Pular para o conteúdo principal

Dez livros essenciais recomendados pela equipe do 'Aliás' em abril

Lista publicada no último domingo de cada mês reúne alguns dos mais recentes lançamentos nas livrarias

André Cáceres e Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo
 
A equipe do Aliás seleciona, na última edição de cada mês, dez obras publicadas recentemente no Brasil e em outros países para incluir em sua Estante. Confira as indicações de março:
Estante
Livros recomendados pela equipe do Aliás em abril
O Verão Tardio - Luiz Ruffato (Companhia das Letras)
 
Sexto romance do escritor Luiz Ruffato, O Verão Tardio narra a volta de um homem abandonado pela mulher e filho à terra natal, Cataguases. No município mineiro, o leitor acompanha o cotidiano do protagonista Oseias durante uma semana, suas visitas a familiares e encontros com velhos conhecidos para reatar os fios do passado. A falta de diálogo interclassista num Brasil que viu crescer o gap entre ricos e pobres é uma das constatações de Oseias nessa tentativa de reconstruir seu mundo após 20 anos de ausência da cidade natal. Ruffato, que é de Cataguases, já publicou um livro de ensaios (em 2002) sobre os primórdios do modernismo em Minas.
Lasca - Vladimir Zazúbrin (Carambaia)
O livro Lasca demorou 66 anos para ser publicado na ex-União Soviética. Escrito em 1923 pelo russo Vladimir Zazúbrin (1895-1937), que morreu fuzilado pela repressão stalinista, Lasca já começa na Sibéria, onde um caminhão aguarda sua sinistra carga, corpos de inimigos do regime executados num prédio da Tcheká, a antecessora da KGB. Lasca conta a história de um burocrata da Tcheká, que ganha pouco e, ambicioso, dirige uma equipe de informantes e agentes. Em nome da “revolução”, leva à morte milhares de pessoas. O primeiro livro de Zazúbrin, Dois Mundos (1921), foi saudado por Górki, mas o escritor caiu em desgraça com a morte de seu protetor.
Nada se Vê - Daniel Arasse (Editora 34)
É um dos mais deliciosos livros do historiador e crítico de arte francês Daniel Arasse, morto em 2003. Nada se Vê reúne seis ensaios de mestres da pintura como Tintoretto, Ticiano e Velázquez, em que Arasse ousa discordar de outros críticos para revelar o humor de Tintoretto ao organizar a composição de sua pintura sobre a paixão adúltera de Marte e Vênus, ou revelar suas impressões pessoais sobre As Meninas de Velázquez. Ilustrado com detalhes ampliados das telas analisadas pelo autor, Nada se Vê é dirigido a todos os públicos e escrito em linguagem acessível. Lástima que Arasse tenha morrido aos 59 anos quando ainda tinha tanto a contar.
Um Teto Todo Seu - Virginia Woolf (Nova Fronteira)
Ensaio escrito pela inglesa Virginia Woolf, Um Teto Todo Seu é ao mesmo tempo uma releitura justa da produção literária das mulheres e um manifesto feminista. O livro, publicado em 1929, resulta de duas palestras proferidas pela autora em Cambridge em que analisou não só o papel subalterno das mulheres no mundo da ficção como a forçada autoficcção na produção literária do século 19, uma vez que, para ter uma voz narrativa, era preciso expor parte da experiência existencial das próprias autoras. O livro já foi publicado antes por outras editoras, mas esta versão, traduzida por Vera Ribeiro, tem prefácio de Ana Maria Machado.
Machines Like Me - Ian McEwan (Doubleday)
O mais recente livro do inglês Ian McEwan, Machines Like Me (Máquinas como Eu), que será lançado em junho pela Companhia das Letras, já chegou aos países de língua inglesa com boas críticas. Classificado de um “romance de ideias”, o novo livro de Ian Mc Ewan fala de um ‘ménage à trois’ entre um homem, uma mulher e um robô, Adam, comprado por Charlie com o dinheiro herdado da mãe. Detalhe: além de citar Shakespeare, o robô é capaz de uma ereção graças ao reservatório de água destilada que traz acoplado ao corpo. Sua primeira reação quando ligado é pedir uma roupa para cobrir os pelos públicos. É o começo de sua autonomia.
O Terrorista Elegante e Outras Histórias - Mia Couto e José Eduardo Agualusa (Tusquets)
