Pular para o conteúdo principal

X Festival de Dança do Litoral Oeste começa hoje, na cidade de Trairi, fortalecendo a descentralização da cultura no Estado

Já se vão mais de 10 anos desde que a primeira edição do Festival de Dança do Litoral Oeste foi realizada na cidade de Paracuru, 87 km distante de Fortaleza. A proposta era justamente a de estimular a criação e manutenção de políticas públicas culturais fora do eixo da Capital. Nesse sentido, o evento vem sendo realizado no Estado desde então a partir da união entre movimentos culturais das cidades de Paracuru, Itapipoca e Trairi. É na última, distante 137 km da Capital, onde começa hoje a décima edição do Festival, que segue até sábado, 11.
As ações anteriores à concretização do Festival adicionam mais uma década à essa história. "Enquanto rede de dança da região, de mobilização, estamos há muito mais tempo. Nossa mobilização data da década de 1990, quando já estávamos nos articulando enquanto grupos. São mais de 20 anos de articulação", aponta Gerson Moreno, um dos curadores do festival e fundador da Cia. Balé Baião, de Itapipoca.
"Para nós, o festival é um momento de celebração daquilo que, no decorrer do ano, nós estamos gerando junto às companhias locais", considera. "Para termos um público que vai estar numa praça prestigiando os grupos daqui e de outros locais, é fundamental que ele possa vivenciar a fruição em dança no decorrer do ano", defende. O evento, apesar de ser o ponto mais visível dessa corrente, acaba sendo um "detalhe" frente aos desafios e conquistas da ação contínua pela cultura descentralizada. "Nós vemos a dança como exercício de educação, de empoderamento do que acreditamos ser a cidadania, o direito à cultura", ressalta Gerson.
A promoção cultural em cidades do interior acaba sendo o foco dessa atuação contínua. "Somos uma região rica, repleta de grupos de tradições populares e companhias profissionais que construíram seus saberes desde os anos 1990, época em que os eventos culturais eram escassos em muitas cidades do interior do Estado. O festival veio fortalecer o que existia e construir um coletivo dançante em harmonia com outras cidades do interior, outros estados e até outros países", celebra Antonio Alves, outro curador do evento e presidente da Associação de Dança Arreios de Trairi, que realiza o festival em 2018.
"O evento ser descentralizado não é um ato de isolamento ou bairrismo, mas sim político, de conexão. Em 2006, na primeira edição, nosso pensamento era que o festival precisava ser inclusivo, que pudesse agregar sobretudo os artistas que nem sempre têm acesso a um palco", estabelece Gerson. "O evento vem na missão de favorecer a fruição artística em espaços que, em outra época, não teriam esse acesso. Nosso trabalho é para possibilitar a criação de centros e espaços culturais onde as artes cênicas possam ser vivenciadas o ano todo, possam ser parte da agenda cultural para o público", reforça.
A Cia. Balé do Baião, como ilustra Gerson, gere o chamado Galpão da Cena, espaço de criação do grupo, que recebe mensalmente atividades voltadas ao público geral, para estimular a relação da Cidade com a dança. "Porém, nós não somos um teatro municipal, apesar do Galpão assumir essa função. Há essa lacuna em relação aos equipamentos culturais, esse descaso, que inclusive é político, ao se pensar o investimento nessa demanda das artes cênicas. Estamos nos trabalhos de base, que são fundamentais, porém é preciso atingir mais público", avisa. "Mesmo em meio às dificuldades, fora muitas conquistas. Colocamos no cenário da dança brasileira um festival de grande porte que acontece em praça pública. Que ele possa se efetivar como um dos grandes eventos do Brasil e que mais patrocinadores acreditem na força de formação artística e humana que ele tem", torce Antônio.
X Festival de Dança do Litoral Oeste
Quando: de hoje, 9, a sábado, 11
Onde: município de Trairi
Mais infos: www.facebook.com/dancalitoraloeste ou
(85) 3046 2744/ 98162 2847
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
09/08
Lançamento do catálogo e roda de coco com Mestre Moisés
No Jardim da Pousada Lírios do Campo (rua Miguel Lopes, 1), a partir de 19 horas
10/08
Apresentações da Cia. de Dança de Paracuru e Escola de Dança de Paracuru, Cia. Balé Baião, Arreios Cia. de Dança, Academia de Artes Vânia Dutra e
EnNINGÚNLUGAR
Na Praça da Justiça (rua Fortunato Barroso), a partir de 20h30
11/08
Apresentações do Itinerário Formativo em Dança, Cia. de Dança Katiana Pena, ExperimentandoNUS Cia. de Dança, Cia. de Dança Ritmo Soul'to e show de Tambores Afro Baião
Na Praça da Justiça (rua Fortunato Barroso), a partir de 20 horas
O Povo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

O Natal em Natal (RN), a capital potiguar fundada em 25 de dezembro de 1599

Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto 'O Natal em Natal'.
Considerada uma das maiores e mais bonitas do Brasil, a Árvore de Natal instalada no bairro de Mirassol encanta a natalenses e turistas. (Alex Regis/ Secom Natal)
Os moradores da capital do Rio Grande do Norte têm um motivo a mais para se alegrar e vivenciar esta época do ano. Afinal, eles celebram o “Natal em Natal”. Aliás, a capital potiguar recebeu este nome devido a data da sua fundação: 25 de dezembro de 1599. Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto “O Natal em Natal”, promovido pela prefeitura municipal. Ao todo, segundo a prefeitura, são mais de 40 eventos que contemplam dança, música, teatro, audiovisual, artesanato, gastronomia e outras manifestações culturais.
Na zona sul da capital, foi acessa, no dia 3 de dezembro,  a tradicional “árvore de Mirassol”, com 112 metros de altura, ornamentada com enfeites nos formatos de …

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…