A rotina do engraxateDenilson dos Santos, de 48 anos, é bastante peculiar para os tempos atuais. Ele trabalha como um “engraxate oficial” dos advogados do Ceará, pela Caixa de Assistência dos Advogados (Caace). Porém não é isso o que mais importa. Ainda adolescente, Denilson abandonou a escola. Nos últimos dez anos, no entanto, redescobriu o amor pelas palavras e soma quatro livros escritos para o público infantil e infanto-juvenil, nenhum deles publicados.
Para ele não é possível responder como “surgiu” a vontade de escrever. “É uma coisa nata, que nasce com a pessoa”, afirma.
Denilson estudou no Colégio Militar de Fortaleza até o ensino fundamental. Deixou os estudos para trabalhar com conserto de máquinas de costura, porque, afirma, “não queria nada na época”. Mas o prazer pela leitura, o gosto por captar informações em documentários e jornais e centenas de livros lidos, segundo ele, o ajudaram a desenvolver a habilidade de escrever.
Em 2007, ele criou a primeira história: “Solitário – O Pintinho Diferente“, que aborda o preconceito. Sua paixão é pelo lúdico, pelo infantil. Assim, surgiram também “Terra de Gigantes“, que fala sobre desmatamento na Amazônia, cultura indígena e importância de se preservar o meio ambiente; e “O Gato que Pensava ser um Leão“, que reúne contos.
A última empreitada é o livro “A Invasão“. Em meio a “egyptorianos”, naves espaciais e extraterrestres, Denilson fala sobre a ameaça da dengue, com uma linguagem direcionada ao público infantil. Quem o vê com todo o equipamento de engraxate pelos prédios da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB), em Fortaleza, repara logo nos exemplares do livro ao seu lado.
O sonho de Denilson, além de retomar os estudos um dia, é ver pelo menos uma de suas obras publicadas. Como se tratam de abordagens infantis, ele precisa também de ilustrador. O menor orçamento que ele já conseguiu para os desenhos foi de R$ 2.500 por 10 imagens. Para publicar a obra, ele já recebeu orçamentos entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, valores que não cabem no orçamento da família.
O engraxate se empolga ao falar de suas obras e tem muita fé de que, um dia, seu trabalho será lido por muita gente. Tomara que com os desenhos.
Historiador João José Reis recebeu o prêmio Machado de Assis.
‘Se Machado existiu, o Brasil é possível’, diz a imortal Nélida Piñon.
A Academia Brasileira de Letras completou nesta quinta-feira (20) 120 anos de fundação.
“Esta casa nasce de uma utopia engendrada por jovens, o que é um sinal maravilhoso para o Brasil de hoje, que vive momentos de grande descrença. Eu digo uma coisa relativo a Machado de Assis: se Machado existiu, o Brasil é possível”, diz a imortal Nélida Piñon.
Machado de Assis fazia parte de um grupo de intelectuais sonhadores que fundaram a Academia Brasileira de Letras, e foi presidente da casa por dez anos. Durante todo o tempo de vida da ABL, 292 acadêmicos conquistaram o direito de ocupar as cadeiras.
“O que marcou, o que as pessoas distinguem em mim é ser acadêmico. As impressões digitais de ser acadêmico são definitivas”, afirma outro imortal, Marcos Villaça.
A academia é um ambiente diverso para a troca de ideias. Gente que se destaca na política, na diplomacia, na poesia, na medicina.
E foi um historiador, João José Reis, referência pelos estudos da escravidão no século 19, que recebeu o prêmio Machado de Assis.
E a festa terminou com um concerto.
“Cada grupo de acadêmicos que se renova, que vai constituindo a casa, tem esta grande responsabilidade, manter o brilho dessa aura. E essa é a nossa contrapartida para a sociedade que nos privilegia tanto”, disse Domício Proença Filho, presidente da ABL.
"Que dicas você dá a alguém que queira se tornar um escritor, como você?"
Foi esta a pergunta que o G1 fez a quatro convidados da 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que terminou neste domingo (30).
Eles de estilos bastante variados: tem romancista premiado, autor de não ficção, cantor e acadêmico:
o premiado jamaicano Marlon James;
o rapper e ativista angolano Luaty Beirão;
a historiadora Lilia Schwarcz, biógrafa de Lima Barreto;
o português Frederico Lourenço, tradutor da 'Bíblia'
Em geral, sugerem fé si mesmo e, principalmente, estilo original (nada de imitar autor bem-sucedido).
Veja, abaixo, as dicas dos autores da Flip 2017:
Ganhador do Man Booker Prize de 2015 e astro da Flip 2017, o jamaicano Marlon James, autor de 'Breve história de sete assassinatos', aconselha: 'Sempre acredite no seu valor. Seu tempo chegará quando você for o único a acreditar em si mesmo' (Foto: Luís Filipe Pereira/G1)
O rapper e ativista luso-angolano Luaty Beirão, que lançou na Flip 2017 um diário da época em que esteve preso por ler um livro 'subversivo', dá a seguinte dica: 'Nunca deixe ninguém fazer com que você duvide das suas próprias capacidades. insista até que funcione. Não imite, seja original' (Foto: Luís Filipe Pereira/G1)
O português Frederico Lourenço, tradutor da 'Bíblia' do grego para o português, recomenda: '"A fonte principal da escrita é a vida e, por isso, o escritor tem de viver de forma inteira, mergulhado na vida, mas ao mesmo tempo mantendo a capacidade de se observar a mergulhar' (Foto: Luís Filipe Pereira/G1)
A historiadora e escritora Lilia Schwarcz, autora da biografia 'Lima Barreto: Triste visionário', dá a dica: ''Queridos amigos jovens escritores, curiosidade e solidariedade são os segredos' (Foto: Luís Filipe Pereira/G1)
Do ponto de vista dos autores que ocuparam o palco principal na 15ª Festa Literária de Paraty, que termina neste domingo (30), a plateia em nada se diferenciava do público de uma missa na Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios. Exceto pelos audiofones da tradução simultânea e pelos aplausos, a imagem das câmeras que mostravam os "fiéis" era a de uma celebração da Igreja Católica.
Toda a diferença era percebida ao olhar para o espaço do altar, transformado para ser o palco principal da Flip: ali o sagrado e o profano conviveram durante quatro dias como o que Pilar del Río, a viúva de José Saramago, definiria como "um milagre laico".
No depoimento sobre resistência feminina, Pilar reafirmou seu ateísmo, disse que não se sentia "nem viúva nem desolada". O mediador brincou que para casar-se com ela teria de "mudar um pouquinho a orientação sexual", e os espectadores caíram na gargalhada — cenas improváveis em um templo católico.
Maior estranhamento ainda provocaria a performance de Luiz Antônio Simas, que cantou um ponto do exu Seu Sete da Lira na mesa em que falou sobre o subúrbio de Lima Barreto, o homenageado da 15ª edição de uma Flip que esteve ameaçada pela crise, mas conseguiu se reinventar e saiu melhor que a encomenda.
