29 de setembro de 2018

Reunião ordinária mensal da AMLEF - 29 de Setembro 2018

Aconteceu hoje, 29 de Setembro de 2018, mais uma reunião ordinária mensal da AMLEF - Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, na sede do Palácio da Luz, sob a presidência do Acadêmico Dr. Régis Frota e a presença dos patronos e acadêmicos.













Membro da ACL, professor Genuíno Sales morre aos 80 anos




genuino
Piauiense de nascimento, Genuíno Sales chegou a Fortaleza em 1961, aos 23 anos e se formou em Direito pela UFC. ( Rogério Lima/Divulgação )
Morreu neste sábado (29), aos 80 anos, o professor Genuíno Sales, membro daAcademia Cearense de Letras (ACL) e da Academia Cearense de Língua Portuguesa. O ocupante da cadeira 9 da ACL faleceu vítima de complicações de pneumonia, mas já sofria há alguns anos com Mal de Parkinson.
Genuíno, piauiense de nascimento, chegou a Fortaleza em 1961, aos 23 anos. Estudou Direito na Universidade Federal do Ceará (UFC), quando foi contemporâneo do atual presidente da ACL, Ubiratan Diniz de Aguiar. Genuíno Sales também foi professor do Colégio Farias Brito.
Sales também foi contista e poeta, tendo publicado os livros Bem na Safena (2000), EntreMentes (2003) e Fins D'água (2005). 
Segundo Ubiratan Diniz de Aguiar, a Academia Cearense de Letras disponibiliza sua sede para o velório, mas a família ainda não divulgou os horários e os locais sobre o funeral e o enterro.
Diário do Nordeste 

Escritora cearense Natércia Campos completaria 80 anos neste domingo (30)

por João Soares Neto - Especial para o Caderno 3
Natércia Campos
Natércia Campos na ocasião de sua posse na Academia Cearense de Letras (ACL), em 2002
Permito-me escrever no presente, amiga Natércia. Como se você estivesse aqui - e quem ousa dizer: não está? - e auscultasse o coração de cada de um de nós. Você vive. Vive nos filhos concebidos, criados e já ramificados em outras vidas. Nos amigos cultivados, nos livros bem urdidos e festejados.
Nesse tempo todo de viver, se conhece muita gente. Algumas são especiais. É seleção natural, não adianta forçar. Nestes seus 80 anos, estamos juntos. O válido na amizade é o selo do entendimento sem mentira, trama, desonestidade ou interesse. É, acima de tudo, o enlevo de saber-se ligado, legitimado, sem ser usado.
Amigos despejam bálsamos na ebulição da nossa desventura. Funcionam como moderadores e podem até fazer ar de censura, sem dizer palavra. Você é isso. Não é amigo quem fuxica, intriga, ostenta, disputa, bajula e açula.
Ter amigos como você é uma bênção. São como escudos a nos proteger na noite das fogueiras da vida. Vão ao encontro das águas não convertidas em lágrimas. Têm conhecimento de nossas fraquezas e limitações, mas não tripudiam sobre elas. Ao contrário, transmitem a sua força.
Entre os poucos amigos escolhidos ou os da vida, com a sua mão imponderável nos dá, há sempre alguém, em determinado momento, a precisar de mais cuidado. Essa é a hora de estar junto, sem carecer ser alertado ou cobrado. Daí ser sempre bom não alardear o feito, o dito e o sentido. Achega-se e deixa-se envolver na energia da benquerença a transmitir sentimentos e atitudes.
O tempo sempre põe as coisas no lugar e a incerteza, própria condição de se estar vivo ou do morrer, não deve nos afligir, mas consolidar raízes e um legado de confiança mútua. Tem, pasmem, olhos de ver.
Outra mulher com olhos de ver, Florbela Espanca, das terras de Camões, onde você pisou com sutileza, disse: "Fui pela estrada a rir e a cantar, as contas do meu sonho desfiando... E noite e dia, à chuva e ao luar, fui sempre caminhando e perguntando...".
Essa é você, sem tirar, acrescentando a sua escritura. As mulheres de olhos de ver de verdade. Iluminuras. Abrem os olhos e vão em frente. Há argueiros e é preciso chorar para limpar a vida e a vista, mudando a cor da paisagem existencial.
Há tanta coisa a fazer e a dizer, queiramos ou não. É preciso serenidade e continuar lutando com as munições possíveis. E claro, seremos interrompidos. Interromper significa conviver com rupturas e deságues. Precisamos ir, desvendar o vir a ser. Importa não, estamos a caminho da porta do insondável e a maçaneta não tem tranca. Entraremos, a casa é de todos.
Apesar de nossas incertitudes, alicerçamos falésias imaginárias nos protegendo das ressacas das nossas almas. Cada um faz o seu caminho e tem o seu quinhão, conforme as contas do eterno na brevidade do existir. Diz o Eclesiastes, no seu prólogo. "Tudo é vaidade. Vaidade das vaidades". Sei mais nada não. Vivemos juntos essa amizade pouco ruidosa, intensa e plena como amigos, Há noite nas nossas almas. Parabéns.
João Soares Neto é escritor
Diário do Nordeste

Haicais

Paulo Eduardo Mendes*
Os verdadeiros poetas versejam na elegância das colocações literárias de alto nível. Jackson Albuquerque surge em "Mais Haicais e Cinquains" sonorizando um canto de poemas tecnicamente formados para luzir na simplicidade do seu talento. São versos simetricamente formados em estilo próprio de quem vive a literatura no clima da inspiração pura.
Livro recheado de palavras "doces, ternas, afetivas" visando transmitir as belezas sentimentais que as emoções tentam preencher nos vazios da alma em trânsito na vida. Jackson consegue a sublimidade de versos na forma belíssima de acomodá-los em "Haicais e Cinquains". Arte dos sensíveis e estudiosos da temática poética. Desabafos de cadência no sentido de cantar saudades.
"Mais Haicais e Cinquains" nos brinda com o verbo do encantamento. Singeleza de versos dentro da sistemática própria dos que se agigantam nas letras. O autor dos versos integra o elenco da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (Amlef). O acadêmico Jackson Albuquerque tece seus versos na categoria dos inspirados que se aglutinam na espontaneidade do crescimento intelectual da simplicidade.
Versejar em haicais e cinquains revela o pendor de poetar respeitando as regras da elaboração de versos perfeitos. Livro dos bons que nos faz recordar as aulas do Colégio 7 de Setembro e o estímulo para as letras que o Jackson tão bem assimilou e caminha altaneiro no afã de declamar e repassar o que aprendeu desde as bancas escolares. A produção poética do autor bem revela o seu entusiasmo de preservar a cultura do nosso povo.
*Jornalista

28 de setembro de 2018

Crimes perfeitos?

