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Audição de vinis "Literatura e a Música Cearense" acontece hoje no TJA

por Felipe Gurgel - Repórter
Participantes do evento Amantes do Vinil, no Porto Iracema: bolachões ganham espaço frequente em diferentes encontros na cidade
Nesta sexta (24), às 18h30, no Café Iracema do Theatro José de Alencar (TJA/Centro), as DJs Mrs e Evel apresentam uma série de vinis com um repertório de compositores cearenses. A audição será comentada pela jornalista e cantora Mona Gadelha e o radialista Nelson Augusto. A seleção é inspirada em canções cijas letras são poemas musicados de escritores também cearenses. A programação é gratuita.
A audição dos vinis passa pelo cancioneiro de nomes como Alberto Nepomuceno, Juvenal Galeno, Fagner, Belchior, Ednardo e Francisco Casaverde; e é baseada na obra literária de autores como Antônio Sales, Machado de Assis, Olavo Bilac, Dante Alighieri, Cecília Meireles, Florbela Espanca, Fernando Pessoa e Patativa do Assaré.
Para a DJ Mrs (Maira Sales, também produtora cultural e publicitária), a experiência da audição remete a dois encontros realizados anteriormente. Nas comemorações pelo primeiro aniversário da Escola Porto Iracema das Artes (Praia de Iracema), o radialista Nelson Augusto comentou a audição do LP "Meu corpo, minha embalagem, todo gasto na viagem", gravado pelo Pessoal do Ceará, em 1973.
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Em um segundo momento, através do edital de ocupação do Teatro Carlos Câmara, aconteceu outra audição, dessa vez com a escuta do LP duplo "Massafeira Livre". Nelson Augusto comentou o primeiro disco; Mona Gadelha e Ronald Carvalho, o segundo.
"São muito interessantes (as audições). As pessoas ficam atentas às histórias. No caso do Massafeira, a Mona e o Ronald participaram diretamente do processo, e eles contaram histórias inéditas, sobre aquele grupo de 40 cearenses hospedados num hotel em Santa Teresa, no Rio de Janeiro", observa Maira.
Indagada sobre como atinou para a pesquisa que relaciona a música e a literatura cearense, ela situa que seu interesse tem origem na árvore genealógica de sua própria família. Ela descobriu que o escritor Antônio Sales (1868-1940), ligado ao movimento da Padaria Espiritual, foi primo de seu avô.
"Fui dar uma entrevista pra TV Assembleia, recentemente, e me aprofundei um pouco na história do Antônio Sales e da Padaria Espiritual. Pesquisei tanto a obra quanto a história dele. Daí em determinado momento, o livro do Wilson Saboia registrava um encontro entre Antonio Sales e Alberto Nepomuceno", detalha Maira, sobre o momento em que surgiu a ideia de fazer as audições dos vinis.
A DJ pontua que o compositor Alberto Nepomuceno (1864-1920), por exemplo, musicou dois poemas de Antonio Sales, "Morta" e "Epitalâmio", além de ter explorado, nesse sentido, a obra de escritores como Machado de Assis.
Maira enfatiza, ainda, a criação de Fagner e de todos os compositores do Pessoal do Ceará. O próprio Ednardo se inspirou no cordel "Romance do Pavão Misterioso", de José Camelo de Melo, para produzir uma de suas canções mais reconhecidas até hoje.
Formato
Antes de produzir ela mesma os encontros de escuta comentada dos vinis, Maira Sales não havia participado ainda, como plateia, de nenhum evento similar. No entanto, tinha conhecimento de eventos semelhantes no Rio de Janeiro e em São Paulo.
"A minha história com vinil é antiga. Nunca me desfiz dos meus LPs, colocava meu nome e a data de aquisição na capa. Na adolescência, meus irmãos se batiam em frente a TV, e eu pegava a radiola e ia curtir Gal, Caetano, Ney Matogrosso", recorda a DJ.
Retomada
O vinil tem voltado com bastante força ao mercado musical, não somente como objeto de "fetiche" ou de colecionadores, mas uma opção de produto com qualidade de áudio mais fiel às gravações.
Gravadoras e selos como Deck Disc (RJ) e EAEO Records (SP, que no ano passado lançou uma caixa de LPs dos cearenses do Cidadão Instigado) retomaram a produção dos vinis para lançar seus catálogos de álbuns.
Ao lado do vinil, formatos considerados "ultrapassados" - como a fita K7 - também fazem parte dessa retomada. Maira Sales observa esse movimento como algo "fantástico. Se no fundo a gente for avaliar a mídia em si, ela tem uma fidelidade maior com a gravação, uma durabilidade incrível, se for conservada adequadamente", destaca a DJ. Ela acrescenta que, em relação a CDs e pendrives, por exemplo, o vinil tem uma capacidade de armazenamento, de conteúdo, mais consistente. A força dos LPs também se traduz no fato de o público não se afastar mesmo diante dos preços elevados de fabricação e, consequentemente, de venda.
"Uma bolacha sem nada, sem encarte, custa uma média de 20 reais para a fabricação. O que me agrada mais é a parte gráfica: são todas capas lindas, com encartes que contam a história (dos artistas). E além do vinil, outras mídias estão voltando, como os vídeos de câmera Super 8 e as fitas K7", percebe Maira.
Mais informações:
"A Literatura e a Música Cearense", audição de vinis comentada, com as DJs Mrs e Evel, e participações especiais de Mona Gadelha e Nelson Augusto.
Nesta sexta (24), às 18h30, no Café Iracema do Theatro José de Alencar (R. Liberato Barroso, 525, Centro).
Acesso gratuito. Contato: (85) 3101.2583

Diário do Nordeste

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