Para caber no orçamento, a tenda dos autores, estrutura provisória montada nas últimas edições, foi substituída pela Igreja Matriz, com metade da capacidade para o público pagante. Quase em frente, em um espaço coberto, e bem maior, foi possível assistir gratuitamente a todos os debates pelo telão, em confortáveis cadeiras que, ao contrário da Matriz, estiveram com 100% de ocupação.
Como nas edições anteriores, o difícil era escolher a que assistir, tal a riqueza e a diversidade da programação distribuída por diferentes pontos do Centro Histórico. Eram pelo menos 11 endereços, com atrações simultâneas. Em todos, fila para entrar, gente em pé ou sentada no chão. Novidade neste ano, um dos espaços mais disputados, a Casa Amado e Saramago, foi cenário de uma conversa descontraída entre Pilar del Río e Paloma Amado, filha de Jorge Amado e Zélia Gattai.
Amigas, as duas se uniram no projeto da Casa Amado e Saramago e na edição do livro que reúne a correspondência de dos dois maiores escritores de língua portuguesa de todos os tempos. O título é extenso: Jorge Amado e José Saramago Com o Mar por Meio —Uma Amizade em Cartas (Companhia das Letras), lançado na Flip. A 15ª Flip jogou luz sobre a obra de Lima Barreto, autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma e de outros títulos menos conhecidos, relançados agora por diferentes editoras. A vida do homenageado, daquelas que se poderia dizer sem preocupação com o clichê que "daria um filme", é contada em detalhes pela historiadora Lilia Moritz Schwarcz no livro Lima Barreto — Triste Visionário (Companhia das Letras).
Foi Lilia quem apresentou o escritor na noite de abertura, dividindo o palco com o ator Lázaro Ramos, intérprete de passagens da obra de Lima Barreto. A homenagem a Lima Barreto serviu de mote para que a Flip abordasse questões como discriminação, preconceito, empoderamento. Nunca antes a festa de Paraty teve tantos escritores negros entre os autores convidados, nem tantas mulheres nas mesas de debates. A curadora Joselia Aguiar mostrou que é possível driblar a crise fazendo as escolhas certas e conseguiu mesclar emoção e razão na seleção do elenco de participantes.
O público nas ruas, nos eventos e na fila do caixa da Livraria Travessa calaram os profetas do Apocalipse que, volta e meia, decretam que, com a superficialidade das redes sociais, o fim da literatura está próximo.O sucesso da festa, que durante quatro dias tomou as ruas de Paraty, lotou a rede hoteleira, fez girar a roda da economia local e atraiu organizadores de outros eventos do gênero. Do Rio Grande Sul, a Jornada de Literatura de Passo Fundo deu a sua receita do que está fazendo para garantir, com menos dinheiro, a qualidade que a tornou conhecida no Brasil inteiro.
Uma estrela na plateia
Neta de escravos, a professora Diva Guimarães roubou a atenção com seu relatoFoto: Iberê Perissé / Divulgação
O grande personagem da Flip 2017 não foi um autor famoso traduzido em dezenas de idiomas. Foi Diva Guimarães, uma professora negra de 77 anos. Paranaense de Serra Morena, Diva pediu a palavra na mesa A pele que habito, com Lázaro Ramos e a jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques.
Neta de escravos, contou que foi a primeira de sua família a ter acesso à educação. Levada por missionários para um colégio interno aos cinco anos, ouviu uma freira contar aos alunos que Deus fez um rio onde todos teriam que tomar banho. As primeiras que se banharam "naquele maldito rio" eram as mais inteligentes e, por isso, ficaram brancos.
— Já nós, os negros, éramos preguiçosos e tínhamos chegado tarde, quando só restava lama no rio. Só conseguimos lavar as palmas das mãos e dos pés, por isso elas são claras — continuou.
Lázaro Ramos precisou de um lenço para enxugar as lágrimas. A plateia delirou quando a professora Diva contou que a mãe lavava roupa para outras pessoas em troca de lápis e cadernos para que ela pudesse estudar. Disse que a libertação dos escravos não existe plenamente até hoje, falou do racismo em Curitiba e contou histórias de discriminação. Ao final da sessão, já na praça, foi cercada por pessoas pedindo fotos, abraços e autógrafos.
Amizade: está aí um dos bens mais preciosos que alguém pode ter – e que deve ser cuidado com todo o amor e carinho. Não temos a menor dúvida de que o pequeno Paul Burnett, de 8 anos, está fazendo isso com perfeição! Segundo informações do GoodNews Network, ele ajudou a comprar uma cadeira de rodas nova para seu melhor amigo, Kamden Houshan. Alunos do terceiro ano do Ensino Fundamental, eles fazem tudo juntos. Uma história de amizade que começou lá no jardim de infância.
Em tempos de redes sociais virtuais, quando a palavra amigo parece ter sido banalizada, cultivar as verdadeiras amizades é ter a certeza de que nunca estaremos sós, nos bons e maus momentos que a vida nos reserva.
Quando Paul viu que Kamden estava tendo problemas com sua cadeira de rodas, ele não hesitou em ajudar! O amigo é paraplégico porque nasceu com um tumor na coluna vertebral. Os médicos até tentarem retirar o tumor com uma cirurgia, mas não adiantou – Kamden ficou paralítico da cintura para baixo.
A antiga cadeira de rodas de Kamden era tão pesada que impedia o menino de manobrá-la livremente. E mais: grande, ela não passava por várias portas da casa do menino – como a do banheiro -, obrigando a mãe de Kamden a carregá-lo nos braços, o que piora ainda mais o problema na coluna do garoto.
Há cerca de um ano, Kamden testou um modelo novo de cadeira de rodas, mais leve e confortável. Ele ficou impressionado com o conforto que ela oferecia, mas, infelizmente, o seguro não poderia cobrir o custo de outra cadeira de rodas por mais alguns anos.
Enquanto isso, Paul começou a assistir vídeos sobre a plataforma de financiamento coletivo GoFundMe no YouTube. Conhecendo as dificuldades do seu amigo, ele perguntou aos seus pais se poderia começar uma campanha para comprar uma cadeira de rodas nova para Kamden.
Em questão de semanas, a campanha de financiamento coletivo arrecadou cerca de US$ 5.500 – aproximadamente US$ 2 mil a mais que o objetivo inicial. “Obrigado a todos por fazerem parte dessa jornada maravilhosa para Kamden conseguir sua cadeira de rodas… Paul e Kamden são só sorrisos sabendo que Kamden está recebendo o que ele precisa”, escreveu a mãe de Paul na internet. Ah, a amizade!
