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Escola de samba conta a história do Bode Ioiô, personagem cearense




O Bodê Ioiô é um grande símbolo do sertão cearense. Retirante da seca de 1915, ele foi companheiro de artistas e intelectuais que frequentavam a boemia em Fortaleza. Seu sucesso era tão grande que o bode chegou a ser eleito vereador da capital informalmente.
Passados 88 anos da morte, seu nome volta a ser lembrado, e dessa vez nacionalmente. A história do Bode Ioiô será tema de enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti, no Carnaval de 2019 no Rio de Janeiro.
Segundo o carnavalesco Jack Vasconcelos, ele conheceu a história do bode através de um amigo cearense há quatro anos. “Esse ano o projeto do bode saiu da gaveta. Eu falei que queria conhecer um pouco mais da história desse personagem, e fiz uma viagem até Fortaleza, passei uns dias, fui ao museu e a história virou enredo”, relata.
A história do bode, hoje empalhado no Museu do Ceará, no Centro da capital, chamou atenção do carnavalesco por conta de sua fama. “Ele virou uma personificação da população e da resistência popular. A imagem do bode sobrevive até os dias de hoje, as pessoas amam sua história”, reflete.
Jack compara Ioiô com um símbolo carioca, o Macaco Tião, que não teve tanta representatividade na história. “Ele não foi um personagem que sobreviveu ao tempo, muitas pessoas da nova geração dificilmente ouviram falar do macaco. O Ioiô é super vivo, ele dá nome a bloco de rua, é lembrado em manifestações popular. Eu pensei ‘Isso é muito Brasil, eu preciso falar dele'”.
O carnavalesco ressalta a importância do Bode Ioiô na conjuntura política do país. “A gente vai usar o bode para fazer algumas brincadeiras em relação a como as pessoas tratam a política e vamos usar ele porque foi exemplo de voto de protesto e da insatisfação das pessoas”, retrata.
Durante os preparativos para confirmar o enredo, Jack visitou Fortaleza para conferir de perto toda a cultura local. “Eu conheci um pouco do artesanato, estou trazendo para cá e estamos reproduzindo como os tradicionais fuxicos, as tendas de bilro, os bonecos de barro e os tapetes de retalho trançado”, lista.
Outro fator que chamou atenção do carnavalesco foi a cor do mar de Fortaleza, esverdeado. “Gostei muito de ver o esverdeado do mar, porque aqui no Rio, o mar é mais azulado”. A cor do mar será tema de um carro no desfile. “Mandei tingir alguns tecidos nesses tons de verde para reproduzir a cor que eu vi”.

História

O Bode Ioiô causou algumas histórias memoráveis na Praça do Ferreira, considerada o “Coração de Fortaleza”. Segundo informações do Blog Fortaleza Nobre, o animal teria chegado à capital junto a retirantes da seca que atingiu o Ceará em 1915.
Seu dono o vendeu, na época, para um representante de empresa britânica, e ele acabou se tornando uma espécie de mascote. Conforme o blog, o bode teria cansado de comer os ‘matos’ em volta da empresa, localizada na Praia de Iracema, e decidiu passear pela cidade. O caminho entre a Praia e a Praça do Ferreira se tornou diário e, foi a partir daí, que ele virou um memorável ícone da boemia fortalezense, compartilhando passeios com escritores, pensadores, músicos e atores.
Em 1921, Ioiô faria um causo que consagraria sua história. Durante a cerimônia de inauguração do Cine Moderno, nas redondezas da Praça do Ferreira, várias pessoas aguardavam com expectativa a chegada de governadores e celebridades. Ioiô quebrou as regras, tomou a frente e comeu a fita de inauguração.
A partir daí, no mesmo ano, intelectuais “candidataram” o bode Ioiô a vereador. Em 1922, o nome do bode apareceu como vitorioso, apesar de não haver uma candidatura legalizada. Nesse período, pessoas votavam em cédulas de papel, escrevendo o nome de seus candidatos e, por isso, a vitória. Bode Ioiô morreu em 1931 e, logo após sua morte, foi empalhado e doado ao Museu do Ceará, localizado em Fortaleza.
Tribuna do Ceará

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