Caixa Cultural Fortaleza, realiza abertura da Mostra de Cinema Chileno, com 17 obras

O desejo de falar sobre o próprio País - em especial um dos momentos de sua história recente, a ditadura militar (1973-1990), realidade inerente a países da América do Sul no período, a exemplo do Brasil e Argentina - pode ser considerada uma das características da cinematografia do Chile.
Esta constatação é de Pablo Arellano, curador da Mostra de Cinema Chileno, cuja abertura acontece nesta terça, (1º), a partir das 15h, na Caixa Cultural Fortaleza. A primeira atividade será a "master class" "Raúl Ruiz e o cinema chileno contemporâneo", ministrada pelo professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC), Régis Frota, às 16h.
Em seguida, o mesmo autor apresenta a obra "Memória e silêncio no cinema chileno", fruto de reflexão e pesquisa acerca de uma das cinematografias que vem se destacando no cenário da sétima arte mundial.
A mostra que lança luz sobre o cinema chileno prossegue até domingo (6) e demarca o início das atividades do 27° Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, que começa oficialmente sábado (5), no Cineteatro São Luiz. O tradicional evento cearense se encerra no dia 11.
Pela terceira vez, Pablo Arellano assina a curadoria do evento, que cumpre o desafio de promover o diálogo entre produções chilenas de diferentes períodos, reunindo diretores contemporâneos e veteranos. Além de estéticas e percepções diversas.
"A mostra homenageará dois cineastas chilenos mais antigos, Alejandro Jodorowisky e Raul Ruiz", destaca, chamando a atenção para a produção feminina, enfocada no Panorama do Cinema Contemporâneo, formado por oito filmes.
A curadoria escolheu quatro obras de três diretoras premiadas nos festivais de Cannes e Rotterdam. São elas: Maite Alberdi, Marcia Tambutti e Dominga Sotomayor .
Outros nomes da atual cinematografia chilena também foram escolhidos pela curadoria, como os cineastas Ignacio Agüero, Sebastián Lelio, Leopoldo Muñoz e Pablo Larraín. Este último, é considerado o diretor chileno mais conhecido da atualidade.
No sábado (5), às 14h, o cineasta, jornalista e crítico de cinema, Ernesto Garrat, ministrará a "master class" intitulada "O cinema de Pablo Larraín". Às 15h, será exibido o filme "Tony Manero" (Tony Manero),de Pablo Larraín, obra que faz alusão direta ao filme "Os embalos de sábado à noite" (1977). Tendo o ator John Travolta como protagonista, o filme de John Badham disseminou a onda da discoteca mundo afora. Na ótica de Larraín, "Tony Manero" é ambientada no Chile da violenta era Pinochet, em 1978.
Enquanto destaca nomes da nova safra do cinema chileno, a mostra aproveita para reverenciar diretores veteranos, que ajudam a escrever mais um capítulo da história do cinematografia chilena.
Homenagem
Raúl Ruiz (1941-2011), um dos homenageados, "talvez seja o maior cineasta chileno", arrisca Arellano. Enaltece seu talento ímpar, ao criar linguagem própria, ousando fazer experimentações. Começou a carreira nos anos 1970, período conturbado politicamente no Chile, que amargou quase 20 anos de ditadura militar.
Outro nome reverenciado, Alejandro Jodorowisky, criou "O topo" (1970), produção que abre as exibições da mostra, nesta terça, às 19h. Seus primeiros filmes foram realizados no fim dos anos 1960, antes do Chile mergulhar na ditadura Pinochet, após deposição e morte do então presidente do Chile, Salvador Allende (1908-1973), vítima de golpe de estado.
"A ditadura prejudicou muito o desenvolvimento do cinema chileno, que tem tradição de grandes diretores", assinala Arellano. Logo após o golpe, conta, começou o que chama de "extermínio", comandado pelo exército de Pinochet. Muitos cineastas, como Ruiz e Jodorowiski, tiveram que deixar o Chile, e foram buscar abrigo na França, daí a influência da escola francesa nas suas obras.
O tema é uma constante em muitas produções atuais, aparecendo como denúncia das atrocidades cometidas durante os anos Pinochet. "Realidade diferente é verificada na cinematografia brasileira. Os cineastas brasileiros não têm muita coragem para mostrar o que aconteceu no País, que passou por situação semelhante", admite o curador.
Memória
Exemplo desse cinema voltado para o seu interior, ou seja, sua história e memória, é a obra "Allende, meu avô Allende", documentário sobre o presidente deposto, realizado por sua neta, a cineasta Marcia Tambutti. Ela ganhou o prêmio na categoria de cinema documental, no Festival de Cannes, 2015.
Arellano atenta para a participação feminina na produção contemporânea de cinema no Chile, observando que as criações se destacam pela "delicadeza e sensibilidade".
O Chile é o país convidado desta edição do Cine Ceará", justifica Arellano, que reitera a particularidade dos cineastas chilenos: "vontade de falar do próprio País". A peculiaridade será sentida nos 17 filmes que compõem a mostra, que conta ainda com um curta e três documentários. Arellano explica que, nos últimos 10 anos, os diretores chilenos figuram em importantes festivais realizados em diferentes países. O fato comprova a tradição de grandes cineastas chilenos. Muitos foram obrigados a deixar a terra natal para salvar a própria pele. Após retornarem, mostram que é possível usar o cinema para fazer história com "h" maiúsculo.
Programação
Terça (1)
15h - Abertura da mostra
16h - Master class Raúl Ruiz e o Cinema Chileno Contemporâneo, com o professor da UFC, Régis Frota
19h - O topo ( El topo), de Alejandro Jodorowsky,
Quarta (2)
15h - Como me dá na telha II (Como me da la gana II), de Ignacio Agüero
17h - As crianças ( Los niños), de Maite Alberdi
19h - A província reta ( La recta provincia), de Raúl Ruiz

Mais informações:
Abertura da Mostra de Cinema Chileno, terça (1º), às 15h, na Caixa Cultural Fortaleza ( Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema). As exibições prosseguem até sábado (6). Grátis. Fone: (85) 3453-2770. www.cineceara.com/cinemachileno

Diário do Nordeste

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