Gonzaga Mota*
Não existe crime perfeito, bem como ninguém, a não ser em legítima defesa, pode tirar a vida de uma pessoa. A vida é um dom de Deus, e somente Ele sabe o momento de extinguí-la. Por sua vez, examinando-se casos concretos, vivenciamos, atualmente no Brasil, um clima de significativa insegurança. Milhares de brasileiros e brasileiras são assassinados por ano de forma cruel e covarde. O pior é que a maioria desses crimes, apesar do esforço de alguns, não são sequer investigados e esclarecidos. As causas são várias: roubo, passional, vingança, drogas, bebidas alcoólicas, etc. Ademais, existe uma forma de infração extremamente lamentável numa sociedade dita democrática. É o crime de natureza política. Aconteceram vários nos últimos anos no Brasil. Recentemente, duas atrocidades, com repercussão internacional, ocorreram. A sociedade brasileira deseja e tem o direito de saber as razões e os envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson, bem como do atentado, quase fatal, ao deputado federal Jair Bolsonaro. Ambos políticos e com perspectivas promissoras. É triste, mas somos irmãos vivendo num ambiente onde o ódio se destaca e o amor vem desaparecendo. Lembremo-nos de Shakespeare: "Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor". É claro que a única luta que devemos admitir é a democrática, pacífica e livre. Será necessário apelar para o escritor Conan Doyle, falecido em 1930, e pedir-lhe que Sherlock Holmes e seu caro amigo Watson resolvam, pelo menos, os casos Marielle e Bolsonaro?
*Professor aposentado da UFC

Natércia Rocha lança livro sobre Juarez Barroso

Por Eduardo Pontin - Especial para o Caderno 3
Juarez Barroso
Juarez Barroso, cujos trabalhos presentes no livro organizado por Natercia Rocha mostram-se autênticos manifestos
O tão sonhado livro sobre samba e choro que o escritor cearense Juarez Barroso não escreveu, mas foi construindo ao longo de sua atuação na imprensa carioca, finalmente ganha forma e é publicado, pouco mais de 40 anos após a sua morte.
Reunindo 30 textos sobre música popular brasileira, escritos entre 1960-1976 para periódicos do Rio de Janeiro, "Juarez Barroso: O Poeta da Crônica-Canção" chega às livrarias com a mesma originalidade e pujança de quando os seus textos foram feitos. Em Fortaleza, a obra está disponível na Livraria Lamarca (Benfica).
Conhecido por seu premiado livro de contos "Mundinha Panchico e o Resto do Pessoal" (1969), Barroso também foi um apaixonado pesquisador de nossa música popular, porém nunca chegou a publicar em vida uma obra sobre o assunto.
No presente livro, organizado pela jornalista Natercia Rocha e publicado pela Editora Substânsia, os trabalhos de Juarez se mostram autênticos manifestos. O ensaio "A propósito de Samba" (1960), por exemplo, é o texto inaugural de uma nova geração de pensadores da música popular brasileira.
Foi fortemente influenciado por este ensaio o expoente máximo dessa geração, José Ramos Tinhorão, à época autor inédito, hoje com 30 livros publicados. Essa geração se pautaria pela sustentação sociológica em detrimento à simples documentação de dados, sem qualquer tipo de análise crítica.
Por ser um escritor ficcionista, Juarez criava personagens por ofício, por isso analisou como um esteta os personagens de sambas em "Geraldo Pereira: Professor de Samba - Professor de Vida - Professor de Amor".
Neste ensaio, Barroso eleva a criação popular feita na esquina da Praça Tiradentes, no Rio, à condição literária e examina detalhadamente as letras de sambas como "Até hoje não voltou" e "Brigaram pra valer".
No último ano de sua vida, Juarez tornou-se ele mesmo um personagem atuante da música popular brasileira. Foi assim que, em meados de 1975, fundou o Clube do Choro, junto a grandes chorões como Altamiro Carrilho, César Faria, Dino e Copinha. O Clube do Choro visava a revitalização desse gênero através de apresentações fixas. As ideias ali disseminadas até hoje ressoam nos jovens movimentos que persistem com esse ritmo. Esses saudosos encontros estão registrados no capítulo "Estudos de Choro".
Também foi Juarez fundador do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, idealizado pelo sambista Candeia, em 1975. Barroso documentou a reunião fundadora dessa agremiação, com o ensaio "Quilombos - Nasce uma nova escola de samba".
Os ideais pregados pela Quilombo persistem hoje por meio do movimento de samba de terreiro que nasceu em São Paulo e começa a se espalhar por todo o País, com relevo aos agrupamentos paulistas Glória ao Samba, Terreiro de Mauá e Terra Brasileira. Juarez Barroso, Edigar de Alencar e Nirez são os maiores pesquisadores cearenses da música popular brasileira. A parte que cabe a Juarez está comprovada nesse ótimo livro, um convite à história de nossa música, por quem a viveu intensamente.
INFO

