31 de agosto de 2018

País injusto

Gonzaga Mota*
Há algum tempo, no Brasil, estamos falando, debatendo e examinando a possibilidade da realização de algumas reformas. Por isso, impõe-se que se reflita atenciosamente, examine-se com cuidado, para não sermos conduzidos por modismos. É preciso um correto diagnóstico dos problemas, para que se possa avaliar se realmente necessitamos reformar nosso direito positivo.
Assim sendo, duas vertentes de análise devem ser observadas. Numa, precisamos saber se as reformas propostas são para ajustes de caixa circunstanciais ou para promoverem o crescimento econômico e a inclusão social e, noutra se são objetivos de governo ou então objetivos de Estado.
Em resumo, acreditamos que as verdadeiras reformas, com certeza, são aquelas que oferecem ao povo condições concretas de justiça social. Em relação à primeira vertente referida, vale ressaltar o crescimento com inclusão social, observando pontos como a geração de empregos, a redução da dívida social e a melhoria na distribuição de renda.
A segunda vertente diz respeito aos objetivos de governo e de Estado. Os governos passam, já o Estado permanece com seus objetivos estruturantes e duradouros.
No entanto, gostaríamos de salientar que as reformas verdadeiras só ocorrerão quando sairmos do estado democrático de direito - responsável muitas vezes pela concessão de privilégios, gerando injustiças (foro privilegiado, por exemplo) - para o Estado Democrático de Justiça. Dessa forma, o Brasil deixará de ser um País corrupto, em vários aspectos, e consequentemente, injusto.
*Professor aposentado da UFC

Filhos de Michael Jackson participam de homenagem a aniversário de 60 anos do cantor

Paris, de 20 anos, e Prince, de 21, receberam o prêmio Elizabeth Taylor AIDS Foundation Legacy Award em nome do pai.


Paris e Prince Jackson recebem o prêmio Elizabeth Taylor AIDS Foundation Legacy Award em nome do pai.

Paris e Prince Jackson recebem o prêmio Elizabeth Taylor AIDS Foundation Legacy Award em nome do pai. (Lester Cohen /AFP)
Nove anos após a morte do 'Rei do Pop', os filhos e outros familiares de Michael Jackson se juntaram para lançar um leilão e homenagear o cantor no que seria seu aniversário de 60 anos.
Os filhos Paris e Prince Jackson, os irmãos Tito e Jackie e o cantor Usher se juntaram a cerca de 1.500 convidados em Las Vegas na quarta-feira para uma apresentação do show 'One', do Cirque du Soleil, baseado em músicas do artista.
Jackson morreu em junho de 2009 em Los Angeles após uma overdose acidental do poderoso anestésico propofol, que usava para o ajudar a dormir. Seu médico pessoal, Conrad Murray, ficou dois anos preso por causar sua morte por negligência.
Paris, de 20 anos, e Prince, de 21, receberam o prêmio Elizabeth Taylor AIDS Foundation Legacy Award em nome do pai. Taylor, que morreu em 2011, era amiga íntima do cantor e Paris é uma das embaixadoras da Fundação.
"É um privilégio e uma honra estar aqui em nome de algo pelo qual meu pai era muito apaixonado", disse Prince Jackson.
Os irmãos também deram início a um leilão para um par de tênis incrustado de rubis e diamantes e que deve arrecadar mais de 50 mil dólares em leilão em novembro. O dinheiro será entregue à fundação de Taylor.

Reuters

Luciano Trigo lança livro e diz que 'sociedade vive conflito permanente'

Por G1
O jornalista e escritor Luciano Trigo, autor de um blog publicado no G1, acaba de lançar o livro "Guerra de narrativas – A crise política e a luta pelo controle do imaginário" (Globo Livros).
Sobre o termo "guerra" no título da obra, ele explica: "A sociedade brasileira foi dividida e vive hoje em um estado de conflito permanente. Nos últimos anos, amigos romperam relações e parentes deixaram de se falar, envenenados pela atmosfera de 'nós' contra 'eles' que domina todos os aspectos da vida cotidiana".
Em entrevista ao G1, Trigo continua: "Esse processo já ultrapassou os limites do debate político racional e da saudável disputa partidária. Seja qual for o assunto, o debate é contaminado por uma lógica maniqueísta e intolerante: quem pensa de forma diferente é imediatamente identificado como um inimigo a excluir e abater".
Leia, abaixo, a entrevista com o escritor:
 
Capa do livro 'Guerra de narrativas – A crise política e a luta pelo controle do imaginário' (Globo Livros), do jornalista e escritor Luciano Trigo (Foto: Divulgação/Globo Livros)
Capa do livro 'Guerra de narrativas – A crise política e a luta pelo controle do imaginário' (Globo Livros), do jornalista e escritor Luciano Trigo (Foto: Divulgação/Globo Livros)

