Documentário produzido por alunos do Curso de Jornalismo da UFC aborda história do Cineteatro cearense

Ana Luiza Soares e Paulo Cardoso, responsáveis pelo projeto batizado "Vida Longa São Luiz", com filme, exposição (outra foto) e álbum de figurinhas
Se, na mistura entre realidade e ficção, o protagonista é um dos cineteatros mais belos do Brasil, o resultado não poderia ser diferente: um documentário a ser exibido no seu próprio local-tema, espaço de identidade e memória afetiva para muitos cearenses. Com duração de 25 minutos, "O que eu Vi da Poltrona Vermelha" ganha a tela do Cineteatro São Luiz nesta sexta-feira (22), às 10h. O projeto faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso dos estudantes de Jornalismo Ana Luiza Soares e Paulo Cardoso, da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Às vésperas de se tornar sexagenário, o São Luiz é alvo de homenagens dos alunos, que optaram pelo Cineteatro como objeto de estudo no final do semestre passado. "Não era a nossa primeira opção, a gente tinha outras ideias na cabeça. Mas pesquisamos e vimos que o Cine São Luiz faria 60 anos em 2018, aí aproveitamos essa grande efeméride pra fazer esse trabalho", afirma Paulo Cardoso, um dos produtores.
"O documentário de média metragem da Ana Luiza Soares e Paulo Cardoso, chega em momento oportuno para o Cineteatro São Luiz e o público em geral, tanto por conta da consolidação do equipamento nesses quase três anos de retomada de suas atividades diárias quanto pelo fato do mesmo se encontrar prestes a comemorar seu aniversário", ressalta Duarte Dias, curador do São Luiz.
Linguagens
Inaugurado em 1958 o cineteatro teve o primeiro filme exibido em 26 de março daquele ano, "Anastácia, a princesa esquecida" (1956). Construído pelo Grupo Severiano Ribeiro, o fundador também foi homenageado pela dupla. Luiz Severiano Ribeiro ganhou uma exposição intitulada "Depois de Severino", exibida no Cuca Mondubim entre os dias 5 e 8 de dezembro, com imagens e objetos do local.
Sobre o nome da exposição, Paulo explica: "é uma abreviação que fizemos de Severiano, idealizador do cinema. Achamos que era uma forma mais carinhosa de se reportar a ele. E o 'depois' é porque na exposição trouxemos histórias daqueles que vieram depois dele".
Junto à exposição e ao longa-metragem, o projeto transmídia denominado "Vida Longa São Luiz" - orientado pelo professor Rafael Costa, do curso de jornalismo da UFC - inclui ainda um álbum de figurinhas, chamado "Caderno de Anastácia", em que as figurinhas são filmes exibidos ao longo dessas seis décadas no São Luiz.
O documentário, por sua vez, aborda as memórias e opiniões de frequentadores do cinema. Figuras como o cineasta Halder Gomes, o crítico José Augusto Lopes, o realizador audiovisual Henrique Dídimo e o jornalista e colecionador Nirez são alguns dos entrevistados do média-metragem que "deixa para a posteridade mais um relevante registro desse patrimônio da nossa cultura, o Cineteatro São Luiz", finaliza Duarte.
Buscando fugir de apenas um produto, a dupla de estudantes fez uma proposta transmidiada. Assim, o filme precisou ter sua narrativa adaptada e o uso da ficção serviu a esse propósito, a partir da criação de Anastácia, em referência ao primeiro filme exibido na tela do São Luiz.
Quem interpreta a personagem é Renata Freire, estudante do curso de Cinema da UFC, ao lado de outros dois alunos: Raiane Ribeiro e Isaac de Oliveira, também do curso de Jornalismo da instituição. Eles interpretam um casal arrumando-se pra ir ao cinema.
Inspiração e desafios
Apaixonados pela sétima arte, tanto Ana Luiza como Paulo tiveram suas primeiras experiências cinematográficas no São Luiz, sendo esse aspecto um dos pontos-chave para a escolha do Cine como protagonista do TCC. Determinados a fazerem um projeto grande e rico, os dois já planejavam fazer o trabalho em dupla.
"A priori íamos fazer o TCC sobre a Messejana, bairro onde moramos, mais especificamente sobre as feiras de lá, mas no começo da pesquisa não achamos o tema tão atraente e resolvemos mudar. Começamos a conversar sobre nossa paixão por cinema e transformamos isso no projeto final", ressalta Ana Luiza.
Criar cenas de ficção, dirigir uma atriz, pensar na locação e no figurino foi a parte mais desafiadora para a dupla, que, no entanto, considerou-a fundamental para que conseguissem contar sua história.

Mais informações:
O que eu Vi da Poltrona Vermelha. Nesta sexta-feira (22), às 10h, no Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500 - Centro). Gratuito. Contato: (85) 3252.4138
 
Diário do Nordeste

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