30 de junho de 2018

QUANDO O MUITO É POUCO

Grecianny Carvalho Cordeiro*

No país das desigualdades possíveis e inimagináveis, nada tão desigual quanto o sistema judiciário brasileiro.
De acordo com diagnóstico de pessoas presas, feito pelo CNJ (2017), somos o terceiro país com a maior população carcerária do mundo, incluindo aqueles em prisão domiciliar.
Pelos dados do Infopen (junho/2016), 64% dos presos são negros; 40% são presos provisórios; 51% possuem o ensino fundamental incompleto; os crimes de roubo, de furto e de tráfico são os de maior percentual.
De uma análise perfunctória, o perfil dos aprisionados é claro.
No Brasil, uma pessoa que furta um celular, um veículo, por exemplo, se presa em flagrante, ficará um bom tempo encarcerado e, ao final do processo, quando será fatalmente condenada, terá contra si aplicada uma pena de prisão que varia de 01 (um) a 04 (quatro) anos, no caso de furto simples, e de 02 (dois) a 04 (quatro) anos em caso de furto qualificado (pelo rompimento de obstáculo, pelo concurso de pessoas, etc).
Por outro lado, uma pessoa que desvia milhões e milhões dos cofres públicos (destinados à saúde, à educação), mesmo que flagrada com malas de dinheiro, com escutas telefônicas, com farta prova documental e testemunhal, dificilmente será presa em flagrante. E se o for, será imediatamente solta. O processo transcorrerá por anos e o réu poderá ser condenado (se não ocorrer a prescrição). Se confirmada a sentença e segundo grau, ainda assim, não será presa. E se eventualmente o for, o STF se encarregará de soltá-la.
Para os furtos cometidos por ilustres desconhecidos, a pena será sempre aplicada e cumprida, em cárceres superlotados, em condições precárias de higiene e de alimentação.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e texto
Para os desvios milionários aos cofres públicos, cometidos por notáveis políticos e agentes públicos, a pena até será aplicada, mas dificilmente será cumprida, e se o for, será por um breve espaço de tempo, sendo assegurado ao preso alimentação vinda dos melhores restaurantes, salas de TV e visitas.
Para o STF, em seus julgados recentes, por meio dos quais concede alvará de soltura a notáveis políticos e agentes públicos, privilegiando-os com a liberdade, mesmo que condenados, mesmo que contumazes criminosos, mesmo que permaneçam usando de sua influência para continuarem cometendo crimes, nada disso é motivo suficiente para mantê-los encarcerados, isto porque, na sua visão míope, o muito que se desvia dos cofres públicos sempre é muito pouco.

*Promotora de Justiça

Aliança de 24 veículos de comunicação vai atuar contra 'fake news' no Brasil

Os editores vão trabalhar juntos para desmistificar falsas informações.
Através do Comprova, jornalistas poderão combater fake news
Através do Comprova, jornalistas poderão combater fake news (AFP/Arquivos)

Vinte e quatro meios de comunicação brasileiros, incluindo a AFP, uniram forças para lutar contra as notícias falsas ("fake news") que invadem a internet e as redes sociais com a aproximação da eleição presidencial de outubro.
"Comprova", o projeto colaborativo de verificação de rumores e informações, conta com participação, além da Agence France-Presse no Brasil, dos principais jornais, emissoras de televisão, rádios e sites do país, tais como Bandnews, Canal Futura, Correio do Povo, Folha de São Paulo, Gazeta do Povo, Jornal do Comércio, Metro Brasil, Nexo Jornal, O Estado de São Paulo, Poder360, Revista Piauí, Rádio Bandeirantes, SBT, UOL e Veja.
Os veículos anunciaram nesta quinta, em São Paulo, o lançamento do "Comprova" em 6 de agosto, sob a coordenação da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), com o apoio do Projor (Instituto para o Desenvolvimento Jornalismo ) e o suporte técnico e financeiro do Google e do Facebook.
Os jornalistas e redações envolvidos foram treinados nas ferramentas de verificação para "identificar e combater a desinformação na internet e técnicas sofisticadas (...) de manipulação" da opinião, explicaram essas mídias em um comunicado.
O "Comprova" vai se concentrar em informações que já foram amplamente compartilhadas ou são potencialmente virais, especialmente através da tecnologia móvel.
Os editores vão trabalhar juntos para desmistificar falsas informações e, depois, criarão textos, cards, infografias e vídeos curtos para distribuir os desmentidos em formatos acessíveis e compartilháveis.
Além disso, o "Comprova" receberá de usuários, através de uma conta especial do WhatsApp - com ao menos 120 milhões de usuários no Brasil e é um importante veículo de compartilhamento de "fake news" - informações consideradas suspeitas.
"O volume de conteúdo problemático circulando no Brasil é tão importante que uma única redação não daria conta", declarou Clare Wardle, diretora da First Draft, que está por trás do projeto.
"Ao treinar as redações e unir forças, acreditamos que essa iniciativa pode ter um impacto duradouro no Brasil".

AFP

Ser mulher pode ser risco de vida na América Latina

Dos 25 países do mundo com as taxas mais altas de feminicídio, 14 estão na América Latina e Caribe.

Jovem participa de marcha
Jovem participa de marcha "Nem uma a menos" contra a violência contra a mulher em Buenos Aires, na Argentina. (AFP)

Doze mulheres assassinadas por dia na América Latina e, apesar da adoção de uma bateria de leis pioneiras, a violência contra o sexo feminino persiste na região devido à impunidade e a um clima de permissividade social, segundo especialistas.
"Tivemos avanços importantes em legislação, mas apesar disso, a taxa de feminicídios continua sendo alta", lamenta Ana Aminta Madrid, ministra do Instituto Nacional da Mulher de Honduras, um dos países da região com o maior número de feminicídios (466 em 2016, segundo cifras da Cepal), em um encontro sobre violência de gênero em Paris.
Nos últimos anos houve avanços significativos na região, com a aprovação em 18 países - entre eles Argentina, Brasil, Colômbia e Equador - de leis ou reformas dos códigos penais, onde é tipificado o delito de assassinato de uma mulher pelo único fato de ser mulher, sob a denominação de feminicídio.
Foi também na América Latina, mais precisamente na Argentina, que surgiu o movimento "Ni Una Menos", pela igualdade de gênero, contra o patriarcado e os feminicídios, que teve impacto mundial, e a Primavera violeta, um movimento de despertar social que nasceu no México contra a violência machista.
Mas apesar disso, o panorama na região é desolador: dos 25 países do mundo com as taxas mais altas de feminicídio, 14 estão na América Latina e Caribe.
Entre os casos mais chocantes se destaca o recente assassinato no Peru de Eyvi Ágreda, que foi queimada em um ônibus por um ex-colega que a assediava por um amor não correspondido. A jovem de 22 anos morreu em um hospital por queimaduras em mais de 60% do corpo.
Também provocou comoção o estupro e estrangulamento de uma menina de 11 anos na Argentina, que havia saído de sua casa de bicicleta para ir comprar pão, ou o crime contra uma mulher no Chile, esquartejada e queimada por um homem com quem mantinha uma relação extraconjugal.
Uma necessária mudança cultural
Para erradicar este flagelo "é necessário uma mudança cultural importante", manifesta Isabel Plá, ministra chilena da Mulher e Equidade de Gênero, também convidada para o encontro na capital francesa organizado pelo programa de cooperação entre América Latina e União Europeia (UE), Eurosocial.
"Em nossas sociedades ainda não há o consenso de que em nenhuma circunstância uma mulher pode ser violentada", afirma Plá. "Nos meios de comunicação e nas redes sociais vemos que ainda há uma justificação da violência", acrescenta.
Pablo Navarrete Gutiérrez, coordenador de assuntos jurídicos do Instituto Nacional de Mulheres do México, aponta também o clima de extrema "permissividade social" ante os feminicídios em seu país, onde morrem mais de sete mulheres por dia vítimas da violência machista.
"Requeremos uma profunda mudança social e cultural para desnaturalizar essa violência que foi socialmente normalizada e naturalizada, começando com o assédio e perseguição sexual, que é o primeiro elo de uma longa cadeia de vexações e violências contra as mulheres", disse à AFP.
Mariela Labozzetta, promotora especializada em violência contra as mulheres do ministério público fiscal da Argentina, estima que houve "avanços enormes nas reações públicas ante atitudes que antes estavam naturalizadas".
"Na Argentina aumentou a intolerância em relação ao assédio e ao machismo, já não há margem nem para os menores atos de micromachismo", afirma.
"Obviamente ainda falta muitíssimo a ser feito, mas é muito pretensioso pensar que um sistema patriarcal tão arraigado vai desaparecer de um dia para o outro", acrescenta, lembrando que em seu país uma mulher morre a cada 32 horas como consequência da violência machista.