Como diz o ditado, “uma imagem vale mais do que mil palavras”. E, no mundo imediato e rápido da internet, os famosos emojis caíram como uma luva, pois, em um click, os internautas podem expressar um sentimento, o que, com palavras, só seria possível fazer com uma frase inteira.
Para Luiz Fernando Soares, pós-graduado em comunicação e marketing em mídias digitais, as redes sociais estão reduzindo, cada vez mais, os textos escritos. Por isso, o emoji entrou no processo como um grande facilitador, e se tornou essencial na comunicação via internet.
“As gírias são mais usadas na internet para otimizar a comunicação, pois essa se dá da forma mais prática e rápida possível. Muitos aplicativos, por exemplo o Twitter, delimitam uma quantidade pequena de carácteres para postagem. Outras como o Facebook estão procurando acabar o máximo possível com a linguagem escrita e trazer todas as informações por imagens e vídeos”.
Ele destaca também que os emojis podem facilitar o entendimento do que se quer expressar. “Os usuários costumam usar gírias e emoticons para ajudar a entender seu sentimento ao expressar uma frase. Por ser virtual e não contar com o receptor fisicamente, algumas frases podem ser entendidas de uma maneira que você não quis. Por exemplo você pode soar rude, agressivo. E os emoticons são uma forma de driblar esse mal entendido”.
Em algumas ocasiões, no entanto, eles podem ser utilizados com ambiguidade de forma intencional. Ou seja, são uma “mão na roda” em qualquer situação.
Do Japão para o mundo
Segundo o site Significados, os primeiros emojis surgiram no Japão na década de 1990, criados por Shigetaka Kurita, um dos membros da NTT DoCoMo, principal empresa de telefonia móvel do Japão. A palavra “emoji” é composta pela junção dos elementos “e”, imagem, e “moji”, letra, e é considerado um pictograma ou ideograma, ou seja, uma imagem que transmitem a ideia de uma palavra ou frase completa.
O desenvolvedor de software australiano Jeremy Burge começou a pesquisar, em 2013, os significados de cada símbolo e criou o site Emojipedia, uma espécie de dicionário de emojis no qual ele explica o que cada um deles representa, qual é sua aparência em cada plataforma de telefonia celular e desde quando eles existem. Quer saber o significado dos emojis mais curiosos? O Tribuna do Ceará separou alguns deles:
Clássico da bibliografia de Parsifal Barroso, "O Cearense" é reeditado pela Escrituras, com lançamento em Fortaleza no próximo dia 8
O intelectual Parsifal Barroso; abaixo, com Papa João XXIII e o presidente Juscelino Kubitschek
Um jeito de falar, de se movimentar. De enfrentar o mundo com a coragem de um explorador. De fazer humor e rir de si mesmo, sabendo que só assim a vida é possível. De comer e seduzir o outro pela barriga. De contar histórias, de rezar, de se relacionar com a natureza - com o "bonito pra chover".
Isso é só um pouco do que cabe na chamada "cearensidade", neologismo tão querido por nos garantir uma pertença cheia de orgulho e bem querer.
Embora tenha ganhado contribuições diversas ao longo das décadas para ampliar seu significado - de escritores, artistas e outros conterrâneos ligados à cultura -, o termo possui, sim, um momento inicial, um responsável por lançá-lo à luz de maneira decisiva. "Cearensidade" não seria o mesmo sem José Parsifal Barroso.
Intelectual de relevância na história do Estado, o fortalezense, nascido em 5 de julho de 1913, dividiu sua vida entre muitas paixões profissionais. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito do Ceará, foi professor, advogado, jornalista, político e escritor, deixando um legado importante nessas diferentes áreas.
Ao longo da carreira, exerceu importantes cargos na vida pública, como deputado federal, ministro do Trabalho, Indústria e Comércio no governo de Juscelino Kubitschek, senador, governador do Ceará (1959- 1963) e presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal (1979).
Sua bibliografia inclui títulos diversos como "Pedro, nosso irmão", "Na casa do barão de Studart", "Um francês cearense", "Senador Pompeu, um cabeça-chata autêntico" (separata da Revista do Instituto do Ceará), "Vivências Políticas" e "Uma história política do Ceará".
Tratado
Mas nada define melhor a contribuição de Parsifal Barroso para o universo da cultura cearense e sua difusão do que "O cearense" (1969), seu mais famoso título e verdadeiro tratado sobre a "civilização cearense", a partir da observação de modos muito particulares de vida e comportamento.
"Embora o cearense se pareça com o brasileiro a muitos respeitos, sua presença sempre se assimila por uma modalidade própria de ser, de falar, de agir e de afirmar-se, que se não confunde com qualquer outra", diz ele no livro.
Arguto, preciso e imersivo, o trabalho revela-se uma minuciosa investigação sobre nossas origens, formação e história. Ou, nas palavras do neto Igor Queiroz Barroso, no prefácio da reedição que sai agora pela Escrituras: "um ensaio antropológico em que se vê claramente a figura de um Parsifal Barroso cientista social, com um pé na antropologia, especulando - a partir de consistentes referências da estirpe de um Gilberto Freyre e de um Djacir Menezes - sobre os elementos constituintes da morfologia do cearense". Com lançamento marcado para esta quinta-feira (3) no Rio de Janeiro e o próximo dia 8 (terça) em Fortaleza, o livro já está disponível nas livrarias do País.
Professor e jornalista, Luís- Sérgio Santos destaca uma observação de Persifal Barroso sobre a conformação geográfica do Ceará. "As chapadas em forma de ferradura teriam insulado o Estado, deixando-o relativamente apartado do resto do Nordeste. Isso teria resultado em características culturais distintas, como hábitos alimentares, a relação atávica com a seca, o semiárido", ressalta o professor, que lançará em outubro deste ano uma biografia sobre o intelectual.
Embora a reedição de "O Cearense" ajude a mobilizar leitores até lá, Luís-Sérgio reconhece um objetivo muito mais importante para esta segunda edição. "Apesar de sua importância, Parsifal é relativamente desconhecido do público, uma lacuna nas bibliografias. Então essa reedição é importante para restaurar sua memória".
E por que a escolha deste título, frente à vasta produção do autor? "Suas outras obras são leituras mais específicas, por vezes para iniciados. 'O Cearense' é uma leitura acessível, que pode interessar a um leque maior de leitores".
