FORUMDOC.BH.2018 exibe 65 filmes nacionais e internacionais

Evento também conta com mostra dedicada ao Cinema Brasileiro e de Afro-religiões.
Atlântico Negro - Na rota dos orixás.
Atlântico Negro - Na rota dos orixás. (Divulgação)

Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte, que teve início no dia 22 de novembro e vai até 2 de dezembro, apresenta produções e temáticas diversificadas para debater questões em torno da relação entre cinema brasileiro e afro-religiosidade, bem como colocar em debate a realização recente através de suas mostras contemporâneas Brasileira e Internacional. Destaque para as sessões especiais que contarão com filmes premiados nacional e internacionalmente: Temporada (dirigido por André Novais Oliveira, Brasil, 113', 2018) e Chuva é cantoria na aldeia dos mortos (dirigido por João Salaviza e Renée Nader Messora, Brasil/Portugal, 114', 2018).
Dando continuidade ao seu tradicional escopo (exibir, debater e colocar em evidência produções que abordam diversas perspectivas autorais e culturais), o forumdoc.bh volta a apresentar uma programação intensa comemorando 22 edições consecutivas. Realizado pelo coletivo Filmes de Quintal, com participação dos programas de pós-graduação em Antropologia e Comunicação da UFMG, o festival será realizado até o dia 02 de dezembro no Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes e na FAFICH/UFMG, com sessões de cinema gratuitas, além do seu tradicional fórum de debates que compreende sessões comentadas e um seminário associado à mostra principal e ao VII Colóquio Cinema, Estética e Política. Esta edição proporcionará ao público a exibição de mais de 60 filmes documentais e obras que com este gênero dialogam. A programação se organiza em três mostras: Ebó Ejé - Cinema Brasileiro e Afro-religiões, com 24 filmes; Mostra Contemporânea Brasileira, com 23 filmes, e Mostra Contemporânea Internacional, com 12 filmes, além de Sessões Especiais, com 6 produções, e um Seminário/Colóquio com 6 encontros.
Na sessão de Abertura, dia 22 de novembro, quinta-feira, às 19h30, será exibido o curta Abá (4’, 1992), com direção de Raquel Gerber, Cristina Amaral, e o longa Orí (91’, 1989/2009), de Raquel Gerber, ambos integrantes da mostra temática. A sessão será comentada pelas realizadoras Cristina Amaral, Raquel Gerber e a liderança Makota Valdina.
A Mostra Ebó Ejé: Cinema Brasileiro e Afro-religiões, pretende discutir as diversas modalidades de representação das religiões de matrizes africanas no cinema brasileiro moderno e contemporâneo. O objetivo é construir uma espécie de história possível do cinema aqui realizado, levando-se em conta as mais representativas formas de figuração da presença do negro em nossa sociedade. Os filmes como testemunhas do poder das cosmologias em questão em constituírem-se como figurações das relações raciais - bem como das relações de poder e opressão no Brasil. Nossa proposta curatorial pretendeu associar documentários e ficções, realizando uma espécie de corte vertical que atravessa as últimas cinco décadas de produção cinematográfica, tendo como foco trabalhos que filmam ações, performances e espaços interiores, tais como os ritos e os locais onde se desenrolam. A curadoria buscou obras que privilegiam um olhar interior às comunidades e povos de terreiro, em sua pluralidade de expressões. Destacamosas seguintes sessões comentadas: exibição de Jubiabá (1987, exibição em 35mm), de Nelson Pereira dos Santos, que contará com debate com o professor carioca Hernani Heffner; Exu mangueira (1974), seguido de debate com o realizador Jom Tob Azulay; e Egungun (1982, Carlos Brajsblat) comentada pela liderança Nilsia Lourdes dos Santos.
Já a Mostra Contemporânea Brasileira conta com 23 filmes entre médias, longas e curtas metragens brasileiras finalizados entre 2017 e 2018. A comissão buscou reunir filmes que, diante das urgências e das formas afirmativas de resistir e existir, apresentaram estratégias de reflexão sobre a própria imagem que criam e provocam o espectador a deslocar o olhar, procurando um reposicionamento e uma atitude interrogativa diante do que é mostrado. Cientes de que a seleção é circunstancial, a curadoria da mostra oferece ao espectador um conjunto de filmes inquietos e ensaísticos que representam, se não a integralidade das lutas, a forma como estas agitam o debate no fazer cinematográfico. São documentários que reiteram o direito dos povos à existência, dentro das suas próprias maneiras de contar, com destaque para filmes de realizadoras e realizadores negros que têm ganhado cada vez mais destaque no circuito dos festivais conquistando prêmios importantes nas categorias de curta e longa-metragem. Contamos ainda