Desde sua morte, em 2014,Ariano Suassunacontinua na pauta literária por conta da publicação de escritos inéditos. Primeiro foiRomance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores, em uma caixa com dois volumes, lançada em 2017 e que traz uma espécie de testamento literário do autor doAuto da Compadecida. Agora, outra caixa, intituladaTeatro Completo, compila 23 peças e traz 12 textos inéditos – ainda não há previsão de lançamento em livrarias, mas já está disponível em sites como Amazon.
Todos os lançamentos vêm sob a chancela da editora Nova Fronteira, que separou um texto especial, publicado agora em livro: As Conchambranças de Quaderna.
Peças de teatro de Ariano Suassuna saem em livro Foto: Felipe Rau/Estadão
Dividida em três atos, a peça acompanha os desatinos do protagonista, obrigado a fazer conchavos para resolver seus problemas – sempre buscando, claro, se sair bem em tudo. Aliás, “conchambrança” é uma corruptela de “conchamblança”, que significa justamente conchavo, combinação.
Ester Suassuna Simões, neta do escritor e professora da UFRJ, afirma que o texto foi escrito quando Suassuna preparava O Romance de Dom Pantero, que traz, inclusive, Quaderna como um dos personagens.
“As Conchambranças podem ser pensadas como um dos exercícios iniciais para a síntese buscada n’O Romance”, afirma Ester, no texto de apresentação. “Toda a sua produção integra um grande e uno universo simbólico que, apreciado de maneira conjunta, demonstra a criação de uma imensa obra de arte total, em que mesmo vida e obra são sintetizadas. O universo de Suassuna é um convite ao sonho, enquanto marca também questões de uma realidade dura, com a ingerência política, no modo mais crítico que a literatura promove, a união do trágico com o cômico.”
Suassuna produziu sua obra teatral entre 1947 e 1961 e As Conchambranças de Quaderna, divulgada em 1987, marcou seu retorno à escrita cênica. O texto é considerado uma espécie de síntese entre o que Suassuna escreveu de prosa e dramaturgia. Depois disso, ele só produziu A História do Amor de Romeu e Julieta (1996).
A Praça dos Imigrantes (Avenida Presidente Kennedy com Avenida Tijucussu, Bairro Olímpico) receberá, neste domingo (02/12), das 10h às 15h, a segunda edição da Virada Inclusiva da Prefeitura de São Caetano do Sul, organizada pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência ou Mobilidade Reduzida (Sedef) e em parceria com as secretarias de Cultura, Educação e Esporte.
Ao longo do dia, apresentações de dança, música, atividades físicas e outras atrações culturais serão levadas ao público para dar visibilidade às capacidades e potenciais da pessoa com deficiência, de forma a intensificar a consciência para a igualdade de direitos e inspirar o desejo de uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva.
“A Virada Inclusiva incentiva a participação de pessoas com ou sem deficiência, juntas, em ações inclusivas, formando uma grande rede de parceiros e colaboradores voluntários que realizam atividades culturais, esportivas e de lazer, criando uma grade de programação acessível a todos”, explica a secretária da Sedef, Adriana Gomes da Fonseca.
Idealizada pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, a Virada Inclusiva é inspirada na Virada Cultural Paulista e tem como objetivo promover o pleno exercício da cidadania e da inclusão social de todas as pessoas. A data é escolhida em homenagem ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado no dia 3 de dezembro.
PROGRAMAÇÃO
Palco principal
10h - Apresentação de Dança Terapia, com a música Happy Day (Cive)
10h15 – Coral com os alunos do 3º ano da Emef Profa. Eda Mantoanelli (Programa de Inclusão), com as músicas True Colors, Bate o Sino e Natal Existe
10h30 - Apresentação de Dança “Diversidade”, com a música Normal é ser Diferente, com alunos, professores e auxiliares da Fundação Municipal Anne Sullivan
10h45 - Apresentação “Vamos Aprender Libras? - Os Animais”, com os alunos do Curso de Libras da Sedef
11h - Apresentação da Música A Paz (Roupa Nova), em Libras, com os alunos do 5º ano da Emef 28 de Julho (Programa de Inclusão)
11h15 - Apresentação do livro “Desistir por quê? Se eu posso continuar!”, da escritora Sheila Cassin (Sedef)
11h30 – Apresentação “Vamos Aprender Libras? - As Cores”, com os alunos do Curso de Libras da Sedef
12h - Apresentação dos alunos do 2os anos da Emef Padre Luiz Capra (Programa de Inclusão), com a música Normal é ser Diferente
12h30 - Aula de alongamento (Clínica Ceccato)
13h – Apresentação da Escola Municipal de Bailado Laura Thomé (Ballet Adaptado), com as coreografias Meu Limão, Meu Limoeiro e Aquarela do Brasil
13h30 – Apresentação da Escola de Ballet Sandra Amaral, com a coreografia Maschkins
13h45 – Tai Chi Chuan estilo Yang, apresentação em “mãos livres” com “Espada”, com Nathan Gamba Tonini (Sedef)
14h – Coral/Jogral com os alunos dos 7os anos da Emef Prof. Rosalvito Cobra, com a música Declaração Universal dos Direitos Humanos
14h30 - Apresentação da Banda Marcial da EME Alcina Dantas Feijão
15h - Encerramento
Atividades diversas
10h às 12h - Escola de Artes Visuais da Fundação das Artes de São Caetano do Sul: Oficina de Técnica de Carimbos Artesanais - Impressão
10h às 12h - Vivência de Tênis de Campo em Cadeira de Rodas, com atletas e a Profa. Cassia Lorenzini
10h às 12h - Lançamento e bate papo com a autora do Livro: “Desistir por quê? Se eu posso continuar!”, Sheila Cassin (Sedef)
10h às 15h - Atividades esportivas do Programa de Esporte Comunitário - PEC Inclusivo e parceria com Arenas Esporte e Vida – Jogo pela Vida
10h às 15h – Oficina de Ciências (Departamento de Ciências Exatas e da Terra da UNIFESP – Diadema)
10h às 15h – Instituto Faca na Cadeira Esportes Adaptados: Oficina e vivência da prática de esportes radicais (WCMX) para cadeirantes e não cadeirantes
10h às 15h – Oficina de Psicomotricidade (Emef Luiz Olinto Tortorello) cujo objetivo é vivenciar as capacidades físicas básicas como força, equilíbrio, resistência, velocidade, orientação espacial, lateralidade, coordenação motora fina, grossa e visomotora, bem como estimular a afetividade e a quebra de barreiras por meio de incentivos e reforços positivos
10h às 15h - Tendas patrocinadores: Auto Escola Javarotti, Mais Você Isenções (demonstração de carros), Italmobility (exposições de Carros Linha Move e demonstração de Cadeiras de Rodas), Clínica Ceccato e CR Tennis Academy.