G1 – No livro, você escreve: 'Agora são 'todos contra todos': minorias contra minorias, gêneros contra gêneros, raças contra raças, sexualidades contra sexualidades, esquerdas contra esquerdas, direitas contra direitas, as elites contra as elites, o povo contra o povo. E não adianta tentar ficar de fora dessa guerra, porque ela invadiu todos os espaços da existência’. Por que usa o termo 'guerra'?
Luciano Trigo – Porque é mesmo de uma guerra que se trata. A sociedade brasileira foi dividida e vive hoje em um estado de conflito permanente. Nos últimos anos, amigos romperam relações e parentes deixaram de se falar, envenenados pela atmosfera de "nós" contra "eles" que domina todos os aspectos da vida cotidiana. Algo que nos unia como brasileiros se perdeu. Não temos mais valores compartilhados, que são fundamentais para o convívio civilizado em qualquer nação.
Esse processo já ultrapassou os limites do debate político racional e da saudável disputa partidária. Seja qual for o assunto, o debate é contaminado por uma lógica maniqueísta e intolerante: quem pensa de forma diferente é imediatamente identificado como um inimigo a excluir e abater. O tempo inteiro, campos em confronto tentam impor uns aos outros as suas próprias narrativas sobre o que está acontecendo no Brasil.
G1 – Acredita que estaríamos nessa 'guerra', como você diz, se não existissem as redes sociais?
Luciano Trigo – As redes sociais seguramente potencializaram esse fenômeno. Hoje, por exemplo, um grupo pode se mobilizar rapidamente no WhatsApp para tentar derrubar um perfil em uma rede social ou, pior ainda, destruir a reputação de um desafeto pessoal ou de um adversário político com denúncias irresponsáveis. Isso é um horror.
Mas a guerra de narrativas não nasceu nas redes sociais, ela é fruto de um longo processo de disputa por hegemonia política que não se deu apenas no debate propriamente partidário, mas também na forma como se impõem determinadas agendas em parte da mídia e nas salas de aula das escolas e universidades com partido. As redes sociais são apenas veículos, muito eficazes, para essa disputa por poder. Elas refletem um fenômeno social mais amplo e complexo.
G1 – Você escreve no 1º capítulo: 'Hoje, se há algo que ainda une os brasileiros é o sentimento generalizado de que alguma coisa deu muito errado com o nosso país'. Isso é exclusividade do Brasil mesmo? Há vários livros sendo lançados, aqui e lá fora, que falam sobre o desmoronamento da democracia liberal ou representativa.
Luciano Trigo – Eu trato do caso brasileiro em um período particular, mas não afirmo que esse sentimento de colapso é exclusividade do Brasil. Na verdade eu acho que esse debate sobre a crise da democracia representativa também é, ele próprio, objeto de uma guerra de narrativas.
O debate é saudável no sentido de sinalizar, por exemplo, que eleições livres não bastam para caracterizar uma democracia, que as instituições precisam ser permanentemente aprimoradas, que os políticos e agentes públicos precisam ser atentamente vigiados pelos cidadãos.
Mas há também quem se aproveite dessa crise e desse mal estar civilizatório para sabotar de vez as regras da democracia e substituí-las por mecanismos que tendem a reforçar o poder daqueles que já o detêm. Ou seja, falando em nome da democracia e da tolerância, corroem a democracia e praticam a intolerância.
É o que acontece na Venezuela, com o aparelhamento da Justiça e das forças armadas: segundo a narrativa do campo no poder, trata-se de um governo democrático que luta pela justiça social, fazendo uso de plebiscitos e conselhos populares; na vida real, adversários políticos são perseguidos e presos, e a população vive um cotidiano de fome, escassez e medo.
G1 – Você também escreve: 'Nunca se defendeu tanto a tolerância; nunca se praticou tanto a intolerância. Nunca se pediu tanto amor, por favor; nunca se sentiu tanto ódio. Os leitores mais jovens podem não acreditar, mas o Brasil não era assim, não'. A que época você se refere ao falar desse Brasil que era menos dado a praticar intolerância e a sentir ódio?
Luciano Trigo – Da redemocratização até a chegada do PT ao poder, falar mal do governo era quase um esporte nacional. Parentes e amigos votavam em partidos e candidatos diferentes, sem que brigassem nem rompessem relações por causa de política, muito menos por causa de políticos.
Com a eleição de Lula, subitamente passou a pegar mal falar mal do governo: parecia quase um imperativo moral defender incondicionalmente o PT, nos acertos e nos erros, e quem não o fazia pagava um preço. Para evitar a exclusão social ou a perseguição no ambiente de trabalho, muita gente preferia ficar quieta.
Produziu-se então a narrativa do "nunca antes na História do Brasil", que transformou adversários políticos em gente que defendia a volta da escravidão e não queria que pobre viajasse de avião, nem que seus filhos estudassem na mesma escola do filho da empregada.
Por incrível que pareça, ancorada no relativo sucesso das políticas de redução da desigualdade e nas conquistas sociais dos governos Lula, que foram reais, essa narrativa caricata e maniqueísta "colou", sobretudo entre os mais jovens, que não conheceram outro Brasil que não fosse aquele vendido por seus professores, em geral alinhados com o PT. Quem tinha 10 anos quando Lula foi eleito pela primeira vez tinha 24 quando Dilma caiu, ou seja, chegou à vida adulta só tendo um contato de segunda mão com o Brasil pré-PT.
