Espetáculo explora os sentidos humanos promovendo a inclusão de pessoas com deficiência

por Roberta Souza - Repórter
Atores que integram o espetáculo "Menos um, -1": elenco conta com pessoas videntes e com deficiência visual. Ao longo do espetáculo, o público é "provocado" com diferentes estímulos sensoriais ( Foto: David Leão/divulgação )
E se você fosse ao teatro e tivesse os olhos vendados? Abdicasse por 35 minutos do sentido da visão para explorar com mais intensidade os demais: audição, tato, olfato e paladar. É isso que o diretor Marcos Queiroz está propondo ao público com o espetáculo "Menos um, -1", cuja última apresentação desta primeira temporada acontece amanhã (14), às 15h, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz.
O trabalho começou a ser apresentado no fim do mês de junho, no Instituto dos Cegos, e dará uma pausa, logo após essa sexta, para voltar nos meses de setembro e novembro.
Responsável não só pela direção, como também pelo texto, Marcos começou a trabalhar com essa ideia em abril passado. A narrativa, do gênero comédia, teve como mote uma piada do poeta, músico e declamador Jessier Quirino, que o diretor ouviu em apresentação do paraibano na capital cearense no ano passado; já a técnica foi inspirada no Teatro dos Sentidos, desenvolvido pela atriz e diretora multimídia carioca Paula Wenke.
A peça traz a história de dois colegas que se reencontram após 45 anos, e compartilham memórias e causos do tempo passado e presente com boas doses de humor. No palco, ficam 11 pessoas: 4 atores principais, sendo dois com deficiência visual; 6 atores "provocadores' de sentidos; e um operador de som. A plateia, limitada a 36 pessoas, é disposta em semicírculo, e, de olhos vendados, interage com os atores provocadores para experienciar diferentes sensações.
Para Marcos, o espetáculo permite um "se colocar no lugar do outro", e especificamente no lugar das pessoas com deficiência visual, para entender como se dá essa dinâmica e também permitir novas formas de inclusão na sociedade.
"Procuro um caminho que poucas pessoas estão trilhando", diz. O público das três primeiras apresentações, que aconteceram no Instituto dos Cegos, foi basicamente das pessoas com deficiência e de outras com certo envolvimento político com a causa. A ideia, porém, é ampliar a participação, atingindo quem está mais por fora do movimento.
Técnica
O Teatro dos Sentidos de Paula Wenke se caracteriza pela utilização de textos particularmente adaptados e pela máxima estimulação dos sentidos para além da visão. No caso do espetáculo "Menos 1, -1", os seis atores provocadores ora trazem um cheiro de café, ora fazem sons ao vivo, ora colocam as pessoas em contato com o que é descrito nas falas dos atores ou do narrador, etc. A intenção é provocar no público a sensação de estar dentro da história.
Davi Leão é o designer de som; os atores protagonistas são Aristides de Oliveira, Lucas Duarte, Samuel Chaves e Adriana Loyola - estes dois últimos selecionados do Instituto dos Cegos - ; e os provocadores são Debora Ingrid, Artur oliveira, Dann Campos, Bruna Pessoa, Wescley Psique e Nádia Frabici, esta também responsável pela assistência de direção.
Ao final, um debate com público, atores e diretores é realizado para promover as reflexões sociais, políticas e culturais da técnica utilizada. Gratuita, a apresentação pede uma reserva com antecedência, que pode ser feita via telefone ou Whatsapp. Mas Marcos adianta que, caso as 36 vagas sejam encerradas, os demais interessados podem conferir o espetáculo em setembro no Instituto dos Cegos e no IFCE Fortaleza, e em novembro no IFCE Maracanaú.
"Senti uma abertura muito grande nesses institutos e, à medida que vou apresentando para novas pessoas, elas vão mobilizando recursos", explica o diretor - que, com o espetáculo, combina entretenimento e conscientização da sociedade para diversas questões de acessibilidade.
Mais informações:
Espetáculo "Menos um, -1", no Teatro Sesc Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias, 1701 - Centro). Sexta (14), às 15h. Classificação: 12 anos. Gratuito. Reservas pelo telefone: (85) 98828-6868.

Diário do Nordeste

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