O Viagem pela Literatura tem como objetivo estimular o interesse pela leitura entre crianças, adolescentes, jovens e adultos de forma lúdica, por meio de atividades desenvolvidas por atores, escritores, contadores de histórias e músicos
Redação Folha Vitória
O projeto Viagem pela Literatura, da Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim, encerra na próxima quarta-feira (5) mais um ano de atividades de incentivo à prática da leitura em Vitória.
Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura (Semc) desde 1994, o projeto registrou em 2018 um público de 9.132 participantes em 96 apresentações de contação de histórias, peças teatrais baseadas em livros, oficinas e cursos para contadores de histórias, oficina de poesia, círculo de leitura, encontro com escritores, sarau poético e leitura em parques e praças.
O evento de encerramento acontece no auditório Zemar Moreira Lima, no Palácio Municipal, das 14 às 16 horas. Serão apresentados resultados do projeto e reforçadas as relações de integração entre comunidade, biblioteca e escola. Além disso, haverá a atividade "Viver o Livro ao Vivo e em Cores", com a peça "Para Sempre Rapunzel", do Grupo Teatral Gota, Pó e Poeira.
Arte da palavra
O secretário municipal de Cultura, Francisco Grijó, enfatiza a abrangência e a potência do Viagem pela Literatura como política pública cultural. "Nos últimos anos, esse projeto tem levado o prazer pela leitura a crianças, adolescentes e jovens que se interessam pela arte da palavra. A Semc atua como vetor para que autores, livros e leitores possam, cada vez mais, interagir. Sabemos que, dessa forma, formamos cidadãos que compreendem a importância da leitura".
Resultados
Este ano, as atividades foram desenvolvidas em 26 espaços de 21 bairros, como praças, parques, escolas, Cajuns, Cras, teatros, quadras de esportes, sedes de movimentos comunitários e na própria Biblioteca Municipal. No total, 72 instituições educacionais participaram do projeto.
"Com esses números, podemos ver que o projeto vem cumprindo sua missão de garantir a todos a igualdade de oportunidade de acesso democrático à leitura, ao livro e à cultura", disse Elizete Caser, coordenadora da Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim.
Histórico
Ao longo de 24 anos, mais de 100 mil pessoas já participaram das atividades do projeto, que foi destaque no Mapa de Ações do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) dos ministérios da Cultura e da Educação, no Fórum do Plano Nacional do Livro e Leitura e no Seminário de Bibliotecas Públicas e Comunitárias, em 2008.
No ano anterior, recebeu o Selo do Prêmio Cultura Viva do Ministério da Cultura e, em 2012, venceu o prêmio "Vitória Inovando", na categoria Gestão Participativa e Inclusão Social, promovido pela Prefeitura de Vitória.
Em 2016 e 2017, o projeto foi selecionado por meio de edital do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (Concav) – Fundo da Infância e Adolescência (FIA).
Serviço
Encerramento do projeto "Viagem Pela Literatura"
Data: 5 de dezembro (quarta-feira), a partir das 14 horas
Local: auditório Zemar Moreira Lima, no Palácio Municipal
Aberto ao público
Programação
14h – Abertura e apresentação dos resultados
14h15 – Apresentações culturais
Musical “O Ratão” e “O Casamento de Dona Baratinha”, apresentados pelos alunos da Emef Mauro Braga, de Caratoíra, sob a coordenação da professora Maria da Penha Dantas
Recital poético com Kika Amorim e Ramon Santos, resultante da Oficina de Poesia RAPcomVERSOS, realizada por John Conceito
Ciranda Cajun, com histórias cantadas apresentadas pelas crianças do Cajun do Romão, sob a coordenação dos educadores Camila Marchi e Frederico Faria
Apresentação do Grupo de Contadores de Histórias Chão de Letras
15h - Apresentação da atividade “Viver o Livro ao Vivo e em Cores”, com a peça teatral “Para Sempre Rapunzel’’ ,baseada no clássico da literatura infantil, com o Grupo Teatral Gota, Pó e Poeira
O Museu Itinerante da Bíblia chega pela primeira vez a Fortaleza na sexta-feira (30). No evento, serão apresentadas algumas edições que são relíquias, com destaque para a menor bíblia do mundo.
O evento acontece no shopping Benfica e recebe mais de 100 diferentes e históricas edições do Livro Sagrado.
De acordo com a superintendente do shopping, Marcirlene Pinheiro, a estrutura do museu na capital já é uma grande novidade. “A proposta é trazer bíblias inéditas de 100 diferentes edições, por exemplo”.
Ainda é possível conferir curiosidades como bíblia à prova de água, com cheiro da época vindo de Israel, linguagens indígenas… A entrada é gratuita. Mais informações pelo telefone: 3243 – 1000.
