency/Jonas Ekstromer/via REUTERS
Ex-secretária da Academia Sueca Sara Danius 12/04/2018 TT News Agency/Jonas Ekstromer/via REUTERS
Foto: Reuters
A ensaísta Sara Danius anunciou nesta terça-feira que renuncia a sua cadeira na Academia Sueca, que concede o prêmio Nobel de Literatura, quase um ano depois de ter abandonado o cargo de secretária permanente da instituição em meio a um escândalo de abusos sexuais.
A saída de Danius é o capítulo mais recente do escândalo que obrigou o adiamento da entrega do Nobel de Literatura ano passado, e que finalmente será entregue este ano, em conjunto com o de 2019.
"Decidi renunciar a minha cadeira, que já foi ocupada pela primeira mulher eleita para a Academia, Selma Lagerlöf. Foi uma honra", escreveu Danius em um comunicado.
Ensaísta e professora de Literatura na Universidade de Estocolmo, Danius, 56 anos, entrou para a Academia em 2013 e dois anos depois se tornou secretária permanente da entidade, um cargo sem precedentes para uma mulher desde a criação da instituição em 1786.
Desta maneira, Danius - uma intelectual apaixonada por moda e grandes festas - se tornou o rosto da Academia ao anunciar os vencedores do Nobel de Literatura entre 2015 e 2017.
A crise na Academia explodiu com um artigo demolidor publicado pela imprensa sueca no qual 18 mulheres denunciaram ter sofrido assédio e violência sexual de um intelectual francês, Jean-Claude Arnault, casado com uma acadêmica sueca e presidente de um centro cultural financiado pela própria Academia.
Danius contratou um escritório de advocacia para uma investigação interna, o que provocou uma forte reação dentro da Academia.
O escândalo gigantesco revelou um mundo marcado pelo uso de grandes quantias de dinheiro, rivalidades dignas de uma corte e várias denúncias à cultura de silêncio que protegeu Arnault.
A Academia sofreu a saída de vários integrantes e em abril do ano passado a própria Sara Danius renunciou ao cargo de secretária permanente, para permanecer apenas como ocupante de uma das cadeiras.
Anders Olsson, que atualmente é secretário permanente, afirmou que agora há três postos vagos na Academia. Ele afirmou que sem dúvida serão atribuídos a mulheres.
"É necessário para o equilíbrio entre homens e mulheres na Academia", disse.

Fonte: https://www.em.com.br

Eliana Cardoso vence o 3º Prêmio Kindle de Literatura

PUBLISHNEWS, TALITA FACCHINI

Livro 'Dama de paus' foi o escolhido pelo juri e será publicado pela Nova Fronteira. Autora leva para casa R$ 30 mil.
A Amazon e Nova Fronteira anunciaram na manhã desta terça-feira, o vencedor da 3ª edição do Prêmio Kindle de Literatura. Este ano o prêmio recebeu inscrições de 1.300 autores de todos os estados brasileiros que juntos publicaram mais de 1.500 romances inéditos. “No fundo, todos esses 1.300 autores já ganham por participar do prêmio, uma vez que os romances já estavam disponíveis para quem quisesse ler”, destacou Talita Taliberti, gerente para KDP da Amazon. Os títulos inscritos tiveram oito vezes mais visibilidade e geraram sete vezes mais downloads dentro do KDP, além disso, 28 deles chegaram aos 100 livros mais lidos da plataforma, informou a varejista. “Nossa tarefa é fazer chegar aos leitores esses textos de grande qualidade e é impressionante a maturidade literária que encontramos”, analisou Janaina Senna, editora de literatura nacional da Nova Fronteira.
A escolhida pelo júri nessa terceira edição do prêmio foi Eliana Cardoso, com o livro Dama de paus, que nas palavras de Janaina Senna “é um romance intenso e delicado que envolve e surpreende o leitor. No livro, a narradora retoma o velório de sua neta, Damiana, e intercala sua história e a história das filhas com a conversa sobre um crime acontecido há três anos que ouve pela porta entreaberta do seu quarto. Ao mesmo tempo em que ouve a conversa, Damiana lê o testamento deixado pela neta.
Eliana Cardoso | © Divulgação
Eliana Cardoso | © Divulgação
Para a jornalista e escritora Sonia Rodrigues, que fez parte do júri, Dama de paus é um livro enganador. “Parece que está ali uma mulher em um carteado e conforme vamos lendo, vemos os problemas de uma família e como as coisas não são como parecem ser”. Antonio Carlos Secchin, que também fez parte do júri pontuou que a obra de Eliana "é um exemplo superior de texto”.
Eliana – que pediu para o filho não a acompanhar na premiação por achar que não teria chance – decidiu publicar Dama de paus no KDP por querer ter controle sobre seu livro e poder acompanhar de perto sua repercussão. Ela leva para casa um prêmio em dinheiro de R$ 30 mil e um contrato de publicação com a Nova Fronteira para uma versão impressa do livro. 
Talita Taliberti, Eliana Cardoso, Maria José Silveira, Bruno Loureiro Mahé, Maria de Regino, N.R. Melo, Janaina Senna e Sonia Rodrigues
Talita Taliberti, Eliana Cardoso, Maria José Silveira, Bruno Loureiro Mahé, Maria de Regino, N.R. Melo, Janaina Senna e Sonia Rodrigues
Entre os finalistas estavam estreantes como a professora fluminense N.R. Melo, autora de O som no fim do túnel, e a veterana Maria José Silveira, com Terra sem males: um romance fantasia. Além Bruno Loureiro Mahé, com O registro e Maria de Regino, com Três luas de verão e uma figueira encantada

