Evento consolida interesse por livros no Interior do Ceará

por Alex Pimentel - Colaborador
A ideia era até realizar os encontros como as bienais, a cada dois anos, mas o interesse dos leitores da região motivaram a tornar o evento anual ( Foto: Alex Pimentel )
Quixadá. Os eventos literários não são um privilégio apenas dos grandes centros urbanos, onde são realizadas as bienais, com a participação de centenas de escritores e um número infinitamente maior de leitores. Esta cidade do Interior do Ceará é um exemplo. Pelo terceiro ano consecutivo, leitores e escritores se reuniram em um dia especial, o Encontro de Leitores do Sertão Central. Na programação, lançamentos, palestras, debates e até a interação direta entre o autor da obra e o seu apreciador.
O evento, que neste ano chegou à sua terceira edição consecutiva, é uma iniciativa do universitário Elieudo Lima Júnior. Ele é natural de Quixadá, mas reside em Uberlândia (MG), onde estuda Arquitetura. No começo, a ideia era até realizar os encontros como as bienais, a cada dois anos, mas o interesse dos leitores da região o motivaram a promover o Encontro anualmente. Com o auxílio de alguns amigos, ele entra em contato com as editoras e com os escritores. O retorno é imediato e mais um Encontro se concretiza. Apaixonado pelos livros, é até blogueiro. O título do espaço virtual: Interessante de ler.
Na contramão das tentadoras tecnologias virtuais, essa iniciativa independente está se consolidando como mais uma alternativa interessante para os apreciadores da boa leitura, comentam os leitores. Há quem confesse o interesse em participar do Encontro pelo sorteio de exemplares, dezenas deles, doados pelas editoras. Mas basta ter um pouco de contato com outros leitores, com os autores, para passar a respirar essa atmosfera literária especial por todo o dia.
Na opinião de quem se dedica a levar o seu imaginário às páginas de celulose, como a jovem escritora Mylena Araújo, a tecnologia apenas disponibilizou mais uma plataforma para os leitores, tornando mais prática a busca pelos livros, principalmente nas cidades do Interior, onde praticamente não existem livrarias. Ela já tem sete livros publicados, mas só teve o dom reconhecido a partir do incentivo da mãe. O seu livro "Valera", de literatura fantástica, fantasias, está na terceira edição. Elas são de Fortaleza. Pelo segundo ano consecutivo participaram do Encontro de Leitores em Quixadá.
Outro escritor, Bruno Paulino, é da região. Nasceu na cidade vizinha, Quixeramobim. Ele não perde um Encontro. Apesar de jovem, já é membro de duas Academias de Letras, a de Quixadá e a da sua terra natal. Ele confessa ter passado a escrever aos 21 anos, simplesmente por gostar. Não imaginava alcançar um horizonte tão distante. Seus dois primeiros livros, "A menina da chuva" e "Lá nas marinheiras" e outras crônicas, foram adotados nas escolas como paradidáticos. Seu terceiro livro, "Sertão: Poetas e prosadores", foi lançado em abril passado, na Bienal de Fortaleza.
Até o fim deste ano, Bruno Paulino pretende lançar a sua nova obra, "Pequenos assombros", de contos fantásticos. Nos planos do escritor também está a segunda edição ilustrada de "A menina da chuva". Por enquanto, ele prefere suas publicações impressas, mas reconhece a tendência natural se encaminhar para o mundo virtual. "Resisto em materializar o trabalho impresso por uma questão afetiva, e por ser o livro um objeto transcendente que também podemos amá-lo do amor tátil, como diria o compositor Caetano Veloso".
Pela primeira vez, o profissional de marketing digital Asaf Gois dividiu o mesmo ambiente, ao lado dos criadores. A mãe é a escritora Nanda Gois, autora de "Brasiliana" e de "A menina em Riace". Ele trabalha na administração do site da Livraria dos Escritores do Ceará, do ex-governador Gonzaga Mota, também escritor. Por essas experiências, garante ter percebido haver espaço tanto para os livros físicos como virtuais, os e-books.
A estudante Nataly Medeiros, 16, vive bem essa realidade. Na sua geração, quem precisa ou se interessa por alguma coisa, procura na internet. É difícil não ter lá. Mas foi no Encontro de Leitores realizado no ano passado, no Colégio Valdemar Alcântara, que surgiu o seu interesse pela leitura. Ela recebeu um livro do namorado, com dedicatória. Começou a ler e não parou mais. O namoro já terminou, mas a paixão pela leitura está aumentando. Para ela, poder abrir um livro, folheá-lo após o termino da leitura de cada página, sentir o cheiro do papel e aquela sensação nas mãos, diante dos olhos, isso a internet não faz.

Diário do Nordeste

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