Poeta cearense integrará a ala dedicada à literatura, na Sapucaí, uma das homenagens que a escola de samba fará ao Ceará
Olhares voltados para Mailson Furtado, vencedor do Prêmio Jabuti, também na SapucaíFoto: Divulgação
Para além da homenagem a Raquel de Queiroz e José de Alencar, a União da Ilha do Governador também contemplará outra importante figura literária do Ceará no desfile da escola de samba na Sapucaí, em 2019. Mailson Furtado, vencedor do Prêmio Jabuti neste ano nas categorias “Melhor Livro de Poesia” e “Livro do Ano” com a obra “à cidade”, integrará uma das alas que passará pelo sambódromo carioca.
A presença do poeta entra em conformidade com o samba-enredo da escola, “A Peleja Poética entre Raquel e Alencar no Avarandado do Céu”, que presta tributo à cultura cearense. A proposta e convite de ter o autor no desfile partiram do presidente do Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas no Ceará (Sindconfecções CE), Elano Guilherme. Foi ele também que sugeriu o tema à União como maneira de alavancar olhares sobre a nossa terra.
“Entrei em contato com o Mailson logo após ele ter vencido o Prêmio Jabuti. Pensei que teríamos que homenageá-lo de alguma forma, já que ele já faz parte da história de nosso Estado”, afirma Elano. “O que me impressionou foi a simplicidade com a qual ele respondeu ao meu convite. Será uma forma de ele representar novamente o Ceará”.
Mailson, de fato, conta que não titubeou em responder ao pedido de Elano e se diz bastante feliz pela oportunidade. “É muito satisfatório fazer parte desse movimento que vai entrar para a história de nossa cultura, levando-a para algo ainda mais amplo, mais longe. Estou muito ansioso para fazer parte desse momento”, confessa.
Aproximação
Na esteira desse clima de aproximação entre a União da Ilha e o Ceará, está marcada para acontecer a apresentação da bateria da escola de samba carioca no palco do Aterro da Praia de Iracema no Réveillon de Fortaleza 2019. A informação foi divulgada na última segunda-feira (26) pelo Diário do Nordeste.
À frente da composição do samba-enredo estão Myngal, Marcelão da Ilha, Roger Linhares, Marinho, Cap. Barreto, Eli Doutor, Fernando Nicola e Marco Moreno.
Além da música e da literatura, as 29 alas da União darão destaque à gastronomia, festas tradicionais e litoral cearense, evocando figuras como Padre Cícero e a imagem da Pedra da Galinha Choca, em Quixadá.
A escola de samba Paraíso do Tuiuti também prestará tributo ao Ceará, com especial destaque para o Bode Ioiô. “Estamos expandindo o Ceará para o mundo e isso é algo para se comemorar”, vibra Elano Guilherme.
O livro “UPP: A redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”, escrito pela vereadora carioca Marielle Franco (Psol) - assassinada a tiros em março deste ano -, será lançado em Salvador e outras 19 cidades, no dia 8 de dezembro. Na capital baiana, o evento de lançamento acontecerá das 17h às 22h, na Casa Preta, situada no bairro do Dois de Julho, com entrada gratuita. O livro, que sai pela Editora N-1, é resultado da dissertação de mestrado defendida por Marielle na Universidade Federal Fluminense e tem prefácio assinado por Frei Betto.
A história, popularizada recentemente pela série The Handmaid’s Tale, terá sequência literária: The Testaments é o nome escolhido
A aclamada autora de O Conto da Aia, Margaret Atwood, anunciou que o livro terá sua sequência, mais de três décadas depois da publicação do original. A nova obra vai se chamar The Testaments (Os Testamentos, em tradução livre) e estará disponível, em inglês, a partir de setembro de 2019.
A história se popularizou recentemente graças à adaptação televisiva The Handmaid’s Tale, produzida pelo serviço de streamingHulu. Vencedora de dois Globos de Ouro e oito Emmys, a série é estrelada por Elizabeth Moss e teve sua terceira temporada confirmada pela produtora. A trama do livro é retratada apenas no primeiro ano do seriado: a partir da segunda temporada, o roteiro é fruto da imaginação dos roteiristas.
Segundo Atwood, o novo livro não terá, necessariamente, conexão com a situação retratada na série: a história, aliás, se passará 15 anos depois dos fatos mostrados em O Conto da Aia. “Tudo que vocês sempre me perguntaram sobre Gilead e seus trabalhos internos é a inspiração para este livro. Quer dizer, quase tudo! A outra inspiração é o mundo em que estamos vivendo”, comentou a autora.
Ainda não há previsão de lançamento da obra no Brasil.
Evento também conta com mostra dedicada ao Cinema Brasileiro e de Afro-religiões.
Atlântico Negro - Na rota dos orixás. (Divulgação)
O Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte, que teve início no dia 22 de novembro e vai até 2 de dezembro, apresenta produções e temáticas diversificadas para debater questões em torno da relação entre cinema brasileiro e afro-religiosidade, bem como colocar em debate a realização recente através de suas mostras contemporâneas Brasileira e Internacional. Destaque para as sessões especiais que contarão com filmes premiados nacional e internacionalmente: Temporada (dirigido por André Novais Oliveira, Brasil, 113', 2018) e Chuva é cantoria na aldeia dos mortos (dirigido por João Salaviza e Renée Nader Messora, Brasil/Portugal, 114', 2018).
Dando continuidade ao seu tradicional escopo (exibir, debater e colocar em evidência produções que abordam diversas perspectivas autorais e culturais), o forumdoc.bh volta a apresentar uma programação intensa comemorando 22 edições consecutivas. Realizado pelo coletivo Filmes de Quintal, com participação dos programas de pós-graduação em Antropologia e Comunicação da UFMG, o festival será realizado até o dia 02 de dezembro no Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes e na FAFICH/UFMG, com sessões de cinema gratuitas, além do seu tradicional fórum de debates que compreende sessões comentadas e um seminário associado à mostra principal e ao VII Colóquio Cinema, Estética e Política. Esta edição proporcionará ao público a exibição de mais de 60 filmes documentais e obras que com este gênero dialogam. A programação se organiza em três mostras: Ebó Ejé - Cinema Brasileiro e Afro-religiões, com 24 filmes; Mostra Contemporânea Brasileira, com 23 filmes, e Mostra Contemporânea Internacional, com 12 filmes, além de Sessões Especiais, com 6 produções, e um Seminário/Colóquio com 6 encontros.