Pádua Lopes é empossado membro da Academia Cearense de Letras

Em cerimônia no Palácio da Luz, sede da ACL, o diretor superintendente do Diário do Nordeste assumiu a cadeira número 38 da instituição e discursou sobre a importância da Literatura para uma sociedade crítica e bem informada


O jornalista e escritor Pádua Lopes assume uma cadeira historicamente ocupada por grandes nomes da Imprensa do Estado, na Academia Cearense de LetrasFoto: Camila Lima
O jornalista e diretor superintendente do Diário do Nordeste, Pádua Lopes, foi empossado, ontem, na cadeira de número 38 da Academia Cearense de Letras (ACL), a entidade literária máxima do Estado. A instituição é a mais antiga do gênero no Brasil, fundada em 15 de agosto de 1894, três anos antes da Academia Brasileira de Letras. A cerimônia de posse aconteceu no Palácio da Luz, sede da ACL, no Centro de Fortaleza.
Além da relevante trajetória no jornalismo cearense, o novo acadêmico tem contribuições nas áreas jurídica e literária, sendo autor do romance "Safira não é flor". Em discurso de posse, Pádua agradeceu aos fundadores do Grupo Edson Queiroz. "Em função diretiva no Sistema Verdes Mares, tive o privilégio de conviver com Dona Yolanda Queiroz e o chanceler Airton Queiroz, os quais me incentivaram a aprimorar os conhecimentos sobre arte e cultura. A eles, que pairam na dimensão do infinito, a minha gratidão e o meu pleito de saudade", emocionou-se.
Durante o discurso de posse, Pádua Lopes agradeceu também ao ex-presidente da ACL, Ubiratan Aguiar, e à atual presidenta, Ângela Gutiérrez, primeira mulher a dirigir o soldalício. O jornalista destacou, ainda, a "linha mestra" que perpassa os ocupantes da cadeira nº 38 da ACL, já que "todos foram trabalhadores ou colaboradores da imprensa".
Pelo mesmo posto, passaram personalidades como o advogado e redator José Martins Rodrigues, primeiro a tomar posse na cadeira 38; o magistrado e poeta cearense Júlio Maciel; o ex-governador do Estado Menezes Pimentel; o advogado, jornalista e ex-deputado federal pelo estado do Ceará, Monte Arrais; e o ensaísta e crítico literário F. S. Nascimento, a quem Pádua Lopes sucede.
Assumindo-se honrado pela nomeação, o diretor superintendente do Diário do Nordeste criticou a abundância de informações "sem foco nem precisão" que chegam à sociedade atual, ressaltou a importância Literatura como "janela para a reflexão e o pensamento lúcido" e comentou a relação da arte e da cultura com a emergência de novas formas de expressão e comunicação, fomentadas pela tecnologia.
"As concepções estéticas que empolgaram e tiveram êxito até pouco tempo se deparam com as manifestações artísticas que emergem com vigor. Um embate que nos leva a questionar se a Literatura que se pratica hoje atende às exigências intelectuais e emocionais do público leitor, cada vez mais dispersivo pela diversidade das fontes de leitura e entretenimento", refletiu.
A presidenta da ACL, Ângela Gutiérrez, destacou a importância da chegada do novo integrante. "A Academia está recebendo com alegria a chegada do novo acadêmico, que tem excelência em várias áreas. Ele traz essa mente aberta para o presente e para juntar Jornalismo e Literatura", salientou.
"O Pádua chegou aqui já como unanimidade. A força, o brilho e a projeção dele, não só nas letras, mas na imprensa; fizeram com que outro não se colocasse para disputar a cadeira. Ele vai somar a experiência do jornalismo com as letras executadas nos versos e nas crônicas", disse Ubiratan Aguiar.