A intolerância e o preconceito sempre existiram no Brasil, e é claro que precisam ser enfaticamente abominados e combatidos. Mas não existia ódio de classe, raça e gênero tal como existe hoje, nem vitimização, nem essa mania de apontar o dedo para o outro, que foi cultivada na sociedade brasileira ao longo do ciclo lulopetista – até chegarmos ao ponto em que uma jovem branca é perseguida nas redes sociais por postar uma foto usando turbante, por "apropriação cultural", mesmo que ela use o turbante por estar fazendo tratamento quimioterápico.
Hoje é preciso medir as palavras o tempo inteiro, pois sempre se corre o risco de ofender alguém; é preciso pensar duas vezes antes de elogiar uma mulher, pois se corre o risco de ser acusado de assédio. Ontem mesmo li no jornal uma matéria criticando o fato de os bolsos das calças jeans femininas serem menores que os bolsos das calças masculinas, pois isso reflete a desigualdade de gênero que precisa ser combatida. Esse tipo de patrulha, que beira o ridículo, não existia antes dos governos do PT.
G1 – Na página 44, você escreve: 'O regime militar, com a miopia característica dos regimes autoritários (de direita e de esquerda), não percebeu — ou não avaliou direito as consequências disso — que o inimigo mais poderoso a combater não estava entrincheirado na guerrilha do Araguaia, nem mesmo nos focos urbanos de luta armada, mas nas redações de jornais e nas salas de aula de escolas e universidades públicas e privadas, ocupadas sem qualquer dificuldade por aqueles que seriam os autores dessa narrativa triunfante — e que, mais tarde, embarcariam, quase todos, na adesão incondicional ao lulopetismo'. Onde estariam, hoje em dia, esses que você chama de 'autores dessa narrativa triunfante'?
Luciano Trigo – São aqueles que, negando todas as evidências e as toneladas de provas produzidas pela Operação Lava-Jato, insistem na reiteração da narrativa de que Dilma foi vítima de um golpe das elites e de que Lula é a alma mais inocente do Brasil.
Ora, as verdadeiras elites sempre apoiaram os governos do PT e foram generosamente recompensadas por esse apoio, "por dentro" e "por fora". Banqueiros e empreiteiros só saltaram do barco quando ficou claro que o país estava caminhando para o colapso econômico e que Dilma tinha perdido completamente as condições de governar o país.
Mas a maioria dos intelectuais, professores e artistas finge até hoje que o impeachment foi um golpe das elites: eles continuam encenando o papel de heróis da resistência e de justiceiros sociais, porque esse papel ainda hoje traz rendimentos materiais e simbólicos – e fazendo de conta que ainda vivemos o contexto da ditadura militar. Ou seja, continuam lutando contra uma ditadura que acabou há mais de 30 anos, ao mesmo tempo que apoiam ditaduras em países vizinhos, estas sim reais, que estão perseguindo, torturando e matando gente neste exato momento, não há 30 anos.
G1 – Você escreve sobre a 'importância que a cooptação da classe artística – e dos estudantes e de setores da mídia – tem para o êxito de qualquer projeto de poder e para a consolidação de um novo pensamento hegemônico'. Falando de música, os gêneros mais ouvidos no Brasil são funk e sertanejo, cujos artistas não têm um discurso politizado – ao menos não como tinham nomes da MPB décadas atrás. Na sua opinião, os músicos continuam contribuindo mesmo para esse 'controle do imaginário da sociedade'? É que, em outro trecho, você escreve: 'Fato: a classe artística brasileira encontra-se em total descompasso com o povo — e acha que quem está errado é o povo (...)'.
Luciano Trigo – Os jovens do Brasil que ouvem funk e sertanejo e têm um discurso pouco politizado são a maioria silenciosa. Mas os jovens da classe falante, aqueles que se formam nos cursos de ciências humanas das universidades públicas e privadas dominadas há décadas por professores de esquerda, estão alinhados com o discurso da elite da música popular, com aqueles artistas que durante décadas exerceram um quase-monopólio da fala: Chico Buarque, Caetano Veloso etc.
Esses jovens, de diferentes classes sociais, se tornam reprodutores, justamente, da narrativa simbólica que divide o Brasil entre, de um lado, a "galera do bem" alinhada com o PT e o discurso de que houve um golpe; e, de outro lado, os "fascistas" que desejam o retrocesso e odeiam os pobres.
O problema é que essa narrativa que entende a política como uma disputa entre o bem e o mal se exauriu. E uma parcela imensa da população que se viu durante anos constrangida ao silêncio resolveu se manifestar. Esses brasileiros comuns não aceitam a teses esdrúxula de que existem uma "corrupção do bem" e uma "corrupção do mal". É com esses brasileiros, indiferentes a ideologias, que os intelectuais e artistas estão em crescente descompasso.
G1 – Depois de lembrar as polêmicas sobre a mostra 'Queermuseu' e a performance 'La Bête', você escreve: 'Os brasileiros rejeitam todas as pautas associadas à agenda dita progressista: o aborto, a liberação das drogas, o poliamor etc.; os brasileiros rejeitam qualquer tentativa de minar o modelo familiar tradicional; mas, acima de tudo, os brasileiros não aceitam que se mexa com crianças (...). A população reagiu. Se as redes sociais são um termômetro da sociedade — e são, até certo ponto —, o que elas demonstraram de forma cabal é que os brasileiros não iam mais engolir passivamente as pautas ditadas pelo campo dito progressista'. Mas, depois, você escreve: 'Em um fenômeno que pode ser chamado de provincianismo digital, muitas pessoas acreditam sinceramente que a timeline de seu Facebook reflete a realidade do país. São essas pessoas que ficam escandalizadas quando veem um deputado na tv dedicar seu voto à família (que horror!)'. Quem está ganhando, afinal, a guerra de narrativas das redes e das ruas?