Impunidade, 'a grande dívida'
Mas o principal refúgio da violência de gênero é a impunidade, destaca Kathleen Taylor, diretora da ONU Mulheres para a América Latina e Caribe.
"Essa é a grande dívida que temos, que basicamente uma mulher põe uma denúncia e não há condenação", explica em entrevista à AFP esta funcionária das Nações Unidas.
Segundo cifras de 2016 comunicadas por este organismo, 98% dos feminicídios e outras formas de violência contra as mulheres fica impune na região pela falta de aplicação real das leis, e de um baixo investimento na infraestrutura requerida para a proteção real das vítimas e a sanção aos agressores.
"Há mulheres que não vão denunciar seus agressores por medo, por medo de ficarem sozinhas, medo de que seus filhos fiquem sem pai ou por uma dependência econômica", detalha Paola Alexandra Mera, secretária técnica do Conselho equatoriano da Mulher.
Do encontro realizado esta semana em Paris, Mera leva uma série de inovações e boas práticas europeias, sobretudo em termos de prevenção, que segundo ela "é o que mais nos falta" em nossos países.

AFP

Universo do amor

Paulo Eduardo Mendes*

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Palavras soltas. Catálogo de ternura. Vocabulário restrito aos puros de coração. Universo do amor em preces para aclarar pensamentos. Sopro divino a trazer suave brisa a nos refrescar do calor das vivências áridas nas trilhas que temos a percorrer nas caminhadas humanas. Universo de amor num ciclo capaz de espraiar singelezas, no contraste gritante com as violências que aí estão. Selvagens comportamentos incompatíveis com o século XXI da nossa história, de milenar perspectiva de melhorias para o esperado amanhã de luz. Em todos os recantos do mundo a um "toque de recolher" noturno, em que mergulhamos num sono reparador. Verdadeiros encontros com nossos entes queridos, no outro plano de vida! Acreditar nas luzes quando o apagão da discórdia nos consome no desespero de práticas políticas desastradas. O certo é que não suportaríamos tanto desastre ocasionado pelo desequilíbrio comportamental que nos cerca. O universo do amor existe. É só querer mergulhar em novos horizontes. O jornalismo oferta a fonte primacial para contar histórias leves de como alcançar novas metas. Vislumbrar o que é correto em políticas de decência e de dignidade. Encontrar o universo do amor, no endereço certo da nossa responsabilidade. Às vezes, a leitura de um simples romance pode aclarar caminhos. Somos apaixonados por livros e eles respondem aos nossos anseios de viver bem em sociedade. Ler com atenção e colher os frutos das belas histórias, como as trazidas pelo escritor Luiz Sérgio, em obras psicografadas vindas do espírito Irene Pacheco Machado, a mostrar que o "Universo do Amor" está à disposição.

*Jornalista

29 de junho de 2018

Padre Reginaldo Manzotti vem ao Ceará para lançamento de seu novo livro

O Padre Reginaldo Manzotti estará no Ceará neste final de semana para lançamento de seu novo livro “Combate Espiritual no dia a dia”, uma das obras mais vendidas no país de acordo com o Publish News, que faz o ranking semanal de vendas de livros.
Casamento, educação, ambiente de trabalho, momentos de crise financeira, profissional, crise na mente e na fé são os temas trabalhados no livro.
O lançamento será no dia 1 de julho, no ginásio poliesportivo Paulo Sarasate, às 16h. A entrada é o livro, que pode ser adquirido nas lojas Casa Pio, em Fortaleza e Região Metropolitana. O padre também estará na Praça da Juventude, porto do Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante, a partir das 17h.
Em São Gonçalo, haverá transporte saindo das praças das localidades de Salgado dos Moreiras, Cágado, Lagoa Nova, Espinhos, Serrote, Curral Grande, Várzea Redonda, Melância, Riacho dos Gomes, Sede, Croatá, Violete, Umarituba, Siupé, Paul, Carapebas, Caiçara, Acende Candeia, Bolso, Taíba, Guaribas, Parada, Colônia, Varjota e Multirão, a partir das 15h.
Serviço:Lançamento do livro Combate Espiritual no dia a dia, de Padre Reginaldo ManzottiFortaleza
Dia: Domingo, 1 de julho de 2018.
Horário: 16h
Local: Ginásio poliesportivo Paulo Sarasate
São Gonçalo do Amarante 
Dia: Segunda, 2 de julho
Horário: 17h
Local: Praça da juventude, Pecém.

Tribuna do Ceará

Reunindo obras de Sérvulo Esmeraldo e de artistas tributários de seu trabalho, a mostra "A Intenção e o Gesto" chega ao seu último fim de semana

Sérvulo Esmeraldo tinha 87 quando saiu de cena, em fevereiro passado. Era não apenas um artista consagrado, pelas instituições da arte, como uma referência rica para seus pares, criadores de diversas linguagens. Prova disso é que, passado pouco mais de um ano de sua morte, Sérvulo é o protagonista de uma mostra coletiva, que dá conta da permanência de seu trabalho e de como ele reverbera naquilo que novas gerações de artistas produzem.
"A Intenção e o Gesto" entra em seu último fim de semana, em cartaz no Museu da Indústria e no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). A mostra foi organizada pelo crítico de arte e curador independente Marcus Lontra. Ela integra a programação do Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, considerado a mais importante iniciativa do gênero no Brasil.
O prêmio é uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Em Fortaleza, a exposição tem o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
Fortaleza será a única cidade do Nordeste a receber a sexta edição do Prêmio, com circulação iniciada no ano passado, em São Paulo, seguida por Brasília e Goiânia. Após a capital alencarina, a tríade de mostras segue para as cidades Rio de Janeiro (julho a setembro) e Florianópolis (outubro a fevereiro de 2019).
Industrial
"A Intenção e o Gesto" é uma das ações do projeto Arte e Indústria, iniciativa que homenageia artistas em cuja obra se fizeram presentes processos relacionados à produção industrial. Sérvulo Esmeraldo é um nome que, de pronto, é lembrado. Embora longe de ter uma obra mecânica ou impessoal - como um produto saído de uma linha de montagem -, muitas vezes o artista viveu dias de projetista, para criar parte de suas peças, com materiais e dimensões os mais diversos que se possa pensar. Como um engenheiro, traçou planos no papel e necessitou de maquinário para dar vida às suas criações.
O cearense é considerado um dos pioneiros da arte cinética no Brasil. Ao todo, 40 obras de Sérvulo foram selecionadas para a mostra.
Espaços
No espaço expositivo do Museu da Indústria, Marcus Lontra reuniu ainda trabalhos de 10 artistas, que dialogam com o de Sérvulo: Almandrade, Ana Maria Tavares, Angelo Venosa, Arthur Lescher, Delson Uchoa, Hildebrando de Castro, Guto Lacaz, Iran do Espírito Santo, Jaildo Marinho, Raul Córdula e Paulo Pereira.
Já no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, do CDMAC, estão montadas duas exposições ligadas ao projeto, além de parte de "A Intenção e o Gesto". O conjunto das mostras ocupa todo o MAC. Uma delas reúne os trabalhos dos cinco artistas vencedores da sexta edição do Prêmio Marcantonio Vilaça - Daniel Lannes, Fernando Lindote, Jaime Lauriano, Pedro Motta e Rochelle Costi.
A outra, "Verzuimd Braziel - Brasil Desamparado", do curador premiado Josué Mattos, conta com obras de André Parente, Anna Bella Geiger, Carla Zaccagnini, Cildo Meireles, Clara Ianni, Dalton Paula, Daniel Jablonski e Camila Goulart, Daniel Santiago, Ivan Grilo, Lourival Cuquinha, Regina Parra, Regina Silveira, Santarosa Barreto, Thiago Honório, Thiago Martins de Melo e Vitor Cesar.