Diário do Nordeste

Cantora Luiza Nobel conduz o II Fuá da Nobel, que ocupará a Livraria Lamarca, localizada no Benfica, na quarta-feira, dia 27

Negra Voz
Negra Voz

A cantora Luiza Nobel conduz o II Fuá da Nobel, que ocupará a Livraria Lamarca, localizada no Benfica, na quarta-feira, dia 27. A programação terá Getúlio Abelha, Yara Canta, Adna Oliveira, Zéis, Ayla Lemos, Jocasto Britto e Caiô, que irão dividir palco e microfone com a cantora, em show que traz ainda os projetos Negra Voz (foto), Pérolas Negras e Baile Preto.
Quando: quarta-feira, dia 27, a partir de 18h30min. Onde: Avenida da Universidade, 2475 - Benfica. Acesso gratuito.


O Povo

Congresso mundial contra a pena de morte recebe mensagem do papa

Francisco reitera rejeição à pena de morte, mesmo para o pior dos criminosos.
Para Francisco, o fato que cada vez mais países apostam na vida e não na pena de morte, ou até mesmo a eliminaram completamente da sua legislação penal, é um fator positivo.
Para Francisco, o fato que cada vez mais países apostam na vida e não na pena de morte, ou até mesmo a eliminaram completamente da sua legislação penal, é um fator positivo. (Reprodução/ Pixabay)

O Papa Francisco enviou uma videomensagem aos participantes do 7º Congresso Mundial contra a pena de morte, que se realiza em Bruxelas, na Bélgica.
Gravada em espanhol, a mensagem do Pontífice reforça a visão cristã da vida isto é: “A vida humana é um dom que recebemos, o mais importante e primário, fonte de todos os outros dons e de todos os outros direitos e, como tal, deve ser protegida”.

Grave violação
A pena de morte é, portanto, uma grave violação do direito à vida de cada pessoa, afirma o Papa, recordando que hoje existem outros e mais eficazes meios de expiação pelos danos causados à sociedade.
Para Francisco, o fato que cada vez mais países apostam na vida e não na pena de morte, ou até mesmo a eliminaram completamente da sua legislação penal, é um fator positivo. E o Papa completou:
“ A Igreja sempre defendeu a vida e a sua visão sobre a pena de morte amadureceu. Por esta razão, eu quis que esse ponto fosse modificado no Catecismo da Igreja Católica. Durante muito tempo, a pena de morte foi considerada como a resposta adequada à gravidade de alguns crimes para proteger o bem comum. No entanto, a dignidade da pessoa não se perde, mesmo quando se tenha cometido o pior dos crimes. Ninguém pode ser morto e privado da oportunidade de abraçar novamente a comunidade que feriu e fez sofrer. ”
Francisco considera uma “corajosa afirmação do princípio da dignidade da pessoa” o objetivo de abolir a pena de morte em todo o mundo e está convencido “de que a humanidade pode enfrentar o crime, além de rejeitar o mal, oferecendo ao condenado a possibilidade e o tempo para reparar o dano causado, pensar em sua ação e, portanto, ser capaz de mudar a sua vida”.
O Papa conclui a mensagem encorajando todos aqueles que têm responsabilidades em seus países a darem os passos necessários para a abolição total da pena de morte.
“ A Igreja sempre defendeu a vida e a sua visão sobre a pena de morte É nossa responsabilidade reconhecer a dignidade de cada pessoa e trabalhar para que outras vidas não sejam eliminadas, mas ganhá-las para o bem de toda a sociedade. ”

