30 de abril de 2019

Grandes personagens da humanidade têm feitos narrados em livro de poeta e diplomata cearense



“Eternidade humana” é o 49º livro de Márcio Catunda e discorre sobre nomes como Homero, Leonardo da Vinci e Jesus Cristo

Márcio Catunda e seu 49º livro: percurso poético por entre a historiografia mundialFoto: Divulgação
O desejo de registrar o percurso histórico das religiões e da arte é projeto antigo do diplomata e poeta cearense Márcio Catunda. Intuito ousado, porém possível de se concretizar a partir do olhar acurado do profissional. "Eternidade Humana", nesse movimento, é obra-síntese a iluminar os percursos traçados pelo autor na realização de sua ideia primeira.
"O livro é sobre a vida de grandes personagens da História humana: os super-homens, meus ídolos. Para tanto, poetas, mártires, santos, filósofos, artistas plásticos e músicos são contemplados nesse trabalho de pesquisa e criação literária", comenta.
Detalhes que ganharão maior destaque nesta terça-feira (30), às 20h, no Ideal Clube, quando acontece o lançamento do exemplar.
A principal vertente dos textos é o realce no aspecto benevolente do ser humano; para isso, Márcio explora o bom exemplo dado pelos perfilados por meio de obras e atitudes, revelando, nesse caminhar, aspectos intrínsecos à espiritualidade, altruísmo e boas intenções, seja pelo talento criativo ou pelo idealismo da prática do bem.
A homenagem contempla, entre outros nomes, Jesus Cristo, Buda, Madre Teresa de Calcutá, Sócrates, Lao Tsé, Teresa de Ávila, Ghandi, Baudelaire, Beethoven, Santa Luzia, Vinicius de Moraes e uma grande variedade de personalidades. Poemas que acendem o gosto pelo mergulho na ternura humana.
Este é o 49º livro de Márcio Catunda, saído pela Editora Batel e com prefácio assinado por Gilberto Mendonça Teles, cujo texto sublinha: "Na obra, o leitor encontrará, por intermédio dos fragmentos antológicos que a representam, o sentido maior da poesia no ponto extremo das culturas do universo".
Na visão do poeta autor da publicação, a experiência de ter posto às vistas do público tantas obras significa um exercício efetivo na arte de escrever.
"Acredito que escrever se aprende escrevendo. E penso haver evoluído de um livro a outro, melhorando a técnica redacional, nos campos da sintaxe, da semântica e da sensibilidade. Eu diria que, em termos de quantidade, venho cumprindo a tarefa de escritor; em termos de qualidade, porém, são os outros que dirão se venho agregando valor a cada escrito, sucessivamente".
Aprendizados
Perguntado ainda sobre o que aprendeu ao imergir na trajetória dos artistas mencionados, Márcio Catunda menciona o acúmulo de conhecimentos, principalmente nas áreas de história, literatura, arte e ciência, feito que deve ser refletido no público leitor.
"Isso porque li diversas biografias de cada personagem estudado e reescrevi os textos até conseguir a forma mais resumida de contar tudo, em ritmo de poesia", dimensiona.
Além disso, ele confessa imitar outros escritores no trato poético como forma de garantir a qualidade do material, a exemplo de Jorge Luis Borges (também homenageado no livro), Thomas Carlyle, Ralph Waldo Emerson e Stefan Zweig, reconhecidos biógrafos e ensaístas. A mensagem, repassada de forma inspirada, é enfática: há uma singular grandeza espiritual a ser descoberta nos personagens.
"Ao enaltecer essa magnânimas criaturas, eu critico, indiretamente, os mesquinhos e malévolos. Realçando os feitos desses seres superiores, revelo a natureza divina do homem, sua capacidade de realizar coisas extraordinárias em nome de um ideal, inclusive o sacrifício de si em prol dos outros", detalha.
"E o mais interessante: as biografias servem para mostrar os exemplos de vida e não apenas a doutrinação teórica", complementa. Trazendo, assim, oportuna visão em um momento indigesto de pessimismo e angústia social, "Eternidade Humana" vale como leitura para injetar esperança e luz nos dias de agora, de outrora e nos que hão de vir.

Serviço
Lançamento do livro “Eternidade Humana”, de Márcio Catunda

Nesta terça-feira (30), às 20h, no Ideal Clube (Avenida Monsenhor Tabosa, 1381, Meireles). Gratuito. Contato: (85) 3248-5688
Eternidade Humana
Editora Batel
2019, 200 páginas
R$ 39

Lugar das Águas: videocrônica traz narrativa sobre as cheias no Ceará


Série de reportagens do Sistema Verdes Mares retrata os efeitos das enchentes na Região Norte do Ceará, na quadra chuvosa de 2019


Visitar a Região Norte do Ceará, em 2019, durante a quadra chuvosa, é encontrar cidades e distritos impactados pelas cheias. A equipe do Sistema Verdes Mares, este mês, percorreu de carro, barco e a pé os municípios de Granja, Ubajara, Santana do Acaraú e Morrinhos e traz narrativas sobre áreas de moradias ameaçadas pelas águas.
O trabalho conta histórias sobre o movimento das águas que, com o volume de chuvas, retornam aos lugares naturais e os efeitos na vida de quem mora no entorno de rios e açudes.  
Confira o videocrônica:

Exposição Corpos Furiosos evidencia obras de artistas negras cearenses

A exposição estará aberta para visitação até o dia 9 de maio, na Materioteca do Instituto de Cultura e Arte UFC, no Campus do Pici

