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Exposição traz obras do cearense José Ximenes

por Diego Barbosa - Repórter
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Xilogravura "Carnaubeira", uma das obras selecionadas pelo curador Maximiano de Lima para a exposição, em cartaz até julho
Embora estudos sugiram a origem da xilogravura na China e seu desenvolvimento na Idade Média, foi no Nordeste brasileiro que ela ganhou popularidade e estética particulares. Desenhar em relevo, imprimindo o cosmos de toda uma fartura de costumes e retratos dos Brasis "de dentro", é algo daqui, cresceu como representação de uma cultura artesanal. Labuta artística com nossa personalidade, é patrimônio imaterial da região.
Entre os nomes que despontam na técnica, o cearense José Ximenes de Lima talvez seja um dos menos conhecidos na contemporaneidade. A fase mais intensa de atividade do artista deu-se sobretudo nas décadas de 1960 a 1980 - quando, dentre outras conquistas, participou do Salão de Abril e expôs na Bienal de São Paulo. Depois, ficou afastado do mercado, o que não impediu suas produções de desafiarem o tempo e continuarem a possuir grande valor e expressão.
"Por mais de uma década, suas obras estavam fora do alcance do público. Hoje, organizo essa homenagem ao homem forte e inteligente a quem devo todo o meu aprendizado no mundo da arte, em especial da xilogravura", comenta Maximiano de Lima, doutor em Artes e professor titular do Curso de Licenciatura em Artes Visuais do Instituto Federal do Ceará (IFCE).
A homenagem a que se refere é a exposição "Ximenes 50 anos: uma estética cearense", cuja vernissage acontece nesta quinta-feira (14), a partir das 20h, no Museu da Cultura Cearense, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). A mostra fica em cartaz até 29 de julho, com acesso gratuito.
Propondo uma travessia pela trajetória cinquentenária de Ximenes na xilogravura e sob a curadoria de Maximiano, a exposição reúne vinte obras que apresentam uma estética criada pelo cearense, natural do município de Coreaú e nascido em 1943. Nela, encontra-se a particularidade de retratar, em detalhes, aspectos daquilo que sempre foi muito caro ao artista: a cultura do Estado.

Garimpagem
Íntimo das criações de Ximenes desde a infância - quando o ajudava a fazer gravuras no ateliê de casa - Maximiano de Lima comenta que o processo de seleção do material para a mostra foi feito a partir de uma atenta análise das matrizes elaboradas nessas cinco décadas de trabalho.
"Depois de observar as matrizes, escolhi as que representam fortemente o povo cearense. Em seu ateliê, eu e ele as limpamos e iniciamos o processo de impressão", conta o curador. "Me chama a atenção sua perfeição técnica e a preocupação em representar o povo de nosso Estado", frisa.
No Museu, essa gama de olhares que Ximenes atribui à terra está organizada em duas salas. A primeira tem vinte xilogravuras apresentando a estética cearense; a segunda guarda trabalhos de amigos do profissional, antigos e novos no mundo da arte, a exemplo de Claudio Dourado, Kleber Ventura, Descartes Gadelha, Tarcísio Félix, Maximiano Arruda, Mias (in memoriam), Roberto Galvão, Sebastião de Paula e Zé Tarcísio, além de uma pintura de sua falecida esposa.
Dimensão política
Seguindo um dos rastros mais particulares da arte - o de provocar reflexões sociais -, Ximenes foi além e utilizou técnicas como a pintura, a talha, a escultura, o couro e, de maneira especial, a xilogravura, para também retratar o momento político de um país mergulhado em atmosfera obscura.
Foi durante a Ditadura Militar que o artista investiu principalmente em representações de estruturas prediais, quase sempre sinônimos de poder e imponência. O trabalho "Forte de Nossa Senhora da Assunção", por exemplo, vai na mão dessa ideia, sinalizando que a autoridade e o poder estão no controle de uma instituição robusta, protegida por armas.
Nesse mesmo movimento, fortalecendo a resistência ao poderio opressor, a Casa de Raimundo Cela veio para ser um espaço de elucubrações artísticas firmes, advindas de professores e aprendizes que tentavam criar uma nova forma de expressão mediante o domínio das técnicas.
É envolto nessas representações importantes da historiografia social que Maximiano defende: "Precisamos mostrar nossos talentos. Ao ver, também aprendemos".

Mais informações:
Exposição "Ximenes 50 anos: uma estética cearense". Vernissage nesta quinta (14), às 20h, no Museu da Cultura Cearense (R. Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Em cartaz até 29/07, de terça a sexta, das 9h às 19h; sábado, domingo e feriados, das 14h às 21h). Entrada franca. Contato: (85) 3488.8621

Diário do Nordeste

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