Uma obra em movimento

Sérvulo Esmeraldo (1929- 2017) está presente no universo artístico. "A intenção e o gesto" não é um caso isolado. Um ano depois de sua morte, o artista cearense continua a ser notícia, numa constante aparição e reaparição de sua obra.
Em seus últimos anos, já estava envolvido num processo de rememoração de sua trajetória. Neste movimento, merece destaque o livro "Sérvulo Esmeraldo: a linha e a luz", publicado em 2015 e assinado pela jornalista Dora Freitas e a historiadora Silvia Furtado. A dupla foi auxiliada pela curadora Dodora Guimarães Esmeraldo, companheira de vida e parceira de trabalho de Sérvulo. Gestada ao longo de 10 anos, a obra reúne iconografia e análise, abrindo espaço para depoimentos e memórias do artista, em diálogo com rascunhos de obras e fotografias de seu acervo pessoal.
O artista também viu montada "Sérvulo Esmeraldo: A Linha, A Luz, O Crato". A exposição, aberta na Universidade Regional do Cariri (Urca), tinha uma importância adicional, já que Sérvulo é um filho da cidade e um nome importante para a consagração do Cariri como terra de artistas - em especial, da tradição popular.
"Sérvulo Esmeraldo, o Artista Homenageado" foi o nome de uma instalação, montada durante a edição deste ano da Maloca Dragão. No centro, estava a escultura La Femme Bateau, parcialmente destruída no começo do ano, após ser arrastada por uma ressaca no mar da Praia de Iracema. O artista ainda foi homenageado na XIX Unifor Plástica, no fim do ano passado. O tema da edição foi "Uma constelação para Sérvulo Esmeraldo".
informações
Diário do Nordeste

Amor

Gonzaga Mota*
Amor é uma pequena palavra, apenas quatro letras, mas abrange os sentimentos puros e abandona os impuros da pessoa humana. Acredito que "amar a Deus e ao próximo como a si mesmo" resume a verdadeira razão de viver. Compreender os limites estabelecidos pela providência Divina conduz à liberdade e à felicidade.
Assim, "o amor que visa apenas ao sexo é paixão; o que visa ao agradecimento é vaidade e o que visa à amizade é verdadeiro". Mediante a sabedoria - bons pensamentos e boas ações - evita-se tanto a violência interna como a externa. Sem dúvida, o mundo exterior é um reflexo do mundo interior, este baseado em virtudes e em inspirações saudáveis.
Ademais, não só por palavras, mas principalmente através de atitudes, pode-se evidenciar comportamento compatível com os valores interiores e exteriores. Como disse São Francisco de Assis: "A cortesia é irmã da caridade, que apaga o ódio e fomenta o amor".
A rigor, o poeta quando fala em amor, geralmente, está se referindo à solidariedade ou à fuga do sofrimento, bem como buscando o sentido da vida e não a vida sem sentido. Que as flores surjam sobre as ruínas; que as alegrias superem as desesperanças e as tristezas e que os bons sentimentos e desejos prevaleçam sobre os maus.
Deve-se ressaltar que a inveja, a vaidade, a ambição, dentre outros, não são sentimentos dignos, mas manifestações de sofrimento. Já a generosidade, a misericórdia, a gratidão, etc, representam forças vindas do coração. Creio que o amor e a sabedoria, virtudes concedidas pelo Senhor, são fundamentais para se vencer os desafios.
*Professor aposentado da UFC

Conta de luz não poderá mais ser paga em lotéricas

Conta de luz
A partir do dia 5 de agosto, as casas lotéricas não receberão mais pagamentos de contas da Enel (antiga Coelce). A medida é motivada pelo encerramento do contrato de arrecadação da Caixa Econômica Federal com a Enel, devido ao reajuste de cerca de 40% proposto pela Caixa na tarifa cobrada para receber as faturas nas lotéricas.
 
Como alternativa às lotéricas no Ceará, que contavam com cerca de 377 pontos, a Enel está disponibilizando mais de 2 mil agentes arrecadadores no Estado para pagamento das contas de luz, como supermercados, farmácias ou grandes comércios, por exemplo.
 
lista completa dos 2.190 pontos de arrecadação disponíveis no Ceará está disponível no site da distribuidora.
 
Os clientes de bancos conveniados (Banco do Brasil, Santander, Bradesco e Caixa Econômica Federal) têm a possibilidade de cadastrar suas contas em débito automático pelo site da companhia, pela Central de Atendimento (0800 285 01 96) ou em uma das lojas de atendimento da distribuidora.
 
É possível também realizar o cadastro pelos canais de atendimento (Internet Banking, app ou agência) dos próprios bancos.  
 
O debito automático é uma comodidade oferecida pela distribuidora e conta com, aproximadamente, 90 mil clientes em todo o estado.
 
O cliente que optar por não cadastrar em débito automático também pode pagar a fatura por meio do serviço de Internet Banking e canais de autoatendimento (caixa eletrônico) dos bancos conveniados, desde que seja correntista. A companhia reforça que a Caixa Econômica continua recebendo pagamento das contas de luz de correntistas do banco em seus canais eletrônicos – o contrato só está sendo encerrado apenas para arrecadação nas casas lotéricas.

Diário do Nordeste

O bom combate da fé

Padre Geovane Saraiva*

A obra redentora de Deus, em sua inexprimível bondade, ternura e mistério de amor, fazendo-se homem, quis e quer eternizar a criatura humana, restaurando-a e reconciliando-a consigo. É dentro desse contexto que a Igreja comemora São Pedro e São Paulo, homens simples e humildes, fundamentalmente marcados pela graça de Deus, que, para os seguidores do Filho de Deus, no decorrer dos séculos, foram imprescindíveis, ao marcar e personificar a Igreja de um modo ininterrupto em toda a sua história. 

Resultado de imagem para sao pedro e sao pauloDeus Nosso Senhor nos concede, ao celebrar São Pedro e São Paulo, a renovação de nosso ardor missionário, no sopro do Espírito Santo de Deus. Pela hierarquia, a Igreja tem sua plenitude, com sacramentos, vigor do anúncio e estrutura visível, estando à frente as criaturas humanas e como primeira delas, hoje, o Papa Francisco. 

Paulo nos aponta a Igreja, que tem na sua essência a missão, reservando-lhe o incomparável cognome de mestre e doutor das nações. A grande verdade é que os dois edificaram, pela mesma fé no Filho de Deus, a linhagem sagrada já aqui na terra, a família dos seguidores de Jesus de Nazaré.

Eles nos entusiasmam a viver a nossa fé, na fidelidade a Jesus, alimentando-nos de sua palavra e de seu corpo e sangue, voltados, evidentemente, para a realidade de dor e sofrimento de muitos irmãos e irmãs, na qual estamos inseridos. Ensinam-nos também, na esperança do prêmio eterno, que é possível repetir a mesma façanha, por eles vivida e ensinada, no bom combate da fé e, igualmente, na convicção de que Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo.