Luciano Trigo – As redes e as ruas não têm mais dono. Esses espaços foram durante muito tempo exclusivos do campo lulopetista, mas isso começou a mudar com as manifestações de junho de 2013.
No livro "Guerra de narrativas", eu faço uma interpretação muito particular das verdadeiras motivações das Jornadas de Junho, que não cabe detalhar aqui. O que importa é ressaltar que ali começou a desmoronar a ficção de um consenso em torno do êxito dos governos do PT. Uma imensa insatisfação represada veio à tona, e os protestos saíram de controle. Foi naquele momento que começou o declínio inexorável do ciclo do PT no poder. A divisão da sociedade entre "nós" e "eles" passou a se voltar contra quem promoveu essa divisão. De repente, percebeu-se que a fachada de um país cor-de-rosa escondia um cotidiano de serviços públicos de péssima qualidade e de dificuldades materiais que já começavam a afetar os mais pobres.
O Brasil real tomou conta das ruas, exigindo mudanças – o que, aliado a outros fatores como a rápida desagregação da base parlamentar de Dilma, a crise econômica cada vez pior e a própria Operação Lava-Jato, que revelava dia após dia o lado podre dos governos autointitulados progressistas, resultou no impeachment de Dilma Rousseff.
Ou seja, o campo lulopetista perdeu a guerra nas ruas, no Legislativo e no Judiciário, mas optou por se aferrar à guerra das narrativas, pois é na narrativa que esse campo ainda preserva algum poder – na narrativa ainda hoje reproduzida nas escolas e universidades e na fala dos artistas e intelectuais formadores de opinião. Meu livro só vai até o final de 2016, e é claro que de lá para cá muita coisa aconteceu.
Hoje percebo pouca disposição da população de ocupar as ruas, mas nas redes sociais a guerra de narrativas continua forte: basta olhar a área de comentários de qualquer reportagem controversa nos sites de notícias para constatar isso. É um triste resultado de todo esse processo analisado no meu livro o fato de que os líderes das pesquisas para a eleição que se aproxima sejam dois políticos populistas e messiânicos, de esquerda e de direita, cujo laço com os eleitores é de natureza emocional, não racional – sendo que um deles está na prisão, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.
G1 – Na página 264, você escreve 'que os mecanismos de massacre virtual que esses artistas e intelectuais associados ao (e generosamente recompensados pelo) campo no poder usaram ao longo dos anos para calar e exterminar simbolicamente todos que fizessem qualquer questionamento crítico começaram a se voltar contra eles'. E ainda: 'Talvez assim finalmente entendam que foi nisso que transformaram o Brasil: num círculo vicioso de ódio, ressentimento e rancor. E, aparentemente, agora o pêndulo vai ter que completar seu ciclo até que voltemos a ser um país normal'. Como você descreveria esse 'país normal'? Quando o Brasil teria deixado de ser um 'país normal'?
Luciano Trigo – Justamente, um país onde amigos e parentes não rompam relações por causa de política e ideologia.
Um país onde os estudantes voltem a aprender que a cada direito corresponde um dever.
Um país onde as pessoas entendam que dinheiro não dá em árvore, e que o Estado não tem condições de bancar desejos pessoais que passaram a ser entendidos como direitos.
Um país onde as pessoas fiquem mais indignadas com a morte de um policial do que com a morte de um bandido.
Um país onde o cidadão comum entenda que não existem salvadores da pátria, e que perceba que o Brasil só terá alguma chance de se afirmar como uma nação próspera e socialmente justa quando investir pesadamente na educação e no trabalho. Não existem atalhos.
Um país no qual um quinto da população vive pendurado em uma mesada do governo e onde outro quinto é formado por jovens que não trabalham nem estudam – os "nem-nem" – não tem a menor possibilidade de dar certo.
G1 – O termo 'narrativas' é bastante comum em 'textões' das redes sociais, mas talvez soe um abstrato para quem não participa ativamente de debates virtuais. No contexto da discussão proposta no livro, 'narrativas' quer dizer o quê?
Luciano Trigo – Narrativas são enredos e interpretações do mundo nas quais acreditamos e às quais vinculamos nossa própria identidade social. Esses enredos determinam qual recorte da realidade determinará as nossas opiniões e as nossas escolhas, mas também as nossas relações.
Então, por exemplo, para um eleitor do PT a narrativa do Brasil que prevalece é a das conquistas sociais dos governos Lula. Para um opositor do PT prevalece a narrativa dos escândalos de corrupção e da incompetência na gestão.
O dado curioso aqui é que as duas narrativas são verdadeiras, elas não são excludentes: houve distribuição de renda e redução da miséria. E houve também a montagem de um sofisticado esquema de corrupção criado para financiar um projeto criminoso de perpetuação no poder. Sendo as duas narrativas verdadeiras, é um contra-senso que uma seja usada como argumento contra a outra.
G1 – O subtítulo do livro é 'A crise política e a luta pelo controle do imaginário'. Você está se referindo a um único 'imaginário' ou na verdade são vários, considerando que existe uma 'guerra de narrativas' – assim, no plural?
Luciano Trigo – No final das contas prevalecerá um imaginário só – aquele que determinará como os livros de História do futuro reconstituirão e contarão os anos de crise política que meu livro analisa e retrata. As gerações futuras tomarão contato com essa história que ainda estamos vivendo por meio da narrativa que triunfar. O resultado dessa luta ainda é incerto.