Livro
O cearense
Parsifal Barroso
Escrituras
2017, 136 páginas
R$ 35
Fique por dentro
Contribuição da família enriquece segunda edição
A primeira edição de "O Cearense" contava com prefácio do sociólogo, jurista e economista Djacir Menezes. Para a reedição, não apenas esse texto foi resgatado, mas outras duas importantes contribuições acrescidas. Um segundo prefácio é assinado pelo neto de Parsifal Barroso, o presidente do Instituto Myra Eliane, Igor Queiroz Barroso, enquanto a contracapa abriga texto do filho, Roberto Parsifal Barroso. "Ao longo de sua vida distribuiu afetos e colheu amizades. Uma prova disso foi sua sessão de despedida da Câmara dos Deputados, em 1977. A sequência de apartes varou duas horas de depoimentos ininterruptos", recorda Igor. Roberto, por sua vez, resgata uma fala que define bem o caráter do pai: "Napoleão dizia que, se você esfregasse um russo, aparecia um cossaco. Raspe um cearense e você encontra um israelita ou um cigano, com as melhores características que essas raças possuem", disse o educador Roberto de Carvalho Rocha ao citar Parsifal Barroso.
Mais informações:
Lançamento do livro "O Cearense", de Parsifal Barroso. Dia 8 de agosto, às 19h, na Assembleia Legislativa do Ceará - Plenário 13 de Maio (Av. Desembargador. Moreira, 2807, Dionísio Torres). Contato: (85) 3277.2500
A melhor atriz do mundo', segundo Orson Welles, é a primeira mulher acadêmica de Belas Artes na história da França.
'Fim de semana no elevador', 1958 Foto (Reprodução)
A atriz e diretora Jeanne Moreau, considerada a grande dama do cinema francês, morreu nesta segunda-feira (31) aos 89 anos de idade, informou a imprensa francesa.
A intérprete, que trabalhou com os maiores diretores da cinematografia francesa, como François Truffaut, Louis Malle e André Téchiné, foi encontrada morta em sua casa em Paris por sua empregada doméstica, segundo a revista Closer.
Moreau, "a melhor atriz do mundo", segundo Orson Welles, é a primeira mulher acadêmica de Belas Artes na história da França, fez parte da "Nouvelle Vage" e foi musa de diretores como Luis Buñuel, com quem trabalhou em Diário de uma Criada de Quarto.
"Essa tristeza não acabará nunca, mas a alegria de lembrá-la sempre estará conosco", escreveu no Twitter o Unifrance, organismo encarregado da promoção do cinema francês no exterior.
A protagonista de Uma Mulher para Dois (1962) e de A Noiva Estava de Preto (1967), de Truffaut, teve ampla trajetória. Entre os filmes que fez, destacam-se também A Noite (1962), de Michelangelo Antonioni, e Duas Almas em Suplício (1960), de Peter Brook, que lhe valeu o prêmio de melhor interpretação feminina em Cannes.
Nascida em 23 de janeiro de 1928, de pai francês e mãe britânica, estreou no teatro em 1947 com La terrasse de midi, apresentada no Festival de Avignon.
Atriz poliglota e internacional, que se destacou também como cantora, foi prêmio César de melhor atriz em 1992 por La vieille qui marchait dans a mer, de Laurent Heynemann, e presidente do júri de Cannes em 1975 e 1995.
Moreau presidiu também o júri da Seção Oficial do 54º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, em 2006, e deixa uma trajetória cinematográfica composta por mais de uma centena de filmes.
"Com ela desaparece uma artista que encarnou o cinema na sua complexidade, na sua memória, na sua defesa", afirmou hoje a presidência francesa, que a lembrou como uma mulher rebelde contra "a ordem estabelecida e a rotina".
A também cenógrafa, diretora de filmes como No Coração, a Chama (1976), foi casada com Jean-Louis Richard, pai do seu filho Jérôme, e posteriormente com William Friedkin.
A segunda edição do livro será lançada em Fortaleza, no próximo dia 08 de agosto, às 19 horas, na Assembleia Legislativa do Ceará
Muito se fala do jeito de ser do povo cearense, a chamada “cearensidade”. As características particulares e formação da gente do “Siará” foram estudadas ao longo dos anos, mas muitas obras a esse respeito se perderam ou sofreram por esquecimento. Com esse intuito, o Instituto Myra Eliane relança um dos mais importantes livros sobre o assunto: “O Cearense”, de José Parsifal Barroso, originalmente publicada em 1967. A publicação é editada pela Escrituras Editora. A segunda edição do livro será lançada em Fortaleza, no próximo dia 08 de agosto, às 19 horas, na Assembleia Legislativa do Ceará. Antes disso, a obra será lançada na Livraria Travessa Ipanema, no Rio de Janeiro, em 03 de agosto.
"Embora o cearense se pareça com o brasileiro a muitos respeitos, sua presença sempre se assimila por uma modalidade própria de ser, de falar, de agir e de afirmar-se, que se não confunde com qualquer outra”, diz Parsifal Barroso no livro. A obra aborda a “civilização cearense”. A conformação geográfica do Estado, em forma de ferradura, deixando o estado como se fosse insular, segundo o autor, já seria uma característica que teria influência no modo de ser do cearense, na nossa formação cultural e política.
A segunda edição manterá o prefácio original da primeira, produzido pelo intelectual e escritor cearense Djacir Menezes, também acrescido de um prefácio de Igor Queiroz Barroso, presidente do Instituto Myra Eliane e neto de Parsifal. À época do lançamento, o livro teve grande repercussão, inclusive na imprensa nacional, com reportagem na revista O Cruzeiro, a mais relevante do país.
"Não é somente a pesquisa de fontes históricas e sociais que realça o valor deste livro. É também o amor radical à gente do nordeste das secas. E sobretudo à terra, que está circundada [...] por uma vasta ferradura pétrea de serras, que a configuram de modo específico, diferenciando o trecho nordestino como 'Ceará'", destaca Djacir Menezes no prefácio da edição original.
Para Igor Queiroz Barroso, a obra é uma das maiores demonstrações de carinho e paixão de Parsifal Barroso por sua terra natal. Além disso, lança pioneiramente um conceito bastante difundido atualmente "Pioneiramente, Parsifal desenvolve o conceito de 'cearensidade' considerando, inclusive a geografia das chapadas em forma de ferradura e, ao norte, o litoral. Também especula sobre as etnias bases de nossa raça e inclui, entre elas, a figura do cigano mediterrâneo”, destaca.
Em 1976, Parsifal Barroso falou sobre a obra à professora Luciara Silveira de Aragão, para o projeto de História Oral produto do Convênio da Universidade Federal do Ceará com o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. "Considero o livro ‘O Cearense’, que publiquei quando ainda estava como professor de Sociologia da Universidade Federal do Ceará, um roteiro básico para o entendimento do Ceará e do cearense. [...] Quando provei a uns e outros a necessidade de nos conhecermos melhor a nós mesmos. A nossa realidade telúrica e a nossa realidade humana, para entendermos então o que é o problema social em nosso Estado. O livro 'O Cearense" foi o toque de clarim, a primeira abertura para que viessem outros na mesma direção em busca dessas fontes que ainda estão por ser pesquisadas”, explicou.
Sobre Parsifal Barroso
José Parsifal Barroso nasceu em Fortaleza no dia 5 de julho de 1913. Era casado com Raimunda Olga Monte Barroso, com quem teve cinco filhos. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito do Ceará, atuou como advogado, professor, jornalista e político.
