DUELO HONRADO

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Heitor era o príncipe encarregado de comandar o exército troiano e os aliados contra as forças gregas. Respeitado guerreiro e homem honrado, Heitor irradiava coragem e bravura no campo de batalha.
Ájax Telamônio, era filho do rei de Salamina, Telamon. Na guerra de Troia, aliado dos gregos, era um guerreiro forte e habilidoso, além de possuir uma estatura magnífica, por isso mesmo, bastante temido.
Certa feita, com a retirada de Aquiles dos combates, uma vez que Agamenon mandara buscar em sua tenda, a amada escrava Briseide, causando sua ira, Heitor e Ájax Telamônio travaram um duelo.
Travar combates com guerreiros ilustres era uma honra para qualquer soldado. Era assim que Heitor e Ájax se sentiam, eufóricos e privilegiados por lutarem com um oponente de igual ou maior valor.
Heitor, na ofensiva, deixa claro a Ájax: “não quero atacar com nenhuma artimanha um inimigo como és, mas, lealmente, tentar alcançar-te”.
A luta entre os dois guerreiros é intensa, difícil, perigosa. As longas e brilhantes lanças de Heitor e Ájax Telamônio voam, mas esbarram nos fortes escudos de bronze de cada um. 
Heitor é ferido no pescoço e continua a lutar, agora, agarra uma pedra e joga em seu oponente. Ájax, com força infinitamente superior, apanha uma pedra enorme e atira contra Heitor, levando-o ao chão. Heitor não desiste e continua resistindo, se levanta e saca a espada, sendo tal gesto imitado por Ájax Telamônio.
Nesse ínterim, dois arautos, do lado grego e troiano, a mando do próprio Zeus, interferem na batalha e dizem para que os contendores ponham um fim ao duelo. 
Com o fim do duelo, Heitor oferece à Ájax Telamônio uma belíssima espada e sua bainha. Este, por sua vez, oferece ao príncipe troiano um fabuloso cinto cor púrpura.
Nenhuma luta é fácil, e é melhor que não seja, pois torna o embate mais emocionante, a vitória mais doce ou a derrota menos amarga.
O que faz uma batalha ser dignificante, é o fato de seus contendores, a despeito das diferenças, lutarem com lealdade, com bravura, sem uso de artifícios, de artimanhas.
Independentemente de nossas motivações, o oponente deve ser sempre respeitado. E terminado o duelo, as mãos devem ser estendidas um ao outro, para que o vencedor e o perdedor aceitem o resultado.
Que nossas batalhas ao longo da vida sejam belas, porque respeitados os nossos opositores; que sejam justas, porque travadas com honra e lealdade; que sejam comemoradas, porque obtidas mediante merecimento.

Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

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