Na sessão de Abertura, dia 22 de novembro, quinta-feira, às 19h30, será exibido o curta Abá (4’, 1992), com direção de Raquel Gerber, Cristina Amaral, e o longa Orí (91’, 1989/2009), de Raquel Gerber, ambos integrantes da mostra temática. A sessão será comentada pelas realizadoras Cristina Amaral, Raquel Gerber e a liderança Makota Valdina. A Mostra Ebó Ejé: Cinema Brasileiro e Afro-religiões, pretende discutir as diversas modalidades de representação das religiões de matrizes africanas no cinema brasileiro moderno e contemporâneo. O objetivo é construir uma espécie de história possível do cinema aqui realizado, levando-se em conta as mais representativas formas de figuração da presença do negro em nossa sociedade. Os filmes como testemunhas do poder das cosmologias em questão em constituírem-se como figurações das relações raciais - bem como das relações de poder e opressão no Brasil. Nossa proposta curatorial pretendeu associar documentários e ficções, realizando uma espécie de corte vertical que atravessa as últimas cinco décadas de produção cinematográfica, tendo como foco trabalhos que filmam ações, performances e espaços interiores, tais como os ritos e os locais onde se desenrolam. A curadoria buscou obras que privilegiam um olhar interior às comunidades e povos de terreiro, em sua pluralidade de expressões. Destacamosas seguintes sessões comentadas: exibição de Jubiabá (1987, exibição em 35mm), de Nelson Pereira dos Santos, que contará com debate com o professor carioca Hernani Heffner; Exu mangueira (1974), seguido de debate com o realizador Jom Tob Azulay; e Egungun (1982, Carlos Brajsblat) comentada pela liderança Nilsia Lourdes dos Santos.
Já a Mostra Contemporânea Brasileira conta com 23 filmes entre médias, longas e curtas metragens brasileiras finalizados entre 2017 e 2018. A comissão buscou reunir filmes que, diante das urgências e das formas afirmativas de resistir e existir, apresentaram estratégias de reflexão sobre a própria imagem que criam e provocam o espectador a deslocar o olhar, procurando um reposicionamento e uma atitude interrogativa diante do que é mostrado. Cientes de que a seleção é circunstancial, a curadoria da mostra oferece ao espectador um conjunto de filmes inquietos e ensaísticos que representam, se não a integralidade das lutas, a forma como estas agitam o debate no fazer cinematográfico. São documentários que reiteram o direito dos povos à existência, dentro das suas próprias maneiras de contar, com destaque para filmes de realizadoras e realizadores negros que têm ganhado cada vez mais destaque no circuito dos festivais conquistando prêmios importantes nas categorias de curta e longa-metragem. Contamos ainda com um conjunto de textos inéditos escritos especialmente para o catálogo do forumdoc.bh.2018 a ser disponibilizado na versão impressa e on-line. Da mostra, destacamos os filmes: as estreias em Belo Horizonte de Auto de resistência (Natasha Neri, Lula Carvalho, 104', 2018) o documentário mostra a violência praticada pela polícia nas comunidades do Rio de Janeiro; Bloqueio (Victoria Alvares, Quentin Delaroche, 75’, 2018), acompanha a greve de caminhoneiros em 2018 por melhores condições de trabalho; Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados (Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo, Pedro Maia de Brito, 23’, 2018), premiado como melhor curta na 51º edição do Festival de Brasília, que mostra o momento em que famílias ocupam um terreno abandonado para construir suas casas; Deekeni - os olhos de Wiyu (Júlio David Rodrigues, José Cury, 77', 2018), foi produzido pelos ye'kwana, um dos povos indígenas que vive na Terra Indígena yanomami (TIY), sendo esse o primeiro filme autorizado por eles para sair da comunidade; e Noirblue - deslocamentos de uma dança (Ana Pi, 27’, 2018), no qual a realizadora mineira se reconecta às suas origens através do gesto coreográfico.
Já a Mostra Contemporânea Internacional, composta por 12 títulos, é resultado de pesquisa nas principais esferas de exibição cinematográficas internacionais. Essa metodologia de pesquisa procura ampliar o escopo da nossa programação estrangeira, possibilitando que obras cruciais, de cineastas estreantes ou notórios, cheguem à cidade. Ela é fruto do desejo de abarcar contextos díspares na busca por múltiplos caminhos para se pensar o cinema hoje. Seria redutor englobar filmes tão distintos sob uma mesma linha norteadora, seja ela um guarda-chuva temático ou um único regime de enunciação. No entanto, a costura que talvez nos permitiu agrupá-los numa mesma mostra reside justamente nos seus gestos particulares de criação: o que cada um apresenta de singular em termos de invenção de formas, na lida com os sons e imagens que atravessam a relação com um "’real" documentado, recontado, filmicamente inventado. Da mostra, destacamos os filmes: Gens du lac (18', 2018, Gente do lago), novo curta do consagrado diretor francês Jean-Marie Straub; Kinshasa Makambo (75’, 2018) que retrata a luta por eleições livres na República Democrática do Congo; Futebol Infinito (70’, 2018, Dieudo Hamadi), documentário do influente diretor romeno Corneliu Porumboiu; e Espécies selvagens (Wild relatives, 70’, 2018) da palestina Jumana Manna, que aborda as transações de sementes entre locais díspares do planeta.