Exerceu importantes cargos na vida pública, como deputado classista (1936-1937), deputado constituinte (1945-1949), deputado federal (1951-1955 e 1971-1977), inistro do Trabalho (1956-1958), senador (1958-1959), governador do Ceará (1959-1963) e presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal (1979).
Além de "O Cearense", Parsifal Barroso publicou diversas obras como Pedro, nosso irmão, Na casa do barão de Studart, Um francês cearense (1973), e Senador Pompeu, um cabeça-chata autêntico (separata da Revista do Instituto do Ceará), Vivências Políticas e Uma história política do Ceará.
Serviço
Lançamento do livro “O Cearense”
Data: 08 de agosto
Horário: 19h
Local: Assembleia Legislativa do Ceará – Plenário 13 de Maio
Av. Desembargador Moreira, 2807 - Bairro: Dionísio Torres – Fortaleza)
Site permite troca de experiências entre parentes e pessoas com deficiência
Criada no Brasil, a rede social D+eficiência procura conectar pessoas com deficiência, familiares, profissionais médicos e cuidadores para compartilhar informações e relatos, procurando melhorar a qualidade de vida dos portadores de deficiência e as pessoas ao seu redor.
O site é criação da professora Fabiana Faleiros Santana Castro, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP-USP), que defendeu a ideia em uma tese de doutorado na Alemanha, em 2012. A ideia tomou forma quando a EERP fechou uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade de Dortmund, no país europeu.
O D+eficiência funciona de maneira semelhante a outras redes sociais, com compartilhamento de páginas, fotos e vídeos. O diferencial, segundo seus responsáveis, é que os conteúdos são supervisionados por profissionais de saúde, procurando compartilhar conhecimento cientificamente válido.
Além disso, Fabiana espera que, ao funcionar como rede social ao invés de um fórum de discussões online, o D+eficiência ofereça uma experiência de uso mais interessante e dinâmica.
Edimilson de Almeida Pereira. Escritor e professor. ( Foto: reprodução/facebook )
Autores de literatura infantil deveriam deixar de menosprezar as crianças e começar a produzir livros para elas que agreguem questões sociais, afirmou o escritor e professor Edimilson de Almeida Pereira, em debate na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) neste sábado (29).
Para o autor, a criança é um indivíduo importantíssimo na estrutura social e, por isso, a produção literária voltada a ela não deve ser tratada como nicho. "A criança não pode ser pensada em segmento isolado de uma ordem social complexa. Ela é um elemento importante da constituição da sociedade. Temas que estão na chamada literatura para adulto devem reverberar na produção literária infantil", disse.
A mesa "Ler o Mundo" fez parte da programação da Flipinha e também contou com a participação da escritora e professora Prisca Agustoni. Em um tom acadêmico, mas acessível, os autores discutiram as lacunas da literatura infantil e infantojuvenil brasileira e as possibilidades de ler o mundo a partir de outras linguagens, como a imagética e a oral.
A autora Prisca Agustoni ressaltou durante sua fala a importância do trabalho do artista plástico na construção do livro infantil. Segundo ela, é a partir da imagem que a criança se fascina e faz sua primeira leitura do mundo, ainda antes da alfabetização.
"A leitura é algo que vai muito além da leitura propriamente escrita. É muito importante ressaltar essa potência do artista para convidar a criança a um tipo de decifração do mundo que é anterior à alfabetização", disse a escritora que, assim como Pereira, produz literatura tanto para crianças quanto para adultos.
Os autores também discutiram um dos paradoxos de autores de literatura infantil: livros para crianças e jovens devem divertir ou educar? Para Pereira, uma coisa não exclui a outra. "Divertir-se já é um processo pedagógico de aprendizagem. O modo que você organiza as coisas para ensinar alguém a entender o mundo não tem que ser sisudo, ele pode ser divertido", diz o autor.
Outra dificuldade apontada na produção de literatura infantil é o fato de que existem muitas lacunas na pesquisa da realidade das crianças. Na historiografia dos séculos 16 a 20, segundo Pereira, a criança é tratada como um pequeno adulto, um indivíduo secundário. Por conta disso, a maior parte da produção literária infantil consistia em adaptações e simplificações de livros adultos.
A partir do século 20, começou-se a questionar e pesquisar a realidade de crianças e jovens, mas ainda hoje, segundo o autor, a literatura infantil não se desprendeu completamente da adaptação. "É preciso aprofundar um campo teórico de estudo da literatura infantil. Já passou da hora de pararmos de adaptar textos de adultos para crianças. Nós já temos autores suficientes, bons autores, está na hora de termos mais produção original", disse Pereira.
A ideia era até realizar os encontros como as bienais, a cada dois anos, mas o interesse dos leitores da região motivaram a tornar o evento anual ( Foto: Alex Pimentel )
Quixadá. Os eventos literários não são um privilégio apenas dos grandes centros urbanos, onde são realizadas as bienais, com a participação de centenas de escritores e um número infinitamente maior de leitores. Esta cidade do Interior do Ceará é um exemplo. Pelo terceiro ano consecutivo, leitores e escritores se reuniram em um dia especial, o Encontro de Leitores do Sertão Central. Na programação, lançamentos, palestras, debates e até a interação direta entre o autor da obra e o seu apreciador.
O evento, que neste ano chegou à sua terceira edição consecutiva, é uma iniciativa do universitário Elieudo Lima Júnior. Ele é natural de Quixadá, mas reside em Uberlândia (MG), onde estuda Arquitetura. No começo, a ideia era até realizar os encontros como as bienais, a cada dois anos, mas o interesse dos leitores da região o motivaram a promover o Encontro anualmente. Com o auxílio de alguns amigos, ele entra em contato com as editoras e com os escritores. O retorno é imediato e mais um Encontro se concretiza. Apaixonado pelos livros, é até blogueiro. O título do espaço virtual: Interessante de ler.
Na contramão das tentadoras tecnologias virtuais, essa iniciativa independente está se consolidando como mais uma alternativa interessante para os apreciadores da boa leitura, comentam os leitores. Há quem confesse o interesse em participar do Encontro pelo sorteio de exemplares, dezenas deles, doados pelas editoras. Mas basta ter um pouco de contato com outros leitores, com os autores, para passar a respirar essa atmosfera literária especial por todo o dia.
Na opinião de quem se dedica a levar o seu imaginário às páginas de celulose, como a jovem escritora Mylena Araújo, a tecnologia apenas disponibilizou mais uma plataforma para os leitores, tornando mais prática a busca pelos livros, principalmente nas cidades do Interior, onde praticamente não existem livrarias. Ela já tem sete livros publicados, mas só teve o dom reconhecido a partir do incentivo da mãe. O seu livro "Valera", de literatura fantástica, fantasias, está na terceira edição. Elas são de Fortaleza. Pelo segundo ano consecutivo participaram do Encontro de Leitores em Quixadá.