Obra Reitegração de Leite, feita pela artista Eliana Amorim
Obra Reitegração de Leite, feita pela artista Eliana Amorim (Foto: Divulgação)
A partir do questionamento de como ocupar espaços e equipamentos evidenciando a arte negra, a exposição “Corpos Furiosos” abre nesta quinta-feira, 2, na Materioteca do Instituto de Cultura e Arte (ICA) da UFC, no Campus do Pici. Com visitação gratuita, a mostra seguirá em cartaz até o dia 9 de maio.
Em entrevista ao O POVO, a curadora Dhiovanna Barroso explica que “Corpos Furiosos” nasceu de um convite feito pelo Trovoa, grupo de mulheres negras e não-brancas do Rio de Janeiro. O movimento já ganhou edições em Belém, Recife e São Paulo. “Elas entraram em contato com várias meninas e comigo para visibilizar esses corpos que são apagados na história. A gente quer sair na mídia sem tá morto, queremos que a sociedade veja nosso trabalho”, manifesta.
Para criar essa atmosfera de representatividade, Dhiovana convidou mulheres da cena local para expor trabalhos que retratam a arte contemporânea por uma perspectiva não-branca, fugindo da estética europeia retratada ao longo da história. Amanda Monteiro, Eliana Amorim, Erica R., Karine Araujo, Maria Macedo, Priscila Smiths, Silvelena Gomes e Vitória Sena compõem o coletivo Terroristas del Amor, que faze parte exposição.
“A união é o mais importante de tudo. Juntas podemos combater todas essas situações ruins que se instauraram no País. Por mais que tenham nos silenciado, temos produções negras e queremos dar nomes a essas artistas”, destaca Dhiovana.
Serviço
Exposição Trovoa - Corpos Furiosos
Quando: abertura quinta, 2 de maio, a partir das 18h
Onde: Materioteca do Instituto de Cultura e Arte UFC - Campus do Pici
Visitação: 3 a 9 de maio, de meio-dia às 17 horas 
Acesso gratuito
REDAÇÃO O POVO ONLINE

Confira programação completa do 70º Salão de Abril

Mostra segue aberta ao público até o dia 30 de junho

Minimuseu Firmeza
Minimuseu Firmeza(Foto: divulgação)
As 30 obras selecionadas para o 70º Salão de Abril ficam expostas até junho em cinco espaços de Fortaleza, sendo seis em cada local. O evento, que começou no último sábado, 27, no Minimuseu Firmeza, também ocupará a Sem Título Arte, o Centro Cultural Casa do Barão de Camocim, o Espaço Cegás de Cultura e o Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza (CCBNB).
Além desses espaços, a mostra percorre ateliês e galerias da cidade. A programação conta, ainda, com palestras e debates abertos ao público.
Confira programação completa:
Sem Título Arte
Quando: visitação de 2 de maio a 30 de junho. Segunda a sexta, de 14 às 19 horas
Onde: rua João Carvalho, 66, Aldeota
Mais infos: 3037 0008
Centro Cultural Casa do Barão de Camocim
Quando: 11 de maio a 30 de junho. Terça a sexta, de 9 às 19 horas; sábado e domingo, de 10 às 17 horas
Onde: rua General Sampaio, 1632, Centro
Mais infos: 3252 1444
Espaço CEGÁS de Cultura
Quando: 16 de maio a 30 de junho. Segunda a sexta, de 13 às 17 horas
Onde: avenida Washington Soares, 6475 - Edson Queiroz
Mais infos: 3266 6900
Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza
Quando: 25 de maio a 30 de junho. Terça a sábado, de 10 às 18 horas
Onde: rua Conde d'Eu, 560 - Centro
Mais infos: 3209 3500
Ateliês Convidados
Roberto e Lúcia Galvão
Quando: 6 e 13 de junho, às 16 horas
Onde: avenida Dr. Joaquim Frota, 132 – Água Fria
Hélio e Efimia Rola
Quando: 12 e 19 de junho, às 10 horas
Onde: Rua Joaquim Ferreira, 911 – Lagoa Redonda
Acidum Project
Quando: 14 e 15 de junho, das 15h às 18 horas
Onde: Rua Rui Monte, 274 – Antônio Bezerra
Sérgio Pinheiro
Quando: 21 e 28 de junho, às 15 horas
Onde: Rua Paschoal de Castro Alves, 51 – Vicente Pizon
Sérgio Lima
Quando: 26 e 28 de junho, às 16 horas
Onde: Rua Nogueira Acioly, 204 - Centro
Programação Formativa
Palestra com o artista visual Efrain Almeida (CE/RJ). Acontece na abertura da exposição “Bordas e Pespontos: o Bordado na Arte Contemporânea”
Quando: 11 de maio, um sábado, às 9 horas
Onde: Ateliê da Nice no Centro Cultural Casa do Barão de Camocim
Palestra com a designer e criadora da marca de bolsas artesanais Catarina Mina, Celina Hissa (CE). A atividade ocorre no dia da abertura da exposição.
Quando: 16 de maio, uma quinta-feira, às 15h30min
Onde: Espaço Cegás de Cultura (Washington Soares, 6475 - Edson Queiroz)
Palestra com o jornalista e consultor de moda Jackson Araujo (CE/SP).
Quando: 6 de junho, segunda-feira, 18 horas
Onde: Auditório Castelo Branco do Instituto Federal do Ceará (Av. Treze de Maio, 2081 – Benfica)
Palestra com o pesquisador da Universidade Estadual do Ceará – UECE, Guilherme Marcondes (RJ/CE); com o colecionador Sérgio Carvalho (DF); e com o galerista Victor Perlingeiro (CE)
Quando: 13 de maio, segunda-feira, 19 horas
Onde: Sem Título Arte
Peça Teatral “4 Passos” e palestra com Janaína de Melo, Narcélio Grud e com Rachel Gadelha
Quando: 30 de maio, quinta-feira, às 18 horas
Onde: Centro Cultural Banco do Nordeste
REDAÇÃO O POVO ONLINE

Gamers e projetos saudosistas fazem ressurgir os cinemas de rua

Sala principal do antigo Cine Ipiranga terá foco em games, com cerca de cem computadores e a transmissão de campeonatos profissionais.
Hall do Cine Ipiranga no último dia de atividade, em 2005.
Hall do Cine Ipiranga no último dia de atividade, em 2005. (Ernesto Rodrigues/Estadão Arquivo)

"Nota de falecimento: Aqui jaz o Cine Ipiranga", anunciava o jornal O Estado de S. Paulo em fevereiro de 2005. O texto citava o "último suspiro" da sala de cinema e encerrava: "A esperança de reviver os anos dourados dos cinemas do centro está minguando".