com um conjunto de textos inéditos escritos especialmente para o catálogo do forumdoc.bh.2018 a ser disponibilizado na versão impressa e on-line. Da mostra, destacamos os filmes: as estreias em Belo Horizonte de Auto de resistência (Natasha Neri, Lula Carvalho, 104', 2018) o documentário mostra a violência praticada pela polícia nas comunidades do Rio de Janeiro; Bloqueio (Victoria Alvares, Quentin Delaroche, 75’, 2018), acompanha a greve de caminhoneiros em 2018 por melhores condições de trabalho; Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados (Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo, Pedro Maia de Brito, 23’, 2018), premiado como melhor curta na 51º edição do Festival de Brasília, que mostra o momento em que famílias ocupam um terreno abandonado para construir suas casas; Deekeni - os olhos de Wiyu (Júlio David Rodrigues, José Cury, 77', 2018), foi produzido pelos ye'kwana, um dos povos indígenas que vive na Terra Indígena yanomami (TIY), sendo esse o primeiro filme autorizado por eles para sair da comunidade; e Noirblue - deslocamentos de uma dança (Ana Pi, 27’, 2018), no qual a realizadora mineira se reconecta às suas origens através do gesto coreográfico.
Já a Mostra Contemporânea Internacional, composta por 12 títulos, é resultado de pesquisa nas principais esferas de exibição cinematográficas internacionais. Essa metodologia de pesquisa procura ampliar o escopo da nossa programação estrangeira, possibilitando que obras cruciais, de cineastas estreantes ou notórios, cheguem à cidade. Ela é fruto do desejo de abarcar contextos díspares na busca por múltiplos caminhos para se pensar o cinema hoje. Seria redutor englobar filmes tão distintos sob uma mesma linha norteadora, seja ela um guarda-chuva temático ou um único regime de enunciação. No entanto, a costura que talvez nos permitiu agrupá-los numa mesma mostra reside justamente nos seus gestos particulares de criação: o que cada um apresenta de singular em termos de invenção de formas, na lida com os sons e imagens que atravessam a relação com um "’real" documentado, recontado, filmicamente inventado. Da mostra, destacamos os filmes: Gens du lac (18', 2018, Gente do lago), novo curta do consagrado diretor francês Jean-Marie Straub; Kinshasa Makambo (75’, 2018) que retrata a luta por eleições livres na República Democrática do Congo; Futebol Infinito (70’, 2018, Dieudo Hamadi), documentário do influente diretor romeno Corneliu Porumboiu; e Espécies selvagens (Wild relatives, 70’, 2018) da palestina Jumana Manna, que aborda as transações de sementes entre locais díspares do planeta.
As Sessões Especiais do festival trazem importantes estreias na cidade: o premiado Temporadado cineasta natural de Contagem André Novais Oliveira, (113', 2018), exibido no Festival de Locarno deste ano e vencedor do 51º Festival de Brasília; Chuva é cantoria na aldeia dos mortos (114',  2018), co-produção Brasil/Portugal, realizada por João Salaviza e Renée Nader Messora na aldeia Krahô de Pedra Branca, premiada no Festival de Cannes e Festival Internacional do Rio em 2018; o documentário musical capixaba Diante dos meus olhos (81’, 2018) dirigido por André Félix; e os longas ficcionais de três diretores de Belo Horizonte: Baixo Centro (80’, 2018), de Ewerton Belico e Samuel Marotta; e Os Sonâmbulos (110’, 2018), de Tiago Mata Machado. Todas as sessões especiais são seguidas de debate com os realizadores.
Acompanha a mostra Ebó Ejé um Seminário que reunirá lideranças religiosas e políticas de comunidades de terreiro, cineastas e pesquisadores para debater a relação entre o cinema documentário brasileiro e as religiões de matriz africana, além dos modos de organização política e resistências negras no Brasil. Os encontros do seminário acontecem até o dia 29 de novembro, sempre às 14h no Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes. Nas manhãs dos dias 27 e 28 de novembro o forumdoc.bh também recebe a programação do VII Colóquio Cinema, Estética e Política (UFMG) que apresenta duas sessões comentadas por realizadores indígenas e uma mesa sobre arte, performance e afro-religiões.
Serão abertas inscrições online para o seminário/colóquio no site do festival até 21/11 e o número de vagas está sujeito à lotação do espaço.
FORUMDOC.BH.2018 - 22º FESTIVAL DO FILME DOCUMENTÁRIO E ETNOGRÁFICO DE BELO HORIZONTE

Locais: 
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes

Endereço: 
Av. Afonso Pena, 1.537

FAFICH (UFMG)

Endereço: 
Av. Pres. Antônio Carlos | 6.627 | Pampulha

Período: 
22 de novembro a 2 de dezembro

Entrada gratuita

Informações para o público: 
(31) 3236-7400

Fundação Clóvis Salgado

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