As Sessões Especiais do festival trazem importantes estreias na cidade: o premiado Temporada, do cineasta natural de Contagem André Novais Oliveira, (113', 2018), exibido no Festival de Locarno deste ano e vencedor do 51º Festival de Brasília; Chuva é cantoria na aldeia dos mortos (114', 2018),co-produção Brasil/Portugal, realizada por João Salaviza e Renée Nader Messora na aldeia Krahô de Pedra Branca, premiada no Festival de Cannes e Festival Internacional do Rio em 2018; o documentário musical capixaba Diante dos meus olhos (81’, 2018) dirigido por André Félix; e os longas ficcionais de três diretores de Belo Horizonte: Baixo Centro (80’, 2018), de Ewerton Belico e Samuel Marotta; e Os Sonâmbulos (110’, 2018), de Tiago Mata Machado. Todas as sessões especiais são seguidas de debate com os realizadores.
Acompanha a mostra Ebó Ejé um Seminário que reunirá lideranças religiosas e políticas de comunidades de terreiro, cineastas e pesquisadores para debater a relação entre o cinema documentário brasileiro e as religiões de matriz africana, além dos modos de organização política e resistências negras no Brasil. Os encontros do seminário acontecem até o dia 29 de novembro, sempre às 14h no Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes. Nas manhãs dos dias 27 e 28 de novembro o forumdoc.bh também recebe a programação do VII Colóquio Cinema, Estética e Política (UFMG) que apresenta duas sessões comentadas por realizadores indígenas e uma mesa sobre arte, performance e afro-religiões. Serão abertas inscrições online para o seminário/colóquio no site do festival até 21/11 e o número de vagas está sujeito à lotação do espaço. FORUMDOC.BH.2018 - 22º FESTIVAL DO FILME DOCUMENTÁRIO E ETNOGRÁFICO DE BELO HORIZONTE
Locais: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1.537 FAFICH (UFMG)
Endereço: Av. Pres. Antônio Carlos | 6.627 | Pampulha
O reggae é estilo musical jamaicano que conquistou fama em todo o planeta graças a artistas como Bob Marley.
O reggae é estilo musical jamaicano que conquistou fama em todo o planeta graças a artistas como Bob Marley.Foto (AFP)
O reggae, estilo musical jamaicano que conquistou fama em todo o planeta graças a artistas como Bob Marley, passou a integrar a lista de Patrimônio Imaterial da Humanidade, anunciou a Unesco nesta quinta-feira.
A decisão de incluir o reggae na lista foi tomada pelo Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco, reunido esta semana em Port-Louis, a capital das Ilhas Maurício.
"É um dia histórico", celebrou a ministra da Cultura da Jamaica, Olivia Grange, que viajou a Maurício para a oportunidade. "Destaca a importância de nossa cultura e nossa música, cujo tema e mensagem é amor, união e paz", afirmou em uma entrevista à AFP.
A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) destacou que a contribuição deste estilo musical "à reflexão internacional sobre questões como a injustiça, a resistência, o amor e a condição humana demonstram a força intelectual, sociopolítica, espiritual e sensual deste elemento do patrimônio cultural".
A organização também recordou que, embora a princípio tenha sido uma expressão musical de comunidades marginalizadas, com o tempo o reggae foi "abraçado por amplos sectores da sociedade, sem distinção de sexo, etnia ou religião".
O reggae se une a uma lista criada em 2003 e que inclui quase 400 tradições ou expressões culturais, que vão da pizza napolitana até o flamenco, passando pela cerveja belga, a ioga e o tango.
O comitê da Unesco, que precisava examinar quase 40 pedidos de inscrição durante a reunião, também incluiu em sua lista as Parrandas de Cuba.
O reggae, apresentado pela Jamaica, se desenvolveu nos anos 1960 a partir do ska e do rocksteady, além de ter adicionado influências do soul e do rythm and blues americanos.
O estilo caribenho ganhou popularidade rapidamente nos Estados Unidos e Reino Unido, graças aos muitos imigrantes jamaicanos que chegaram ao país após a Segunda Guerra Mundial. Também se tornou música dos oprimidos, abordando temas sociais e políticos, a prisão e as desigualdades.
O reggae é indissociável do movimento espiritual rastafari, que sacraliza o imperador etíope Haile Selassie e promove o uso da maconha.
Em 1968, a canção "Do the Reggay" do grupo Toots and the Maytals foi a primeira a utilizar o nome reggae, um ritmo que depois conquistou grande êxito mundial graças aos clássicos de Bob Marley e seu grupo The Wailers, incluindo "No Woman, No Cry", "Stir It Up" ou "I Shot the Sheriff".
"O reggae é exclusivamente jamaicano", afirmou a ministra da Cultura antes da votação. "É uma música que nós criamos e que penetrou em todo o mundo".
Ao contrário da lista de Patrimônio Mundial, a de Patrimônio Cultural Imaterial não se estabelece segundo critérios de "excelência ou de exclusividade", de acordo com a Unesco. Não busca reunir o patrimônio "mais belo", e sim representar sua diversidade e destacar as artes e habilidades das diferentes comunidades.
Sem percebermos, colocamos a máscara do “católico” feliz, mas estamos alucinados como qualquer outra pessoa nas redes sociais
Vivemos em um mundo “filtrado”, em que a maior parte do vemos são publicações de corpos perfeitos, em alguma ilha tropical. Posts cheios de hashtags sobre beleza e sempre patrocinado por uma marca de um produto caríssimo.
Vislumbramos a mensagem de “vida perfeita” que as imagens transmitem e chegamos, por instantes, a acreditar que tudo é realidade. Dizemos para nós mesmos que sabemos que existe uma humanidade alucinada por trás de cada publicação. Mas, mesmo assim, somos enganados e chegamos a acreditar, por um instante, que somos os únicos que vivemos em crise, que as pessoas que seguimos nas redes sociais são, de alguma maneira, imundes.
Por isso, nós também tentamos fazer com que nossos corpos sejam ideais e nossa alimentação, chamativa. Vamos logo mostrando para o mundo que não estamos alucinados, enquanto as capas de revistas – cheias de filtros – nos trazem promessas vazias de aceitação.
A vida real se torna turva à media que começamos a buscar novos lugares de interesse, atrações, produtos e pessoas para elevar o nível de nossas publicações.