Outro escritor, Bruno Paulino, é da região. Nasceu na cidade vizinha, Quixeramobim. Ele não perde um Encontro. Apesar de jovem, já é membro de duas Academias de Letras, a de Quixadá e a da sua terra natal. Ele confessa ter passado a escrever aos 21 anos, simplesmente por gostar. Não imaginava alcançar um horizonte tão distante. Seus dois primeiros livros, "A menina da chuva" e "Lá nas marinheiras" e outras crônicas, foram adotados nas escolas como paradidáticos. Seu terceiro livro, "Sertão: Poetas e prosadores", foi lançado em abril passado, na Bienal de Fortaleza.
Até o fim deste ano, Bruno Paulino pretende lançar a sua nova obra, "Pequenos assombros", de contos fantásticos. Nos planos do escritor também está a segunda edição ilustrada de "A menina da chuva". Por enquanto, ele prefere suas publicações impressas, mas reconhece a tendência natural se encaminhar para o mundo virtual. "Resisto em materializar o trabalho impresso por uma questão afetiva, e por ser o livro um objeto transcendente que também podemos amá-lo do amor tátil, como diria o compositor Caetano Veloso".
Pela primeira vez, o profissional de marketing digital Asaf Gois dividiu o mesmo ambiente, ao lado dos criadores. A mãe é a escritora Nanda Gois, autora de "Brasiliana" e de "A menina em Riace". Ele trabalha na administração do site da Livraria dos Escritores do Ceará, do ex-governador Gonzaga Mota, também escritor. Por essas experiências, garante ter percebido haver espaço tanto para os livros físicos como virtuais, os e-books.
A estudante Nataly Medeiros, 16, vive bem essa realidade. Na sua geração, quem precisa ou se interessa por alguma coisa, procura na internet. É difícil não ter lá. Mas foi no Encontro de Leitores realizado no ano passado, no Colégio Valdemar Alcântara, que surgiu o seu interesse pela leitura. Ela recebeu um livro do namorado, com dedicatória. Começou a ler e não parou mais. O namoro já terminou, mas a paixão pela leitura está aumentando. Para ela, poder abrir um livro, folheá-lo após o termino da leitura de cada página, sentir o cheiro do papel e aquela sensação nas mãos, diante dos olhos, isso a internet não faz.
Segundo a instituição, com base no estudo, a escolha de medicamentos relevantes para cada paciente será favorecida, minimizando-se os efeitos colaterais e facilitando o tratamento personalizado da doença Talita Cavalcante Soares de Moura
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu uma nova metodologia, inédita no mundo, para o tratamento do câncer. Análises feitas pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), responsável pela aceleração de processos de inovação na área, permitiram traçar o perfil molecular do tumor e do tecido saudável de cada indivíduo.
Segundo a instituição, com base no estudo, a escolha de medicamentos relevantes para cada paciente será favorecida, minimizando-se os efeitos colaterais e facilitando o tratamento personalizado da doença.
A iniciativa teve seu potencial reconhecido pelo edital Apoio ao Empreendedorismo e Formação de Startups em Saúde Humana do Estado do Rio de Janeiro, da Federação de Apoio à Pesquisa (Faperj), e ganhou o investimento inicial para que chegue à população. O projeto é inovador, e não há concorrente no mercado para esse tipo específico de diagnóstico, diz a instituição.
“A proposta da Fiocruz permite a indicação de uma terapia mais precisa, o que significa, em termos de benefícios diretos, mais chance de cura, menos efeitos colaterais e melhor sobrevida para os pacientes", diz Nicolas Carels, especialista em bioinformática da fundação, ao citar benefícios da nova metodologia. Carels ressaltou que as terapias atuais são muito agressivas. "Além disso, a economia representada pela escolha adequada do medicamento pode ser revertida para ampliar o acesso da população ao tratamento”, acrescentou.
O método foi desenvolvido para ser aplicado a pacientes com qualquer tipo de câncer e testado em linhagens celulares tumorais e não tumorais, com resultados de máxima eficiência para o câncer de mama,informou Tatiana Tilli, especialista do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde, que divide o desenvolvimento da metodologia em bioinformática.
“Indiretamente, representa uma economia financeira substancial para o gestor hospitalar em termos de despesas com efeitos colaterais, novas internações e ciclos longos de tratamento. Isso é parte da inovação em saúde que estamos propondo”, disse Tatiana.
O novo tratamento não beneficia apenas os pacientes com medicamentos mais específicos para cada caso, mas também os médicos, a equipe médica, os gestores e os laboratórios farmacêuticos, destacou o coordenador-geral do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, Carlos Medicis Morel.
Para Morel, a mudança de paradigma com o primeiro edital da Faperj para investimento em inovação e startups é motivo de comemoração. Startups são empresas, geralmente de tecnologia, que começam a operar no mercado. "A tecnologia é objeto de empreendedorismo, de investimentos e parcerias públicas e privadas, e a missão do CDTS/Fiocruz é levar o novo conhecimento gerado pela pesquisa e desenvolvimento tecnológico até a população.”
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os casos de câncer no mundo poderão chegar a 27 milhões até o ano de 2030. O câncer de mama, o mais comum em mulheres, representa cerca de 25% do total de casos da doença. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por 70% do tratamento realizado para todos os tipos de câncer.
Ana Luiza Vasconcelos, estagiária sob supervisão de Nádia Franco
Qual é o repertório de piadas, dilemas e referências de linguagem que alimenta a literatura norte-americana contemporânea? Colecionadores de prêmios, os escritores Marlon James, jamaicano radicado em Minnesota, e Paul Beatty, californiano residente em Nova York, encerraram o sábado da 15ª Flip com um debate especialmente frutífero.
Juntos no Auditório da Matriz, os dois autores negros percorreram influências musicais, televisivas e literárias – de Led Zeppelin a Gay Talese, de Os Batutinhas a Mark Twain – para traçar um panorama dos dias atuais, incluindo-se aí a questão racial. “Muitos jamaicanos pensam que fui ao colégio no exterior porque falo como falo. Mas falo assim porque assisti a muita TV”, cravou Marlon logo na abertura do encontro. “Acho que o inglês standart não existe. Os britânicos pensam que o inglês britânico é o padrão, mas o inglês britânico é horrível”, ironizou.
“Apontamos as coisas e dizemos: é uma contradição”, disparou Beatty, o primeiro estadunidense a vencer o Man Booker Prize. “Eu cresci em Santa Monica, meu melhor amigo era um judeu e nós éramos fãs dos nazistas. O pai dele inclusive incentivava quando construíamos aviões e tanques alemães. Ninguém nos disse ‘Isso é uma contradição’. Estávamos obcecados e sabíamos do que se tratava, era um fetiche.”
