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Novas fronteiras para a arte

Uma verdadeira e inédita viagem através de grandes realizadores das artes visuais. Esse é o objetivo da exposição "Um Século de Arte Brasileira na Coleção Fundação Edson Queiroz", que será aberta oficialmente para convidados hoje (18), às 19h, em Sobral. A iniciativa segue em cartaz até o dia 7 de outubro na Casa de Cultura do município e reúne 60 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. A mostra estabelece um recorte precioso da Coleção Fundação Edson Queiroz.
O desafio para os organizadores da exposição foi justamente estabelecer o trabalho de curadoria das peças. O acervo total da Fundação abrange cinco séculos de arte, do barroco ao contemporâneo, em uma variedade de técnicas artísticas e estéticas visuais da Europa, América Latina e Brasil, representadas por nomes consagrados como Salvador Dalí e Marc Chagall, além de mestres da arte nacional - de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Tomie Ohtake, Cândido Portinari, Hélio Oiticica e Alfredo Volpi, entre outros.
Para o curador Max Perlingeiro, a mostra que chega à Região Norte do Estado representa um marco. "Esta exposição objetiva apresentar um recorte da arte brasileira a partir de 1917 até os dias atuais, tornando acessível a contemplação de uma das mais importantes coleções de arte do Brasil, pela primeira vez deslocada para uma cidade do interior do Ceará", defende.
A mostra apresentada em Sobral tem início em 1917, ano que testemunhou dois momentos importantes para as artes. Há exato um século, o pintor sobralense Raimundo Cela (1890-1950) obteve no Salão Nacional de Belas Artes o cobiçado Prêmio de Viagem à Europa, e foi em busca de aprimorar seus conhecimentos, o que possibilitou ao artista reconhecimento como pioneiro no ensino oficial da gravura em metal no Brasil. Paralelamente, em São Paulo, a mostra da jovem pintora Anita Malfatti motivava Monteiro Lobato a escrever o infeliz artigo "Paranoia ou Mistificação", recentemente lembrada no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
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"Espanhola" (1928-1929), de Anita Malfatti, integra o recorte de 60 trabalhos da Coleção Fundação Edson Queiroz para ser exposto em Sobral
A exposição abrange ainda importantes movimentos culturais registrados no Brasil, tais como o modernismo de Lasar Segall e sua exposição em 1913; Anita Malfatti e a mostra de 1917 e a Semana de Arte Moderna 1922. O Salão Revolucionário de 1931, nome pelo qual ficou conhecida a 38ª Exposição Geral de Belas Artes, realizada na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, também é contemplado.
Fechando a exposição estão obras da arte abstrata, informal, geométrica e o surgimento da Bienal de São Paulo, e representantes da arte contemporânea, com artistas que emergiram da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e trouxeram uma nova linguagem, atualmente consagrados no Brasil e no exterior. E, claro, não poderia faltar o núcleo de artistas cearenses, com a presença de toda uma geração, entre eles Raimundo Cela, Sérvulo Esmeraldo, Antonio Bandeira e Aldemir Martins.
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 "Baile Caipira" (1950-1961), de Tarsila do Amaral, também estará disponível para apreciação do público sobralense, na Casa de Cultura da cidade
Programação
Além do acesso ao acervo, estão programadas atividades complementares como palestras, encontros com artistas e projeção de filmes durante o período da exposição. Outro atrativo é a apresentação da premiada peça "Tarsila", encenada pelo Grupo Mirante de Teatro Unifor, com texto de Maria Adelaide Amaral e direção de Hertenha Glauce.
Max ressalta a vocação cultural de Sobral como aspecto diferenciado para abrigar a exposição. Ele lembra que a cidade dispõe de dois importantes e representativos museus: o Dom José, com acervo de arte sacra dos mais relevantes do Brasil, e o Madi, doação dos artistas ligados ao movimento geométrico europeu e latino-americano. Além disso, o próprio sítio urbano da cidade é tombado como patrimônio cultural pelo Iphan.
Segundo o vice-reitor de extensão da Unifor, professor Randal Pompeu, a relevância dessa exposição em Sobral passa pela missão da Unifor em democratizar o acesso às artes a cada vez mais pessoas. "Em razão da importância do acervo de artes visuais da Fundação Edson Queiroz, ficamos felizes em proporcionar sua apreciação pelos mais diversos públicos", complementa.
Mais informações:
Exposição "Um Século de Arte Brasileira na Coleção Fundação Edson Queiroz". Abertura para convidados hoje (18), às 19h, na Casa de Cultura de Sobral (Av. Dom José, 881, Centro). Visitação aberta ao público: de 19 de julho a 7 de outubro de 2017; de terça a sábado, das 9h às 19h; domingos, das 16h às 20h. Contato (88) 3611.3324
 
Diário do Nordeste

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