Reunindo obras de Sérvulo Esmeraldo e de artistas tributários de seu trabalho, a mostra "A Intenção e o Gesto" chega ao seu último fim de semana

Sérvulo Esmeraldo tinha 87 quando saiu de cena, em fevereiro passado. Era não apenas um artista consagrado, pelas instituições da arte, como uma referência rica para seus pares, criadores de diversas linguagens. Prova disso é que, passado pouco mais de um ano de sua morte, Sérvulo é o protagonista de uma mostra coletiva, que dá conta da permanência de seu trabalho e de como ele reverbera naquilo que novas gerações de artistas produzem.
"A Intenção e o Gesto" entra em seu último fim de semana, em cartaz no Museu da Indústria e no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). A mostra foi organizada pelo crítico de arte e curador independente Marcus Lontra. Ela integra a programação do Prêmio CNI Sesi Senai Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, considerado a mais importante iniciativa do gênero no Brasil.
O prêmio é uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Em Fortaleza, a exposição tem o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
Fortaleza será a única cidade do Nordeste a receber a sexta edição do Prêmio, com circulação iniciada no ano passado, em São Paulo, seguida por Brasília e Goiânia. Após a capital alencarina, a tríade de mostras segue para as cidades Rio de Janeiro (julho a setembro) e Florianópolis (outubro a fevereiro de 2019).
Industrial
"A Intenção e o Gesto" é uma das ações do projeto Arte e Indústria, iniciativa que homenageia artistas em cuja obra se fizeram presentes processos relacionados à produção industrial. Sérvulo Esmeraldo é um nome que, de pronto, é lembrado. Embora longe de ter uma obra mecânica ou impessoal - como um produto saído de uma linha de montagem -, muitas vezes o artista viveu dias de projetista, para criar parte de suas peças, com materiais e dimensões os mais diversos que se possa pensar. Como um engenheiro, traçou planos no papel e necessitou de maquinário para dar vida às suas criações.
O cearense é considerado um dos pioneiros da arte cinética no Brasil. Ao todo, 40 obras de Sérvulo foram selecionadas para a mostra.
Espaços
No espaço expositivo do Museu da Indústria, Marcus Lontra reuniu ainda trabalhos de 10 artistas, que dialogam com o de Sérvulo: Almandrade, Ana Maria Tavares, Angelo Venosa, Arthur Lescher, Delson Uchoa, Hildebrando de Castro, Guto Lacaz, Iran do Espírito Santo, Jaildo Marinho, Raul Córdula e Paulo Pereira.
Já no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, do CDMAC, estão montadas duas exposições ligadas ao projeto, além de parte de "A Intenção e o Gesto". O conjunto das mostras ocupa todo o MAC. Uma delas reúne os trabalhos dos cinco artistas vencedores da sexta edição do Prêmio Marcantonio Vilaça - Daniel Lannes, Fernando Lindote, Jaime Lauriano, Pedro Motta e Rochelle Costi.
A outra, "Verzuimd Braziel - Brasil Desamparado", do curador premiado Josué Mattos, conta com obras de André Parente, Anna Bella Geiger, Carla Zaccagnini, Cildo Meireles, Clara Ianni, Dalton Paula, Daniel Jablonski e Camila Goulart, Daniel Santiago, Ivan Grilo, Lourival Cuquinha, Regina Parra, Regina Silveira, Santarosa Barreto, Thiago Honório, Thiago Martins de Melo e Vitor Cesar.

Uma obra em movimento

Sérvulo Esmeraldo (1929- 2017) está presente no universo artístico. "A intenção e o gesto" não é um caso isolado. Um ano depois de sua morte, o artista cearense continua a ser notícia, numa constante aparição e reaparição de sua obra.
Em seus últimos anos, já estava envolvido num processo de rememoração de sua trajetória. Neste movimento, merece destaque o livro "Sérvulo Esmeraldo: a linha e a luz", publicado em 2015 e assinado pela jornalista Dora Freitas e a historiadora Silvia Furtado. A dupla foi auxiliada pela curadora Dodora Guimarães Esmeraldo, companheira de vida e parceira de trabalho de Sérvulo. Gestada ao longo de 10 anos, a obra reúne iconografia e análise, abrindo espaço para depoimentos e memórias do artista, em diálogo com rascunhos de obras e fotografias de seu acervo pessoal.
O artista também viu montada "Sérvulo Esmeraldo: A Linha, A Luz, O Crato". A exposição, aberta na Universidade Regional do Cariri (Urca), tinha uma importância adicional, já que Sérvulo é um filho da cidade e um nome importante para a consagração do Cariri como terra de artistas - em especial, da tradição popular.
"Sérvulo Esmeraldo, o Artista Homenageado" foi o nome de uma instalação, montada durante a edição deste ano da Maloca Dragão. No centro, estava a escultura La Femme Bateau, parcialmente destruída no começo do ano, após ser arrastada por uma ressaca no mar da Praia de Iracema. O artista ainda foi homenageado na XIX Unifor Plástica, no fim do ano passado. O tema da edição foi "Uma constelação para Sérvulo Esmeraldo".
informações
Diário do Nordeste

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