Jovens católicos ocupam casa de Frei Tito para defender que o lugar seja tombado

Casa Frei Tito
Jovens católicos ocuparam a casa de Frei Tito, no Centro de Fortaleza. Abandonado, o local está em ruínas. O dono do espaço chegou a fazer ameaças e agrediu alguns dos ocupantes. O grupo pede que a Prefeitura de Fortaleza tombe o local, restaure e transforme em um memorial em homenagem ao ativista religioso.
O frade dominicano ficou conhecido por defender os direitos humanos e morreu durante a Ditadura Militar no Brasil.
Na casa da rua Rodrigues Júnior, número 1.364, Frei Tito viveu a infância e a adolescência. Os ocupantes estão no local desde o dia 10 de agosto, dia da morte dele há 44 anos.
“A defesa do que essa casa representa como patrimônio histórico e cultural começou em 2011, quando colocaram uma placa de venda lá fora. Aí um grupo se organizou e começou a fazer luta em defesa dessa casa, no que resultou num tombamento provisório. Só que esse tombamento não trouxe grandes garantias. Se vocês forem ver, essa casa está totalmente abandonada. É um desrespeito com a memória do Frei Tito e com o patrimônio histórico cultural de Fortaleza”, disse Joice Elaine.
De acordo com a jovem, uma das participantes da ocupação, o proprietário do imóvel esteve no local para intimidar o grupo.
“A gente sofreu um ato de violência por parte deles. Ontem à noite ele passou aqui, viu a gente fazendo um ato político. Eram cinco homens, o senhor que a gente conhecia, mais dois, um portava arma de fogo, o outro deu um soco em um dos nossos militantes e mais dois que a gente acha que são funcionários do proprietário. Falaram que isso era uma invasão, que a gente saísse. Não teve muito diálogo. O negócio foi bater, empurrar, tem militante com escoriações no corpo”, contou ela, que faz parte da pastoral da Juventude.
O grupo faz rodas de conversas sobre Frei Tito, exibe filmes, leva artistas ao local e tem reivindicações para o espaço.
“A gente quer que isso se transforme num memorial. A nossa pauta é sólida: a desapropriação, que a Prefeitura seja responsável por isso aqui; o tombamento definitivo, a restauração, pra colocar a casa no projeto arquitetônico original e que vire um memorial”, disse Joice.
A jovem ainda disse que um diálogo com a Secultfor foi iniciado, mas o grupo também pede um posicionamento da Prefeitura de Fortaleza.

Tribuna do Ceará

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