Pedro e Paulo nos conduzem à contemplação do mistério de nossa fé, não só pela ausculta e percepção da Igreja como instituição divina, mas também pelos seus ensinamentos. A Igreja, ao proclamar a mensagem de um Deus afável e terno às pessoas do nosso tempo, mostra-nos, de modo pedagógico, que Ele se fez homem e se encarnou na História, oferecendo-nos a salvação. Manifesta-nos, sem nenhuma dúvida e ilusão, a solução em Deus, como único e verdadeiro caminho. Desse modo, somos motivados, pela força da sua graça, a ultrapassar a realidade terrena, no sonho das aspirações mais profundas do ser humano: a eterna felicidade! Assim seja!

*Padre, Jornalista, Colunista e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE. Da Academia Metropolitana de Letras de Fortalezageovanesaraiva@gmail.com

UE alcança acordo sobre migração

IMMIGRATION
Os líderes da União Europeia (UE) aprovaram na madrugada desta sexta-feira uma série de propostas para responder às preocupações de países como a Itália envolvendo a migração, com algumas medidas, em particular a criação de centros para migrantes, de caráter voluntário.
Pressionados pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, que ameaçou boicotar a declaração conjunta da reunião se não recebesse uma resposta a suas demandas, o acordo foi anunciado às 4H30 (23H30 de Brasília, quinta-feira), após nove horas complexas negociações em Bruxelas.
“Os 28 líderes da UE concordaram com as conclusões do Conselho Europeu, incluindo sobre imigração”, tuitou o presidente da instituição, Donald Tusk.
“A Itália já não está só”, celebrou o chefe de Governo do país, que exigiu nos últimos anos mais solidariedade dos sócios europeus na divisão dos quase 500.000 migrantes que chegaram a suas costas desde 2015.
“Este acordo reconhece que a gestão dos fluxos migratórios deve ser organizada com um enfoque integrado, como havíamos pedido, no plano interno e externo, e com um controle de fronteiras”, disse Conte.
Uma das propostas mais importantes passa pela criação voluntária de “centros controlados” para migrantes nos países da UE, onde aconteceria uma seleção das pessoas resgatadas no mar, entre aqueles que podem receber asilo e os que devem ser devolvidos a seus países de origem.
 
A divisão dos refugiados, aqueles que receberam a proteção internacional, também acontecerá de maneira voluntárias, antes da reforma das regras europeias de asilo, uma medida celebrada pelos países do leste do continente, contrários a receber refugiados na última crise migratória.
O premier polonês, Mateusz Morawiecki, cujo país se negou a acolher os refugiados no plano de divisão adotado entre 2015 e 2017, celebrou o “ótimo compromisso”. “Há declarações sobre recolocações de caráter voluntário baseadas no consenso”.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que compareceu a sua primeira reunião europeia, considerou que “não é o melhor dos acordos”, mas apontou a realidade diferente de cada país.
– ‘Plataformas de desembarque’ –
O catálogo de propostas, três anos após a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial e em um contexto de redução drástica das chegadas de migrantes, também passa por uma proteção maior das fronteiras e por uma cooperação com os países de origem e trânsito, sobretudo na África.
Em suas conclusões, os governantes exigem que as instituições comunitárias “explorem rapidamente o conceito de plataformas regionais de desembarque”, em cooperação com terceiros países, a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Estas plataformas situadas fora da UE, para onde seriam levados os barcos ajudados no mar como uma medida para impedir as perigosas travessias do Mediterrâneo, também teriam a responsabilidade de diferenciar os migrantes, “respeitando plenamente o direito internacional”.
Este tipo de plataforma, que poderia ser instalada no norte da África, representaria uma resposta a crises como as do “Aquarius” e “Lifeline”, barcos com migrantes a bordo que atracaram em outros países depois que a Itália impediu sua entrada. Marrocos rejeitou na quinta-feira receber as plataformas.
Os europeus priorizam assim a proteção das fronteiras ante os migrantes em uma reunião que deveria, a princípio, alcançar um “consenso” sobre a nova política de asilo conhecida como Regra de Dublin, objeto de uma tentativa de reforma há mais de dois anos.
Esta legislação europeia estabelece que o primeiro país europeu em que um migrante pisa é o responsável por administrar o pedido de proteção internacional, algo insustentável para os países mediterrâneos que exigem a solidariedade dos sócio.
Os líderes europeus reconhecem assim a necessidade de chegar a um consenso com base em “um equilíbrio de responsabilidade e solidariedade”. Eles pediram ao Conselho da UE, que será presidido a partir de julho pelo governo conservador da Áustria, a continuidade dos trabalhos para uma conclusão o mais rápido possível.
– ‘Movimentos secundários’ –
Dirigentes como o presidente da Eurocâmara, Antonio Tajani, ou a chanceler alemã, Angela Merkel, haviam advertido que a UE jogava seu futuro, ou pelo menos o de seu espaço de livre circulação, caso os países não alcançassem um acordo sobre a política migratória.
Merkel também enfrenta o futuro de seu governo de coalizão desde que seu ministro do Interior ameaçou impedir de maneira unilateral a entrada de demandantes de asilo procedentes de outros países da UE na Alemanha, principal destino dos refugiados que chegaram às costas europeias nos últimos anos.
Os dirigentes europeus também pediram a adoção de “medidas legislativas e administrativas” internas para frear este fenômeno conhecido como “movimentos secundários”, que poderia colocar em perigo a circulação de pessoas.
A chefe de Governo da Alemanha se declarou otimista ao fim da reunião, mas admitiu que há muito trabalho a fazer para aproximar os diferentes pontos de vista.
A “cúpula das cúpulas”, nas palavras de um funcionário europeu de alto escalão, deixou em segundo plano a difícil negociação do Brexit, dominante nas reuniões anteriores, e as propostas de reforma da zona do euro.

(AFP)
Aleteia

Projeto Voar; Iniciativa atua com programa de coaching gratuito para pessoas de baixa renda

O Coaching é um processo evolutivo capaz de ser aplicado em qualquer contexto pessoal, profissional ou empresarial, como por exemplo quem busca emagrecer, melhorar o seu relacionamento, mudar de carreira, ter mais foco para estudar, enfim, pode ser utilizado como ferramenta por pessoas das mais diversas áreas.
Milhões de brasileiros não tem acesso a esta metodologia que vem contribuindo de forma significativa na vida das pessoas . Foi pensando nisso que surgiu o projeto Voar, em dezembro de 2017.
A missão do projeto, que não tem fins lucrativos, é oferecer coaching gratuito para as pessoas de baixa renda, oportunizando desenvolvimento e capacitação através de aulas/sessões gravadas. O programa atua em diversos nichos como carreira, empoderamento, relacionamento, financeiro e emagrecimento.
Os programas de Coaching serão disponibilizados gratuitamente, por meio de uma plataforma online, após processo seletivo que terá como um dos critérios a comprovação de baixa renda. Os programas oferecidos serão entregues de forma segmentada por nichos através de aulas gravadas com acesso 100% online. As aulas foram gravadas por coaches de cada nicho e as ferramentas são auto aplicáveis.
Para a coaching May Medeiros, que atua em Fortaleza e faz parte do grupo de profissionais que abraçaram o projeto, essa é uma maneira fantástica de transformar vidas. May está a frente de uma empresa de desenvolvimento humano e tem como missão fazer com que as pessoas se sintam felizes e realizadas profissionalmente.