Catorze anos depois, a situação toma rumo distinto: o espaço tem reinauguração prevista para o segundo semestre, com o nome Arcade Omelete. Em paralelo, outros dois cinemas do centro expandido também devem reabrir, com propostas distintas: o Cine Bijou, na Praça Roosevelt, e o Cine Rex, na Bela Vista.

Além de novo nome, o Ipiranga terá um perfil mais próximo da cultura pop e gamer. "Será um novo ponto de sociabilização, como eram os cinemas no passado, só que atualizando para o público de hoje, de um jeito diferente", explica Marcelo Forlani, sócio-fundador do grupo Omelete e um dos idealizadores do projeto, bem como Facundo Guerra (grupo Vegas).

A sala principal terá foco em games, com cerca de cem computadores e a transmissão de campeonatos profissionais. Trará ainda uma área de convivência e espaço com jogos antigos, como fliperama e tabuleiros, e promoverá torneios internos, além de receber festas. A proposta se assemelha com a da Comic Con Experience, evento realizado pelo grupo Omelete anualmente e que reuniu, em 2018, 262 mil pessoas.

Também no novo Ipiranga, a sala 2 receberá maratonas e sessões especiais de filmes e séries, assim como eventos do site de cultura pop Omelete. "A ideia não é utilizá-lo como um cinema padrão, não é bater de frente com as grandes redes", explica Forlani. "Todo o local será voltado para convivência e socialização entre os fãs de games, cinema, séries, cosplay, enfim, cultura pop."

De 1943, o Cine Ipiranga tem projeto do arquiteto Rino Levi e é tombado, assim como outros expoentes da antiga Cinelândia Paulista, como o Marabá, localizado do outro lado da Avenida Ipiranga e hoje parte da PlayArte Cinemas. "Tem também o lado histórico, de estar em um lugar que é tão importante para São Paulo. O foyer (hall) já é um portal, subir aquelas escadas é diferente", comenta Forlani.

Filmes autorais

Outro cinema do centro expandido que deve abrir em breve é o Cine Bijou, que funcionou na Praça Roosevelt entre os anos 60 e 90 e tornou-se conhecido por exibir filmes autorais, pelo porte reduzido - eram 88 poltronas - e por ter sido um espaço de resistência durante a ditadura militar.

O Bijou está sendo recuperado pelo Satyros, companhia teatral que já tem dois espaços na Roosevelt. O objetivo é reabri-lo em junho, mais próximo o possível de sua versão original. A ideia nasceu um pouco no improviso, quando uma escola de teatro deixou o local. "A gente pegou o espaço meio no susto", conta Ivam Cabral, um dos fundadores da Satyros.

A sede principal do cinema recebe atividades teatrais há mais de 20 anos. "Agora, será um espaço de cinema, sobretudo, com filmes de arte, produções independentes, que não conseguem chegar no circuito", conta.

Ivam também adianta que está em desenvolvimento um projeto de sessão especial chamada provisoriamente de Filme da Minha Vida, em que um cinéfilo apresenta uma obra que considera marcante. A proposta também inclui resgatar as características originais do espaço, como o letreiro da fachada. Para isso, os investimentos iniciais serão de R$ 150 mil.

Também está em desenvolvimento um projeto para o espaço do antigo Cine Rex, inaugurado em 1940 e que deu lugar ao antigo Teatro Zaccaro. Em fase inicial, cogita-se remodelar o imóvel, mantendo a edificação original, que é tombada, para receber apresentações variadas. O novo espaço cultural é idealizado pela empresa Prevent Senior, que ainda não divulgou detalhes.

Transformação.
Para Lúcio Gomes Machado, professor aposentado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), o cinema de rua tem o potencial de transformar o entorno. "Ele retoma a função da rua, que é ter gente. E o fato de atrair pessoas para a rua faz com que o entorno se revitalize de maneira importante. Tendo mais coisas na rua, há uma força de sinergia. Um empreendimento atrai outro, o que ajuda a remontar a cena cultural na cidade."

Machado ressalta que os cinemas que serão reabertos estão ligados à história da capital. "O Cine Ipiranga é uma das obras de arquitetura mais importantes da cidade. Já o Cine Bijou é emblemático porque fez parte da formação de cinéfilos, projetando filmes que não estavam no circuito." 

Agência Estado

Evento de comemoração dos 50 anos de Woodstock é cancelado

O festival seria realizado de 16 a 18 de agosto. A investidora afirmou que não acreditava que a produção do evento estivesse à altura da Marca Woodstock.
Os produtores do evento para celebrar os 50 anos de Woodstock não comentaram a decisão da Dentsu de cancelar o festival.
Os produtores do evento para celebrar os 50 anos de Woodstock não comentaram a decisão da Dentsu de cancelar o festival. (Reuters)

Por Jill Serjeant
Los Angeles - Um evento com três dias de shows planejado para comemorar o aniversário de 50 anos do festival de Woodstock foi cancelado, disse a principal empresa investidora nesta segunda-feira. O Woodstock 50 estava programado para entre os 16 e 18 de agosto, em Watkins Glen, no estado de Nova York, com apresentações que incluíam o rapper Jay-Z, a cantora Miley Cirus e os roqueiros da banda The Killers.
"Apesar do nosso tremendo investimento de tempo, esforço e comprometimento, não acreditamos que a produção do festival possa ser executada como um evento à altura do nome da Marca Woodstock, ao mesmo tempo em que se garanta a saúde e segurança dos artistas, parceiros e frequentadores", disse a investidora Dentsu Aegis Network, uma unidade da Dentsu Inc, em comunicado.
"Como resultado e depois de cuidadosa consideração, a Amplifi Live, da Dentsu Aegis Network, uma parceira do Woodstock 50, decidiu cancelar o festival", acrescentou o comunicado.
O festival de Woodstock, ocorrido em agosto de 1969, quando foi anunciado como "três dias de paz e música", é amplamente considerado um dos momentos mais marcantes da história da música. Os produtores do evento de aniversário de 50 anos não responderam a pedidos de comentário sobre o comunicado da Dentsu.