É verdade que, como católicos, nos esforçamos para sermos luz na escuridão de um mundo com filtros infinitos. Publicamos fotos com frases inspiradoras e testemunhamos como Deus mudou a nossa vida. Incluímos até um versículo bíblico na nossa bio do Instagram (mesmo que o tenhamos encontrado no Google).
Sem nos darmos conta, vestimos a máscara do “católico feliz”. Mas, na realidade, estamos alucinados como os outros.
O problema é o mesmo em ambas as situações: queremos ser notados, seja para nossas identidades enganosas ou para o nosso perfil católico.
Queremos mostrar que levamos a vida de católico corretamente. Queremos nos identificar, antes que os outros tenham a oportunidade de nos julgar. Mas isso nos leva a um sentimento de insuficiência.
O que significa, então, viver com autenticidade? Significa viver como somos, sem pretensões nem expectativas de sermos originais e sem rótulos. Significa viver na liberdade do que somos, não fazendo o possível para nos encaixarmos em algo que que não nos cabe.
Quando deixamos ir o que queremos ser e descobrimos Quem nos fez ser, entramos em contato com nosso verdadeiro ser. Mas como? Veja algumas dicas:
Junte-se a novos grupos, experimente vários passatempos e atividades, procure diferentes formas de oração e use uma roupa que te deixe seguro. Isso pode parecer insignificante, mas, na realidade, essas práticas nos permitem conhecer quem somos de verdade e descobrir um novo amor pelas coisas que, de outra maneira, não o encontraríamos;
Limpe suas redes sociais. Todos nósseguimos algumas pessoas simplesmente porque esperamos que algum dia chamaremos a atenção delas e obteremos sua aprovação. No entanto, você vai se sentir livre quando deixar de segui-las. Desfaça-se das imagens que são falsas e destorcidas. Elas podem te machucar;
Se você está magoado, pergunte-se o motivo e tente chegar à raiz do problema. Não tape o sol com a peneira nem fuja dele. Permita que a dor seja bem vivida e que vá sarando. Permita-se sentir o que você sente com liberdade;
A comunidade é essencial. Não há dúvida de que nos sentimos mais como nós mesmos quando estamos próximos de pessoas que realmente nos amam e desejam o melhor para nós. Quando nos rodeamos de pessoas que também lutam para serem autênticas, descobrimos um sentimento de pertença, confiança e liberdade.
Enfim, quando entregamos a Deus tudo o que somos, cada aspecto de nossa vida se torna mais verdadeiro. Peça a Ele que te revele o seu eu autêntico e deixe que Ele te guie para o que você foi chamado a ser. Seja você mesmo através Dele!
A gente fica se importando com o que não deve, ou não é da nossa praia e esquece de valorizar o que realmente interessa. ********** To..
A gente fica se importando com o que não deve, ou não é da nossa praia e esquece de valorizar o que realmente interessa.
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To me referindo a coluna de ontem, quando achei de comentar sobre a vitória do Palmeiras sobre o meu Vasco
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E deixei de divulgar o que realmente interessa à comunidade cultural do nosso estado em especial da capital Porto Velho.
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Entre os eventos que aconteceram e que merecem nossa total atenção foi a abertura do FLAMA ocorrida no Teatro Banzeiros que contou com a participação dos Corais Vozes do Madeira e Canto Livre respectivamente do Tribunal de Justiça e do Ministério Público de Rondônia.
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O evento contou com a presença do ilustre escritor e poeta baiano José Inácio, além de autoridades constituídas do município de Porto Velho.
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Pois é, assim foi a abertura do IV Festival de Literatura da Amazônia (Flama), na noite da última segunda-feira (26), no Teatro Banzeiros em Porto Velho.
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“É um evento muito importante, o segundo na gestão do prefeito Hildon Chaves. Estamos trazendo inclusive obras literárias e pessoas de renome nacional. É um momento importante também para conhecermos os escritores daqui e também um incentivo a mais para os estudantes, já que temos escritores mirins”, destacou o secretário municipal de educação César Licório, que na ocasião representou o prefeito.
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O escritor e poeta Alexandre Brito, que veio do Rio Grande do Sul, acompanha o Flama à distância desde a sua 1ª edição, “mas quando recebi o convite fiquei muito feliz porque acho muito bacana esse formato que o evento tem. Aqui tem a arte, a literatura, mas também tem as discussões sobre a arte de escrever e uma interação muito grande com a escola, com a leitura, com a formação de leitores”, frisou.
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“É bom que estejam proliferando eventos como esse pelo Brasil todo, pois são de uma importância fundamental na construção de um público leitor. Ainda mais com a presença de Alexandre Brito, que transita por todas as linguagens e por todas as idades para encantar as crianças e formar um público consumidor de cultura. O Flama é um festival de literatura, mas que dialoga com outras linguagens”, disse José Inácio, que pela 2ª vez participa do festival.
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Marcaram presença o Gerente da Divisão de Artes Escolar da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que é responsável pelo evento, Andrea Melo.
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O Flama traz para Porto Velho representante não só da Bahia e Rio Grande do Sul, mas também do Pará, Minas Gerais, Unir, dos Ministérios da Cultura e da Educação, entre outros.
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Até a próxima sexta (30), haverá apresentações musicais, palestras, performances poéticas, mini-cursos, exposições de artistas plásticos e rodas de conversas.
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Muitas outras atrações acontecem até sexta-feira, quando se encerrará o festival. As atividades iniciam sempre a partir das 8 horas.
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Por isso ´que se diz: Nunca é tarde, para se levantar a cabeça e ter a humildade de se redimir perante aqueles que lhes são caros.
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E tá chegando a hora de mais um “Tributo ao Menestrel” desta feita o homenageado será esse que escreve essa coluna que é chamado de Sílvio Santos ou Zekatraca
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Os ensaios estão acontecendo sob a direção do SILVINHO SANTOS. O show vai contar com a participação do Bado, Pastoras do Asfaltão, Lairton Rocha, Branko Moraes – Casca de alho, Zezinho dos Cobras, Bainha e Torrado.