Resultado

Apesar do pouco tempo, a iniciativa já deu resultado. Veja o depoimento de quem já se beneficiou com o projeto:
Meu nome e Jaqueline Alcantara. Tenho 39 anos,casada,mãe de uma menina linda de 4 anos.A exatamente 4 anos mudei pra um vilarejo no interior da Bahia.E desde então desempregada e desmotivada. Esse ano passei a usar a rede social instagram que abriu uma janela de conhecimento para mim.Através do ig conheci o Projeto Voar.
Fiz a inscrição gratuita para pessoas de baixa renda.Fui selecionada e optei por coaching de carreira. Foram 12 sessões onlines inspiradoras com ferramentas maravilhosas que mudou minha percepção de mundo e como profissional. Sou altamente grata a todos os profissionais que fazem parte desse projeto.Sei que minha vida de agora em diante vai da uma virada. Meu ig e o @vida_reals onde conto também como foi essa experiência fantástica. Recomendo a todos que se inscrevam. Vale muito a pena.
Gratidão a todos”.

Para saber mais sobre o projeto e se cadastrar para ter o acesso gratuito: www.coachingvoluntario.com.br.
Boa Notícia

28 de junho de 2018

Espetáculo une dança, música e literatura na Unicamp

ACidade ON - Campinas | ACidadeON/Campinas
 

Espetáculo multimodal "De uma margem a outra" será apresentado nesta quinta. (Foto: Kassius Trindade) 
Em turnê pelo estado de São Paulo, o espetáculo multimodal "De uma margem a outra", com direção coreográfica de Daniela Gatti e musical de Jônatas Manzolli, explora um novo modo de criação em rede. Dança, música, literatura e tecnologia se entrelaçam num jogo poético de gestos, sons e textos. 
Em Campinas, a turnê tem início nesta quinta-feira (28), às 12h30, no IA (Instituto de Artes) da Unicamp. Na sexta (29), a apresentação será às 19h. Em seguida, o espetáculo ainda passa por São Paulo (5 e 6 de julho), Piracicaba (7 de julho) e Jaguariúna (8 de julho).

Baseado na estrutura literária do escritor Ítalo Calvino (1923-1985), sobretudo na contida no emblemático livro "Seis Propostas para o Próximo Milênio", o espetáculo, protagonizado pelo bailarinos e músicos formados pela Unicamp, encena ilhas interpretativas a partir de diversos temas, que criam um arquipélago imaginário.  
AS REPRESENTAÇÕES
As pontes representam passagens daquilo que é fixo, compacto e denso para o mutável e leve, até alcançar o sentido de transparência, que dissolve o que é denso e dá ao espectador a ideia de permeabilidade. O pêndulo liga o tempo ao espaco , movimento e som, criando pontes entre o fixo e o mutável e passa pela construção do fixo e do imutável para o contato físico e, em seguida, para a transparência, que dissolve o que é denso e dá ao espectador a ideia de permeabilidade

Neste contexto, o pêndulo, mais do que um elemento cenográfico, é então levado ao palco como uma síntese do denso e do leve, criando uma conexão por meio de movimentos que sugerem a construção de pontes entre o fixo e o mutável.

Composições coreográficas e musicais navegam juntas entre cenas dramáticas, resultantes da performance envolvendo músicos - duas percussões, uma flauta transversal e uma mezzo soprano -, e bailarinos integrados a fragmentos de poemas do moçambicano Mia Couto, que estruturam o perfil melódico da obra.

A tecnologia está presente em todo o espetáculo por meio de sensores de movimento e difusão eletroacústica, que viabilizam sonoridades granulares a cada sutil deslocamento dos artistas em cena.

A proposta de criação do espetáculo tem origem em parcerias anteriores entre os professores e diretores Daniela Gatti e Jônatas Manzolli, ambos do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - Matizes (2013) e a Ópera multimodal Descobertas (2016), criada para celebrar os 50 anos da universidade.

O projeto também conta com a colaboração de núcleos de pesquisa de criação artística - Núcleo Dança REDES, GRUPU Grupo de Percussão Unicamp e NICS. Assim como a obra de Calvino, a montagem está estruturada em seis movimentos: Peso, Leveza, Transparência, Pêndulo , Pele e Multiplicidade. 

Biblioteca Pública de Crato promove workshop gratuito

por 
Crato. Com objetivo em dinamizar ainda mais as ações da Biblioteca Pública Municipal, foi realizado, na tarde da última terça-feira, 26, o Workshop sobre o “Uso das tecnologias como ferramenta para uma boa apresentação pessoal e profissional”. A ação foi promovida pelo equipamento junto da Secretaria Municipal de Cultura.
O workshop foi ministrado pela professora Monica Suely, graduada em Administração de empresas e especialista em desenvolvimento e habilidades profissionais e gerenciais, e contou com a participação de 20 inscritos. O trabalho conta com o apoio do projeto Conecta Biblioteca, que é um programa nacional de estímulo a transformação social por meio das bibliotecas públicas.
A ação faz parte da programação que vem sendo desenvolvida pela Biblioteca Pública, através da pesquisa de comunidade realizada com a comunidade cratense, que teve o intuito de saber que tipo de atividade a população gostaria que acontecesse nas dependências do equipamento.
De acordo com o bibliotecário e coordenador da Biblioteca, Cícero Silva, dentre as atividades sugeridas, também serão realizados cursos básicos em informática para jovens, cursos de informática para melhor idade, e Excel para o planejamento financeiro em um período de aproximadamente seis meses.
Cícero acrescenta que a proposta principal do projeto é proporcionar aos participantes a aquisição de novos conhecimentos, assim como mostrar a importância do uso dessa ferramenta como meio de comunicação e interação social já que a internet é um dos meios de comunicação que mais ganhou espaço nos últimos anos.
Diário do Nordeste

XX Ceará Junino movimenta julho com festivais

Até chegar ao XV Campeonato Estadual do Ceará Junino, que acontece de 19 a 22 de julho em Fortaleza, as equipes têm que se classificar nos festivais regionais
O Ceará Junino 2018, desde 21 de junho, já começou a movimentar todo o Ceará com o ciclo de festivais culturais do mês de São João. A Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult) apoia mais uma vez através do edital o fomento da cultura típica do Nordeste, com o objetivo de incentivar eventos com programação cultural fiel às tradições juninas e que visem a preservação das tradicionais quadrilhas em todo o Estado. Em 2018, o edital direcionou quase 3 milhões de reais para o incentivo dos festivais regionais, quadrilhas e para o XV Campeonato Estadual Festejo Ceará Junino.
Ao todo, serão contemplados 17 festivais no interior e 8 etapas em Fortaleza, com 114 quadrilhas de todo o estado. Serão 86 adultas, 14 infantis e 14 quadrilhas da diversidade, uma nova modalidade criada nesta edição: "O edital das quadrilhas juninas esse ano teve uma ampliação, tanto no número de beneficiadas quanto na quantidade de categorias. A quadrilha da diversidade é para contemplar aquelas que não têm muito incentivo, como muitas quadrilhas do campo e de comunidades da zona rural", explica a secretária adjunta da Cultura do Estado do Ceará, Suzete Nunes.
Até chegar ao XV Campeonato Estadual do Ceará Junino, que acontece de 19 a 22 de julho em Fortaleza, as equipes têm que primeiro se classificar nos festivais regionais. São ao todo 114 microrregiões, passando por Maracanaú, Fortaleza, Quixadá, Campos Sales, Iguatu, Cariré, Tarrafas, Ipu, Russas, Crateús, Cascavel, Granja e Alto Santo, seguindo até o dia 14 de julho, em Amontada. Serão, ao todo, 18 etapas. Segundo Suzete, o edital Ceará junino, "o mais antigo da Secretaria da Cultura na área de patrimônio imaterial, tem ganhado força como uma política de reconhecimento, promoção e valorização do patrimônio e cultura do nosso estado", uma forma de fortalecer a identidade regional.
Do festival cearense, participam apenas as quadrilhas adultas, as três classificadas em cada uma das 18 etapas regionais. As quadrilhas competem como melhor quadrilha, incluindo coreografia, animação, figurino e casamento, melhor noivo, melhor noiva, melhor marcador, melhor rainha e melhor repertório. O festival premia individualmente as cinco melhores, o primeiro lugar ganha R$ 7 mil, e o quinto, R$ 2 mil. A Secult está investindo um total de R$ 2.915.800,00 em 138 projetos apoiados em todas as regiões do Estado.
"Esse é um movimento muito potente que tem uma dimensão simbólica muito importante para a identidade do Ceará e do ponto de vista social e econômico. Além de ser expressão popular, ele dinamiza uma economia local, pois mobiliza desde a costureira, o coreógrafo, até o comerciante", afirma a secretária adjunta. Segundo ela, o movimento tem se fortalecido muito durante os últimos anos, e as quadrilhas se empenham para obter o reconhecimento e qualificação. Nesse ano, os festivais chegam a ter equipes com mais de 400 brincantes.
Diário do Nordeste