Reuters

Emissão filatélica recorda 500 anos da morte de Leonardo da Vinci

O Departamento Filatélico do Vaticano criou um Bloco Comemorativo em miniatura com quatro selos de 1,15 euros, representando São Jerônimo, cuja pintura está preservada na Pinacoteca dos Museus do Vaticano
O Departamento Filatélico do Vaticano comemora, com duas novas emissões, o quinto centenário da morte de Leonardo da Vinci e a criação do Núcleo dos Carabinieri de Proteção ao Patrimônio Cultural.
 
Alessandro Di Bussolo - Cidade do Vaticano
A atenção dos colecionadores e apaixonados pela filatelia volta-se novamente ao Vaticano nestes dias. Isso, porque Departamento Filatélico da cidade do Papa fez duas novas emissões na segunda-feira, 29 de abril, para celebrar dois aniversários: o quinto centenário da morte de Leonardo da Vinci e os 50 anos de vida do Núcleo para a proteção do patrimônio cultural dos Carabinieri.

Leonardo morreu na França, em 2 de maio de 1519

O primeiro aniversário é recordado em 2 de maio, data em que, em 1519, falecia em Amboise, na França, o gênio indiscutível do Renascimento italiano, nascido em Anchiano, povoado no município de Vinci, a 40 km de Florença, em 15 de abril de 1452.
Homem genial e de talento universal, Leonardo encarnou em plenitude o espírito de sua época, levando-o às mais elevadas formas de expressão nos mais diversos campos da arte e do conhecimento. Ele foi  arquiteto e escultor, um admirável pintor e escritor, cenógrafo, anatomista, músico, designer e inventor.

No Bloco Comemorativo, São Jerônimo e o retrato de Rafael

Para a ocasião, o Departamento Filatélico do Vaticano criou um Bloco em miniatura com quatro valores de 1,15 euros, representando São Jerônimo, cuja pintura está preservada na Pinacoteca dos Museus do Vaticano.
Neste trabalho, que até 22 de junho estará em exibição no “Braccio di Carlo Magno” – lado esquerdo das Colunatas de Bernini, na Praça São Pedro -  Leonardo pinta o Santo enquanto bate no peito com uma pedra.
"A expressão do rosto - lemos no folder dedicada aos colecionadores - onde é visível o sofrimento, mas ao mesmo tempo perceptível o estado de êxtase, faz pensar a um eremita dedicado às privações de carne, usadas como meio para atingir o êxtase místico".
No lado esquerdo Bloco, que mede 136 x 116 milímetros, com impressão de 50 mil exemplares, encontramos Platão retratado como Leonardo, um detalhe da "Escola de Atenas", de Rafael Sanzio, também encontrada nos Museus Vaticanos.

Os 50 anos do Núcleo para a Proteção do Patrimônio Artístico

A segunda emissão é em conjunto com a Itália e a Soberana Ordem Militar Soberana de Malta, e celebra o 50º aniversário da instituição do Comando dos Carabinieri para a Proteção do Patrimônio Cultural, que cai 3 de maio. O setor, fortemente desejado pelo então chefe do Estado-Maior da Arma dos Carabinieri, general Arnaldo Ferrara - informa o folder do escritório filatélico - "prevê a segurança do patrimônio cultural, na recuperação do patrimônio cultural e do material científico e didático inerente aos próprios bens”.

Bloco Comemorativo com obras recuperadas, mas também "a Natividade"

O Bloco Comemorativo, com dimensões de 207 x 137 milímetros, tem um preço de 5,40 euros e terá impressão de 80 mil exemplares. Ele reproduz alguns dos muitos trabalhos roubados e recuperados graças à intervenção do Núcleo para a Proteção do Patrimônio artístico: a Sagrada Família de Mantegna (no valor de 5,40 euros), "La muta" de Rafael Sanzio, precioso código iluminado, "O Jardineiro" de Van Gogh, uma máscara romana de marfim e a fachada do Palazzo Sant'Ignazio, sede do comando , nas cinco cartas fechadas. Tudo inserido pela artista Maria Carmela Perrini, tendo ao fundo a "Natividade" de Caravaggio, roubada em 1969 em Palermo, poucos meses após o nascimento da Unidade de Proteção, e nunca mais recuperada.

O primeiro organismo policial do mundo para proteger a arte

O Núcleo foi criado junto ao Ministério da Pública Instrução, com o objetivo de enfrentar, com ferramentas eficazes e intervenções direcionadas, o alarmante fenômeno de empobrecimento por roubos do maior museu ao mundo: a Itália. Como sede sede, foi escolhido o prédio histórico projetado pelo arquiteto Filippo Raguzzini, na Piazza Sant'Ignazio.
A Itália foi a primeira nação do mundo a ter uma organização policial especializada neste setor específico, antecipando a recomendação da Conferência Geral da Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, que indicou aos Estados membros a oportunidade de adotar medidas para impedir a aquisição de bens ilicitamente exportados e favorecer a recuperação daqueles roubados, e a criação de serviços dedicados de serviços dedicados a este fim.

