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Filme sobre Marighella é resposta artística a cenário político brasileiro, diz Wagner Moura

'Bolsonaro tem elogiado torturadores, ele tem elogiado a ditadura... as pessoas estão começando a dizer que o golpe de 1964 foi na verdade o 'movimento' de 1964', diz diretor.
"Marighella" mostra o grupo de resistência usando meios criativos para chamar atenção para os crimes da ditadura. (Divulgação)

BERLIM - Os produtores de 'Marighella', filme sobre o revolucionário brasileiro assassinado durante a ditadura militar, esperam que a produção ajude a combater uma versão da história brasileira que afirmam ser propagada pelo presidente Jair Bolsonaro.
O drama foi filmado antes da eleição presidencial do ano passado, mas o diretor Wagner Moura disse que o filme é, ainda assim, uma resposta artística ao cenário no qual Bolsonaro foi eleito.
O filme retrata um grupo clandestino liderado por Carlos Marighella (Seu Jorge), cujo objetivo é estimular a resistência informando o público sobre atos de tortura e assassinatos perpetrados por um governo que usa o controle da mídia para manter seus crimes em segredo.
Moura disse que o filme, que estrearia nesta sexta-feira no Festival de Cinema de Berlim, tem uma missão semelhante --derrubar uma narrativa que retrata os defensores da ditadura como heróis e apaga a história da resistência.
"(Bolsonaro) tem elogiado torturadores, ele tem elogiado a ditadura... as pessoas estão começando a dizer que o golpe de Estado de 1964 foi na verdade o 'movimento' de 1964", disse Moura a repórteres.
O Brasil foi governado por militares durante 21 anos, a partir de 1964. Um relatório de 2014 da Comissão Nacional da Verdade revelou que centenas foram mortos ou desapareceram durante a ditadura, e que milhares foram presos.
Capitão da reserva do Exército, Bolsonaro tem expressado abertamente sua admiração pela ditadura. Ele chegou ao poder devido à insatisfação dos eleitores com os partidos políticos tradicionais e tomou posse em janeiro.
"Marighella" mostra o grupo de resistência usando meios criativos para chamar atenção para os crimes da ditadura, inclusive desviando sinais de rádio para transmitir um discurso do revolucionário.
Enquanto isso, o policial Lúcio (Bruno Gagliasso) está sob crescente pressão para reprimir o grupo, e usa uma misto de violência e destreza para contê-lo, identificando o ponto fraco dos revolucionários: sua ligação com suas famílias e aqueles que amam.
O elenco e equipe do filme entoaram gritos pela liberação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena de mais de 12 anos de prisão por condenação por corrupção, no tapete vermelho do evento.
A produtora de "Marighella", Andrea Barata Ribeiro, disse que ainda é incerto quando, ou até se, o filme será amplamente lançado no Brasil, e que obstáculos financeiros podem ser tão significativos quanto qualquer resistência política à produção.
"Se necessário, faremos um lançamento independente do filme por meio de crowdfunding."

Reuters
 

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