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Judith Butler: novo livro aborda desde as manifestações de junho de 2013 no Brasil até protestos em Istambul

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Já tendo escrito sobre feminismo em "Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade" (2003) e cenários bélicos em "Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto?" (2015), Judith Butler mergulha na fronteira entre o público e o privado em seu mais novo livro, "Corpos em aliança e política das ruas", recém-lançado pela Editora Civilização Brasileira, pertencente ao grupo editorial Record.
Na obra, a escritora e filósofa norte-americana, uma das vozes mais contundentes da não-ficção contemporânea, mira em temáticas que vão desde as manifestações de junho de 2013 no Brasil até protestos do parque Gezi, em Istambul, passando pelo movimento Occupy Wall Street (EUA) e a Primavera Árabe. Sempre motivo de grande interesse por parte de ativistas e estudiosos, esse panorama de atos políticos ao redor do mundo chega aos leitores de forma analítica, através da atenta pesquisa de Butler sobre as formas e efeitos da reunião de grupos que acontecem de maneira repentina nos referidos acontecimentos.
Interessa a ela especialmente as particularidades das assembleias públicas improvisadas, levantando questionamentos que versam sobre o que é público e quem é considerado "o povo".
Ao atuar nos bastidores daquilo que preenche as manchetes de jornais e suscita efeitos diversos nos distintos lugares do globo, o exercício da autora é focar, dentre outros assuntos, na forma como as forças presentes na luta são nomeadas.
Estrutura
De maneira esquemática, o livro pode ser analisado em duas grandes seções, abarcando uma miríade de detalhes. A primeira delas - em que fazem parte os primeiros capítulos - focam em ocasiões de manifestações políticas em locais específicos e nas maneiras de assembleia que presumem modos pertencimento.
Já a segunda, delimitada pelos últimos capítulos, levantam ainda mais problemáticas, tais como as formas de obrigação ética. Será que elas se sustentam entre aqueles que não compartilham um sentido de pertencimento geográfico ou linguístico?
Circundando os conteúdos, ainda há espaço para que uma das principais questões levantadas pelo filósofo e sociólogo alemão Theodor Adorno (1903-1969) - um dos expoentes da Escola de Frankfurt - volte a ganhar repercussão: a dificuldade de encontrar uma maneira de perseguir uma vida boa em um contexto de uma sociedade estruturada pela exploração, desigualdade e formas de apagamento.
Expressão
Em certo momento da publicação, Butler escreve: "Se considerarmos por que a liberdade de assembleia é diferente da liberdade de expressão, veremos que é precisamente porque o poder que as pessoas têm de se reunir é (...) uma importante prerrogativa política, bastante distinta do direito de dizer o que quer que tenham a dizer uma vez que as pessoas estejam reunidas".
"A reunião significa para além do que é dito, e esse modo de significação é uma representação corpórea concertada, uma forma plural de performatividade", segue. São linhas que traduzem um esforço constante de compreensão das novas configurações do mundo no que toca à afirmação social, coletiva. E que colocam a autora estadunidense em um respeitado patamar na literatura.
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Diário do Nordeste

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