José Eduardo Agualusa é um dos principais escritores contemporâneos de Angola; o moçambicano Mia Couto já levou para casa o prêmio Camões. Durante conversas em Paraty, no Brasil, esses dois colossos da literatura lusófona decidiram unir forças e escrever uma obra a quatro mãos. É desse esforço conjunto que nasceu O Terrorista Elegante e Outras Histórias, publicado pelo selo Tusquets. O livro reúne três narrativas: um angolano é preso em Portugal por suspeita de participação em atos terroristas; um homem tenta se reconciliar com seu passado matando suas amantes; e várias gerações de uma família devem encarar seus segredos mais sórdidos.
Maddaddão - Margaret Atwood (Rocco)
Inédito no Brasil, Maddaddão é o romance que encerra a trilogia pós-apocalíptica da autora iniciada em Oryx e Crake e desenvolvida em O Ano do Dilúvio. Margaret Atwood, uma das vozes mais badaladas da literatura hoje, aborda temas que migram do terreno da ficção para o noticiário, como os avanços da engenharia genética, mudanças climáticas e sociedades alternativas. Assim como nos dois primeiros livros, Atwood alterna os eventos que levaram a humanidade ao colapso e as ações dos sobreviventes do cataclismo. Publicado originalmente em 2013, Maddaddão parece assustadoramente cada vez mais premonitório em seus temores. 
Cinco Meninos, Cinco Ratos - Gonçalo M. Tavares (Dublinense)
Ganhador dos prêmios José Saramago e Oceanos, o português nascido em Angola Gonçalo M. Tavares é um dos mais prolíficos escritores contemporâneos de língua portuguesa. Publicou oito livros nos últimos cinco anos, e não pretende reduzir esse ritmo. Em 2019, a editora Dublinense traz ao Brasil mais duas obras do autor: Cinco Meninos, Cinco Ratos e A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado. Assim como em seus últimos lançamentos, Tavares transita entre estilos, tornando-se inclassificável. Nesses dois novos livros, passa a explorar um universo mítico ao contrapor lógica e absurdo, humano e máquina, com uma linguagem sofisticada ancorada na tradição oral.
A Véspera - Ivan Turgueniev (Boitempo)
Em 2019, no aniversário de 160 anos do lançamento original de A Véspera, o romance de Ivan Turgueniev, um dos maiores mestres da literatura russa, ganha uma nova edição. Em seu terceiro romance, o autor de Pais e Filhos faz uma crítica dos costumes da aristocracia russa do século 19 com a protagonista Elena Stakhova. Seus pais querem casá-la com um funcionário público, mas ela se apaixona, às vésperas da Guerra da Crimeia, pelo revolucionário búlgaro Dmitri Insarov, com quem passa a se relacionar em segredo. No entanto, ela decide se unir ao movimento de independência da Bulgária, e para isso tem de desafiar a resistência da família.
Textos Contraculturais, Crônicas Anacrônicas & Outras Viagens - Eduardo Bueno (L&PM)
O jornalista Eduardo “Peninha” Bueno, atualmente um dos youtubers mais interessantes do Brasil, reúne seus escritos em Textos Contraculturais, Crônicas Anacrônicas & Outras Viagens. Obra de três décadas, os artigos abordam assuntos dos mais específicos, da solidão de Henry David Thoreau à tragédia de Brumadinho. Peninha compila também entrevistas, como as que fez com Allen Ginsberg e Charles Bukowski. Suas crônicas, no entanto, primam pela amplitude temática: indo dos 500 anos do ‘descobrimento’ da América, ao rock de Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis, passando pelo jornalismo de Truman Capote e Tom Wolfe.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

O Natal em Natal (RN), a capital potiguar fundada em 25 de dezembro de 1599

Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto 'O Natal em Natal'.
Considerada uma das maiores e mais bonitas do Brasil, a Árvore de Natal instalada no bairro de Mirassol encanta a natalenses e turistas. (Alex Regis/ Secom Natal)
Os moradores da capital do Rio Grande do Norte têm um motivo a mais para se alegrar e vivenciar esta época do ano. Afinal, eles celebram o “Natal em Natal”. Aliás, a capital potiguar recebeu este nome devido a data da sua fundação: 25 de dezembro de 1599. Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto “O Natal em Natal”, promovido pela prefeitura municipal. Ao todo, segundo a prefeitura, são mais de 40 eventos que contemplam dança, música, teatro, audiovisual, artesanato, gastronomia e outras manifestações culturais.
Na zona sul da capital, foi acessa, no dia 3 de dezembro,  a tradicional “árvore de Mirassol”, com 112 metros de altura, ornamentada com enfeites nos formatos de …

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…