Diário do Nordeste

Escola Superior de Advocacia do Ceará lança livro hoje na Capital


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Os advogados autores de "O Ordenamento Jurídico e a Dinâmica do Tecido Social no Estado de Direito" trazem uma visão jurídica dos problemas contemporâneos
A Escola Superior de Advocacia do Ceará (ESA/CE) lança, nesta sexta-feira (28), o livro "O Ordenamento Jurídico e a Dinâmica do Tecido Social no Estado de Direito". O lançamento ocorre no auditório da nova sede da instituição, no bairro Edson Queiroz, marcando a estreia do selo da Editora da Escola, bem como uma ação de comemoração pelos 30 anos da fundação, idade compartilhada com a Constituição da República Federativa do Brasil. Os organizadores da obra são os advogados Marcell Feitosa, também diretor executivo da ESA/CE, Ricardo Bacelar e Vanilo Cunha de Carvalho Filho. O livro é composto por 11 artigos. "São visões da jovem advocacia sobre problemas jurídicos contemporâneos. Essa publicação dá voz a advogados recém-formados, que têm novas perspectivas para o mercado de trabalho", diz Ricardo Bacelar.
Ciente de que a constante renovação dos estudos jurídicos se faz imprescindível, Marcell Feitosa pondera que "o pensamento científico, bem como a própria conformação da Lei somente encontra sentido com a observância dos arranjos sociais".
"Esse livro nasce na época em que o País passa por uma grave crise democrática, de princípios sociais. Anuncia o tempo novo e denuncia o tempo presente. O mais importante é que seja lido e divulgado, e que sirva de ação dentro desse cenário de trauma", enumera Vanilo Cunha.

Diário do Nordeste

MEC pede alteração do início do horário de verão por conta do Enem

A avaliação do MEC é que a alteração no horário poderia gerar confusão.
As datas das provas do Enem foram divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 18 de janeiro deste ano para os dias 4 e 11 de novembro.
As datas das provas do Enem foram divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 18 de janeiro deste ano para os dias 4 e 11 de novembro. (Reprodução)

O Ministério da Educação (MEC) solicitou ao presidente Michel Temer o adiamento do início do horário de verão em razão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O horário de verão está previsto para iniciar no dia 4 de novembro, data marcada para a realização do primeiro domingo de provas do exame.
Com o início do horário de verão, os relógios em dez estados e no Distrito Federal devem ser adiantados em uma hora. A avaliação do MEC é que a alteração no horário poderia gerar confusão, fazendo com que candidatos possam perder o exame por conta da alteração no horário.
As datas das provas do Enem foram divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 18 de janeiro deste ano para os dias 4 e 11 de novembro. No dia 4, serão aplicadas as questões de linguagem, ciências humanas e redação, com duração prevista de 5h30. No dia 11, será a vez das questões envolvendo ciências da natureza e matemática, com duração de 5h. A abertura dos portões será às 12h e o fechamento, às 13h.
Tradicionalmente, o horário de verão tem início partir da meia-noite do terceiro domingo de outubro. Mas, um decreto do dia 15 de dezembro do ano passado, alterou a data, definindo que o início do horário de verão ocorra no primeiro domingo de novembro.
A alteração atendeu a um pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que havia solicitado que a mudança não coincidisse com o segundo turno das eleições deste ano, marcado para 28 de outubro.
O tribunal argumentou que a alteração visava dar mais agilidade na apuração e divulgação dos resultados das eleições. Segundo o TSE, a realização do segundo turno durante o horário de verão teria o início das apurações com horários diferentes em alguns estados que não implantam o horário de verão.
Ainda não há uma resposta do Palácio do Planalto a respeito do pedido do MEC. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não discute a possibilidade de alterar das datas das provas. Caso o pedido não seja acatado, o horário de verão começará à 0h do dia 4 de novembro e terminará em 16 de fevereiro de 2019.
Durante este período, os relógios serão adiantados em uma hora nos municípios dos estados de Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul , Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal.

Ambiente Brasil

Mãe de 10 filhos consegue qualificação máxima em tese de doutorado

"A maternidade não é um impedimento para que qualquer mulher possa encontrar campos abertos", disse a nova doutora

GUADALUPE PÉREZ
Guadalupe Pérez tem 58 anos, é professora no Colégio San José de Calasanz, mãe de dez filhos e obteve o doutorado em História na Universidade de Valência. Na tese, obteve com “Cum laude” a maior qualificação possível.
Segundo a Arquidiocese de Valencia, Pérez decidiu começar o doutorado em História quando o seu filho mais novo tinha quatro anos.
Ao semanário ‘Paraula’, da Arquidiocese de Valência, ela disse: “ter uma família numerosa de dez filhos não é um conto de fadas nem um paraíso, mas com a fé, e com a liberdade que isso oferece, meu esposo e eu decidimos assumir o desenho da família que Deus pensou para nós”.
“É incontestável que quando estamos educando os filhos, o trabalho se torna mais complicado, mas ”, assegurou.
A tese de doutorado de Pérez foi intitulada “Memória, patrimônio e política. O Marquês de Boil”, e trata sobre linhagem dos Boil de Arenós, “uma estirpe valenciana de origem aragonesa, centrada inicialmente na figura de Dom Pedro Boil de Arenós”.

Alunos da rede pública receberão livros literários a partir de 2019

Estudantes da rede pública receberão livros de literatura em 2019, além do material didático, de acordo com o novo formato do Programa Nacional do Livro e do Material Didático Literário (PNLD). A escolha das obras pelas escolas credenciadas teve início no último dia 25 e irá até o dia 8 de outubro.
De acordo com o Ministério da Educação, a escolha será feita pelas escolas, a partir de uma lista, e levará em conta a opinião dos professores e diretores de escola. No catálogo para o ensino médio, estão livros como a biografia da paquistanesa Malala - a mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz; o clássico de ficção Admirável Mundo Novo, de Aldous Juxley; e poemas de Cecília Meireles.
Até este ano, o programa destinava as obras literárias apenas para as bibliotecas e para serem usadas em salas de aula. A previsão é que os estudantes recebam os dois livros literários.
livros didáticos
Alunos de escolas públicas vão receber dois livros literários em 2019 - Arquivo/Valter Campanato/Agência Brasil