Dois museus de Fortaleza recebem a circulação do Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça Para as Artes Plásticas

O TRIÂNGULO, conforme diz o curador Marcus Lontra, é uma das mais significativas formas na obra de Sérvulo Esmeraldo. Um dos recortes das exposições mostra os usos e a importância dessa geometria em diversas fases da carreira do cearense Foto Fábio Lima
O TRIÂNGULO, conforme diz o curador Marcus Lontra, é uma das mais significativas formas na obra de Sérvulo Esmeraldo. Um dos recortes das exposições mostra os usos e a importância dessa geometria em diversas fases da carreira do cearense Foto Fábio Lima
Dois museus de Fortaleza recebem a circulação do Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça Para as Artes Plásticas. Com homenagem ao artista cearense Sérvulo Esmeraldo (1929-2017), as atividades se dividem entre exposição com cinco artistas premiados, exposição de peças selecionadas por um curador premiado, exposição de 111 peças de Sérvulo e mostra de dez artistas que produzem obras em diálogo com a peças do cearense. É a sexta edição do prêmio e as visitações seguem abertas e gratuitas até domingo, 1º de julho.
“Foi uma avaliação para minha pesquisa. É difícil para quem faz o trabalho avaliar se está chegando naquilo que pretende. É importante saber que pessoas que estudam o assunto conseguem perceber um pouco do que estou fazendo”, pontua Fernando Lindote, um dos artistas premiados. O conjunto de exposições já passou por Brasília, São Paulo e Goiânia. Após Fortaleza, as peças seguem para Rio de Janeiro e Florianópolis - permitindo, assim, visibilidade para os trabalhos de todos os envolvidos.
Dodora Guimarães, viúva de Sérvulo e curadora de arte, explica que as exposições não têm caráter retrospectivo, mas prestam uma bonita homenagem e captam 111 peças produzidas ao longo de sete décadas. No Ceará, pontua o curador Marcus Lontra, o conjunto de exposições ganha reforço do acervo pessoal de Dodora e das peças existentes no Museu de Arte Contemporânea do Dragão do Mar. “Sérvulo tem essa poesia e essa relação da geometria brasileira”, pontua.
No Museu da Indústria são encontradas algumas peças raras do acervo de Sérvulo Esmeraldo e obras produzidas pelos 11 artistas contemporâneos que mantêm diálogo com o cearense: Almandrade, Ana Maria Tavares, Angelo Venosa, Arthur Lescher, Delson Uchoa, Hildebrando de Castro, Guto Lacaz, Iran do Espírito Santo, Jaildo Marinho, Raul Córdula e Paulo Pereira. Já no Museu de Arte Contemporânea, no Dragão do Mar, está um apanhado das peças de Sérvulo Esmeraldo, os conjuntos de obras dos cinco artistas agraciados pelo prêmio e uma exposição com obras de 17 artistas reunidas pelo curador premiado, Josué Mattos.
Exposição do 6º Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça Para as Artes Plásticas
Museu da Indústria
Onde: rua Doutor João Moreira, 143 – Centro
Quando: até domingo, 1º, quinta, sexta e sábado, das 9h às 17h; domingo, das 9h às 13h
Museu de Arte Contemporânea do Ceará
Onde: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema) Quando: até domingo, 1º, quinta e sexta, das 9h às 19h (último acesso às 18h30); sábados e domingos, das 14h às 21h (último acesso às 20h30) Visitação gratuita
Outras informações: 3421 5435
DODORA GUIMARÃES fez uma visita guiada com a equipe do O POVO pelos dois museus onde há exposições do prêmio
CENTO E ONZE peças de Sérvulo Esmeraldo estão expostas nos espaços ocupados pelo Prêmio Marcantonio Vilaça. Os visitantes têm a oportunidade de conhecer diversas facetas do artista cearense, como a produção de joias em variados materiais.
CINCO ARTISTAS foram premiados pelo Marcantonio Vilaça: Rochelle Costi (SP), Daniel Lannes (RJ), Fernando Lindote (SC), Jaime Lauriano (SP) e Pedro Motta (MG). Na foto, registro das fotografias de Rochelle que estão expostas no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar.
CALE A obra foi feita por Sérvulo Esmeraldo em 1967 e escolhida para abrir a exposição A Intenção e o Gesto, em cartaz no Museu da Indústria. O cearense, explica Dodora, pegou peças industriais usadas como “calços” de móveis e fez uma edição. “Editado como múltiplo e vendido até em supermercados”, diz a curadora. Os pedidos e vendas eram tantos que um representante da indústria, localizada na Alemanha, procurou Sérvulo para descobrir qual o destino de tantos “cales” encomendados pelo artista cearense. Apesar da capilaridade da peça, hoje há apenas notícia de um exemplar - pertencente a um coleção particular de São Paulo e gentilmente cedido para compor o conjunto de mostras do prêmio.
 O Povo

Ícone da literatura brasileira, Guimarães Rosa completaria 110 anos

O escritor João Guimarães Rosa
"Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração. Não é que esteja analfabeto. Soletrei, anos e meio, meante cartilha, memória e palmatória”.
A genialidade e as vivências de João Guimarães Rosa nos sertões do norte de Minas Gerais fizeram surgir preciosidades da literatura brasileira, como os trechos acima de Grande Sertão: Veredas, romance do autor, publicado em 1956. Hoje (27) é celebrado 110 anos do nascimento de Guimarães Rosa que reproduziu a essência do sertanejo e eternizou o sertão em suas obras. Também escreveu o livro de contos Sagarana e o ciclo novelesco Corpo de Baile.
Contista, novelista, romancista e diplomata, Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) em 27 de junho de 1908, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 19 de novembro de 1967. É um dos autores mais estudados e Grande Sertão: Veredas um dos livros mais importantes da literatura brasileira.
O Instituto de Estudos Brasileiros, da Universidade de São Paulo, possui um banco de dados bibliográficos dedicado exclusivamente a Rosa, com quase 5 mil registros.
“É um dos maiores artistas da palavra do país, leitor de dicionários, um colecionador de palavras e expressões, um estudioso de línguas”, define o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Gustavo de Castro e Silva, que faz um estudo biográfico aprofundado de Guimarães Rosa, para montar o perfil e uma linha do tempo da vida do autor.
Segundo o professor, era um homem muito voltado para a família e para o trabalho, que não gostava de ter a vida social exposta. Um mineiro quieto por natureza e introvertido. Amigo de Juscelino Kubitschek, Guimarães Rosa assinou muitos passaportes de judeus durante a segunda guerra mundial, para virem ao Brasil, enquanto era cônsul em Hamburgo, na Alemanha, de 1938 a 1942. “Foi um homem muito sensível”, disse o professor.
Castro e Silva conta que Grande Sertão: Veredas foi escrito de “supetão”, em apenas sete meses. “Ele foi um desdobramento de Corpo de Baile, era um conto desse livro e aí o conto foi crescendo e virou Grande Sertão: Veredas”, contou.
A narrativa é marcada por neologismos e regionalismos. “Ele inaugura um tipo de liberdade poética na literatura brasileira. Quando ele está na França, na Alemanha, ele não esquece Minas Gerais. A saudade de Minas Gerais é crucial para sua elevação, ele escrevia com saudade do sertão”, disse o professor.

