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Releituras do clássico lembram imensidão de Guimarães Rosa

por Roberta Souza - Repórter
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Tony Ramos e Bruna Lombardi
Tony Ramos e Bruna Lombardi na minissérie "Grande Sertão: Veredas", produzida pela Globo
Já houve quem dissesse que "Grande Sertão: Veredas" era uma obra inadaptável, em virtude de sua complexidade narrativa. No entanto, muitos desafiaram essa sentença ao longo das últimas décadas. Série de TV, peça teatral, álbum musical, história em quadrinhos e artigos acadêmicos foram algumas das linguagens que destrincharam o clássico de Guimarães Rosa escrito em 1956.
Produzida pela Rede Globo e exibida entre 18 de novembro a 20 de dezembro de 1985, integrando as comemorações do aniversário de vinte anos da emissora, a minissérie homônima foi reprisada recentemente no canal pago Viva (Globosat). Escrita por Walter George Durst, tinha no elenco Bruna Lombardi (Diadorim), Tony Ramos (Riobaldo) e Tarcísio Meira (Hermógenes). Vendida para países como EUA, França, Peru, Polônia e Portugal, a produção conferiu destaque especial a Lombardi, que assumiu outros dois papeis como protagonista após o trunfo com Diadorim.
Anos mais tarde, o grupo musical paulista Nhambuzim escolheu a mesma obra literária para transformar no seu álbum de estreia. Em "Rosário: canções inspiradas no sertão de Guimarães Rosa" (selo Paulus), de 2008, o grupo refez os caminhos das veredas rosianas em uma surpreendente leitura musical, muito bem recebida pelo público e pela crítica do País.
Em 2014, foi a vez do universo das HQs abraçar o sertão de Guimarães. Com roteiro do diretor de cinema Eloar Guazzeli, a obra transpôs cenas de batalhas surpreendentes para os quadrinhos, dando um ritmo cinematográfico às sequências.
O ilustrador Rodrigo Rosa não se limitou a retratar as paisagens do sertão; explorou seus contrastes, tornando a natureza um elemento narrativo.
Ceará
Por aqui, o ator e doutorando em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) Wellington Rodrigues também tem desenvolvido alguns trabalhos de releitura. O mais recente foi a organização do livro "Grande Sertão, 60 Anos", obra que envolve 17 trabalhos de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas, da Universidade Federal do Amapá, da UFC e da Universidade de Fortaleza (Unifor) sobre o clássico.
"Pra você ler um Grande Sertão é preciso querer, ter boa vontade, espírito aberto para compreender esse universo e se deliciar com a leitura", observa Wellington. "No sertão, o homem se descobre e redescobre, Riobaldo passa por vários processos de travessia, renovações. Dentro desse contexto psicológico, ele levanta uma série de reflexões sobre o que é o homem, de que substância é feito, como pensa, pra onde vai. É um existencialismo extremamente moderno", pontua.
Segundo Wellington, o que o autor chama de Veredas são os destinos que o homem traça ao longo de sua vida, e os caminhos que segue por esse sertão. "Para Guimarães, o sertão é o mundo. O que é o mundo: o homem e suas reflexões", destaca o pesquisador.
No livro, Wellington escreve o artigo "Nonada": Resíduos do Diabo Medieval em Grande Sertão Veredas. "O diabo existe? Depende do ponto de vista. O diabo está o tempo todo na mente de Riobaldo. Não aparece concretamente, não temos a certeza do pacto, mas na cabeça dele tem essa coisa, um diabo pode ser a própria Diadorim".
Como ator, Welligton também chegou a encenar a obra de Guimarães no formato de esquete. Ele apresentou sua versão para alunos da rede pública nos anos 2000 e encontrou muita receptividade, contando com depoimentos de mais fácil compreensão por parte dos espectadores.
"Teatro é algo que acontece agora. Não é novela, não é filme. Os atores estão em cena, vivendo os personagens, é uma sensação e emoção maravilhosa!", define.
Para mais informações sobre como adquirir o livro que celebra os 60 anos de "Grande Sertão: Veredas", o pesquisador disponibiliza o email wellrodrigues2012@yahoo.Com.Br. Para ver a obra no teatro, a dica é a apresentação no TJA neste fim de semana.
Diário do Nordeste

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