ABL elege Carlos (Cacá) Diegues para a Cadeira 7, na sucessão do cineasta Nelson Pereira dos Santos

O cineasta Cacá Diegues é eleito para a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras.
A Academia Brasileira de Letras elegeu, quinta-feira, dia 30 de agosto, o novo ocupante da Cadeira 7, na sucessão do Acadêmico e cineasta Nelson Pereira dos Santos, falecido no dia 21 de abril deste ano. O vencedor foi o também cineasta Cacá Diegues, que recebeu 22 votos. Participaram da eleição 24 Acadêmicos presentes e 11 por cartas (três não votam por motivo de saúde). Os ocupantes anteriores da cadeira 7 são: Valentim Magalhães (fundador) – que escolheu como patrono Castro Alves –, Euclides da Cunha, Afrânio Peixoto, Afonso Pena Júnior, Hermes Lima, Pontes de Miranda, Dinah Silveira de Queiroz e Sergio Corrêa da Costa.
 

O NOVO ACADÊMICO
Carlos (Cacá) Diegues nasceu em Maceió, Alagoas, no dia 19 de maio de 1940, filho do antropólogo Manuel Diegues Jr. e de Zaira Fontes Diegues. Cinéfilo desde a adolescência, também era poeta e trabalhava como jornalista.
Em 1958, aos 18 nos de idade, teve seus poemas publicados no Jornal do Brasil pelo ensaísta e crítico Mario Faustino, que o apresentou como uma revelação na poesia brasileira. Por essa mesma época, participou ativamente do movimento cineclubista no Rio de Janeiro, quando se integrou à nova geração de cineastas que buscava registrar a verdadeira imagem do Brasil, num movimento que seria conhecido como Cinema Novo, sob a liderança de Nelson Pereira dos Santos.
Depois de realizar alguns curta-metragens, Cacá estreou profissionalmente em 1962, dirigindo um dos episódios do filme “Cinco vezes Favela”, produzido pelo Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE – um filme que se tornaria uma das obras inaugurais do Cinema Novo.
Ao longo de sua carreira de cineasta, realizou mais de 20 filmes de longa-metragem, entre os quais “Ganga Zumba” (1964), “Os herdeiros” (1969), “Joanna Francesa” (1973), “Xica da Silva” (1976), “Chuvas de verão” (1978), “Bye Bye Brasil” (1980), “Quilombo” (1984), “Um trem para as estrelas” (1987), “Tieta do Agreste” (1995), “Orfeu” (1999), “Deus é brasileiro” (2003), “O maior amor do mundo” (2005) e agora “O grande circo místico” (2018), inspirado na obra do poeta Jorge de Lima. Todos esses filmes foram lançados comercialmente em diferentes países do mundo, nas salas de cinema e na televisão, além de sua presença e de prêmios nos festivais internacionais mais importantes, como Cannes, Veneza, Berlim, San Sebastian, Toronto, Nova York, Mar del Plata e outros.
Cacá publicou alguns livros, nem sempre sobre cinema, tendo começado com “Ideias e Imagens”, de 1988. Seus livros mais recentes são "Vida de Cinema”, mais de 600 páginas sobre o Cinema Novo, e “Todo Domingo”, uma coletânea de seus textos publicados semanalmente no jornal Globo. Recebeu homenagens de diversas naturezas, no Brasil e no mundo, entre as quais o titulo de Officier de l’Ordre des Arts et des Lettres, do governo francês; o Prix de la Célebration du Centenaire du Cinématographe, do Instituto Lumière de Lyon; o Golden Reel Award, do Grupo HBO; o Lifetime Achievement Award, concedido pela cidade de Chicago; o Prêmio Roberto Rosselini, pelo conjunto de sua obra, dado pela Associação Nacional dos Críticos de Cinema da Itália; eleito Personalidade do Cinema Latino-Americano, pela Associação Internacional de Críticos (Fipresci); Ordem do Mérito Cultural de Portugal; Comendador da Ordem de Rio Branco, do governo brasileiro; Comendador da Ordem do Mérito Cultural do Brasil; e outros.
Casado com a produtora de cinema Renata Magalhães, Cacá tem um filho e 3 filhas.
ABL

Caravana Solidária doa cerca de 9 mil livros para presidiários no Ceará

As edições serão destinadas para ampliar as bibliotecas associadas às unidades prisionais do Estado, bem como viabilizar a criação de novas bibliotecas.
Foto: Reprodução / Internet
A 2ª Caravana Solidária Educação e Harmonia Social, promovida pelo Grupo Cristão Mãos de Luz (GCML), será encerrada nesta sexta-feira, 31/08, às 14h, na Secretaria de Justiça do Estado (Sejus-CE), à Rua Tenente Benévolo, 1.055 (atrás da Igreja Santa Luzia). A Caravana integra o Projeto Livro Aberto, da Sejus-CE.
O presidente do GCML, professor Ricardo Figueiredo, comemora o resultado da Caravana. “A meta era arrecadar 4 mil livros, dobrando a quantidade da primeira Caravana, em 2017, quando arrecadamos 2.028 livros. Mas, na edição deste ano, superamos largamente as nossas expectativas, chegando ao total parcial de 8.910 livros, sendo 226 caixas com 6.780 livros de Literatura, e 71 caixas com 2.130 livros didáticos”, informa ele. As edições serão destinadas para ampliar as bibliotecas associadas às unidades prisionais do Estado, bem como viabilizar a criação de novas bibliotecas.
Ricardo Figueiredo destaca que o recorde de doações foi possível graças às empresas parceiras com pontos de arrecadação de livros; aos professores e estudantes da Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará (Favet-Uece); instituições religiosas católicas, espíritas e evangélicas; aos projetos Livro Livre e Jangada Literária; e aos meios de comunicação que divulgaram a iniciativa.
Na tarde desta quarta-feira, 29, alunos da Favet-Uece e integrantes e voluntários do GCML participam de visita à Unidade Prisional Irmã Imelda, em Itaitinga, para momento de evangelização com os detentos e distribuição de Bíblias entre eles.