29 de abril de 2019

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em abril

Lista publicada no último domingo de cada mês reúne alguns dos mais recentes lançamentos nas livrarias

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo
 
A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua Estante. Confira as indicações de março:
Estante
Livros recomendados pela equipe do Aliás em abril
O Verão Tardio - Luiz Ruffato (Companhia das Letras)
 
Sexto romance do escritor Luiz Ruffato, O Verão Tardio narra a volta de um homem abandonado pela mulher e filho à terra natal, Cataguases. No município mineiro, o leitor acompanha o cotidiano do protagonista Oseias durante uma semana, suas visitas a familiares e encontros com velhos conhecidos para reatar os fios do passado. A falta de diálogo interclassista num Brasil que viu crescer o gap entre ricos e pobres é uma das constatações de Oseias nessa tentativa de reconstruir seu mundo após 20 anos de ausência da cidade natal. Ruffato, que é de Cataguases, já publicou um livro de ensaios (em 2002) sobre os primórdios do modernismo em Minas.
Lasca - Vladimir Zazúbrin (Carambaia)
O livro Lasca demorou 66 anos para ser publicado na ex-União Soviética. Escrito em 1923 pelo russo Vladimir Zazúbrin (1895-1937), que morreu fuzilado pela repressão stalinista, Lasca já começa na Sibéria, onde um caminhão aguarda sua sinistra carga, corpos de inimigos do regime executados num prédio da Tcheká, a antecessora da KGB. Lasca conta a história de um burocrata da Tcheká, que ganha pouco e, ambicioso, dirige uma equipe de informantes e agentes. Em nome da “revolução”, leva à morte milhares de pessoas. O primeiro livro de Zazúbrin, Dois Mundos (1921), foi saudado por Górki, mas o escritor caiu em desgraça com a morte de seu protetor.
Nada se Vê - Daniel Arasse (Editora 34)
É um dos mais deliciosos livros do historiador e crítico de arte francês Daniel Arasse, morto em 2003. Nada se Vê reúne seis ensaios de mestres da pintura como Tintoretto, Ticiano e Velázquez, em que Arasse ousa discordar de outros críticos para revelar o humor de Tintoretto ao organizar a composição de sua pintura sobre a paixão adúltera de Marte e Vênus, ou revelar suas impressões pessoais sobre As Meninas de Velázquez. Ilustrado com detalhes ampliados das telas analisadas pelo autor, Nada se Vê é dirigido a todos os públicos e escrito em linguagem acessível. Lástima que Arasse tenha morrido aos 59 anos quando ainda tinha tanto a contar.
Um Teto Todo Seu - Virginia Woolf (Nova Fronteira)
Ensaio escrito pela inglesa Virginia Woolf, Um Teto Todo Seu é ao mesmo tempo uma releitura justa da produção literária das mulheres e um manifesto feminista. O livro, publicado em 1929, resulta de duas palestras proferidas pela autora em Cambridge em que analisou não só o papel subalterno das mulheres no mundo da ficção como a forçada autoficcção na produção literária do século 19, uma vez que, para ter uma voz narrativa, era preciso expor parte da experiência existencial das próprias autoras. O livro já foi publicado antes por outras editoras, mas esta versão, traduzida por Vera Ribeiro, tem prefácio de Ana Maria Machado.
Machines Like Me - Ian McEwan (Doubleday)
O mais recente livro do inglês Ian McEwan, Machines Like Me (Máquinas como Eu), que será lançado em junho pela Companhia das Letras, já chegou aos países de língua inglesa com boas críticas. Classificado de um “romance de ideias”, o novo livro de Ian Mc Ewan fala de um ‘ménage à trois’ entre um homem, uma mulher e um robô, Adam, comprado por Charlie com o dinheiro herdado da mãe. Detalhe: além de citar Shakespeare, o robô é capaz de uma ereção graças ao reservatório de água destilada que traz acoplado ao corpo. Sua primeira reação quando ligado é pedir uma roupa para cobrir os pelos públicos. É o começo de sua autonomia.
O Terrorista Elegante e Outras Histórias - Mia Couto e José Eduardo Agualusa (Tusquets)
José Eduardo Agualusa é um dos principais escritores contemporâneos de Angola; o moçambicano Mia Couto já levou para casa o prêmio Camões. Durante conversas em Paraty, no Brasil, esses dois colossos da literatura lusófona decidiram unir forças e escrever uma obra a quatro mãos. É desse esforço conjunto que nasceu O Terrorista Elegante e Outras Histórias, publicado pelo selo Tusquets. O livro reúne três narrativas: um angolano é preso em Portugal por suspeita de participação em atos terroristas; um homem tenta se reconciliar com seu passado matando suas amantes; e várias gerações de uma família devem encarar seus segredos mais sórdidos.
Maddaddão - Margaret Atwood (Rocco)
Inédito no Brasil, Maddaddão é o romance que encerra a trilogia pós-apocalíptica da autora iniciada em Oryx e Crake e desenvolvida em O Ano do Dilúvio. Margaret Atwood, uma das vozes mais badaladas da literatura hoje, aborda temas que migram do terreno da ficção para o noticiário, como os avanços da engenharia genética, mudanças climáticas e sociedades alternativas. Assim como nos dois primeiros livros, Atwood alterna os eventos que levaram a humanidade ao colapso e as ações dos sobreviventes do cataclismo. Publicado originalmente em 2013, Maddaddão parece assustadoramente cada vez mais premonitório em seus temores. 
Cinco Meninos, Cinco Ratos - Gonçalo M. Tavares (Dublinense)
Ganhador dos prêmios José Saramago e Oceanos, o português nascido em Angola Gonçalo M. Tavares é um dos mais prolíficos escritores contemporâneos de língua portuguesa. Publicou oito livros nos últimos cinco anos, e não pretende reduzir esse ritmo. Em 2019, a editora Dublinense traz ao Brasil mais duas obras do autor: Cinco Meninos, Cinco Ratos e A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado. Assim como em seus últimos lançamentos, Tavares transita entre estilos, tornando-se inclassificável. Nesses dois novos livros, passa a explorar um universo mítico ao contrapor lógica e absurdo, humano e máquina, com uma linguagem sofisticada ancorada na tradição oral.
A Véspera - Ivan Turgueniev (Boitempo)
Em 2019, no aniversário de 160 anos do lançamento original de A Véspera, o romance de Ivan Turgueniev, um dos maiores mestres da literatura russa, ganha uma nova edição. Em seu terceiro romance, o autor de Pais e Filhos faz uma crítica dos costumes da aristocracia russa do século 19 com a protagonista Elena Stakhova. Seus pais querem casá-la com um funcionário público, mas ela se apaixona, às vésperas da Guerra da Crimeia, pelo revolucionário búlgaro Dmitri Insarov, com quem passa a se relacionar em segredo. No entanto, ela decide se unir ao movimento de independência da Bulgária, e para isso tem de desafiar a resistência da família.
Textos Contraculturais, Crônicas Anacrônicas & Outras Viagens - Eduardo Bueno (L&PM)
O jornalista Eduardo “Peninha” Bueno, atualmente um dos youtubers mais interessantes do Brasil, reúne seus escritos em Textos Contraculturais, Crônicas Anacrônicas & Outras Viagens. Obra de três décadas, os artigos abordam assuntos dos mais específicos, da solidão de Henry David Thoreau à tragédia de Brumadinho. Peninha compila também entrevistas, como as que fez com Allen Ginsberg e Charles Bukowski. Suas crônicas, no entanto, primam pela amplitude temática: indo dos 500 anos do ‘descobrimento’ da América, ao rock de Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis, passando pelo jornalismo de Truman Capote e Tom Wolfe.

