Quem foi Senador Pompeu, que nasceu há 200 anos, virou nome de rua e mudou o Ceará

Há 200 anos nascia um das figuras mais importantes para a história do Ceará. Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, o Senador Pompeu, foi pioneiro de planos e práticas que revolucionaram o Estado. Para comemorar a data, a professora Angela Gutiérrez, trineta do homenageado, relembrará a vida do Senador do Império na noite desta quinta-feira, 23. O evento é uma realização do Instituto do Ceará, da Academia Cearense de Letras e da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Nascido em 6 de junho de 1818 em Santa Quitéria, interior do Estado, o filho da cearense Jeracina Isabel de Sousa e do potiguar Thomaz Aquino de Sousa passou boa parte da infância e adolescência residindo no município. Carregava no sobrenome a importância de ser parte de uma família intelectual e respeitada. Aos 18 anos, Thomaz Pompeu viajou para estudar Direito em Olinda-PE, onde também se formou padre.  

A historiadora Berna Carolina relata que a vida política de Pompeu foi impulsionada por um grande mentor, Francisco Gregório Torres de Vasconcelos, seu tio, que foi também seu primeiro professor de Letras. De acordo com ela, o intelectual foi apadrinhado politicamente por dois nomes importantes, Francisco de Paula Pessoa, o “Senador dos bois”, e José Martiniano de Alencar, pai de José de Alencar. “Foi com o auxílio deles que Pompeu se projetou na política cearense de forma tão grandiosa”.

Graduado em Direito e padre, Pompeu retornou ao Ceará a pedido do Presidente da Província da época, Ignácio Correa de Vasconcelos, para fundar e dirigir a escola Liceu do Ceará, em 1845. Este foi o primeiro grande momento da vida política dele. Naquele ano, foi também eleito deputado.

Um ano depois, em 1846, ele funda o jornal “O Cearense”. De teor liberal e progressista, assim como seu fundador, foi um dos maiores jornais de circulação do século 19, conforme Berna Carolina. “Foi o periódico que pautou toda a perspectiva nova do liberalismo no Brasil. O sucesso do jornal está atrelado à boa administração de Pompeu, que o liderou por 31 anos”.  

Notável escritor e educador, Pompeu publicou 19 obras sobre diferentes temas, como Geografia, Estatística, Economia e História. “A escrita dele era telúrica, isto é, escrevia sobre sua terra. Toda a literatura dele é voltada para o progresso econômico cearense”, explica a historiadora.

Suas principais obras, “Memória Sobre a Conservação das Matas e Arboricultura do Ceará” e “Ensaio Estatístico”, marcam umas das suas ideias mais importantes: conservar as matas para ter uma agricultura forte. Com o ensaio (1861), ele foi o primeiro a reunir informações de forma oficial e institucionalizada sobre estatísticas da sociedade cearense.

Ele também é autor do “Compêndio Elementar de Geografia Geral e Especial do Brasil”, livro que foi utilizado no Colégio do Império na época, o “Pedro II”, e indicado para todas as redes de ensino das outras províncias.

Pompeu estudou a problemática da seca no Estado. Foi o primeiro a defender que medidas para contornar a falta de água seriam uma forma de contribuir para o crescimento econômico do Ceará. Em seu último ano de vida, publicou “Memória Sobre o Clima e Secas do Ceará”.

“Ele foi o primeiro a pensar na natureza cearense de forma logística, percebendo que era necessário entendê-la para dominá-la. Ele cunhou a palavra ‘Ecologia’ no Estado”, conta Berna Carolina.

Em 1864, ele se tornou o conhecido Senador Pompeu, entrando para o Senado, cargo que ocupou até o fim da sua vida. Começou a alternar entre seu estado natal e o Rio de Janeiro, onde foi comandar a política local diretamente da Corte. “Ele analisou a si e a política do seu tempo. Obteve sucesso porque se projetava bastante como sujeito político, ele criou a sua vida política”, explica a historiadora. Pompeu foi o criador do primeiro plano de viação de Fortaleza, sendo o responsável pela primeira estrada de ferro do Ceará, em Baturité (1877).

O Senador do Império faleceu presenciando a seca mais devastadora da história do Nordeste, em 1877. Morreu por doença respiratória, deixando uma viúva e cinco filhos. À época, ainda padre, pediu para ser enterrado com a sua batina. E pediu para que fosse no Ceará. “O amor dele pela terra, pelo Ceará, era muito grande. Ele queria ver o Estado dando certo”, finaliza a historiadora.

Serviço
Bicentenário de Nascimento de Thomaz Pompeu de Sousa Brasil
Quando: quinta-feira, 23
Onde: rua Barão do Rio Branco, 1594 - Centro (Praça do Carmo)
Hora: às 17 horas.
Gratuito
O Povo

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