O Caminho do Sertão

Inspirada na obra de Guimarães Rosa, a Agência de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Vale do Rio Urucuia em correalização com a prefeitura de Arinos (MG) desenvolve desde 2014 o projeto O Caminho do Sertão, que promove um mergulho socioambiental e literário no universo do escritor e no cerrado sertanejo.
Este ano, 57 pessoas foram selecionadas para a caminhada de 186 quilômetros pelos vales dos rios Urucuia e Carinhanha, entre os dias 7 e 15 de julho. A jornada, que começa em Sagarana (MG), percorre parte do caminho realizado pelo personagem Riobaldo e seu bando, figura central do livro Grande Sertão: Veredas, passando pelo platô Liso do Sussuarão, na Serra das Araras, e terminando em Chapada Gaúcha (MG).
A estudante de licenciatura em História, Julia Chacur, de 21 anos, fez a caminhada no ano passado. “Encontro é uma das palavras que usaria para descrever essa experiência”, contou à Agência Brasil. “Foi também um reencontro com Guimarães Rosa. Já tinha lido o livro, mas lá me reencontrei com a literatura, os espaços e a linguagem […] Foi uma experiência de intimidade com o livro, o povo e a paisagem”.
Além do reencontro com a literatura, Julia relata a partilha e a cumplicidade com as outras pessoas que fazem a caminhada, além da experiência íntima que viveu. “Outro encontro muito importante, é o encontro consigo mesmo. É uma experiência transformadora”, disse, contando sobre as intervenções culturais que vivenciou durante a caminhada.
O projeto Caminho do Sertão é colaborativo e conta com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, várias parcerias e uma campanha de financiamento coletivo, para quem quiser contribuir.
“Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera.”
Agência Brasil

27 de junho de 2018

Em "Supernormal", Pedro Henrique Neschling combate a intolerância ao abordar a transexualidade em livro

Pedro Henrique Neschling
O autor Pedro Henrique Neschling: "tive cuidado em pesquisar a realidade das transexuais"
Pedro Henrique Neschling continua mais lembrado como ator, diretor, roteirista e dramaturgo, mas sua carreira como escritor ganha contornos cada vez mais nítidos. Depois de estrear em 2015 com "Gigantes", no qual, ao acompanhar os anos de amadurecimento de cinco amigos, mostrou o caminho da transformação do homem, ele retoma seu interesse pelos relacionamentos humanos (que norteia sua literatura) em "Supernormal", com um tema ao mesmo tempo delicado e urgente, especialmente em tempos de intolerância.
Beto é um rapaz cuja vida segue uma linha sem grandes novidades: jovem advogado, trabalha no escritório da mãe e, quando não está almoçando com colegas do trabalho, mata o tempo ouvindo suas bandas preferidas. Até o momento em que conhece Helena - na verdade, trata-se de André, seu melhor amigo na adolescência e que agora é uma mulher trans. Depois do choque, Beto sai da zona de conforto e não apenas tenta entender a transição enfrentada pelo amigo como também passa a levantar dúvidas sobre sua própria realidade.
"No livro, trato justamente das rupturas da norma", comenta Neschling. "Em nossa sociedade patriarcal e machista, uma mulher se desconstruindo como protagonista não serviria a isso. Quem entra nessa espiral de autoquestionamento precisava ser o 'padrão do padrão', o detentor maior de privilégios, ou seja, um sujeito como o Beto", justifica o autor.
"E esse processo é justamente consequência do reencontro com essa pessoa tão importante em seu passado, que é uma mulher trans e que ele jamais imaginou ser assim quando conviviam. Descobrir a transição sexual pela qual Helena passou gera um outro tipo de transição no Beto. E é disso que o livro trata", completa.
Pesquisa
Cuidadoso, o escritor fez uma intensa pesquisa antes de começar a escrever, a fim de evitar mal-entendidos. "Em termos de protagonismo, a história fala do Beto, homem branco hétero cisgênero, bastante privilegiado, e sua dificuldade de lidar com o desconhecido, com o diferente", conta.
"No entanto, tive bastante cuidado em pesquisar, entrevistar e me aprofundar na realidade das transexuais para evitar construir Helena - personagem fundamental na história - como qualquer tipo de estereótipo clichê de uma trans na visão cisgênera e, mais que isso, escorregar nas muitas cascas de banana que a ignorância sobre a realidade dessas pessoas me colocava", avalia.
Além de ler e de assistir a inúmeros documentários, Neschling conversou com mulheres trans generosas e disponíveis que compartilharam suas histórias e experiências.
Papel fundamental teve Amara Moira, travesti, doutora pela Unicamp. "Costumo dizer que é uma pessoa que veio do futuro", observa Neschling. "Esse encontro foi fundamental para o livro ser como é. A leitura e os apontamentos editoriais da Amara - não só por sua vivência trans, mas por ser uma escritora e crítica literária fantástica - foram fundamentais para dissolver os nós que ainda estavam ali e eu não sabia mais identificar".
Desconstruir
Se, em "Gigantes", Neschling revela seu cuidado ao tratar de transições que configuram a vida de uma pessoa quando adulta, em "Supernormal" ele avança em um terreno movediço, mas volta de lá com troféus. Engana-se, por exemplo, quem acreditar que o livro se concentra em torno de Helena - depois da surpresa provocada pela sua entrada na trama, Neschling equilibra o interesse do leitor entre a trajetória de Helena e a desconstrução sofrida por Beto.
"Trato da desconstrução do Beto através da Helena, falo sobre o momento em que nos questionamos se o que somos é o que queremos ser ou se somos meros reféns do caminho que percorremos", conta o escritor, decidido a levar a história ao cinema.
"E a amizade e o carinho que Beto e Helena têm um pelo outro é a mola que o impulsiona nessa jornada de autorredescobrimento, e, claro, como qualquer mudança interior, nunca é imediata. Busquei deixar essas dificuldades claras, assim como as inevitáveis recaídas em busca do antigo mundo comum".
Como vivemos em um momento de transição ("Estamos entre o que deixou de ser e o que ainda não é", já afirmou Zygmunt Bauman), isso se torna ainda mais desafiador. "Torço para que os conflitos do protagonista desse livro toquem e questionem as pessoas hoje, mas, daqui a algum tempo, que pareçam risíveis de tão antiquadas para novas gerações". (Agência Estado)