GCML

O Grupo Cristão Mãos de Luz (GCML) reúne voluntários de diferentes segmentos sociais e religiosos (de caráter ecumênico), com o objetivo de fazer o bem junto a populações vulneráveis tais como crianças, idosos, famílias sertanejas, detentos, pacientes psiquiátricos, ONGs de proteção animal etc.
Nos últimos doze meses o GCML, em parceria com a Favet-Uece, realizou uma sequência de ações sociais bimestrais, as Caravanas Solidárias, que permitiram a arrecadação e distribuição de mais de 11 toneladas de alimentos, cerca de 9 mil livros, milhares de brinquedos e diversos produtos de higiene pessoal, beneficiando cerca de 6.000 pessoas em situação de vulnerabilidade.

Serviço

Encerramento da 2ª Caravana Solidária Educação e Harmonia Social e Lançamento da 4ª Caravana Solidária dos Sertões.
Sexta-feira, 31/08, 14h, na Sejus-CE
Rua Tenente Benévolo, 1055 (atrás da Igreja Santa Luzia).

Boa Notícia

Em setembro: seminário sobre educação social e emocional voltado para o público infantil

O evento será no dia 28 de setembro e tem como público-alvo diretores e professores de escolas, psicopedagogos, psicólogos e profissionais interessados no debate.
Muitos especialistas em Educação defendem que atividades socioemocionais são fundamentais para que os alunos saibam se relacionar, trabalhar em grupo e controlar as emoções. Nesse sentido, a ideia é combinar o ensino de habilidades tradicionais às socioemocionais, que representam o que as crianças precisam para ter sucesso não só acadêmico, mas na vida.

Para debater esses e outros assuntos ligados ao tema, a Ludis Editora realiza, no dia 28 de setembro, no Hotel Iate Plaza, o seminário de “Educação Emocional e Social – Como desenvolver as habilidades Socioemocionais e na Família”. O evento acontece a partir das 13 horas, e tem como público-alvo diretores e professores de escolas, psicopedagogos, psicólogos e profissionais interessados no debate.
Um dos objetivos é sensibilizar a sociedade sobre a importância dos conhecimentos da área de Habilidades Sociais no enfrentamento dos problemas sociais ligados à educação, qualidade de vida e outros aspectos da convivência humana; bem como aprofundar questões relacionadas à área das Habilidades Sociais e Educação Emocional em ambientes educacionais: escola, família, organizações. A ideia é também contribuir para a formação de profissionais da Educação, indicando os melhores meios para a promoção de programas de ensino das habilidades sociais.

Sistema Ludis

Hoje, as habilidades socioemocionais estão presentes na proposta da Base Nacional Comum Curricular, que indica 10 competências básicas a serem implementadas como disciplina ou projeto obrigatório na grade curricular das escolas públicas e particulares até 2019. Em países como Cingapura, Coreia do Sul, Canadá e Finlândia, referências mundiais em educação, isso já é uma realidade.
No Brasil, essa inclusão é um dos avanços sociais mais importantes dos últimos anos. Dessa forma, além das habilidades clássicas como saber ler, escrever, resolver cálculos, a escola está sendo convidada para trabalhar o desenvolvimento de competências socioemocionais de seus alunos, visando prepará-los para se relacionarem consigo mesmo, com os outros e o seu meio.
Esse também é um dos objetivos do Sistema Ludis de Educação Socioemocional, que oferece o Programa SILES, uma abordagem metodológica com materiais pedagógicos apropriados para a educação das habilidades socioemocionais nas escolas. A metodologia de ensino será apresentada aos participantes do seminário.
No evento, também haverá o lançamento do livro “Educação Transcomportamental – Gestão das Emoções para Comportamentos Inteligentes, da diretora da Ludis Editora, Isa Magalhães. A obra possui 308 páginas e trata de como desenvolver comportamentos eficazes a partir da educação das emoções. A publicação está incluída na taxa de inscrição do seminário.
Também será lançado o curso de formação em Educação Emocional, que visa habilitar profissionais para ministrar programas de Educação Emocional e Social visando o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, em espaços educacionais diversos: escola, família, organizações. O curso é totalmente online, com duração de 15 módulos divididos em três níveis.

Serviço
Taxa de inscrição: R$ 80 reais
Haverá sorteios de livros da Ludis Editora e vale-descontos para o curso de Educação Emocional para os participantes.
Informações: (85) 3103.1304 e Whatsapp: (85) 99274 9057, ou pelo email isa@ludiseditora.com.br.