A contradição, para Marlon, é outra: “Charles Dickens defendeu manifestações que mataram mais de 400 jamaicanos. Era um filho da mãe. Ao mesmo tempo, poucos escritores tiveram uma influência tão grande na forma como estruturo meus livros”.
Enquanto Beatty disse rejeitar o rótulo de “sátira/satírico” – “o termo é gasto e se usa para qualquer coisa” –, Marlon afirma ser especialmente interessado pela autenticidade. (“Não posso escrever um gibi de super-heróis jamaicanos [...] Sou um cara do subúrbio. Minha briga era Michael Jackson versus Prince.”). Entre idas e vindas, a porção final da mesa dedicou-se a pensar sobre uma espécie de demanda e expectativa por livros “sobre raça”, “sobre mulheres”, vinda principalmente da academia norte-americana.
“As pessoas me perguntam: alguém não preto poderia ter escrito seu livro? E eu respondo: nenhum outro ser humano poderia ter escrito meu livro”, arrematou Beatty, incisivo. Na leitura de O Vendido, chamou a atenção o trecho que se refere a uma cadeira de estofado grosso que "assim como os Estados Unidos, não é tão confortável quanto parece".
A instalação audiovisual que recria na 15ª Festa Literária lnternacional de Paraty (Flip) a experiência-símbolo do Museu da Língua Portuguesa, que é a Praça da Língua, tem atraído a curiosidade dos visitantes da cidade da Costa Verde fluminense e vai ficar aberta ao público até o dia 27 de agosto. A Flip termina amanhã (30).
“A gente vai deixar um mês aqui para que a comunidade de Paraty possa aproveitar. A procura é muito intensa”, disse a gerente de Patrimônio da Fundação Roberto Marinho e uma das responsáveis pela restauração do Museu da Língua Portuguesa, a arquiteta carioca Lúcia Basto.
Espécie de 'linguetário”, como definiu Lúcia, esse “planetário da língua” é um espaço onde são projetadas imagens, além de áudios de clássicos da literatura e da música brasileira. “É como se fossem telas da cultura, da poesia. É uma coisa muito sensorial. As pessoas gostavam muito. Era o lugar que mais emocionava os visitantes”, disse a arquiteta.
O Museu da Língua Portuguesa, situado na Estação da Luz em São Paulo, foi destruído por um incêndio em 2015 e se encontra em restauração. A instalação recupera áudios originais do museu, apresentando trechos de obras de poetas como Carlos Drummond de Andrade e músicas de compositores como Lamartine Babo, por exemplo.
Linguagem
O Museu da Língua Portuguesa na Flip é uma iniciativa do governo do estado de São Paulo, da Fundação Roberto Marinho, da EDP e do Grupo Globo, que são os patrocinadores do equipamento. “Com a Flip, a gente achou importante trazer um pouco dessa experiência para cá, para falar do museu, porque está perto dos escritores e da população de Paraty”, disse Lúcia.
A programação do museu na Flip ocorre na Casa de Cultura, no centro histórico da cidade, e celebra a linguagem em várias formas de expressão, como o rap e a dança, e vários suportes, como palestras. Para Lúcia, as atividades na Flip são uma maneira de manter o museu vivo e em comunicação com o público, enquanto o processo de restauração está em curso.
A programação artística do museu na Flip ocorre no pátio da Casa da Cultura, com grupos de Paraty. Hoje (29), se apresenta o grupo de ciranda Os Caiçaras, seguindo-se o movimento Esquina do Rap, que promove a cultura hip hop na cidade, e o Coral Indígena Guarani da Aldeia Itaxi, no dia 30, formado por crianças, encerrando o evento. “É importante também trazer o paratiense para mostrar a sua forma de linguagem dentro da cultura local”, disse Lúcia.
Restauração
O Museu da Língua Portuguesa está sendo reconstruído, em São Paulo, após o incêndio que o atingiu em dezembro de 2015. Lúcia Basto disse que como se trata de um prédio muito importante, tombado nas três instâncias (federal, estadual e municipal), a primeira preocupação dos restauradores foi fazer uma proteção imediata. Por isso, a primeira fase do restauro foram obras emergenciais.
Após a captação dos recursos necessários, obtidos por meio da parceria com os grupos Globo e EDP e a Fundação Itaú Cultural, foi iniciado o processo de restauração das fachadas, que será concluído em outubro. O projeto da cobertura foi desenvolvido e, em agosto próximo, a arquiteta disse que começará a execução do telhado novo. O planejamento prevê que em 2018 as obras externas do prédio estarão encerradas. Entre março e abril de 2018, serão iniciadas as obras internas, de modo que em 2019 a restauração possa ser terminada e o prédio devolvido ao público. A expectativa é que isso ocorrerá no início no segundo semestre.
Em dez anos de funcionamento na Estação da Luz, o museu recebeu cerca de 4 milhões de visitantes, sendo 319 mil em ações educativas. O Museu da Língua Portuguesa é o primeiro museu do mundo totalmente dedicado a um idioma. O equipamento trouxe ao Brasil um conceito museográfico inovador, que alia tecnologia e educação.
A Igreja está inserida neste imenso mundo, que é o campo de ação, onde se encontram plantados o trigo e o joio. Na verdade, ela nasce do anúncio do Evangelho, no abraço do projeto divino confiado a Jesus de Nazaré, que precisa, sem medo de errar, estar de acordo com a Parábola da Boa Semente. Sabemos que a Igreja é santa e pecadora, sempre estando necessitada de conversão, além de ser pobre, servidora, despojada e missionária. Segundo o Papa Francisco, “a nós cristãos, cabe o discernimento entre o bem e o mal, conjugando decisão e paciência. Nesse sentido, devemos evitar julgar quem está ou não no Reino de Deus, pois todos somos pecadores”. Fica claro o convite de se inserir na realidade das pessoas mais identificadas com os empobrecidos, sendo fermento de uma vida de irmãos, digna e fraterna, sinal definitivo do Reino de Deus.
Resultado de imagem para campo trigo e joioEsse sinal chega a ser esperança de fecundar a história - esperança sendo a palavra de ordem -, protegendo-nos de todo mal e desânimo, que, de acordo com o apóstolo Paulo, “é para nós qual âncora da alma, segura e firme” (cf. Hb 6, 19), que indica para a humanidade a consciência de filhos de Deus e irmãos uns dos outros, como protagonistas e destinatários do Reino, no sonho solidário de Deus Pai, antecipação da glória futura.
Esperança quer dizer não desanimar, pois o projeto do Reino de Deus deve ser um compromisso de todas as pessoas de boa vontade em semear a boa semente e fermentar o mundo pela mensagem do Evangelho. É necessário, mais do que nunca, perceber que os gestos de Jesus semeiam bondade e justiça, distantes da ilusão do espetáculo do mundo e do seu aparente triunfo. Nossa esperança no projeto do Reino, profundamente humano, que o Filho de Deus instarou na Galileia foi introduzido no mundo por seu poder divino: o de transformar a história da humanidade.
