Capela Sistina rumo à modernidade com concerto transmitido pela web

Arcebispo de Westminster colaborou para que o compositor escocês contemporâneo James MacMillan apresentasse sua obra no Vaticano.
"Stabat mater", do compositor escocês contemporâneo James MacMillan, interpretada pelo coro The Sixteen e a orquestra de cordas Britten Sinfonia, sob a batuta de Harry Christophers, em 22 de abril de 2018 na Capela Sistina, no Vaticano (AFP)

A Capela Sistina, obra-prima da Renascença, avançou para a modernidade nesse domingo (22) com seu primeiro concerto transmitido ao vivo pela internet, o "Stabat Mater", do compositor escocês contemporâneo James MacMillan.
Os mais célebres compositores clássicos, como Vivaldi, Rossini e Dovrák musicaram este poema do século XIII sobre a dor de Maria aos pés da cruz e o desejo dos fiéis de compartilhar este sofrimento.
O "Stabat Mater" de MacMillan, um compositor de 58 anos, autor de várias peças de música sacra, foi encomendada pela Fundação Gênesis, que trabalha desde 2001 para apoiar jovens talentos artísticos e desenvolver o vínculo entre arte e fé.
Esta peça atribulada, na qual se sucedem melodias vocais e ritmos entrecortados, foi apresentada pela primeira vez em 2016, em Londres, e comoveu os ouvintes, especialmente o cardeal Vincent Nichols, arcebispo de Westminster, que mexeu seus pauzinhos para que o compositor apresentasse sua obra no Vaticano.
"Aqui se toca o coração de uma mãe angustiada, como o de todas as mães, através dos anos e dos países, quando seus filhos sofrem", explicou o cardeal à AFP. Sob os afrescos de Michelangelo, "podemos pensar em sua Pietà [escultura que representa a Virgem com o corpo de Cristo nos braços] abaixo, na basílica [de São Pedro] e escutar esta Pietà musical".
Para chegar a um público mais amplo que os cerca de 300 filantropos, religiosos e amigos convidados, o concerto foi transmitido ao vivo em vídeo no portal da rádio Classic FM.
'Intensidade e potência'
Assim como ocorreu em sua estreia, em Londres, a obra foi interpretada pelo coro The Sixteen e a orquestra de cordas Britten Sinfonia, sob a regência de Harry Christophers.
Os britânicos, que foram aos ensaios de bermudas e degustando um sorvete, não conseguiram esconder a emoção, ao ficar frente a frente com os anjos, demônios, profetas e apóstolos pintados por mestres do Renascimento como Michelangelo, El Perugino ou Botticelli, nas paredes laterais.
Os coristas estavam um pouco apreensivos de que a grande abóbada gerasse muito eco, "como em um banheiro", admitiu a soprano Julie Cooper. Mas quando começaram a cantar, as paredes lembraram que sua acústica é tão lendária quanto seus afrescos.
Os cerca de 6 milhões de visitantes que visitam anualmente a capela, pérola dos Museus vaticanos, não têm a oportunidade de perceber, a menos não mais que os cardeais que se reúnem ali no conclave para escolher um novo papa, mas a Capela Sistina também é "um local musical em que os compositores escreveram durante séculos para a liturgia, alguns dos maiores compositores da civilização ocidental, como Palestrina, Allegri, Josquin...", lembrou MacMillan.
"Isso dá muita intensidade e potência à representação".
Apenas o murmúrio do imponente sistema de climatização, indispensável para preservar os afrescos, perturba de vez em quando o silêncio.
Mas, para o regente de orquestra Harry Christophers, que terminou a apresentação com lágrimas nos olhos, sua experiência foi marcada pela emoção de aliar esta obra tão nova à herança de vários séculos da Capela.
"Estes grandes locais sagrados sempre têm uma acústica singular. Os detalhes que ouvimos, a ressonância é fantástica e muito emocionante!", declarou. "Você tem sorte se te apresentam oportunidades como esta uma vez na vida".

AFP

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