o livro
Diário do Nordeste

Festival Arajara Jazz e Blues, em Barbalha, acontece neste final de semana

por 
A banca caririense BluesIN é uma das atrações. (Foto: Divulgação)
Barbalha. Pela primeira vez, a Terra dos Verdes Canaviais irá sediar um festival de jazz e blues, que promete entrar para o calendário dos festejos do Município. O distrito de Arajara, no sopé da Chapada do Araripe, foi o local escolhido para receber, na próxima sexta feira (29), o Arajara Jazz e Blues. São mais de 12 atrações que subirão no Palco Soldadinho-do-Araripe – em homenagem ao pássaro símbolo da região – até o dia 1º de julho. A entrada é gratuita.
Um dos artistas do festival é o compositor e cantor Luiz Fidélis. O músico caririense possui um repertório de mais de 200 canções e cerca de 25 anos de carreira. Compôs para vários artista brasileiros, entre eles: Elba Ramalho, Dominguinhos, Fagner, Quinteto Violado e Frank Aguiar. Nos anos 90 fez parceria com a Banda Mastruz com Leite, lançando músicas que retratam a vida do cidadão do interior nordestino com repercussão nacional.
Quem também subirá ao palco do festival é a banda Bluesin que buscou um timbre musical inspirado nas origens do blues norte-americano e nos ícones do rock’n roll das décadas de 1970 a 1990. Nascido no enorme celeiro artístico/cultural que é o Cariri Cearense, o trio composto por Pedro Grangeiro (guitarra e vocal), Dion Saraiva (bateria) e Emerson Gomes (contrabaixo) executa interpretações de grandes bandas e artistas como Jimi Hendrix, Led Zeppelin, The Beatles, Eric Clapton e Stevie Ray Voughan.
Tributo
O cantor e compositor Valdi Júnior, natural de Exu (PE), terra de Luiz Gonzaga, é outra atração do festival. O artista fará um tributo a cantor cearense Belchior, morto em abril do ano passado. Filho do músico Valdi Geraldo Teixeira, que atuou junto ao Rei do Baião, Valdi teve contato com a música desde pequeno. Durante a adolescência, conheceu a dança, o break da cultura Hip-hop e foi nesse período que sua cartela musical foi sendo ampliada. O xote, o baião e o xaxado, típicos da sua região, ganharam a companhia de novos ritmos como o Rap, o blues e a MPB.
Trilhas
Durante o festival, quem gosta de se aventurar praticando mountain bike ou fazer aquela caminhada pode se embrenhar nas diferentes trilhas da Floresta Nacional do Araripe. Uma das melhores vistas é alcançada na Trilha do Mirante do Picoto de Arajara, de cerca de 8 quilômetros. Do topo é possível avistar cinco cidades, inclusive Juazeiro do Norte com vista da estátua de Padre Cícero.
Outra trilha bastante conhecida é que passa pelo Cruzeiro do Farias e chega no Picoto da Macaúba, também chamado de Mirante de Seu Mundô, um senhor que viveu até mais de 80 anos dentro da floresta, colaborando com os programas de preservação e estudo do Ibama. O mirante forma uma emocionante passarela suspensa, natural, que feito um “narigão” se insinua no meio das alturas da chapada e pela qual pode-se desfrutar de uma visão privilegiada tanto encosta, quanto da parte ocupada pelas comunidades da encosta e do Vale do Cariri.
Para participar das trilhas é preciso fazer uma inscrição pelos números (88) 9 9936-550 / (88) 9 8106.9944 e pagar uma taxa de R$ 20.
O local
“Arajara” na língua dos índios Kariris, os primeiros habitantes da região, significa: “lugar de fontes de águas cristalinas”. E Arajara é exatamente isso. O distrito fica a 920 metros de altitude, atinge temperaturas de 16ºC durante os meses de junho e julho, e tem entre atrações a Caverna do Farias, uma gruta com cerca de 100 milhões de anos, onde existem registros de vida pré-histórica e de onde jorram cerca de 200 mil litros de água por hora, uma das principais fontes de água mineral da Chapada. Hoje, a gruta faz parte do complexo turístico Arajara Park.
Apoio
O Arajara Jazz e Blues 2018 é uma realização da MB Produções e J A Lima Produções e tem o apoio do Governo do Estado, Sesc, IKnet, Arajara Park, Instituto Agropolos do Ceará, Escola de Saberes de Barbalha, Solibel, Vila da Música e Balaiu’s Comunicação.
Programação
Dia 29 de junho (sexta-feira)
18h30: Terreiro Cultural Arte e Tradição
19h30: Ney Alencar
21h: João do Crato
22h: Luiz Fidelis

Dia 30 de junho (sábado)
19h: Fernando Félix
20h: Flash 92
21h30: BluesIn
22h30: Calazans e Banda Trimurti

Dia 1º de julho (domingo)
16h: Miguel e Iara
17h: Terreiro Cultural Arte e Tradição
18h: Testa de Veludo
19h: Valdi Junior


Diário do Nordeste

Literatura e futebol sempre estiveram do mesmo lado do campo

Fosse vivo, o escritor e jornalista Eduardo Galeano teria cerrado as portas de casa antes de ontem. Por volta das 11 horas, pouco antes da 33ª partida da Copa do Mundo, pela qual Uruguai e Rússia se enfrentaram, afixaria uma placa na entrada com os dizeres: “Fechado por futebol”. E de lá não sairia até o final do dia glorioso, eufórico após a vitória da amada Celeste, que avança invicta às oitavas de final para o Portugal de Cristiano Ronaldo.
Um prato cheio pra Galeano. Autor de Futebol ao sol e à sombra, o uruguaio dizia que o esporte espelhava a vida. Não apenas jogo, mas espetáculo cujo desfecho representava o cruzamento do imponderável com a técnica. Como um bom livro, cada peleja guarda narrativa própria, ora injusta, ora trágica, ora de heroísmo, mimetizando a ficção e transbordando o real.
Escritor, jornalista e filósofo franco-argelino, Albert Camus também via no futebol esse amálgama de coletividade e indivíduo. Talvez o único goleiro da história a vencer não o troféu de um campeonato mundial, mas o Prêmio Nobel de Literatura (1957), Camus costumava responder a quem lhe perguntasse: “O que eu sei sobre a moral e as obrigações de um homem devo ao tempo em que joguei futebol”. Não exagerava.
Afastado dos gramados ainda jovem por uma tuberculose, o escritor passou a dedicar-se integralmente à literatura. As linhas dos campos e as das letras, entretanto, iriam se influenciar mutuamente, e mesmo sua posição no Racing de Argel, time pelo qual atuou na Argélia, antecipava a matéria-prima de que se serviria para escrever A peste e O estrangeiro: a solidão do homem em face da história que se desenrola diante de si.
Afinal, o goleiro tem perspectiva cinematográfica da batalha, o que faz dessa posição a mais literária numa equipe esportiva e ajuda a explicar o fato de outro craque da literatura também haver preferido esse lugar a qualquer outro entre as 11 escalações de um time. Natural de São Petersburgo, palco do jogo entre Brasil e Costa Rica na última sexta-feira, o russo Vladimir Nabokov também desempenhou a função de guardador da meta, assunto sobre o qual escreve no livro Fala, memória (Alfaguara). Ali, no espaço restrito da grande área, o autor de Lolita exercitou uma qualidade atlética e estética que depois usaria como escritor: a aguda consciência da movimentação dos jogadores-personagens como elemento vital numa partida.
A vida de arqueiro também renderia obras menos conhecidas, como O medo do goleiro diante do pênalti, romance do austríaco Peter Handke levado aos cinemas por Wim Wenders em 1972 no qual um homem comete um assassinato depois de uma suspensão na partida.
No país que inventou o futebol-arte, porém, é ainda escassa a tradição literária – do ensaísmo e da ficção – a tratar do esporte de Pelé, Romário, Ronaldinho e Neymar. Salvo na crônica, na qual pontifica Nelson Rodrigues, os cinco títulos do Brasil em Copas do Mundo não ajudaram a assentar um interesse dos escritores nacionais pelos dramas vividos no gramado.
Há exceções, porém. O drible, romance do jornalista e escritor Sérgio Rodrigues que fabula as peripécias do craque Peralvo em meio a uma tentativa de reaproximação entre pai e filho, é uma delas. Outra é a coletânea de contos Maracanazo, de Arthur Dapieve.
No campo do ensaísmo, avançam rápido pelas laterais dois livros incontornáveis para quem se interessa por esse bate-bola entre literatura e arquibancada: Veneno-remédio, de José Miguel Wisnik, é um amplo painel sobre o papel do futebol na formação da cultura brasileira. E Dando tratos à bola, do historiador Hilário Franco Júnior, que recupera a dimensão coletiva desse esporte de origem aristocrática que, num lance imprevisível como as fintas de Garrincha, foi adotado pela classe operária.
ESTANTE
O DRIBLE
Sérgio Rodrigues
Cia das Letras
VENENO-REMÉDIO – O FUTEBOL E O BRASIL
José Miguel Wisnik
Cia das Letras
MARACANAZO E OUTRAS HISTÓRIAS
Arthur Dapieve
Alfaguara
O BERRO IMPRESSO DAS MANCHETES
Nelson Rodrigues
Agir
O Povo