Vatican News

Exposição sobre Museu Nacional tem peça refeita por estudante

Em meio a fósseis de milhares de anos e cerâmicas de séculos, a exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate abre as portas hoje (27) no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, com um tesouro produzido no ano passado. Trata-se da réplica do Trono de Adandozan, do antigo reino africano de Daomé, produzida por um aluno de 13 anos para um trabalho no Colégio Américo de Oliveira, em Marechal Hermes, na zona norte do Rio. 
O trono original foi doado pelo Rei Adandozan a dom João VI, em 1811, e fazia parte do acervo do Museu Nacional desde a sua fundação, há mais de 200 anos. Com o incêndio que consumiu o interior do palácio imperial em 2 de setembro, acredita-se que a peça, que era de madeira, foi destruída.
A qualidade da reprodução feita em papel machê e verniz impressionou e emocionou servidores do Museu Nacional. O trabalho, que seria para complementar pontos na média de Miguel Monteiro Nunes, em história, virou parte do acervo da instituição, o mais antigo museu do país. 
"Eu precisava de ponto e quis fazer um bom trabalho sobre o museu para impressionar a professora e conseguir a nota", resumiu Miguel, que recebeu orientação da professora Janaína Braz e ajuda técnica de sua tia Eliana Monteiro, que sabia manusear o papel machê.
O estudante, que mora em Guadalupe, também na zona norte, dedicou cerca de seis horas diárias durante mais de um mês para entregar o trabalho à feira multicultural organizada pela escola, que reproduziu com as contribuições de outros alunos uma visita ao Museu Nacional.
Miguel já tinha o hábito de fazer brinquedos de papelão, mas nunca tinha tentado um projeto tão ousado. O trabalho ocupou a cozinha de sua casa por todo esse tempo e parte dos materiais teve que ficar armazenada na geladeira.
"Ficou uma bagunça, um campo de guerra. Papelão para todo lado, cola quente, jornal acumulado. Todo dia tinha que limpar tudo", contou o estudante, que conhecia a peça original das 11 visitas que já tinha feito ao Museu Nacional com os pais, que cultivaram essa tradição.
Ver o palácio em chamas também deixou o estudante abalado: "Foi um choque. Foi muito triste ver todos aqueles anos de pesquisa, aquilo tudo, os artefatos da nossa história. E todas as lembranças que eu tinha de lá".
Curadora
 Pesquisadora Cláudia Carvalho fala sobre os resgates na exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate, a primeira com peças retiradas do incêndio, no Centro Cultural Banco do Brasil.
Pesquisadora Cláudia Carvalho - Fernando Frazão/Agência Brasil
Coordenadora da curadoria da exposição e do trabalho de resgate nos escombros do museu, a arqueóloga Claudia Carvalho se emociona ao dizer o que sentiu quando viu o trono feito por Miguel. "Se faz sentido você trabalhar em um museu, é por isso. Um menino foi lá e reconstruiu o trono para a gente. Você consegue imaginar uma coisa mais bacana?", afirmou a pesquisadora.
Segundo ela, o trono não é a única doação recebida de escolas. "O trono é o símbolo de vários objetos, uma quantidade infinita de cartinhas e tudo o que a gente pode imaginar de crianças que eram apaixonadas pelo museu. E, quando a gente vê uma criança fazendo isso, a gente percebe que ao menos até aqui a gente trabalhou direito. Não tem como não dizer que ele não é o Trono de Daomé”, disse.
Vice-diretora
Eliana Furtado Cordeiro, vice-diretora do colégio em que Miguel estuda, intermediou a doação do estudante para o Museu Nacional. Ao perceber a qualidade do trabalho, a escola entrou em contato com a equipe educacional do Museu Nacional, que mandou um representante para a exposição montada em novembro do ano passado a partir de trabalhos como o de Miguel.
Réplicas do crânio de Luzia na exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate, a primeira com peças retiradas do incêndio, no Centro Cultural Banco do Brasil.
Réplicas do crânio de Luzia na exposição Museu Nacional Vive - Fernando Frazão/Agência Brasil
"Fizemos com que as famílias dos alunos e a comunidade do entorno pudessem visitar o colégio como se visitassem o museu", lembrou. Eliana considera “fantástico” que o trabalho tenha ido tão longe e comemora que o resultado é fruto de um projeto de longo prazo. "Estamos trabalhando pedagogicamente para que essas crianças possam aspirar novos espaços". 
A exposição sobre o Museu Nacional fica de hoje até 29 de abril no segundo andar do CCBB. São 180 peças expostas, sendo 103 que foram resgatadas do palácio após o incêndio. A entrada é gratuita. 
Agência Brasil

26 de fevereiro de 2019

Abertura do “Ano Cultural Sérvulo Esmeraldo” ocorre na quarta-feira (27/2)

O Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, e o Instituto Sérvulo Esmeraldo, realizam na próxima quarta-feira (27/2), às 19h, no Cineteatro São Luiz, a solenidade de abertura do ano Cultural Sérvulo Esmeraldo no Ceará. A data é celebrada em alusão aos 90 anos que o artista completaria em 2019. A programação, gratuita e aberta ao público, conta com cerimonial celebrativo, apresentação musical e a exibição do documentário “Sérvulo Esmeraldo: o espaço no infinito” (produzido pelo Cine Group).
A ação se destina a prestar homenagem “in memoriam” para Esmeraldo, um bravo e pioneiro artista; inventor reconhecido nacionalmente e internacionalmente como desenhista, escultor, gravador, ilustrador e pintor cearense. Sérvulo sempre foi preocupado em difundir a cultura no Estado do Ceará e fez uso de seu prestígio como artista internacional, agindo em defesa da política cultural, bem como da classe artística.
“Declarar o ano de 2019 como o Ano Cultural Sérvulo Esmeraldo não trata-se de uma simples homenagem e sim de um ato justo de reconhecimento a um artista inigualável, que mostrou ao mundo a cultura Cearense, projetando o estado internacionalmente, destacando-o na história da arte dos séculos XX e XXI”, ressalta o secretário da Cultura Fabiano Piúba. Este reconhecimento se dará também em forma de lei. Para tanto, será enviado, pelo Governador do Estado, Camilo Santana, um Projeto de Lei a ser votado pela Assembleia Legislativa, cuja finalidade é instituir 2019 como o Ano Cultural Sérvulo Esmeraldo.
Sobre Sérvulo Esmeraldo
O Grande artista visual cearense e universal Sérvulo Esmeraldo, o poeta das linhas, tinha o mundo por ateliê. Faleceu em 2017, aos 88 anos, deixando um grande legado nas diversas técnicas e linguagens que atuou, reconhecido graças aos seus incansáveis esforços como artista dos traços, das linhas, como um eterno brincante com a luz. Seu talento atraiu a atenção do meio cultural e a classe artística ainda na adolescência, quando iniciou seus trabalhos com a xilogravura, seguida pela pintura quando integrou a Sociedade Cearense de Artes Plásticas, a histórica SCAP.
Sua obra é a síntese de uma vida trabalhada no Brasil e na Europa. Desde a primeira exposição realizada no Crato em 1951, o artista que viria a se tornar uma referência na história da arte brasileira, alçou voo na Europa, construindo uma sólida carreira na famosa Escola de Paris, primeiramente como gravador, e depois como o artista cinético detentor de uma obra extremamente original, que chamou de “Excitáveis”. Em Fortaleza, Sérvulo Esmeraldo notabilizou-se, sobretudo, como o artista das grandes esculturas expostas a céu aberto na capital cearense. São dele alguns marcos importantes da cidade, a exemplo do Monumento ao Interceptor Oceânico, considerada a primeira escultura contemporânea brasileira, instalada na Praia do Náutico, a escultura composta por cinco quadrados paralelos, na entrada do Campus do Pici, dentre outras mais de 30 obras de tal magnitude. Com centenas de exposições realizadas no Brasil e no exterior, e participação em importantes Salões, Bienais e outras coletivas nacionais e internacionais, sua obra está representada em museus brasileiros e estrangeiros
:: 2019 Ano Cultural Sérvulo Esmeraldo
Abertura no Cineteatro São Luiz
Dia: 27/02/2019
às 19h
Atividade gratuita e aberta ao público. 

Secult Ce

Inspiração de filme do Oscar, livro de James Baldwin chega ao País

Paulo Nogueira*, Especial para o Estado

A carreira de James Baldwin durou quatro décadas, de 1947 a 1987, quando morreu na França, onde se expatriou aos 24 anos. Negro e gay, o escritor ralou (e rolou) num período de mudanças sísmicas nos EUA, nas quais nunca deixou de meter a colher. O autor de Se a Rua Beale Falasse, cuja edição brasileira acaba de sair (a versão cinematográfica concorre a dois Oscar), nasceu no Harlem, bairro nova-iorquino que iria moldá-lo. Foi pregador adolescente, mas apostasiou, encarando a Igreja como uma instituição fundada não no amor, mas no medo. Sempre tentou ser honesto consigo mesmo, independentemente de modinhas mais ou menos edificantes – incluindo sua sexualidade e seu destino num país de hostilidade racial. Quando jovem, namorou mulheres e homens, mas nunca morou em armários: “Amei alguns homens. Amei algumas mulheres.” A luta contra a homofobia tinha de ser pública para o amor poder ser privado, da conta de ninguém, exceto dos envolvidos. 
Se a Rua Beale Falasse
 