A poesia original

por Ruy Espinheira Filho
A poesia original
Foto: Arquivo Pessoal
UMA MULHER ORIGINAL                   

Seguindo as pétalas de um malmequer,
o mundo ofereceu-lhe essa mulher.

Como era ela? Estava e não estava.
Sempre assim: ou beijava ou revoava

em brisa - ou pedras ásperas de vento
quando de humor mais árduo e virulento.

Aqui, vinha até ele em primavera.
Ali, rindo no dorso da Quimera,

um riso que com fogo em seu revérbero
fazia fugir ganindo o pobre Cérbero.

Mas logo era outro rir (melhor: sorrir...),
fazendo o mundo inteiro reluzir...

Essa mulher... Do amar mais docemente
à estrela dura de uma dor de dente.

O que fazer? E havia o que fazer?
Talvez fugir?  Talvez. Ou então morrer...

E ele morria, morria, intensamente!
Porém ressuscitava logo, doente,

denso de angústias, sem rumo e sem fé.
E assim foi na loucura... Foi até

estar, súbito, além do bem, do mal,
numa infinita paz celestial,

depois de longo sono de sonhar
um sonho lúcido e então despertar

de esfinge decifrada: que só havia
nela o que era nas outras - a magia

de alma como as de todas as mulheres,
imprevisíveis como malmequeres...





DE ELEGÂNCIA E CHAPÉUS  

                           Em seu imponderável, ao poeta,
o último a quem vi usando aquele chapéu.


Muito cedo, ao final do sono, recordo meu pai num terno completo,
todo elegante, inclusive no chapéu,
que usava com leve inclinação para a direita.
Muito elegante, meu pai, como sempre, em corpo e alma.
E o chapéu me fez lembrar outro chapéu, bem menos charmoso,
que ele só usava para dirigir o velho jipe inglês,
sobra da Segunda Guerra Mundial,
nas viagens entre cidades muitas
para cumprir seus compromissos de advogado.
Depois, com os anos, acabaram-se as viagens
e eu herdei o chapéu para proteção em dias chuvosos,
pois sempre abominei usar guarda-chuva.

O que durou até a vez em que um poeta me pediu emprestado
o chapéu
para enfrentar a chuva e resolver um assunto rápido.
E não voltou.
Ah, sim, ele voltou, o poeta, em outra ocasião,
como voltou muitas outras vezes, por muitos anos, mas
nunca mais o chapéu.
Nunca mais, nunca mais.

Hoje também já não volta o poeta
a não ser nos sonhos da memória do sono ou da vigília.
E fico imaginando meu pai, num bar do Paraíso,
cumprimentando o poeta com um gesto amplo
do seu mais belo chapéu
e nada perguntando sobre o chapéu mais humilde,
batido de poeira e muitos ventos e chuvas,
com que o poeta corresponde ao cumprimento,
chapéu que ele, meu pai, tão bem reconhecia
e ali o ignorava como se jamais o houvesse visto,
por ser muito elegante, meu pai, como sempre,
em corpo de alma.





POETAS 

Várias estantes erguidas
de um canto ao outro da sala,
que se foram enfileirando
desde a esplendorosa aurora
que os anos não trazem mais.
Poetas (homens, mulheres)
de flores, rendas, espadas,
êxtases na Natureza,
vastos desertos de tédio,
vida suja das cidades,
luares de amor, desamor,
intrigas, perseguições,
ideologias e guerras,
fama, sucessos, vitórias,
fome, esquecimento, mortes
lentamente nas prisões.

Poetas cantando, cantando
(cantam porque o instante existe,
porque tudo vale a pena,
se a alma não é pequena),
cantos que vão dos horrores
à inocência das crianças,
entre os labirintos das
ledas quimeras que cismam
e angústias em que se abismam.
Dos desencantos da vida
aos seus múltiplos encantos,
estes sempre renascendo
nas searas da esperança.

Na sala, por vários metros,
ao longo e de alto a baixo,
vastos tumultos humanos
que chegam de toda parte
ou emergem do coração
(que, mesmo sendo pequeno,
jamais é menor que o mundo,
ainda que só fique em rima,
sem nenhuma solução).
Sim, os poetas, que veem
dos céus à terra e da terra
aos céus; e, com sua pena,
às coisas desconhecidas
dão formas e mais: concedem
ao que era aéreo nada
habitação e um nome.

