Pular para o conteúdo principal

Grupo une teatro, artes e literatura para mostrar engrenagens cênicas

Grupo une teatro, artes e literatura para mostrar engrenagens cênicas
Uma voz computadorizada, como aquela do sistema de traduções do Google, dá as coordenadas: "Você chegou à área de serviço. À área de vir a ser. Vire-se".

Pode soar um tanto artificial, ainda que poético, mas é exatamente a mistura que acontece em "Máquinas do Mundo", novo trabalho da Mundana Companhia.
Não se trata apenas de teatro, mas de uma mescla dele com literatura e artes plásticas. A ideia é pôr à mostra todas as engrenagens das artes cênicas, de atores à iluminação, da música à dramaturgia.
"Queríamos criar um trabalho em que as nossas áreas [mais técnicas] tivessem autonomia", afirma a cenógrafa Laura Vinci, que teve a ideia inicial para o projeto.
Trata-se de uma espécie de instalação, montada no espaço expositivo do Sesc Pinheiros. Durante o dia, fica aberta para visitas do público.
Já nas noites de quinta a sábado, recebe sessões de um espetáculo, no qual dois atores (Luah Guimarãez e Roberto Áudio) e um bailarino (Wellington Duarte) dialogam com a cenografia, a iluminação e a dramaturgia, que parte de três obras da literatura nacional:
"A Máquina do Mundo", de Carlos Drummond de Andrade; um trecho de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis; e um capítulo de "A Paixão Segundo G.H.", de Clarice Lispector.
"São três textos que trazem uma visão de mundo totalizante, que atravessa os tempos", diz Vinci sobre a escolha.
Os trechos surgem em em áudio gravados pelos atores e pelo compositor e professor de literatura José Miguel Wisnik, que auxiliou na concepção de "Máquinas do Mundo".
Acompanhado dos áudios, os intérpretes circulam pela instalação, criando novas formas e movimentos. Áudio, por exemplo, demora-se em construir uma estrutura contínua no chão do espaço, utilizando pedras retangulares, processo que lembra a construção sistemática de Lispector na escrita dos capítulos de "A Paixão Segundo G.H."
Luah se alterna em momentos contemplativos, enquanto Duarte contorce-se ao longo do espaço, em movimentos ora curtos, ora explosivos.
Mas a proposta é que a instalação possa receber interferências dos atores, mesmo fora dos horários das sessões. "No fim, tudo é uma coisa só, tudo faz parte da mesma engrenagem", afirma a iluminadora Alessandra Domingues.
A fluidez também está na direção do trabalho, que não é centralizada, mas diluída entre os integrantes do grupo. "Esse papel de diretor circula entre a gente, e não determinado quando um ou outro assume", continua Domingues.
Além da instalação e do espetáculo, haverá ateliês e um encontro sobre literatura com Wisnik, no dia 1º de dezembro.
Em janeiro, o projeto estreia uma segunda parte, "MedeaMaterial". Idealizado pelo ator Aury Porto, será um espetáculo que utilizará o mesmo espaço e terá participação do diretor Márcio Aurélio.
MÁQUINAS DO MUNDO
ONDE : Sesc Pinheiros - espaço expositivo (2º andar).
ESPETÁCULO: qui. a sáb., às 20h30; até 8/12; R$ 7,50 a R$ 25; 16 anos.
INSTALAÇÃO: ter. e qua., das 10h30 às 21h30, e qui. a dom., das 10h30 às 18h; até 9/12; grátis; livre.
Com informações da Folhapress.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

O Natal em Natal (RN), a capital potiguar fundada em 25 de dezembro de 1599

Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto 'O Natal em Natal'.
Considerada uma das maiores e mais bonitas do Brasil, a Árvore de Natal instalada no bairro de Mirassol encanta a natalenses e turistas. (Alex Regis/ Secom Natal)
Os moradores da capital do Rio Grande do Norte têm um motivo a mais para se alegrar e vivenciar esta época do ano. Afinal, eles celebram o “Natal em Natal”. Aliás, a capital potiguar recebeu este nome devido a data da sua fundação: 25 de dezembro de 1599. Neste mês, a cidade se reveste de enfeites e de festas culturais, através do projeto “O Natal em Natal”, promovido pela prefeitura municipal. Ao todo, segundo a prefeitura, são mais de 40 eventos que contemplam dança, música, teatro, audiovisual, artesanato, gastronomia e outras manifestações culturais.
Na zona sul da capital, foi acessa, no dia 3 de dezembro,  a tradicional “árvore de Mirassol”, com 112 metros de altura, ornamentada com enfeites nos formatos de …

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…