Cena do filme 'Se a Rua Beale Falasse' Foto: Annapurna Pictures
De Paris, Baldwin foi revisitando a nave-mãe, seja em textos seja em carne e osso, se envolvendo no movimento pelos Direitos Civis dos anos 1960. Esgrimiu na TV americana com vultos tão díspares quanto Malcolm X e William F. Buckley (vídeos disponíveis no YouTube). Em 1964, publicou o ensaio Por Que Parei de Odiar Shakespeare, onde fixou uma mudança de paradigma: “Minha briga com a língua inglesa era porque tal linguagem não refletia nada da minha experiência. Agora vejo a questão de outro jeito. Se a língua não era minha, podia ser culpa dela, mas eu também tinha culpa no cartório. Pois nunca tentei usá-la, apenas aprendi a imitá-la.” Ao customizar seu estilo a partir dos clássicos (especialmente Henry James), temperando-o com o blues de Bessie Smith, Baldwin se tornou um virtuose da prosa literária – a meu ver, o maior ficcionista afro-americano. 
Sobre o racismo, Baldwin realça que ele envenena o caráter moral dos EUA, a partir do que chamou de “inocência” branca, que podemos traduzir como “alienação” ou “má-fé”. Segundo Baldwin, tudo derivava do déficit de amor. Em suas obras, ele tratou do amor gay entre brancos, do amor hétero entre brancos e negros, e do amor hétero entre negros. Claro que Baldwin não falava de sair por aí fazendo coraçõezinhos com as mãos – mas também repudiava aquele oximoro contemporâneo do “ódio do bem”. Ódio é tóxico: gangrena a alma e ponto final. 
No dia 12 de outubro de 1973, Baldwin enviou uma carta ao irmão, participando que acabara seu primeiro romance em cinco anos (e seu penúltimo). Comentou que Se a Rua Beale Falasse era “a obra mais estranha” que já escrevera. Era o Dia de Colombo, e um dos personagens do romance resmunga: “Quem descobriu a América merecia ser arrastado para casa, acorrentado e morrer.” O que Baldwin pensaria do fato de que, décadas depois, um negro seria eleito e reeleito para a Casa Branca, virando o homem mais poderoso dos EUA e do mundo? E serem esses mesmos EUA em que eventos como os de Charlotteville ainda precisam gerar movimentos como o Black Lives Matter? 
A estranheza de Se a Rua Beale Falasse reside em ser o primeiro e único romance de Baldwin narrado na primeira pessoa por uma protagonista feminina: Tish, de 19 anos. Ela descobre que está grávida depois que seu namorado Fonny é preso, acusado de estupro. A história segue a gravidez e a luta para libertar o rapaz, presumivelmente inocente. 
Na época, muitos críticos espinafraram o romance por causa da narradora, considerada “sofisticada demais” e um boneco de ventríloquo do autor. Uma pinoia: Tish é sofisticada o suficiente, enquanto mulher sagaz, diligente e corajosa – mas nunca dona da verdade: “Não conhecemos o suficiente sobre nós mesmos. Acho que é melhor saber que não sabemos, desse modo a gente pode crescer carregando o mistério, assim como o mistério cresce dentro da gente. Mas hoje em dia, é claro, todo mundo sabe tudo, e é por isso que tanta gente está perdida.” 
Sim, Tish estapeia o racismo: “Olhavam para nós como se fôssemos zebras – e você sabe, algumas pessoas gostam de zebras e outras não.” Mas também é capaz de reconsiderar sua relação com o advogado branco que tenta inocentar Fonny: “Sorri, e ele sorriu, e alguma coisa realmente humana aconteceu entre nós, pela primeira vez.” Se a Rua Beale Falasse é um romance feminista: sua mulherada faz e acontece. Só que sem uma migalhinha de misandria: se seus personagens mais formidáveis são mulheres (Tish, sua mãe e sua irmã), os mais desprezíveis também (a sogra e as cunhadas de Tish). E todas elas são negras.
Bem antes de a decodificação do genoma humano (em 2003) lacrar que há apenas uma raça (a humana), Baldwin insinuava que somos todos diferentes, e precisamente por isso iguais. Continua novinho em folha o clamor do Dr. King (amigo de Baldwin): “Tenho um sonho, de que meus quatro filhos pequenos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo seu caráter.” Implicitamente, Baldwin propõe a universalidade desse sonho, rejeitando coisas como a “apropriação cultural”, a ideia de que as culturas são guetos e propriedades privadas, e não patrimônios humanos (como se, por exemplo, um físico negro pudesse ignorar Einstein). 
Já dizia Edmund Wilson: nunca dois leitores leram o mesmo romance – isto é, as grandes obras são plurívocas, fazendo de cada leitor um coautor. Os valores de Se a Rua Beale Falasse transparecem não numa homilia unidimensional e panfletária, através de abstrações sociológicas, mas de indivíduos prismáticos, singulares e contraditórios – como compete a um ficcionista. As biografias destes personagens nunca degeneram em hagiografias. 
Por isso, e a despeito do desfecho algo abrupto (como se Baldwin amarelasse diante de um final feliz, por soar demasiado otimista), Se a Rua Beale Falasse não é programático nem datado, mas para mim o melhor romance de um grande autor.