E assim é. Desde bem antes
dos altos muros de Troia,
vindo à descida ao Inferno
e a aventuras na Espanha
(um horizonte de cães
ladrando longe do rio)
com casadas infiéis,
mais a memória que arde
às cinco em ponto da tarde.
Alguns, a chorar a flor
carregada pela fonte.
Outros, doando de si
reflexões fraternais.
Outros, indo pra Pasárgada,
pois são amigos do rei
(que nada tem do inditoso
rei de um país pluvioso).
E esses outros escutando
crocitar, nos seus umbrais,
o corvo que lhes promete,
para sempre, nunca mais...

E aqui vou eu, entre eles,
junto a seus males e bens,
seguindo todas as vozes,
murmúrios, risadas, prantos.
Cantos vários. Mesmo canto:
o do Homem, que não é
mais que o sonho de uma sombra.

E vamos, até o final,
do Quê, do Quando, do Onde.
Vamos bem além de tudo,
de funerais e cirandas.

Até a última nau.
A vasta nau do silêncio
com todas as velas pandas.

Bahia Notícias

Trajetória do Mestre da Cultura Gilberto Calungueiro, de Icapuí, será contada em livro

Com a mão direita, Gilberto empunha o boneco protagonista das brincadeiras Baltazar
Com a mão direita, Gilberto empunha o boneco protagonista das brincadeiras Baltazar (Foto: José Vanucci Evaristo Vieira/ Divulgação)
Nascido há 76 anos, Gilberto Ferreira de Araújo agregou a seu sobrenome o ofício que, somente em 2006, o tornaria Mestre da Cultura no Estado: Calungueiro. Bom de conversa e contador de causos como ele só, o cearense já foi de um tudo - seresteiro, camelô, pescador etc -, mas foi por debaixo das empanadas (tecido que cobre os mamulengos) que ganhou notoriedade de Norte a Sul. "Em Icapuí é difícil haver quem não saiba dele, quem não o tenha visto botar calunga. Nasci aqui e minha família sempre foi envolvida com cultura; meu pai Ray Lima e minha mãe Regina Lima realizavam trabalhos na cultura da cidade nos anos 1990", relata Jadiel Lima, 24.
Cenopoeta, ilustrador e jornalista, Jadiel é agora autor de Gilberto Calungueiro: Se esse boneco falasse. O livro-reportagem, viabilizado por meio do XI Edital de Incentivo às Artes (Secult), do qual o projeto recebe apoio cultural, encontra-se nos ajustes finais com previsão de lançamento para este mês de maio. "O livro vai ser colorido para prestigiar as fotos do José Vanucci Evaristo Vieira, foi diagramado por Renan Rosendo e Fran Ameixeiras, e já está com o projeto pronto. Estamos aguardando alguns trâmites do edital para poder imprimir e, assim, ter a data certa de lançamento", adiantou.
O embrião do projeto, porém, nasceu durante a conclusão do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), sob a orientação do professor Ronaldo Salgado. "Em 2014, Gilberto se apresentou no Congresso da Rede Unida, lá no Centro de Eventos. Fazia muito tempo que não o via brincar boneco e fiquei emocionado. Eram conferencistas e pessoas de todos os lugares do país. O linguajar de Icapuí é quase um dialeto, mas o humor do bonequeiro encantava, fazia todo mundo dar gargalhadas. Isso é muito raro, é de uma sutileza muito forte", garante. "Desde o começo não tinha a intenção de que o material ficasse dentro da universidade. Queria registrar a história dele e divulgar sua contribuição para a cultura", complementa o autor, que destacou no livro alguns aspectos marcantes do calungueiro, agraciado também com o título de Mestre do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste (2015).
"Ele é muito aberto, isso permitiu uma imersão muito grande nas conversas e na observação. O Gilberto é conhecido por 'ser o mesmo dentro e fora da empanada'. Tem um tempo cômico muito preciso e é muito brincalhão, adora contar causos, anedotas. Por isso o livro traça a ligação intrínseca entre ele e o boneco Baltazar, personagem principal da brincadeira de calungas, que é tão presepeiro quanto o Calungueiro que lhe dá voz. A segunda parte registra duas de suas apresentações, uma em Icapuí e outra no evento da homenagem do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste, que contou com a presença de outros mestres do Casimiro Coco e do Calunga cearense", explicou.
Para Jadiel, adentrar no universo de Gilberto Calungueiro abriu espaço, sobretudo, para um conhecimento maior sobre a própria história de Icapuí, conhecida pela pesca da lagosta. "Ouvindo as histórias dele eu estava acessando a história cultural da cidade de uma maneira muito profunda. Eu era muito leigo sobre ela, conhecia o que via de apresentações artísticas na cidade, mas, antes disso, violeiros, ciganos, cantadores, calungueiros, rendeiras, seresteiros, pastoris, rodas de coco tinham atravessado a cidade. Gilberto é um ícone da cultura cearense e nordestina. Brincantes de teatro de bonecos mais recentes o têm como referência. Ele conviveu com tudo isso, então tem muita história de se ouvir. Também pudera, pescador!".

Acompanhe o projeto nas redes sociais:

Facebook, Twitter e Instagram: @seesseboneco
E-mail: seessebonecofalasse@gmail.com
TERESA MONTEIRO
o povo

Menina com síndrome de Down vence concurso de beleza infantil

Com apenas dois anos e sete meses, Maria Vitoria poderá disputar o Miss Baby Brasil em São Paulo

Com apenas dois anos e sete meses, Maria Vitoria poderá disputar o Miss Baby Brasil em São Paulo