Para a assessora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, é importante o aspecto individual da leitura, mas o papel didático da biblioteca não se deve ser esquecido. Ela defende que a escolha dos livros deve ser a mais democrática possível, envolvendo não só os professores, como prevê o programa, e que os alunos também sejam consultados.
“Sempre falamos da necessidade sobre o processo de gestão democrática dentro da escola. Então, a escolha dos livros didáticos também tem que passar por isso, existe todo um trabalho que é feito e pensado para que as escolas possam ter de fato gestão democrática”, disse. “Se os professores, os diretores, os coordenadores pedagógicos puderem discutir com os estudantes a escolha dos livros de literatura e também os livros didáticos, isso sempre é muito mais frutífero porque uma gestão democrática gera apropriação de cultura, então gera educação e aprendizado”, acrescentou.
Na avaliação de Cândido Grangeiro, sócio de uma pequena editora que teve livros escolhidos para o catálogo literário do programa, houve conquistas com o novo modelo. “Isso é uma conquista enorme [o livro ficar com o estudante] porque o aluno tem um acesso maior à literatura”, disse, ressaltando ser mais um incentivo para publicações no mercado editorial.
Os professores terão acesso a um guia com resenhas das obras selecionadas pelo programa e a escolha será feita após uma reunião de professores e diretoria da escola. Ainda de acordo com as regras, uma mesma editora não poderá ter dois livros escolhidos. As obras serão devolvidas às escolas depois do período de um ano para reutilização. Cada editora pode inscrever quatro obras para serem selecionadas para o catálogo.
O PNLD não permite que as editoras, com obras selecionadas para o catálogo, façam ações promocionais, distribuam brindes ou visitem as escolas. Grangeiro alerta para um disputa desigual entre as grandes e pequenas editoras. “Essas editoras [grandes] trazem toda uma tradição de chegada, um poder comercial mesmo, tem distribuidor, tem dinheiro, enfim, de chegar nas escolas e conseguir concentrar todas as adoções [de livros]. As editoras pequenas não dominam esse universo comercial, nem tem recursos financeiros para esses estudos. A disputa é extremamente desigual”, disse.
 *Colaborou Nelson Lin, da Rádio Nacional

Agência Brasil

27 de setembro de 2018

Cemitério dos fracassos

Carlos Delano Rebouças*

Lá, enterrei meus sonhos não realizados; sepultei meus desejos jamais preteridos; encovei minhas tentativas que me pareceram em vão, em minúsculo sepulcro, em campa de um descanso eterno, do tipo que se entrega ao mato e ao sol e à chuva. No cemitério dos fracassos, parece que há espaço para muitos.

Vivemos em plena cultura da aparência, na qual ninguém perde ou sofre desilusões, nem mesmo coleciona insucessos. Tudo significa uma alegria com sorriso breve, interrompido por um choro sem lagrimas, que não se vê, mas pode se imaginar.

Grita-se: Não chore! Não sofra! A vida é bela e boa para se viver! 

Que mentira...! Que grande verdade! Quantos dizem e desdizem essas frases curtinhas como suas certezas e exclamações, quando cabem bem mais interrogações? Como poucos creem que pode somente ser uma situação passageira, daquelas que mudam repentinamente, com um piscar de olhos?

Na maternidade dos sonhos, nasce, a todo instante, o sucesso em cada projeto que se desenvolve. Sob os cuidados do otimismo, planos são traçados e prazos estabelecidos, sempre com a convicção de que vingará, e ninguém ouse em dizer o contrário. 

O insucesso é uma realidade. Ele mostra a sua silhueta pelos mais diferentes motivos, tanto para se justificar quanto para nos servir de motivação para jamais desistirmos de superá-lo. É se aprender com os erros para se chegar aos acertos. 

Por que erramos tanto! Por que coleciono tantos insucessos na vida! Na minha cova não há mais espaço para tantos fracassos! O que devo fazer agora? Ajude-me! Ajude-me! Ajude-me...!

A sua ajuda inicia-se pela exumação de todos os seus fracassos, a qual permita uma reavaliação das causas que os concretizaram. Em seguida, faça uma reconstituição integral de sua trajetória, desde a maternidade dos sonhos até o cemitério dos fracassos, investigando todos os pormenores que possivelmente possam ter influenciado decisivamente na morte de um projeto que tinha tudo para dar certo, porém, perdeu-se por caminhos obscuros da vaidade e da insensatez. E para finalizar, embora jamais se finalize nada na vida, reflita sobre a sua execução e reavalie as suas atitudes. Entenda uma coisa: no cemitério dos fracassos só há espaço para quem não acredita no sucesso.

*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

Danilo Ferraz lança livro 'Forma Faixa Preta'

Depois de protagonizar "Mesa para Dois" (2017), curta-metragem de terror, e roteirizar "Job", curta de ação, com o diretor Adriano Ferreira, de Catanduva, responsável por filmes como "Nem Por Trinta Moedas" e "Meia-Lua", o ator e escritor Danilo Ferraz lança em Rio Preto o livro "Forma Faixa Preta - Princípios das artes marciais para redefinir seu corpo, sua mente e sua vida", pela editora Pandorga.
A noite de autógrafos será realizada nesta quarta-feira, 26, a partir das 19h, no Riopreto Shopping. O evento também é beneficente. Parte da renda da venda dos livros será revertida para os programas de incentivo ao esporte do Instituto As Valquírias.
Ferraz traz orientações comprovadas e mostra como ele reuniu ciência, artes marciais, filosofia e modo de vida em um livro indicado para quem deseja alcançar bem-estar. "Nada transformou mais a minha vida do que as técnicas de treino, estratégias de nutrição e princípios filosóficos que compartilho neste livro", conta Ferraz.
O leitor ainda vai conferir exercícios físicos e mentais. O livro é dividido em três partes (Despertando o Mestre Interior; O Mapa do Sucesso; e Oito Semanas para Moldar sua Vida), e Ferraz garante que, combinadas, permitirão ao leitor ter o controle total sobre seu corpo e sua vida. Além do lançamento da obra, Ferraz agendou para o dia 3 de outubro, no centro de compras, um talk show.
Serviço
  • Lançamento do livro "Forma Faixa Preta", de Danilo Ferraz. Nesta quarta-feira, 26, às 19h, no Riopreto Shopping
Fonte: Diário da Região

