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"Recordar: voltar a passar pelo coração"

Mayara Monte/ Divulgação
Mayara Monte/ Divulgação
Rememorar cheiros, texturas, sabores e colorações: é nos cinco sentidos em que o coração se esbalda. Além de encher os olhos, a fotografia costura um precioso bordado entre o presente e o passado. No epílogo do seu O Livro dos Abraços, o escritor uruguaio Eduardo Galeano lembra que o termo "recordar" vem do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração.
"Eu tenho tendência a gostar de tocar nas coisas, de sentir, de cheirar", revela Luciana Santos, 28, que é analista de conteúdo digital, mas, na era do amor virtual, acredita que a memória vai muito além do que os megabytes podem medir.
"Quando era criança, comecei uma coleção de fotos 3x4", conta Luciana. "Guardo todas até hoje. Gosto de olhar pras fotos e ver como as pessoas que eu conheço mudaram, de comparar a evolução, de imaginar as histórias das que eu não conheço, pensar como foi o dia dela e o motivo de ela ter saído com uma cara esquisita na foto. No geral, fotografia física me dá um sentimento bom de nostalgia. Sou aquela pessoa que chega na casa dos outros e ama quando a mãe do amigo vem com aquele álbum enorme mostrar as fotos antigas".
O apelo imagético em um mundo cada vez mais veloz - e esquecido - é tamanho que o site de rede social Facebook criou a ferramentas como "Neste dia", para permitir acesso do usuário aos conteúdos publicados naquela data em anos anteriores. Já no feed do Instagram, as quinta-feiras são tomadas por fotos antigas com a hashtag #tbt, que significa Throwback Thursday. É o dia de voltar ao passado e compartilhar suas lembranças com os seguidores.
Para Rafael Rodrigues, professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), as imagens têm um ofício fundamental na construção de narrativas de si e nas demais sociabilidades nesse cenário de redes virtuais. "A imagem cumpre um papel de múltiplas facetas, mas também entra como elemento bastante controverso: vai servir tanto como elemento de valor informativo - posso ver sua foto passeando no parque com um cachorro - e, ao mesmo tempo, cumpre um papel de simulacro ou de encenação. A imagem é uma espécie de dramaturgia mesmo, porque serve para construir narrativas mais ligadas às questões das subjetividades", explica o pesquisador.
O advento da tecnologia apresentou benesses e desafios: se ficou mais fácil e acessível fotografar e armazenar as imagens nas redes, a relação entre memória e descartabilidade também se acentuou. Entretanto, longe de saudosismos, é possível unir o digital na luta contra o esquecimento.
Luciana encontrou a solução nos serviços da empresa curitibana Phosfato (www.phosfato.com.br), que oferece três pacotes de revelação e envio de fotos coletadas nas redes sociais dos assinantes. "Eu fico super empolgada todo mês, quando chega um pacotinho novo, e louca pra abrir logo e descobrir quais fotos eles enviaram. Essa surpresa é muito bacana, e amo ficar recordando os momentos dos registros".
Criada pelos engenheiros Rogério Augusto e Rafael Mendonça com o especialista em branding Murilo Klocker em 2015, a Phosfato já tem mais de 15 mil assinantes em todo o País. Segundo Murilo, "pra gente, é importante entender que a Phosfato não imprime fotos. Existe um gap muito grande entre uma foto revelada e uma impressa, desde o cheiro, o toque, a qualidade, as cores? A gente trabalha com a memória das pessoas, algo que elas não tavam conseguindo cuidar, então a gente tinha cuidar. Embora uma foto seja estática, ela é viva! Talvez a função da Phosfato seja trazer novo essa função: cuidado, as memórias são vivas!".

O Povo

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