*PAULO NOGUEIRA É AUTOR DE ‘O AMOR É UM LUGAR COMUM’ (INTERMEIOS) 

Acervo resgatado do Museu Nacional será exposto no CCBB do Rio

Mais de 100 obras resgatadas dos escombros do Museu Nacional serão exibidas ao público no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro a partir de quarta-feira (27), na exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia da Resistência. A exposição poderá ser conferida pelo público até o dia 29 de abril.
O Paço de São Cristóvão, antigo palácio imperial, que funcionava como prédio principal do Museu Nacional, pegou fogo no dia 2 de setembro do ano passado. O incêndio fez com que o teto e os andares internos do palácio desabassem e causou grande destruição no acervo de 20 milhões de peças. O museu já completou 200 anos.
O que será exposto no CCBB é uma pequena parte do que já foi possível recuperar após o incêndio, informou o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner.
"[A exposição] Não é o fruto total do que a gente conseguiu resgatar, é apenas uma pequena parcela do tesouro do Museu Nacional. E essa pequena parcela não representa nada perante o enorme potencial que ainda temos para resgatar", disse Kellner.
Com um total de 180 peças, a exposição tem 103 que foram retiradas do palácio após o incêndio pela equipe coordenada pela arqueóloga e professora Claudia Carvalho, que também participou do trabalho de curadoria. As 73 peças restantes são fruto de uma seleção que tentou identificar objetos simbólicos para o museu e outros que dialoguem com os afetados pelo incêndio. Já os objetos resgatados foram avaliados segundo sua estabilidade e possibilidade de comunicação com o público. Objetos desestabilizados estão além da fragilidade, explica Claudia, pois podem desmanchar ao menor toque.

Resgate

Cerâmicas peruanas na exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate, a primeira com peças retiradas do incêndio, no Centro Cultural Banco do Brasil.
Cerâmicas peruanas na exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate, a primeira com peças retiradas do incêndio, no Centro Cultural Banco do Brasil - Fernando Frazão/Agência Brasil
A coordenadora de resgate disse que voltar a expor para o público traz alegria à equipe, que vem trabalhando sob uma sensação térmica de até 46 graus para salvar os objetos. Entre 50 e 60 servidores participam desse trabalho, ao mesmo tempo em que realizam pesquisas e aulas no museu, que tem importantes programas de pós-graduação.
"É uma curadoria que a gente fez questão de compartilhar", disse Claudia. "A gente queria que as pessoas que estavam no resgate, e eram responsáveis pelas áreas, pudessem participar. Fizemos de forma coletiva".
As buscas em cerca de 25% do museu já podem ser consideradas esgotadas. Segundo Cláudia, com a instalação da cobertura, será possível escavar os escombros e encontrar as obras que estavam nos andares inferiores e foram soterradas. Até agora, o resgate avançou mais rapidamente nas áreas próximas ao trabalho de escoramento, como a entrada principal.
Desde o início do resgate, cerca de 2,3 mil registros de possíveis partes do acervo foram retirados do Museu Nacional. Esses registros, explicou a arqueóloga, correspondem muitas vezes a massas que aglutinam mais de uma peça, o que eleva a expectativa em relação ao número que ainda pode ser retirado.
"Se não acontecerem grandes problemas, no fim deste ano, ou até março do ano que vem, a gente termina a escavação", disse, adiantando que a partir daí terá início o detalhamento das peças retiradas e dos danos causados pelo desabamento.