Festa Literária da Caixa acontece de 4 a 7 de outubro em Fortaleza

Cristózão Tezza é uma das atrações confirmadas (Foto: Divulgação)
A literatura será destaque entre os dias 4 e 7 de outubro em Fortaleza. É o segundo ano consecutivo da Festa Literária da Caixa (FliCaixa), que acontece na Caixa Cultural Fortaleza, levando 18 nomes da cena literária local e nacional.
A programação é gratuita e composta por mesas temáticas sobre cordel, composição musical, resistência do livro, literatura de Fortaleza, histórias ficcionais e a conexão delas com a “verdade”. Entre os nomes confirmados, estão Cristovão Tezza, Marília Lovatel, Fausto Nilo,  Klévisson Vianna, Anna K. Lima, Naiana Gomes, Regina Ribeiro, Marina Solon e Marcos Sampaio.
Os quatro dias de evento serão divididos em mesas e debates com início às 15h30min da quinta-feira, 4, e na sexta-feira, 5. Os dois últimos dias terão a agenda permeada por atrações, show musical e autores voltados para o público infantil, começando a partir das 15 horas.
 Confira a programação completa:
Quinta-feira, 4 de outubro
Mesa 01 – Cordel Imorredouro
Horário: 15:30 | Duração: 1h30
Participantes: Klévisson Viana e Eduardo Macedo | Mediação: Regina Ribeiro
Mesa 02 – Aves canoras
 Horário: 17h30 | Duração: 1h30
Participantes: Fausto Nilo e Alan Mendonça | Mediação: Marcos Sampaio
Mesa 03 – Desafio dos livros ao efêmero
Horário: 19h15 | Duração: 1h30
Participantes: Cristovão Tezza e Socorro Acioli | Mediação: Regina Ribeiro
Sexta-feira, 5 de outubro  
Mesa 04 – Plantar árvores-palavras no espaço estéril da cidade
Horário: 15h30 | Duração: 1h30
Participante: Anna K. Lima e Naiana Gomes | Mediação: Marina Solon
Mesa 05 – Nossas muitas histórias
Horário: 17h30 | Duração: 1h30
Participantes: Antônio Torres e Marília Lovatel | Mediação: Maíra Ortins
Mesa 06 –Sobre a verdade
Horário: 19h15 | Duração: 1h30
Participantes: Verônica Sttiger e Luísa Geisler | Mediação: Regina Ribeiro
Programação infantil - sábado, 6 de outubro
  Contação de história do livro a Lagoa encantada, de Fabiana Guimarães com Joyce Custódio
Horário: 15h
Bate-papo com o autor Odilon Moraes
Horário: 16h
Show musical Doidice que dá  
Horário: 17h
Com quem: Paula Tesser e Natasha Faria
Programação infantil - domingo, 7 de outubro
Bate-papo com autor Kelsen Bravos
Horário: 15h
Espetáculo Chafurdo
Horário: 16h
Com quem: Grupo Dona Zefinha
 Serviço
Festa Literária da Caixa - FliCaixa
Quando: de 4 a 7 de outubro
Onde: Caixa Cultural Fortaleza (avenida Pessoa Anta, 287 - Praia de Iracema)
Gratuito.
Redação O POVO Online

Editora Fernanda Diamant é a nova curadora da Flip

por Guilherme Sobota - Folhapress
Fernanda
Fernanda Diamant é a nova curadora da Festa Literária Internacional de Paraty. A editora sucede a jornalista Joselia Aguiar no cargo. A próxima edição da Flip ocorre entre os dias 10 e 14 de julho de 2019, no litoral fluminense. O escritor ou escritora homenageado será anunciado ainda este ano, e os convidados, no primeiro semestre do próximo ano.
Editora com passagens pela Publifolha (onde foi assistente de Arthur Nestrovski) e Editora 34, formada em filosofia, Diamant também é sócia da Quatro Cinco Um, revista mensal de resenhas e ensaios que começou a circular em maio de 2017.
Ela aponta duas diretrizes iniciais que devem dirigir seu trabalho com a Flip daqui para a frente: aumentar a presença da não ficção na programação principal e também buscar formas de variar os formatos das mesas. "Desde debate sobre urbanismo, história, política, ciência, memórias até jornalismo e reportagens", explica a nova curadora. "Esses debates sempre existiram, mas agora talvez estejam mais presentes".
Sobre a intenção de variar o formato das mesas, Diamant diz que quer ampliar um trabalho que já vinha sendo feito nos últimos anos pela curadoria - ela cita como exemplo a participação da russa Liudmila Petruchévskaia, que fez uma espécie de pocket show na Tenda dos Autores na edição deste ano.
Diário do Nordeste

Em 38 anos de funcionamento, Plantão Gramatical registra mais de 690 mil atendimentos

Há 38 anos, a Prefeitura de Fortaleza criava o Plantão Gramatical. O serviço, que funciona, desde então, de forma ininterrupta no Instituto Municipal de Desenvolvimento de Recursos Humanos (Imparh), nasceu com o objetivo de auxiliar a comunidade sobre o uso correto da língua portuguesa. Nesse período, o Plantão Gramatical registrou mais de 690 mil atendimentos.
Atualmente, o serviço conta com uma média de mil atendimentos mensais tirando dúvidas sobre ortografia, morfologia, sintaxe, semântica e demais assuntos da língua portuguesa. Neste ano, contabilizou, até agosto, 7.661 consultas.
Marino Neto, mestre em linguística e especialista no ensino da língua portuguesa, completa, neste ano, 25 anos como professor do Plantão Gramatical. Para ele “a data expressa, claramente, a importância do serviço, que tem auxiliado milhares de consulentes no complexo uso da nossa língua, nestas quase quatro décadas”, afirma o docente.
Ao longo de sua existência, o Plantão Gramatical atendeu usuários de outros municípios e estados brasileiros, além de registrar atendimentos a pessoas de outros países. Veículos de comunicação, como os jornais O Estado de São Paulo e O Globo e a rádio BBC, de Londres, já publicaram matérias sobre o Plantão Gramatical de Fortaleza, firmando o serviço como referência.
A equipe do Plantão Gramatical é formada por cinco professores que atendem, de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 17h. As dúvidas podem ser respondidas por telefone ou presencialmente. O número de telefone, meio mais usado, continua o mesmo desde a sua fundação: 3225-1979.