******** As escolas de samba em reunião da Fesec decidiram que também participarão da homenagem ao Sílvio Santos levando passistas, porta-bandeira e mestre-sala e os interpretes de samba enredo. Vai ser o Bicho esse show!
Festa Literária irá homenagear o poeta Leandro Gomes de Barros, um dos mais importantes escritores de literatura de cordel do país — Foto: Reprodução/TV Globo
A primeira edição da Festa Literária acontece na cidade de Mãe D’Água, no Sertão paraibano, a partir desta quarta-feira (28). A Flima será realizada na Escola Estadual Francisco Romano da Silveira, que bateu as metas do Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico pela segunda vez consecutiva. A Festa acontece gratuitamente até sexta-feira (30).
O evento contará com palestras, apresentações musicais, oficinas de teatro, xilogravura e contação de história. Segundo o secretário de Estado da Cultura, Lau Siqueira, a Flima “é mais uma festa literária que nasce na Paraíba com o objetivo de estimular professores, alunos, comunidade escolar de um modo geral, escritores e artistas da região”, disse.
A Festa Literária irá homenagear o poeta Leandro Gomes de Barros, um dos mais importantes escritores de literatura de cordel do país.
Programação da 1ª Festa Literária de Mãe D'Água
Quarta-feira, 28/11
19h30 – Abertura: Palestra com o professor e poeta Antônio Mota Tema: Leandro: “O Rei da poesia do Sertão e do Brasil”
Apresentação Cultural com a dupla de cantadores repentistas “Os irmãos Pereira” e Concerto com o Programa de Inclusão através da Música e das Artes (PRIMA) - Polo Patos
Quinta-feira, 29/11
8h – Caminhada Literária pelas ruas da cidade
10h – Palestra com a Professora Ms. Shirley Monteiro Tema: Literatura: Fruição e engajamento
10h – Confabulando – Oficina de Contação de História, com Edna Soares
11h – Mediação e Leitura: “Qual o papel do professor?”, com Zuila Couto
14h – Palestra com o escritor Jairo Cezar Tema: Literatura e Infância: Estratégias e desafios para uma cidade leitora
14h – Oficina de Teatro com o ator e diretor Sebastião Formiga
15h – Confabulando – Oficina de Contação de História, com Edna Soares
19h – Apresentações Culturais:
- Apresentações dos trabalhos da Professora Vandecleide Cavalcante
- Apresentação das Escolas Municipais
- Banda de Flauta Doce “Melodia Sertaneja”
- Yure Cabral Voz e Violão
- Rafaela Ribeiro Voz e Violão e Júlio Percussão
- Espetáculo Teatral O Mágico de Oz nas terras do Sabugi. Alunos da Escola Santa Terezinha de São João do Sabugi–RN
Sexta-feira,30/11
8h30 – Oficina de Teatro com o ator e diretor Sebastião Formiga
9h - Oficina de Aquarela, com o professor Milton Davi
10h - Oficina de Xilogravura – Rosana Leão
11h – Palestra com Moisés Alves Tema: Por uma educação para os novos tempos
Durante todos os dias da Flima - Visita a Sala da Exposição dos desenhos de Mônica Moraes
14h – Oficina: Leitura Expressiva do texto literário, com Ariano Ferreira, professor e mestre em Língua Portuguesa
15h – Palestra com a professora Verônica Melo Tema: literatura: Uma janela aberta para reflexões acerca do meio ambiente
16h – Oficina de Literatura de Cordel com Ramon Medeiros
Nas prateleiras, ele acumula cerca de 40 mil títulos (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)
Você vai conhecer agora locais especiais para quem gosta de ler e de raridades. São os sebos, que apesar da tecnologia, ainda hoje são bastante frequentados.
Wilson pretende montar uma bela biblioteca em casa. Para isso, gosta de garimpar livros em sebos.
Fernando trabalha como livreiro há 35 anos, hoje na travessa Morada Nova, no Centro de Fortaleza. Nas prateleiras, ele acumula cerca de 40 mil títulos, entre clássicos da literatura nacional e estrangeira, livros infantis, didáticos, de idiomas, dicionários, gibis e cordéis, e muitos outros.
No local, o consumidor encontra edições antigas, como a Constituição de 1867, e raridades como o livro de ilustrações de Ademir Martins, que só teve mil cópias impressas. Além de vender, Fenando também troca, compra e até doa alguns títulos.
Outro sebo, na Rua 24 de Maio, no Centro, existe há 20 anos. É um dos mais tradicionais da cidade, com um acervo com mais de 200 mil títulos. O preço varia de R$ 2 a R$ 100. Mas tem quem passe só para ler de graça, e seu Geraldo não se incomoda.
São estantes a perder de vista. Ele abriga livros raros, como um de Afranio Peixoto datado de 1921.
Da rua e do rio, o cratense retira madeiras e objetos diversos, conferindo-lhes sonoridade.
Aécio de Zaira coordena projeto sociocultural no terreiro da própria casa, na cidade do CratoJr. Panela
Nas primeiras letras do nome de registro, Aécio já carrega consigo uma sequência de notas musicais. "A é Lá; E é Mi; C é Dó", destrincha, enquanto manipula um dos instrumentos fabricados por ele na casa-oficina em que reside no Crato. De Zaira foi o "sobrenome" que escolheu, emprestado da filha Iara. Com DNA cearense, o luthier apresenta-se humoristicamente como "carioca da beira do Rio Granjeiro". É desse curso d'água que passa por de trás do seu quintal, que ele retira o material para a construção de rabecas, violas, tambores, entre outras peças inventadas com a criatividade de quem cresceu no sertão, terceiro de dez irmãos, logo, sem tantos recursos.