Com informações da Assessoria do Evento
Boa Notícia

Padre Geovane: Jornal do Parque Araxá - JPA, por Juracy Mendonça, 3 décadas de sacerdócio

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30 de agosto de 2018

Primeira edição do FliSertão terá palestra com Saulo Gomes

Apresentador do "Momento Cultural", na Rádio Folha 96.7 FM, Saulo Gomes é uma das atrações da primeira edição do FliSertão
Apresentador do "Momento Cultural", na Rádio Folha 96.7 FM, Saulo Gomes é uma das atrações da primeira edição do FliSertãoFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco
Petrolina sediará a partir desta quarta-feira (29), até o próximo domingo (2), a primeira edição do Festival de Literatura do Sertão do São Francisco (FliSertão), que traz o tema “Petrolina: cidade alfabetizadora” e vai homenagear o escritor petrolinense Antônio Padilha. O evento, que será realizado em dois endereços, sempre das 9h às 21h, contará com lançamentos de livros, apresentações musicais, teatro, espaço geek, concurso de cosplays e atividades multiculturais e esportivas. No Polo do Centro de Convenções, são esperadas cerca de 20 mil pessoas, que poderão circular entre mais de 50 estandes. Já no Parque Josepha Coelho, o público estimado é de 5 mil.
Um dos destaques da programação é o comunicador Saulo Gomes. À frente do programa “Momento Cultural”, da Rádio Folha 96.7 FM, há 14 anos, ele vai falar sobre a Cultura Popular Nordestina. Saulo pretende abordar temas como a poesia, a música e a dança da região. “É muito assunto para pouco tempo, mas pretendo falar sobre a poesia do Pajeú, sobre o Balé Popular do Recife, sobre o Frevo”, destaca.

Ele ainda conta que vai tentar levar para a palestra um pouco do conteúdo que apresenta todos os dias em seu programa. “Tudo o que é popular é do povo. É importante dar espaço e visibilidade para essa cultura. Fazer as pessoas conhecerem e valorizarem aquilo que é feito aqui, por nós”, conta. “O que a gente tem de mais belo somos nós e o que a gente produz de cultura, é preciso valorizar isso”, completa.
Momento Cultural
O programa "Momento Cultural", que vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 17h às 18h, e traz a música brasileira e regional, poesia, causos e contos populares, entrevistas com escritores, cantores, atores e outros representantes da cultural nordestina.

A abertura oficial do FliSertão será nesta quarta-feira (29), às 19h, no Centro de Convenções de Petrolina, onde serão prestadas as homenagens a Antônio Padilha. Em seguida, o poeta Jessier Quirino irá apresentar o recital “Juntando os Cacarecos”. No dia seguinte, as atrações são o poeta Chico Pedrosa, que fará uma palestra poética, e o cantor Maciel Melo, que apresentará seu show.

Nesta quinta-feira (30), o educador e psicólogo Marcus Julierme ministrará a palestra intitulada “O mundo do Pequeno Príncipe com um olhar para o novo”. Na sexta-feira (31), o público contará com a presença da especialista em Educação Sexual e consultora do Programa "Altas Horas", Laura Müller.

Biografia reconstitui a cotidiano das mulheres no cangaço

por Dellano Rios - Editor de Área
Maria Bonita
Maria Bonita e Lampião, em um dos registros feitos por Benjamin Abraão ( FOTO: CIA. DAS LETRAS/ DIVULG. )
Oitenta anos após o massacre na Grota de Angicos, em Sergipe, quando Lampião e seu bando foram mortos e decapitados, o rei do cangaço vem sendo relembrado em um sem fim de narrativas. E, mais uma vez, a fama e os feitos do capitão Virgulino Ferreira da Silva ameaçam ofuscar os demais personagens daquela trama.
 
Em meio a lançamentos editoriais sobre o tema, se destaca "Maria Bonita: Sexo, violência e mulheres no cangaço", da jornalista Adriana Negreiros. O livro chega às livrarias nesta sexta-feira, 31, pela editora Objetiva. A reportagem biográfica acerca da cangaceira, companheira de Lampião, mostra o quão rica e complexa são as outras histórias daquele tempo. Trajetórias como a da baiana Maria Gomes de Oliveira, que largou a vida que levava para ingressar no cangaço, contribuem para a evidenciar perspectivas outras que seguem silenciadas.
No correr de 296 páginas, Adriana Negreiros enfrenta o desafio de montar um quebra-cabeças com muitas peças escondidas e outras tantas faltando, por vezes descartadas deliberadamente. A ideia da autora era a de fazer uma biografia, num formato clássico. Mas Maria Bonita não era qualquer personagem. "Faltavam, por exemplo, mais informações sobre a infância dela", cita a jornalista.
Apesar da fama de Maria Bonita - heroína, anti-heroína e vilã de tantas histórias, escritas ou guardadas pela tradição oral -, foi difícil para a autora reconstituir seus passos. Afinal, mulher, de origem pobre, com uma vida de fora da lei, Maria Bonita teve sua vida inscrita numa espiral de exclusões. O silenciamento sistemático daqueles que vivem à margem fez com que sua história fosse fragmentada, persistindo mais no imaginário do que em vestígios documentais.
Ela e elas
Maria Bonita viveu apenas 27 anos. Nascida no sertão baiano, casou cedo e foi infeliz ao lado do marido mulherengo. Apaixonou-se por Lampião e aceitou o convite do capitão de acompanhá-lo no cangaço. Maria Bonita foi a pioneira, iniciando a transformação do bando, então exclusivamente masculino.
Fugindo de interpretações moralistas e simplistas do quadro, Adriana Negreiros reconstitui uma história crua e violenta. Nela, Maria Bonita é a personagem central e um ponto de referência para que a autora possa desvelar uma história muito maior: a das mulheres numa sociedade violenta, em que o cangaço não era o único elemento opressor do gênero.
"Algumas mulheres, como a Maria Bonita, entraram no cangaço porque quiseram. Foi decisão dela acompanhar o homem que amava. Foi o caso também da Durvinha. Ela se apaixonou pelo Virginho, considerado o cangaceiro mais bonito do bando, e resolveu acompanhá-lo; Dida, namorada do Canário, a mesma coisa. Ela disse pra ele 'com você eu vou até pro inferno'. E de fato foi", conta Adriana Negreiros.
O inferno se traduzia numa vida de fora da lei, por caminhos errantes em estradas desoladas e no meio da mata. A fome, a sede, a polícia, os jagunços dos coronéis e a violência contra elas, exercida por seus companheiros de bando, eram alguns dos tormentos que essa vida reservava.
"Havia também um grande número de meninas que viraram cangaceiras, mas, diferente de Maria Bonita, foram contra a sua vontade. Elas foram raptadas pelos cangaceiros. Caso da Dadá, por exemplo. Ela foi raptada pelo Corisco aos 12 anos. Foi violentamente estuprada, passou vários dias com hemorragia e quase morreu", descreve.
A violência em casos assim era ainda mais totalizante. "Quando as mulheres entravam no cangaço, elas passavam a ser vistas como cangaceiras, não como vítimas. Mesmo que estivessem ali contra a sua vontade. Quando eram pegas pelas forças volantes, isso não importava. Eram mortas, decapitadas, ou violentadas sexualmente. Não era resgatadas, como se poderia esperar. Elas não poderiam sair do grupo, nem se quisessem", detalha a biógrafa.
Nos bandos, as mulheres eram proibidas de criar seus filhos. Aquelas que engravidavam e levavam até o fim uma gestação, eram obrigadas a deixar a criança ao cargo de outras famílias.
Diário do Nordeste