Serviço

Plantão Gramatical
Av. João Pessoa, 5609 – Damas
Telefone: 3225-1979
Horário de atendimento: 8h30 às 12h e 13h às 17h
Com informações da Assessoria de Comunicação

Boa Notícia

Ziraldo sofre AVC e está internado em estado grave no Rio

O cartunista e escritor Ziraldo, 85 anos, sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico nesta quarta-feira (26) e está internado em estado grave no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, zona sul do Rio. O hospital informou, em nota, que o cartunista e escritor Ziraldo Alves Pinto deu entrada na instituição no início da tarde com quadro de acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. O paciente encontra-se internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da unidade e seu estado de saúde é grave.
O mural gigante Última Ceia, pintado em 1967 por Ziraldo, que estava encoberto na antiga casa de show Canecão, será restaurado pela UFRJ e aberto à visitação pública a partir de abril (Fernando Frazão/Agência Brasil)
O cartunista Ziraldo foi internado nesta tarde - Fernando Frazão/Agência Brasil

Carreira

Ziraldo é cartunista, desenhista, jornalista, cronista, chargista, pintor e dramaturgo brasileiro. Ele é o criador do personagem de quadrinhos infantil Menino Maluquinho. Foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, que fez muito sucesso com suas entrevistas e humor crítico durante o regime militar.
O cartunista nasceu em Caratinga, Minas Gerais, no dia 24 de outubro de 1932. Seu nome vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha e o de seu pai Geraldo. Desde criança já mostrava seu talento para o desenho. Com seis anos, teve um desenho seu publicado no jornal Folha de Minas.
Ziraldo estudou no Grupo Escolar Princesa Isabel. Em 1949 foi com a avó para o Rio de Janeiro, onde estudou por dois anos no Mabe (Moderna Associação de Ensino). Em 1950, retornou para Caratinga e concluiu o científico no Colégio Nossa Senhora das Graças.
Agência Brasil

26 de setembro de 2018

Tarrafa Literária completa 10 anos de história em Santos

Djamila Ribeiro volta à sua cidade natal para participar do Tarrafa Literária
Djamila Ribeiro volta à sua cidade natal para participar do Tarrafa Literária
Em sua 10ª edição, a Tarrafa Literária começa nesta quarta-feira, 26, e, leva, até domingo, 30, importantes nomes da literatura nacional e alguns convidados internacionais para Santos.
Djamila Ribeiro, autora de "O Que é o Lugar da Fala e Quem Tem Medo do Feminismo Negro?", volta para sua cidade natal como uma das principais atrações do festival. Ela sobe ao palco do Theatro Guarany no sábado ao lado da jornalista Eliane Brum para o debate "O lugar da fala, o lugar da escrita".
A abertura, na noite desta quarta, 26, fica a cargo de Zuza Homem de Melo, autor de "A História do Samba Canção", que apresentará um show litero-musical no Sesc Santos a partir das 19h30.
Participam, ainda, da Tarrafa a autora sueca Katarina Bivald, autora de "A Livraria dos Finais Felizes", a portuguesa Ana Margarida de Carvalho, que está lançando no País o livro "Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato", além de Milton Hatoum, Tiago Ferro, Julián Fuks, Mamede Jarouche, Sérgio Augusto e os historiadores Lilia M. Schwarcz e Elias Thome Saliba, entre outros.
O homenageado desta edição do evento será Ranulf Prata, autor de Navios Iluminados (1937). A programação, gratuita, continua em São Paulo no domingo de depois do festival santista.
Fonte: Diário da Região

Museu realiza oficina de fotografia para celular em Fortaleza

Celular na mão em referência a Museu realiza oficina de fotografia para celular em Fortaleza
O Museu da Fotografia de Fortaleza realizará a oficina Fotografia para Celular neste domingo (23) com o professor Thiago Braga.
A aula prática ajudará o aluno a manusear o celular ou tablet para entender comportamento da luz, sua direção e intensidade, além de compreender a importância do ato fotográfico na contemporaneidade.
O objetivo é introduzir conceitos básicos da fotografia aos alunos, com o intuito de promover e fomentar a prática da fotografia. No total, serão 4 horas de curso, que será 100% prático no Passeio Público e no Mercado dos Peixes.
O Museu disponibilizará um ônibus para o deslocamento. As inscrições são feitas presencialmente no Museu da Fotografia e o valor do curso é de R$ 60. Mais informações, (85) 3017.3661. 
Serviço:
Oficina de Fotografia para Celular
Dias: 23 de setembro (domingo)
Horário: 14h
Endereço: Rua Frederico Borges, 545 – Varjota
Pré-inscrições: inscricao@museudafotografia.com.br
Inscrições: R$ 60 (somente em dinheiro, presenciais, no Museu)

Tribuna do Ceará

Menina de 6 anos declama cordéis e fica famosa na internet

Foi aos 6 anos que a estudante Sâmia Abreu deu o primeiro passo no mundo artístico. Após ver o pai rindo de uma poesia, ela começou a se apaixonar pela arte.
Criança, mas com talento de gente grande, Sâmia não tem nem uma década de vida e já sabe na ponta da língua o que quer para o futuro. “Eu quero ser desembargadora e poeta”.
Hoje a pequena poeta divide o tempo entre os estudos e a gravação de vídeos declamando cordéis no canal no Youtube, que toda semana tem uma nova publicação.
Tribuna do Ceará

