Os piores e os melhores momentos da cultura em 2017

Resultado de imagem para ministério da cultura
Altos e baixos. O ano que finda no próximo domingo, 31, construiu uma montanha-russa para a Cultura. Avanços aconteceram a galope, projetos antigos foram executados e novas iniciativas renovaram as linguagens artísticas. No mesmo passo, o setor sofreu com atrasos no pagamento de editais e com a inoperância do Ministério da Cultura (MinC).
O Vida&Arte convidou gestores públicos, artistas e público para apontar os piores e os melhores pontos para a cultura em 2017. Em comum, o sentimento indignação com a emergência de “fortes movimentos de intolerância” e o ranço sobre a situação do MinC.
EVALDO LIMA
Titular da Secretaria da Cultura de Fortaleza SOBE
O ponto alto é o programa O Bom de Fortaleza, que significa a descentralização da cultura, a realização de atividades culturais e artísticas em todas as regionais. É uma ação cultural de base territorial, em que todos os atores sociais são convocados a atuarem como sujeitos das transformações coletivamente almejadas. Essa foi a ação mais significativa da cultura. DESCE Esse ano foi muito estranho. Foi um ano atípico. Foi um ano de vertigem, de muita velocidade. Aconteceu muito reflexo e pouca reflexão. E houve a emergência de movimentos de intolerância, de fundamentalismo, de intolerância contra os movimentos culturais.
Cultura também é sensibilidade, é respeito às diferenças, é pluralidade.
MAILSON FURTADO
Diretor da Cia. Criando Arte SOBE A partir do grande despropósito social e político que o Brasil se tornou nos últimos anos, a sociedade civil artística articulou-se e trouxe os artistas a se aproximarem mais uns dos outros e a terem ações conjuntas. Exemplo disso, dar-se pelo grande número de ações em relação a outros anos, como no campo literário e teatral - dos quais participo. DESCE A instabilidade política que vivemos, cada dia mais agravada, sem dúvidas, nos causa extrema insegurança quanto a viabilidade de projetos. 2017 nos trouxe uma onda de retrocesso, censura, conservadorismo que nos levou a discussões impensáveis numa segunda década de século XXI.
FABIANO PIÚBA
Titular da Secretaria da Cultura do Ceará SOBE A política voltada para os mestres da cultura. Houve a ampliação de 60 para 80 mestres. Nós estamos desenvolvendo um programa chamado Escola Com Os Mestres, que é desde a presença dos mestres nas escolas, nos ambientes formais, nas universidades. A presença dos mestres foi um elemento que demarcou o território da Bienal do Livro, que foi outro momento forte. Foi um movimento cultural, educacional e social de Fortaleza e do Ceará. DESCE A ausência do Ministério da Cultura (Minc). Desde o golpe, nós não temos mais um ministério. Não há uma direção, não há um ministério.
Ele não foi recuperado na sua integridade. Então, não tem orçamento, não tem plano de ação no ministério. E isso tem impacto crítico para estados e municípios. Perde uma interlocução importante com o Governo Federal. E é nesse contexto que surge um movimento importante de criminalização da arte e dos artistas.
GORETH ALBUQUERQUE
Contadora de histórias SOBE Sobe a produção teatral no Ceará, acho que se tem produzido muita coisa boa aqui. Sobe o compromisso político da classe artística contra o desmonte da cultura, contra a censura. Sobe a aprovação de um plano decenal de cultura no Ceará, pela atual gestão do Fabiano dos Santos Piúba. DESCE Desce o desmonte na cultura que é feito o tempo inteiro. Em âmbito federal e, especialmente municipal, no caso de Fortaleza, valendo destacar os baixos orçamentos para os Cucas e atrasos nos pagamentos dos editais. Desce a censura que querem impor com a questão de cerceamento às artes no País.
WILBERT SANTOS
Produtor cultural SOBE Realização de eventos alternativos e independentes em locais onde os investimentos culturais não chegam por completo. Os saraus, reggaes e rolezinhos têm sido revolução cultural nessa Cidade. DESCE A falta de incentivo em ações culturais e o uso exacerbado de recursos para “segurança pública”. É um tanto quanto contraditório: tem dinheiro para as armas, mas não tem dinheiro para a arte. Lamentável!
WILSON JÚNIOR
Escritor SOBE Para mim o que subiu foi o protagonismo feminino em séries, na frente e atrás das câmeras. Bons exemplos são O Conto da Aia, Big Little Lies e The Sinner. Escritas, produzidas e protagonizadas por mulheres. DESCE Acho que o que desceu foi o cinema, que esse ano perdeu para o mundo das séries bastante protagonismo em termos de narrativas.
Fica uma sensação de que a ousadia, que sempre foi a grande característica da telona, migrou para as telas de streaming.
SAMUEL BRASILEIRO
Cineasta
SOBE O ano de 2017 foi especial para o audiovisual cearense em termos de produção, pois tivemos pelo menos três longas-metragens realizados e duas séries televisivas originais. Além dos diversos curtas que se mostram cada vez mais maduros e diversificados. Esse momento demonstra o potencial do cinema cearense. DESCE Acredito que, apesar de termos uma produção muito diversa e criativa, falta a assiduidade dos pagamentos dos editais. Para que os processos se mantenham, é essencial o compromisso do poder público com o repasse das verbas, possibilitando um maior acesso à produção e, como consequência, uma diversidade artística e cultural para a população.
SALOMÃO SANTANA
Crítico de cinema SOBE O rapper Don L. com o EP Roteiro pra Aïnouz Vol. 3. O RPA3 surgiu como um “pé na porta” em uma época em que quase todo produto cultural parece ter sido criado a partir das métricas do marketing. DESCE Jogos de poder nas instituições culturais públicas. A permanência da relação paroquial com as gestões e o descaso com os artistas e produtores locais continuaram como problemas centrais.
CHRISTIANE DE LAVOR
Atriz SOBE Mesmo em um cenário extremamente desfavorável, os artistas não pararam de produzir, de circular, nem tampouco alguns espaços de formação e fruição artísticas importantes para a Cidade, como Porto Iracema e Cineteatro São Luiz, deixaram de atuar de forma contundente. DESCE Acho que a atuação do poder público municipal, na esfera cultural deixou muito a desejar. Definitivamente, a pasta da Cultura não foi vista com o respeito e o cuidado que deveria. Os artistas, infelizmente, não puderam contar com um desempenho satisfatório do poder público municipal que mais contribuiu para um clima de desmonte, descrença e desmotivação. 
ISABEL COSTA
O Povo

Comentários

Mais Visitadas

Dois pesos e duas medidas

Professora vai mediar estudo de literatura feminina em Dourados

Socorro Acioli coordena especialização em Escrita Literária

Livro fala sobre empatia, alteridade, sentimentos reais e seres humanos

“Monstro É Aquele Que Não Sabe Amar"!