O apreço pela arte veio da base. A mãe era cantora e atriz; o avô, violeiro. Sendo assim, não foi difícil que, aos 8 anos, Aécio já começasse a construir as próprias engenhocas musicais. O "violão de tala", feito com palha de coqueiro, foi a primeira delas. "Minha mãe dizia que ele durava pro resto da vida e mais seis meses", lembra entre risos. "Se não molhar e não queimar, ele nunca se acaba. Tenho peça de 20 anos guardada", conta o luthier.
Desde a infância, o cratense já enxergava a possibilidade de ganhar algo com essas "invenções", e olhe que ganhava mesmo. Ele trocava as peças que fabricava por moedas ou até mesmo biscoitos. E enquanto uns riam de mãos abanando, ele comemorava com seus "courinhos de rato" no bolso, como se refere a dinheiro até hoje.
Formação
Estudar naquele tempo era coisa rara. Aécio trabalhava como jardineiro para a professora, em troca do fardamento e da mensalidade, mas não prosseguiu no percurso da alfabetização, deixando a escola no primário. Nas ruas, porém, continuava estudando formas de transformar o que encontrava em instrumentos musicais.
Aos 12, construiu o primeiro violão de madeira. "Eu era tão desorganizado, não sabia nem o que era um violão, tanto que botei só quatro cordas. E a madeira era tão pesada, que tinha que ser duas pessoas pra pegar", lembra entre risos. Tocar era outra coisa distante. De vez em quando, aproveitava a presença dos colegas do pai que vinham beber em sua casa para aprender uma nota ou outra. A ida para São Paulo, onde viria a morar durante 14 anos, traria mais amadurecimento musical. No tempo que passou no Sudeste, fez mais de 40 cursos. Formou-se carpinteiro, marceneiro, pintor, mecânico, e também estudou música.
Em São Paulo, chegou a tocar com nomes referenciais, tais como Luiz Melodia, e quase viajou para fora do País, mas preferiu retornar à terra natal. De volta à região do Cariri, e com muita experiência na bagagem, o então luthier começou a vender instrumentos bem finalizados, negócio que vem sustentando a família há duas décadas.
Sustentabilidade
A arte pela arte, porém, nunca foi a intenção de Aécio de Zaira. Conectado à sua criação está um trabalho de cuidado e preservação do meio ambiente. "Todos os materiais eu encontro no lixo. Até eu tava lá", brinca. "Nesse rio, descendo aqui, já vi oito portas estragadas. As pessoas colocam dentro do rio pra entupir. Aí eu pego trago pra cá, tiro a parte estragada, e a outra parte, se eu vejo que dá pra fabricar um instrumento, eu fabrico", detalha. Faz o mesmo com outros móveis que encontra. Assim, todos os instrumentos com sua marca têm origem em materiais que reaproveita.
Imitador de sax, Apollo 11 e Tartaruga Som são algumas das invenções dele nomeadas a partir das características estéticas ou sonoras que as obras apresentam. Até mesmo tambor sem pele animal Aécio fabrica. "Eu sempre fui contra sacrificar os animais. Aí a gente coloca uma borracha de chinelo, parafuso. O som é perfeito. É feinho, mas parece com nós", diverte-se.
Não é sozinho que o artista desenvolve tudo isso. O auxílio da família (ele tem até um filho músico, Jorge) de amigos e de crianças que atende por meio de uma ação sociocultural que coordena no terreiro da própria casa, fortalece a criação diariamente.
Social
Com o Projeto Cultural Edite Mariano (Procem), nome da sogra, o luthier e a esposa, Tereza, oferecem aulas de música, maracatu e fabricação de instrumentos para cerca de 40 crianças nos fins de semana, além de um sopão para as pessoas mais carentes, um sábado por mês, há 22 anos.
Aos 62, Aécio de Zaira queria mesmo era ter 65 para já poder se aposentar e, com o dinheiro, investir em melhorias no quintal de casa para poder receber mais gente. "Nós estamos lutando para cobrir esse espaço, que é o balcão onde ficam os instrumentos e as oficinas. Quando chove, molha tudo. Aí lá embaixo é o sol. Aqui não é lotado de criança, porque a gente não tem onde colocar. Na semana, não tem estrutura, não tem lanche", desabafa.
Toda a renda vem da venda de instrumentos, cujos preços podem variar de R$ 50 (pau de chuva) até R$ 1.000 (rabecas), além de cachês de apresentações. "Gostaria que as autoridades vissem mais a gente, conhecessem mais, viessem procurar, até porque se eu tivesse um salário como muitos têm, de mestre da cultura, facilitava pra gente trabalhar", aponta. Inscrito no último edital da Secult pelo colega de trabalho Zé Airton, o cratense ficou entre os classificáveis, mas, assim como ele, muitos estão na fila.
A quem passa pelo seu quintal, no bairro Zacarias Gonçalves, ele transmite um pedido: "ajude nem que seja só com a vibração". É que também aprendeu com a mãe que "a troca é tudo". E amor é a primeira coisa que o artista tem para oferecer.
Serviço
Oficina de Aécio de Zaira Endereço: Avenida José Horário Pequeno, 39, Bairro Zacarias Gonçalves, Crato, Ceará. Contato: (88) 99649.3268/ aeciodezaira@gmail.com
Exposição
Desde o dia 16 de novembro, o luthier cratense está com a exposição “Cordas – Aécio de Zaira” exposta na unidade Sesc do Crato (Rua André Cartaxo, 443, Palmeiral). A abertura aconteceu durante a Mostra Sesc Cariri de Culturas, encerrada no último dia 20. Rabeca, violino, viola, violoncelo, alaúde, harpa, lira, violão grego, guitarra havaiana, contrabaixo e instrumentos de cabaça são algumas das obras que figuram na exposição. Ela ficará aberta à visitação até o final de dezembro, de segunda a sexta, de 8h às 20h; e aos sábados, de 8h30 às 12h.
*A jornalista Roberta Souza viajou ao Cariri a convite do Sesc Ceará