Escola de Música de Sobral forma legião de talentos

por Marcelino Júnior - Colaborador
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A escola atua com sete núcleos pedagógicos divididos em Musicalização Infantil, Canto Popular, Bateria e Percussão, Teclados, Cordas Dedilhadas, Cordas Friccionadas e o Núcleo de Sopros ( FOTO: MARCELINO JÚNIOR )
Sobral. Estar matriculada na Escola de Música de Sobral é a realização de um sonho antigo para Jessyca Ferreira de Sousa, de 23 anos. A jovem de Tianguá, na Serra da Ibiapaba, não mediu esforços para aprender a tocar um instrumento quando se mudou com a família para Sobral. Há dois meses, ela tem dedicado parte de seu tempo às aulas de violino e violão, duas paixões que cultiva desde criança.
"Por morar em outra cidade, não me via com coragem de ingressar na Escola de Música e acompanhava de longe as histórias de quem passou por aqui. Mas as coisas mudaram e aqui estou, completamente dedicada às aulas. O violão tem exigido muito, mas me realizo mesmo ao tocar violino, um instrumento que sempre chamou minha atenção", explica a jovem, antes de encher o ambiente com o som melodioso de um dos instrumentos mais antigos criados na Itália, que tem destaque nas orquestras mundo afora.
A Escola de Música de Sobral- Maestro José Wilson Brasil começou em 1997, quando foram contratados 5 músicos da cidade de Natal (RN) para trabalharem em com o Quinteto de Cordas do Theatro São João. Além de realizarem diversas apresentações na cidade, à época, iniciaram um trabalho de educação musical com um grupo de jovens.
Com o avançar das ações formativas, foram criados a Orquestra Jovem de Sobral e o Coral Vozes de Sobral, os dois primeiros grupos de referência do que viria a se tornar a atual Escola de Música, que completa 21 anos nessa sexta-feira, dia 28.
"Esses grupos fundadores continuam sendo as principais referências que temos, nesse trabalho que cresceu muito nos últimos anos. Hoje temos 760 matrículas, em sua maioria da rede pública de ensino", adianta Diego Melo, diretor e maestro que está à frente de instituição.
A escola atua com sete núcleos pedagógicos divididos em Musicalização Infantil, com crianças a partir dos 7 anos; Canto Popular; Bateria e Percussão; Teclados; Cordas Dedilhadas, com aulas de violão, guitarra e contrabaixo elétrico; Cordas Friccionadas, com violinos, violas, violoncelo e contrabaixo acústico; o Núcleo de Sopros, que atende toda a uma gama de instrumentos, entre eles, a flauta transversal, clarinete, saxofone, trompa, trompete e tuba. O atendimento é dividido em 16 cursos, voltados, principalmente, aos alunos do contraturno ou aqueles egressos da rede pública, com uma ampla cobertura no que se refere à formação musical da região Norte.
Aperfeiçoamento
Muitos alunos que passaram pela Escola de Música de Sobral acabaram voltando como professores, assim como o atual diretor. "Entrei como aluno em 1997, quando estudei trompete, violão e contrabaixo; depois de formado, busquei o aperfeiçoamento em outros cursos. Voltei como professor, e hoje estou à frente da Escola", lembra com orgulho Diego Melo.
Em Sobral, o acesso à música acontece independentemente da idade ou situação funcional. A taxa cobrada é de R$ 60. Ainda de acordo com Diego Melo, "temos atendimento o dia todo, com dois anos de formação, dividida em 4 módulos, sendo um por semestre. A Escola alcança alunos de todos os municípios da região Norte, além de muitos outros que já passaram por aqui e hoje atuam como profissionais nesse mercado. Além de ter seu papel musical bem desempenhado, o espaço também é um importante equipamento de defesa das relações humanas, ainda mais em uma época em que vivenciamos tanta violência entre os jovens", destaca o diretor.
Diário do Nordeste

Festival de Brasília consagra produção mineira pelo 3º ano consecutivo

por Diego Benevides - Crítico de cinema
Dez dias de cinema na Capital Federal mais parecem uma vida inteira. Isso porque o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é a principal plataforma de projeção para obras audiovisuais independentes. Próximo a mais uma eleição - que pode mudar os rumos do País -, o festival foi marcado por abordagens políticas não apenas dos filmes programados, mas também dos realizadores que subiram ao palco do Cine Brasília para posicionarem os seus discursos a favor da democracia e da valorização da cultura.
A seleção de curtas e longas-metragens em competição demonstrou-se mais regular, se comparada a do ano passado. Os temas atravessaram questões sociais urgentes, em especial ao abrir cada vez mais espaço para produções que discutem história, etnias e identidade de gênero.
O principal vencedor do ano foi "Temporada", novo longa-metragem de André Novais Oliveira, que consagrou o cinema mineiro pelo terceiro ano consecutivo, após as vitórias de "A Cidade Onde Envelheço" (2016), de Marília Rocha, e "Arábia" (2017), de Affonso Uchoa e João Dumans.
Mesmo que a vitória de "Temporada" não tenha sido realmente uma surpresa, a competição de longas contava com outros candidatos também aptos a conquistar o Candango, por diferentes motivos. O júri oficial, encabeçado pelo crítico de cinema e pesquisador Ismail Xavier, priorizou a produção mineira que se utiliza da sutileza, bom humor e afetividade para contar sua história, em detrimento de filmes que escancaram suas propostas políticas.
Depois do elogiado "Ela Volta na Quinta" (2015), também exibido no Festival de Brasília, André Novais Oliveira leva para "Temporada" seu modo de produção simples e amoroso, ao retratar personagens da periferia de Minas Gerais enfrentando conflitos quase sempre banais, mas que muito têm a dizer. A atriz Grace Passô, também premiada no festival, interpreta Juliana, agente de saúde que trabalha nas ruas de Itaúna, interior mineiro. Ao entrar em cada casa, a protagonista estabelece relações com essas pessoas anônimas, enquanto tenta administrar sua própria vida.
André não se utiliza de grandes truques de linguagem, mas explora as possibilidades da imagem com propriedade. Suas histórias são sempre fluidas, mais subjetivas do que expositivas, ainda que os diálogos e o texto em si sejam fundamentais para construir essa inteligência narrativa.
"Temporada" é um drama do cotidiano, que não esconde a verdade dos personagens em diálogo com o mundo de hoje. Grace Passô é uma de tantas mulheres que querem trabalhar, ter uma vida digna e, acima de tudo, ser feliz. O cineasta filma a simplicidade do cotidiano, os amores e as dores de uma vida difícil, mas que encontra justamente nas relações humanas a força motora da resistência em tempos difíceis.
Representatividade
Último filme exibido em competição, o documentário "Bixa Travesty", dirigido por Cláudia Priscilla e Kiko Goifman, acumula elogios desde sua estreia internacional no Festival de Berlim, onde ganhou o Prêmio Teddy, concedido a filmes que abordam a temática LGBT. No centro da obra temos a irreverência de Linn da Quebrada e Jup do Bairro, artistas que representam o lugar da periferia e a luta contra o preconceito.
O mergulho na vida das personagens faz deste um longa essencial para entender o movimento efervescente de artistas que usam a performance para exigir direitos iguais. No decorrer do filme, Linn e Jup discutem como arte e gênero podem transformar a sociedade, ainda que esteja longe do ideal.
Transitando entre depoimentos inspirados e imagens de shows, que respaldam o discurso de Linn e Jup, o documentário não esconde a paixão que tem por elas. É preciso discutir identidade de gênero e, mais ainda, ouvir quem tem muito a falar.
Os cineastas conferem ritmo à obra por meio de dispositivos dinâmicos, sendo possível conhecer mais não apenas de Linn e Jup, mas das vitórias e dos desafios cotidianos.
A simulação de um programa de rádio dentro do documentário pode parecer deslocado no início, mas é um dos principais espaços de discussão sobre representatividade sexual.
Tanto que a obra foi reconhecida como o melhor longa do festival, de acordo com o júri popular, além de receber o troféu Candango de melhor trilha sonora e menção honrosa do júri oficial.
O júri oficial ainda premiou o ótimo drama de horror "A Sombra do Pai", de Gabriela Amaral Almeida, nas categorias de montagem, som e atriz coadjuvante (Luciana Paes). O baiano "Ilha", de Ary Rosa e Glenda Nicácio, garantiu os troféus de melhor roteiro e ator para Aldri Anunciação, enquanto Beatriz Seigner foi premiada pela direção de "Los Silencios" e pelo júri da crítica, organizado pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).
O documentário "Torre das Donzelas", de Susanna Lira, que reúne ex-presas políticas da ditadura, faturou o prêmio especial do júri. Estranho, no entanto, foi a ausência de "Luna", de Cris Azzi, entre os premiados, o que não diminui sua relevância histórica para os movimentos feministas atuais.
*O crítico viajou a convite do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Diário do Nordeste