Maria Vitoria conquistou o título de Miss Baby Destaque RS.Maria Vitoria dos Santos Mostardeiro, de apenas dois anos e sete meses, conquistou o título de Miss Baby Destaque RS. A menina que tem síndrome de Down ganhou a faixa em um concurso de beleza infantil realizado em Blumenau (SC), no mês passado. Crianças e adultos de diferentes idades, em sua maior parte sem deficiência, disputaram as faixas.
A vitória dá à Maria Vitoria a chance de sair de Cidreira, sua cidade natal no litoral norte do Rio Grande do Sul, para disputar a faixa de Miss Baby Brasil em São Paulo. O concurso está programado para setembro.
A mãe da garota, Tatiane da Silveira dos Santos, disse em entrevista à Revista Versar que deseja "mostrar que as crianças com síndrome de Down também têm capacidade para realizar sonhos". Para ela, "os pais têm que ter força de vontade para estimulá-las. Elas podem se desenvolver bem, podem fazer tudo que uma criança normal faz". 
Tatiane é vendedora de roupas e está engajada em uma mobilização, junto á prefeitura de Cidreira, para tentar abrir uma unidade da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) no município.
Síndrome de Down
A Síndrome de Down é um distúrbio genético causado quando uma divisão celular anormal resulta em material genético extra do cromossomo 21. A trissomia provoca uma aparência física distinta – cabeça mais achatada na parte de trás, língua que tende a ficar fora da boca, orelhas um pouco menores e implantadas mais abaixo, flacidez muscular, uma linha única na palma da mão –, deficiência intelectual de níveis diversos, atrasos no desenvolvimento e pode ser associada a doença cardíaca ou da tireoide. 

REDAÇÃO O POVO ONLINE

Museu do Amanhã tem mostra que questiona como alimentar 10 bilhões de pessoas

As projeções permitem acompanhar e entender os desafios da alimentação em 2050.
Museu do Amanhã apresenta exposição temporária
Museu do Amanhã apresenta exposição temporária "PRATODOMUNDO - Comida para 10 bilhões". (AFP)

Como alimentar os 10 bilhões de habitantes que a Terra terá em 2050? Garantir o valor nutricional enquanto se reduzem as desigualdades? O Museu do Amanhã, na Praça Mauá, Centro do Rio de Janeiro, tenta responder a estas questões.
Em 2050, serão necessários 50% mais energia e 40% mais água para alimentar o planeta, informa o museu em projeções em suas paredes, com vídeos sobre culturas de todos os continentes, que integram sua nova exposição, inaugurada nesta sexta-feira.
"A alimentação se tornou um assunto quente, que interessa todo mundo hoje em dia", explicou à AFP Leonardo Menezes, curador da exposição Pratodomundo, patrocinada pelo Ministério da Cidadania e pela rede Carrefour.
O conteúdo da mostra - fotos e vídeos do mundo inteiro - foi fornecido pela AFP e pela FAO, agência da ONU para a alimentação.
As projeções interativas permitem acompanhar esse percurso e entender os desafios da alimentação em 2050.
É esperado que as superfícies cultiváveis sejam muito escassas, mas diversas alternativas já estão sendo exploradas. Entre elas, as hortas urbanas (horizontais, em terraços de prédios e casas, ou verticais, sobre os muros) já foram experimentadas em 50 países, mas também falam-se de plantações em desertos, florestas e tundras.
Já existem outros modos de expandir os cultivos para alimentar a humanidade respeitando o meio ambiente: nos oceanos, com fazendas marinhas, ou em túneis subterrâneos, como ocorre em Londres.
Eles começam a se espalhar inclusive para as plantações. No Pará, região Norte do país, árvores de cacau e de pimenta são cultivadas sob a vasta sombra dos coqueiros. Essas técnicas limitam a erosão do solo, ao mesmo tempo em que aumentam sua fertilidade.
"Nós somos um museu que apresenta perguntas", diz Menezes. "Queremos elevar o nível de consciência das pessoas. E todos os dias damos novas respostas".
O futuro nutricional pode passar pelas tecnologias apresentadas no museu, como drones polinizadores, que vão assumir o lugar das dizimadas abelhas, ou "hambúrgueres de laboratório".
Parte da exposição é destinada aos cultivos transgênicos - afinal, são perigosos ou não? -, ao valor das mulheres nas plantações e aos problemas de saúde decorrente da má alimentação.
Depois do Museu do Amanhã, a exposição deve viajar pelo Brasil.

AFP

27 de abril de 2019

A paz do Senhor ressuscitado

Padre Geovane Saraiva*
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A paz que o Senhor ressuscitado nos propõe tem por base a justiça divina, a solidariedade e o amor. Ela é um desafio para os cristãos, desejosos de construir a paz verdadeira e duradoura, ao se buscar paz por causa do Evangelho, conquistada por Cristo na sua fecunda ação, com sua morte e ressurreição, oferecendo-nos reconciliação e concórdia. Jesus, vencedor da morte, é fonte de libertação para a História e vai muito além dela, ao causar alegria nos discípulos e afastar dúvidas e medo.

resurrectionjã a paz que o mundo propõe é sempre precária, não satisfatória, frágil e insuficiente, além de falsa na sua aparência. Ela se baseia no pouco equilíbrio dos que detêm o poder, na absurda corrida armamentista, na ignorância, sem esquecer de que são os mais fracos e vulneráveis, já reprimidos e explorados, que pagam a conta, na inconformidade e no lamento, que pelos conflitos e pela repressão tende a crescer.

Tomé, na sua incredulidade providencial, com seu gesto de tocar nas feridas de Jesus, marcou profundamente e consolidou a nossa fé, afastando qualquer dúvida, como nas palavras pronunciadas por ele: “Meu Senhor e meu Deus”. Segundo São Gregório Magno, a falta de fé do homem, que precisava ver para crer, não foi por acaso. Estava previsto no plano de Deus. Pondo as mãos nas feridas do seu Mestre e Senhor, curou as suas feridas e as da humanidade; curou as incredulidades da humanidade inteira.

Olhemos para Tomé e aprendamos com ele a colocar nossos dedos nas feridas físicas e espirituais de tantos irmãos e irmãs. Jesus reconciliou o mundo com o Pai, no perdão dos pecados. Ele que nos fez irmãos uns dos outros, além de nos dar de presente o Espírito Santo e abrir o acesso da vida nova em Deus. Ele é a causa de nossa alegria maior, plena e eterna. Jesus ressuscitado é consolo sem fim, é nossa Páscoa!



*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e Colunista, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza