Programa Adote um Escritor será alterado pela Secretaria Municipal de Educação

Programa Adote um Escritor será alterado pela Secretaria Municipal de Educação André Ávila/Agencia RBS
Mesmo com mudança,, Smed promete manter visitas das escolas da rede municipal à Feira do Livro de Porto AlegreFoto: André Ávila / Agencia RBS
A Secretaria Municipal de Educação (Smed) anunciou alterações no Adote um Escritor, iniciativa de apoio à leitura em escolas da rede municipal de ensino. Criado em 2002 em parceria com a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), o programa seleciona a cada ano uma lista de livros recém-lançados para aquisição e trabalho em sala de aula, numa atividade coroada ao fim do semestre com uma visita do autor à escola. De acordo com a secretaria, embora as visitas de autores às escolas continuem, a partir deste ano o Adote não vai comprar livros novos para as bibliotecas. A medida provocou críticas da Câmara Rio-Grandense do Livro e de escritores, que publicaram manifestações de apoio ao projeto nas redes sociais. 

A Câmara Rio-Grandense do Livro postou em sua página oficial no Facebook a informação de que o cancelamento das compras de livros novos foi "recebido com surpresa". De acordo com o presidente da entidade, Marco Cena, a CRL e a secretaria já haviam entrado em acordo com relação a alterações necessárias por conta da crise do Estado, mas a compra de livros havia sido garantida em encontro prévio com o secretário Adriano Naves de Brito, no início do ano.
– Logo em fevereiro, nos reunimos com o novo secretário. Uma das coisas que ele nos disse é que o programa estava garantido, mas que não havia dinheiro para oferecer à Biblioteca do Professor, um cartão com R$ 50 para os docentes da rede municipal comprarem livros na Feira. Entendemos que a situação era difícil e concordamos, e demos seguimento ao projeto como sempre. Mas a notícia de que agora as compras de livros serão suspensas foi algo em cima da hora e compromete a própria realização do projeto deste ano – diz Cena.
De acordo com o presidente da CRL, a entidade não recebeu nenhuma manifestação oficial da secretaria depois de uma reunião realizada em junho informando que as compras de livros seriam suspensas, o que impacta na realização do projeto porque alguns dos 73 autores convidados a visitar as escolas não moram em Porto Alegre e já estão com passagens compradas para a atividade, algumas pagas pelas editoras.
– Temos 39 autores que terão as passagens pagas pelas editoras, para que não saísse tudo da prefeitura. Sem a compra de livros, isso pode tornar mais difícil a vinda de novos escritores. O escritor quer falar de sua obra mais recente – comenta Cena.
SMED AFIRMA QUE ACERVOS
ATUAIS JÁ SÃO SUFICIENTES

O programa Adote Um Escritor foi iniciado em 2002, em uma parceria da Secretaria Municipal da Educação com a Câmara Rio-Grandense do Livro para incentivar a leitura nas escolas do município. Suas ações incluíram: a compra de livros para as bibliotecas escolares de uma lista previamente elaborada pela Smed, com a participação da Câmara do Livro; visitas de escolas à Feira do Livro; visitas à escola, ao fim do ano letivo, de autores de obras adquiridas e trabalhadas em aula com as turmas; a distribuição de um cartão valendo R$ 50 para que professores da rede municipal pudessem adquirir livros durante a Feira.
Ao longo dos anos, o projeto foi reconhecido com indicações e premiações – foi duas vezes finalista do Prêmio RBS Fato Literário e recebeu menções honrosas e indicações em concursos da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e dos ministérios da Cultura e da Educação. Além disso, tornou-se um projeto de referência no cenário literário do Estado.
– É um projeto muito bem sucedido, ele atinge ao mesmo tempo o aluno e o professor, e serviu de modelo para outras iniciativas semelhantes. Estamos esperando uma posição oficial da Smed, mas as alterações nos preocupam – diz o presidente da Associação Gaúcha de Escritores (AGEs), Christian David.
A diretoria da AGEs chegou a realizar uma reunião na noite de segunda-feira para discutir as mudanças e deve divulgar um comunicado oficial. Ao longo da semana, vários escritores e editores se manifestaram nas redes sociais apoiando o Adote – uma página independente foi criada no Facebook. Desde sexta-feira, muitos rumores circularam a respeito do possível fim do programa com a mudança de gestão.
DIRETORA AFIRMA QUE O
PROGRAMA NÃO SERÁ CANCELADO

De acordo com Maria Cláudia Bombassaro, diretora pedagógica da Smed, as mudanças estão confirmadas, mas não representariam cancelamento do programa, nem a substituição por outras iniciativas, como a plataforma digital Elefante Letrado, anunciada recentemente pela Smed como parte de sua política de incentivo à leitura.
– O Adote um Escritor vai continuar como uma vertente de nossa política para a leitura. A plataforma Elefante Letrado será outra. Uma não substituirá a outra – afirma.
De acordo com Maria Cláudia, os livros comprados desde 2002 formam um acervo suficiente para continuar trabalhando com os alunos sem a necessidade de novas aquisições.
– O Adote um Escritor passou os últimos 10 anos entregando de R$ 4 mil a R$ 9 mil para que cada escola comprasse livros, renovasse e qualificasse o acervo. Chegamos à conclusão de que esse recurso já é suficiente para termos uma política de leitura com uma nova perspectiva. Até porque, se analisarmos os números, a maioria dos alunos da rede municipal pública não tem proficiência em português – diz Maria Cláudia, citando os números apresentados pela administração municipal de que apenas 39% dos alunos dos anos iniciais e 23% dos alunos de séries finais são proficientes na disciplina.
Maria Cláudia também afirma que as visitas de escolas à Feira do Livro estão mantidas. E se diz surpresa com a afirmação da CRL de que não houve comunicado da decisão:
– Fizemos reuniões e trocamos e-mails com a Câmara, inclusive com o presidente, deixando claro que iríamos buscar os recursos para garantir as visitas dos escritores às escolas, mas que não iríamos comprar livros este ano. Pedimos um orçamento necessário para mantermos a visita dos escritores, passagens, hospedagem e alimentação, e a Câmara nos enviou esse valor. Então qual é a surpresa?
De acordo com Maria Cláudia, os recursos para garantir a continuidade das visitas, um valor em torno de R$ 120 mil, ainda estão sendo prospectados pela secretaria.
Zero Hora

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