25 de setembro de 2018

Memórias da televisão na banda larga da literatura

Em viagem poética pelo Rio dos anos 1970, o jornalista Marcus Veras revê os bastidores da TV em Os últimos dias em preto e branco

Jornal do BrasilRODRIGO FONSECA *, Especial JB
Loucura, invenção e empreendedorismo (à base de risco) compõem a programação da TV Carioca, fictícia emissora. Ela sacudiu o Rio de Janeiro imaginário, mas com doses fartas de realidade e de ditadura militar, desbravado nas páginas de “Os últimos dias em preto e branco – Um romance nos bastidores da TV em 1970”, que o jornalista Marcus Veras lança hoje, a partir das 19h, na Blooks Livraria, em Botafogo. Ponte entre o Brasil e o Troféu Platino – premiação latino-luso-americana apelidada de “O Oscar das Américas” –, o veterano repórter, fotógrafo e assessor de imprensa, que foi crítico de música no JB dos anos 1990, revive a década de 1970 a partir dos bastidores de uma estação de TV. Um programa de calouros é o caminho encontrado pelo canal para resistir à concorrência da TV Tupi, da Rede Globo e das demais difusoras de entretenimento. Na entrevista a seguir, Veras fala de seu olhar ficcional sobre a cidade e comenta o preconceito literário com a linguagem televisiva.
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Marcus Veras ambienta a trama de seu romance nos bastidores da fictícia emissora TV Carioca, nos anos 1970 (Foto: Divulgação/André Arruda)












JB: Por que é tão difícil haver espaço literário para a televisão na prosa ficcional brasileira?
MARCUS VERAS: Durante muitos anos, a televisão no Brasil foi considerada pelos intelectuais como diversão barata e desconectada da “alta cultura”. Isso começa a mudar um pouco com o trabalho do crítico Artur da Távola, primeiro na “Última Hora”, depois em “O Globo”. É interessante notar que há vários romances nos quais os personagens são publicitários. Mas quando pensamos em romances tendo como ambiente a TV, não há quase nada, apesar de ela existir há quase 70 anos na vida do brasileiro. Fernanda Torres (“A glória e seu cortejo de horrores”) e Marcílio Moraes (“Entre as estrelas: Aquiles”) são duas saudáveis recentes exceções a essa regra.
Macaque in the trees
"Os últimos dias em preto e branco - Um romance nos bastidores da TV em 1970" (Foto: Divulgação)
Qual é a década de 1970 da sua imaginação e o quanto ela alimenta os anos 1970 da TV Carioca?
Na verdade, a TV Carioca vem trazendo para os anos 1970 todos os traços dos anos 1960: a herança de muitos programas do rádio, inclusive de muitos técnicos, pois ainda não havia mão de obra especializada. Traz também a estética do preto e branco, em sua fase final – uma mudança que vai obrigar todas as emissoras a um grande investimento. E traz ainda uma característica que se perdeu: a TV local, que falava para sua cidade.
Qual é o Rio desta sua ficção e o quanto a sombra da ditadura pesa sobre essa sua Cidade Maravilhosa imaginária?
Era um Rio de Janeiro ameno e acolhedor, com a noite muito rica, onde artistas e público conviviam harmoniosamente. Copacabana reinava gloriosa e seu calçadão era quase um “tapete vermelho”. A violência não se dava pela luta de facções como se dá hoje em dia, mas pela presença ostensiva dos comandos da ditadura em busca de “subversivos”. Com o acirramento das tensões entre o governo militar e os grupos de esquerda, a barra começava a pesar para todo mundo.
Diante da sua experiência como crítico musical, qual é a trilha sonora desse Rio do teu romance?
A trilha sonora é das canções escolhidas pelos personagens do livro que vão participar do “Calouros em Desfile”: “E daí” (Miguel Gustavo), “Como tem Zé na Paraíba” (Jackson do Pandeiro), “Samba em Rubro Negro” (Wilson Batista), “A noite de meu bem” (Dolores Duran), “Se acaso você chegasse” (Lupicínio Rodrigues) e o fabuloso pot-pourri que lançou a dupla Elis Regina e Jair Rodrigues.
* Roteirista e crítico de cinema
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Serviço
OS ÚLTIMOS DIAS EM PRETO E BRANCO. Autor: Marcus Veras. Editora Ponteio. R$ 24. Blooks Livraria /Espaço Itaú (Praia de Botafogo, 316, lojas D e E. Tel: 2237-7974). Lançamento hoje, a partir das 19h.