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Protegido pelo acaso

Carlos Delano Rebouças*
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Mais parece a mesma desculpa de que tudo conspira contra você; de que nada dá certo porque tinha que ser assim mesmo; e de que tudo é difícil, mesmo que tenha cara de fácil para tantas outras pessoas. Assim pensa e age uma legião de seguidores do pensamento de que tudo é justificado, porém, bem mais com os insucessos.

O fracasso nem sempre é visto como a confirmação de algo indesejado na vida. Muitas pessoas buscam por seu intermédio formas de se sair pela tangente, por vezes, à francesa, de uma situação indelicada e constrangedora de justificá-lo quando acredita que precisa apresenta justificativas diante dos insucessos alcançados na vida. Como se o êxito fosse único resultados de todas as investidas que fazemos na vida em busca de transformá-la, conquistando os objetivos traçados para uma vida mais confortável e tranquila.

Pena que não seja! O fracasso e o sucesso caminham juntos em antíteses e paradoxos nas nossas vidas, e precisamos aceitar que as possibilidades existem, para ambas, e que estão direta e absolutamente ligadas pela nossa postura como engenheiros de nossos sonhos e arquitetos de nossa realidade. Não podemos, aliás, devemos acreditar que podem acontecer do inesperado, bem como creditar ao acaso a culpa pelos resultados indesejados, mesmo que não sejam, sensatamente, inesperados, levando em consideração as mais diferentes maneiras de nos postar na posição de regentes de nossas vidas.

Certa vez, ouvido uma canção, daquelas que mais parecem em extinção, pude oportunamente fazer uma reflexão sobre o homem, de como se enxerga e se comporta em sociedade, e o mundo, assim como das consequências de nossas egoístas atitudes e das covardes reações demonstradas.

Como a banda Titãs foi feliz em nos oferecer “Epitáfio” e nos permitir a reflexão de que o muito do que deixamos de fazer, que ficou sob os cuidados do pretérito imperfeito, poderia ser diferente se não tivéssemos escolhido justificar a falta de coragem, de atitude e comprometimento em realizar nossos sonhos como consequências do acaso, tendo-o como um escudo protetor, uma blindagem e uma gama de argumentos nem sempre convincentes de que representa uma verdade, plenamente absoluta que justifica sem questionamento!

Na verdade, salutar não é proteger-se com os insucessos, encontrando neles uma saída aparentemente inteligente para justificar os fracassos. Também não é recomendável transferir a suas responsabilidades para acaso, se por acaso venha parecer, ou mesmo significar, a mais cômoda justificativa a se apresentar a quem acredita que deve dar satisfações.

Se para o acaso existe crença, quem há de questionar ou polemizar? Temos total liberdade de manifestar nossos pensamentos e nossas opiniões mesmo que pareçam caminhar na contramão da insensatez, do imponderado, do absurdo. Contudo, precisamos entender que os resultados de nossas escolhas podem até ser divididos quem nem sempre se partilha a responsabilidade, apenas colhe os frutos, sejam eles indigestos ou não, e com essa certeza é que precisamos ser mais comprometidos com os nossos objetivos de vida e abandonar a postura defensiva de sempre nos proteger com o possível fracasso.

*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

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