Casa do Barão de Camocim recebe programação de abertura nesta quinta-feira

Hoje, a partir das 18 horas, o Centro Cultural Casa do Barão de Camocim finalmente será aberto e entregue à população.
Após passar por ampla reforma e restauro, além de ter sediado a edição de 2016 da Casa Cor Ceará e, neste ano, o 69º Salão de Abril, o equipamento contará com programação voltada às artes visuais e também integrará o Complexo Cultural Vila das Artes.
A programação da noite de abertura do Centro Cultural Casa do Barão de Camocim será marcada por apresentação do Maracatu Solar e, ainda, pelo início da exposição Nossas Janelas, do cearense Descartes Gadelha.
A mostra de artes visuais reúne 45 obras do artista e tem curadoria de Norma Paula Moreira. A exposição, que traz religião, cultura e política como temas, é dividida em cinco seções: Janelas Sociais, Janelas da Terra, Janelas da Cultura, Janelas da Fé e Outras Janelas.

Inauguração do Centro Cultural Casa Barão de Camocim
Quando: hoje, 30, às 18 horas
Onde: rua General Sampaio, 1632 - Centro (em frente à Praça da Bandeira)
Informações: www.facebook.com/secretariadeculturadefortaleza/ ou (85) 3105 1386
Redação O POVO Online

29 de agosto de 2018

1º Festival de Literatura do Sertão do São Francisco começa nesta quarta-feira (29), em Petrolina

Por G1 Petrolina
 
Jessier Quirino se apresenta na abertura da FliSertão (Foto: Diego MarcelDivulgação)
Jessier Quirino se apresenta na abertura da FliSertão (Foto: Diego MarcelDivulgação)

Começa nesta quarta-feira (29) em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, a primeira edição do Festival de Literatura do Sertão do São Francisco (FliSertão). De acordo com a prefeitura, a abertura oficial do evento será às 18h, no Centro de Convenções, com a entrega da medalha Antônio Padilha aos vencedores do concurso literário. O escritor petrolinense, que através dos livros narrou parte da história do município, é o grande homenageado do Festival. Após a entrega da medalha Antônio Padilha, será realizado show com o poeta Jessier Quirino.
Antes da abertura oficial, na manhã desta quarta-feira, o público pode acompanhar as atividades que serão realizadas no Polo Centro de Convenções, entre elas, lançamentos de livros. A programação começa às 9h, com o Grupo de Contação Ser-tão Literário.
Na quinta-feira (30), terá palestra poética de Chico Pedrosa e show de Maciel Melo. Outra atração da noite é o educador e psicólogo Marcus Jullierme, que vai apresentar a palestra “O mundo do Pequeno Príncipe com um olhar para o novo”, abordando assuntos referentes à coleção de livros de sua autoria adquiridos pelo município para serem trabalhados em 2019.
A especialista em educação sexual, Laura Müller, estará no FliSertão na sexta-feira (31), às 19h. Segundo a programação, nos dias 30 e 31, paralelamente à feira, acontecerá o Polo Parque, com atividades de recreação, esportivas e culturais para as crianças e adolescentes.
No sábado (1) e domingo (2), será realizada a Oficina de Escrita Criativa com o jornalista e escritor Raimundo Carrero, assim como o lançamento do seu último livro “Tetralogia”. Na noite do dia 1° acontecerá o show musical de Santanna.
Às 10h, no domingo, haverá um bate-papo com o professor de biologia Fernando Beltrão. O professor vai autografar o livro “Eu, um vencedor”, que reúne 99 textos da cultura popular, interpretados, comentados e adaptados para a realidade dos estudantes, vestibulandos e concurseiros.
Toda programação do Festival é gratuita. Segundo a prefeitura, a expectativa é que, durante os cinco dias, cerca de 100 mil pessoas visitem os polos Centro de Convenções e Josepha Coelho. A programação completa está no site da FliSertão.