Exposição

A exposição foi organizada a partir de um convite do CCBB do Rio de Janeiro, que custeou os R$ 230 mil necessários para que ela fosse realizada. O gerente-geral do CCBB-RJ, Marcelo Fernandes, disse que o incêndio impactou todos os profissionais da área cultural do país, e sua equipe buscou uma forma de ajudar.
"A gente entendeu que, entre todas as perdas que o museu teve, uma delas foi a do teto. E que a gente poderia contribuir nessa questão oferecendo nosso espaço para receber o resultado desse trabalho tão cuidadoso e tão carinhoso. O Museu Nacional vive, e, com muita honra, nesse momento ele vive aqui no CCBB”.
Marcelo disse que pretende levar à direção do Banco do Brasil, em Brasília, a ideia de realizar a exposição em outros estados onde o banco público tem centros culturais. "É questão de conversar e ver a disponibilidade tanto do material quanto de grade do CCBB", disse, acrescentando que a fragilidade das obras contribuiria para elevar os custos de logística e seguro, mas não seria um impedimento definitivo.
Fósseis na exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate, a primeira com peças retiradas do incêndio, no Centro Cultural Banco do Brasil.
Fósseis na exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate, a primeira com peças retiradas do incêndio, no Centro Cultural Banco do Brasil - Fernando Frazão/Agência Brasil

Meteorito

O público já começa a ter contato com o Museu Nacional no térreo do CCBB, onde está o meteorito Santa Luzia, que caiu do espaço em 1922 e pesa aproximadamente duas toneladas.
A exposição está no segundo andar do CCBB e oferece como primeiro impacto uma harpia embalsamada. Apesar de não ter sido afetada pelo incêndio, a ave, que é uma das maiores do continente americano, é considerada símbolo do Museu Nacional.
Outro destaque da exposição é o crânio do jacaré-açu, que foi resgatado inteiro dos escombros e é exposto ao lado de outro crânio da mesma espécie de réptil. No que foi retirado do palácio, é possível ver as marcas das chamas, que escureceram o fóssil.
A diversidade do acervo do museu vai além da história natural, e isso se reflete na exposição. Cerâmicas marajoaras, bonecas karajá, objetos trazidos do Benin e parte das coleções de Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina estão expostas.

Danos

A exposição faz questão de descrever ao público os danos causados nas peças expostas e mostrar o trabalho de resgate que vem sendo conduzido nos últimos cinco meses.
"Nós queremos que as pessoas se lembrem da tragédia que acometeu o Museu Nacional. Não é para esquecer ou modificar o passado. Ele existe e faz parte da nossa história. O que a gente precisa é aprender com ele para que tragédias como as que aconteceram com o museu nacional não se repitam jamais”, disse o diretor Alexander Kellner.
Agência Brasil

25 de fevereiro de 2019

Pesquisa e registros

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Recebemos expressivo compêndio vindo da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. O título da obra: "Governadores do Ceará - Registros Biográficos". Um memorial de rara relevância. De logo, identificamos o organizador de tão rica publicação. Rica em caracteres históricos que só a sensibilidade de um escritor do porte de Osmar Maia Diógenes tem o condão de comandar em trabalho de pesquisa e contextualização da mais alta respeitabilidade literária.
A história política do Ceará em memoráveis registros. Livro para ocupar as estantes dos interessados em conhecer os vultos, as personalidades que administraram e administram estas plagas do imortal José de Alencar. Trabalho de fôlego num ordenamento vindo das luzes do saber de quem respira literatura por todos os poros.
Osmar Diógenes é o condutor certo de obras deste jaez. Une talento e amor à grandeza política que nos rodeia. Sabe joeirar o que de valia deve ser condensado em livro. "Governadores do Ceará - Registros Biográficos" é um belo exemplar ilustrado com farto material fotográfico para ficar na nossa retentiva. Pesquisa e registros sem a aridez de estatísticas enfadonhas. Livro de interesse real. Leitura fascinante que põe em destaque o seu organizador Osmar Maia Diógenes, como o profissional certo para levar à frente uma publicação realmente meritória. Anteriormente, ele coordenou para a Casa do Povo outros títulos históricos de relevo, como "Presidentes do Poder Legislativo do Ceará" (1835 - 2006).

Osmar Maia Diógenes, presidente do Memorial da Assembleia Legislativa Deputado Pontes Neto, recebe os louros da vitória pelo empenho em produzir um livro-documento para fixar a memória da trajetória político-administrativa deste Estado de tantas luzes. Registros Biográficos de alto nível. Uma leitura que vai bem mais além de um simples estudo de bancas escolares. Marca registrada com lastro da maior grandeza nas letras.

Patativa do Assaré: 110 anos de palavra viva

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Há 110 anos nascia Antônio Gonçalves da Silva, poeta magistral sertanejo que, na forma de Patativa, versou as verdades dos muitos brasis de universal Nordeste. Respeitado por sua genialidade, faz menos falta do que devia, pois sua palavra é viva