Nosso bom Deus nos faz o convite de exercer a paciência, a tolerância e a misericórdia, sem nunca perder de vista a beleza e a preciosidade do seu Reino. Como exemplo, temos o Santo Padre totalmente envolvido com o cuidado do campo tão vasto, que é a casa comum todos, na busca de bons resultados, no sonho de um mundo restaurado e reconciliado com Deus: “Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado, porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta por justiça, amor e paz”. Assim seja!
*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com
Mesmo com mudança,, Smed promete manter visitas das escolas da rede municipal à Feira do Livro de Porto AlegreFoto: André Ávila / Agencia RBS
A Secretaria Municipal de Educação (Smed) anunciou alterações no Adote um Escritor, iniciativa de apoio à leitura em escolas da rede municipal de ensino. Criado em 2002 em parceria com a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), o programa seleciona a cada ano uma lista de livros recém-lançados para aquisição e trabalho em sala de aula, numa atividade coroada ao fim do semestre com uma visita do autor à escola. De acordo com a secretaria, embora as visitas de autores às escolas continuem, a partir deste ano o Adote não vai comprar livros novos para as bibliotecas. A medida provocou críticas da Câmara Rio-Grandense do Livro e de escritores, que publicaram manifestações de apoio ao projeto nas redes sociais.
A Câmara Rio-Grandense do Livro postou em sua página oficial no Facebook a informação de que o cancelamento das compras de livros novos foi "recebido com surpresa". De acordo com o presidente da entidade, Marco Cena, a CRL e a secretaria já haviam entrado em acordo com relação a alterações necessárias por conta da crise do Estado, mas a compra de livros havia sido garantida em encontro prévio com o secretário Adriano Naves de Brito, no início do ano.
– Logo em fevereiro, nos reunimos com o novo secretário. Uma das coisas que ele nos disse é que o programa estava garantido, mas que não havia dinheiro para oferecer à Biblioteca do Professor, um cartão com R$ 50 para os docentes da rede municipal comprarem livros na Feira. Entendemos que a situação era difícil e concordamos, e demos seguimento ao projeto como sempre. Mas a notícia de que agora as compras de livros serão suspensas foi algo em cima da hora e compromete a própria realização do projeto deste ano – diz Cena.
De acordo com o presidente da CRL, a entidade não recebeu nenhuma manifestação oficial da secretaria depois de uma reunião realizada em junho informando que as compras de livros seriam suspensas, o que impacta na realização do projeto porque alguns dos 73 autores convidados a visitar as escolas não moram em Porto Alegre e já estão com passagens compradas para a atividade, algumas pagas pelas editoras.
– Temos 39 autores que terão as passagens pagas pelas editoras, para que não saísse tudo da prefeitura. Sem a compra de livros, isso pode tornar mais difícil a vinda de novos escritores. O escritor quer falar de sua obra mais recente – comenta Cena.
SMED AFIRMA QUE ACERVOS
ATUAIS JÁ SÃO SUFICIENTES
O programa Adote Um Escritor foi iniciado em 2002, em uma parceria da Secretaria Municipal da Educação com a Câmara Rio-Grandense do Livro para incentivar a leitura nas escolas do município. Suas ações incluíram: a compra de livros para as bibliotecas escolares de uma lista previamente elaborada pela Smed, com a participação da Câmara do Livro; visitas de escolas à Feira do Livro; visitas à escola, ao fim do ano letivo, de autores de obras adquiridas e trabalhadas em aula com as turmas; a distribuição de um cartão valendo R$ 50 para que professores da rede municipal pudessem adquirir livros durante a Feira.
Ao longo dos anos, o projeto foi reconhecido com indicações e premiações – foi duas vezes finalista do Prêmio RBS Fato Literário e recebeu menções honrosas e indicações em concursos da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e dos ministérios da Cultura e da Educação. Além disso, tornou-se um projeto de referência no cenário literário do Estado.
– É um projeto muito bem sucedido, ele atinge ao mesmo tempo o aluno e o professor, e serviu de modelo para outras iniciativas semelhantes. Estamos esperando uma posição oficial da Smed, mas as alterações nos preocupam – diz o presidente da Associação Gaúcha de Escritores (AGEs), Christian David.
A diretoria da AGEs chegou a realizar uma reunião na noite de segunda-feira para discutir as mudanças e deve divulgar um comunicado oficial. Ao longo da semana, vários escritores e editores se manifestaram nas redes sociais apoiando o Adote – uma página independente foi criada no Facebook. Desde sexta-feira, muitos rumores circularam a respeito do possível fim do programa com a mudança de gestão.
DIRETORA AFIRMA QUE O
PROGRAMA NÃO SERÁ CANCELADO
De acordo com Maria Cláudia Bombassaro, diretora pedagógica da Smed, as mudanças estão confirmadas, mas não representariam cancelamento do programa, nem a substituição por outras iniciativas, como a plataforma digital Elefante Letrado, anunciada recentemente pela Smed como parte de sua política de incentivo à leitura.
– O Adote um Escritor vai continuar como uma vertente de nossa política para a leitura. A plataforma Elefante Letrado será outra. Uma não substituirá a outra – afirma.
De acordo com Maria Cláudia, os livros comprados desde 2002 formam um acervo suficiente para continuar trabalhando com os alunos sem a necessidade de novas aquisições.
– O Adote um Escritor passou os últimos 10 anos entregando de R$ 4 mil a R$ 9 mil para que cada escola comprasse livros, renovasse e qualificasse o acervo. Chegamos à conclusão de que esse recurso já é suficiente para termos uma política de leitura com uma nova perspectiva. Até porque, se analisarmos os números, a maioria dos alunos da rede municipal pública não tem proficiência em português – diz Maria Cláudia, citando os números apresentados pela administração municipal de que apenas 39% dos alunos dos anos iniciais e 23% dos alunos de séries finais são proficientes na disciplina.
Maria Cláudia também afirma que as visitas de escolas à Feira do Livro estão mantidas. E se diz surpresa com a afirmação da CRL de que não houve comunicado da decisão:
– Fizemos reuniões e trocamos e-mails com a Câmara, inclusive com o presidente, deixando claro que iríamos buscar os recursos para garantir as visitas dos escritores às escolas, mas que não iríamos comprar livros este ano. Pedimos um orçamento necessário para mantermos a visita dos escritores, passagens, hospedagem e alimentação, e a Câmara nos enviou esse valor. Então qual é a surpresa?
De acordo com Maria Cláudia, os recursos para garantir a continuidade das visitas, um valor em torno de R$ 120 mil, ainda estão sendo prospectados pela secretaria.