Conheça sete charmosas livrarias de rua em São Paulo

Elas ocupam pequenas casas, têm livros cuidadosamente escolhidos e atendimento especial. Confira um passeio por sete livrarias de rua que resistem como pontos de troca de experiência e de eventos culturais 
Júlia Corrêa e Renato Vieira
LIVRARIA SIMPLES
Foto: Renato Vieira/Estadão
+ O desejo da livraria, reforçado por seu slogan, é ser “a loja dos livros impossíveis”. Os sócios Adalberto Ribeiro e Felipe Faya decidiram apostar em publicações raras, sem distinção entre itens novos e usados. Começaram vendendo para amigos e, em dezembro, abriram a loja física, num sobrado na Mooca. Lá, é possível encontrar clássicos da literatura, livros infantis e de humanidades, e biografias, como a de Clementina de Jesus. R. dos Bancários, 72, Mooca, 3443-9992. 10h/18h30 (sáb., 10h/15h; fecha dom. e fer.).
O Fusca e o cão
Foto: Renato Vieira/Estadão
O Fusca acima quase sempre está parado na porta da Livraria Simples, e é utilizado para transportar grandes encomendas. O vira-lata Kazu, adotado pelos donos, adora passear no carro e tornou-se uma sensação no Instagram (@livraria_simples), com mais de 20 mil seguidores. Mas Beto Ribeiro ainda prefere o olho no olho: “Estamos na internet, mas a gente faz questão de vender à moda antiga, conhecer a pessoa. O mercado de livros foi perdendo essa característica ao longo do tempo. Queremos retomar isso.” Os pacotes que embalam os livros ganham carimbos personalizados, como um que tem frase de Clarice Lispector: “Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.”
PANAPANÁ
Foto: Júlia Corrêa/Estadão
+ O ambiente colorido e tomado por pequenas mesas e cadeiras revela como a livraria é um espaço convidativo para pequenos leitores. Fundada há dez anos por Celina Bodenmüller, a loja conta com acervo de mais de dois mil livros infantis, de cerca de 20 editoras, que são escolhidos criteriosamente pela proprietária – ficam de fora da seleção histórias e personagens do universo pop, como super-heróis famosos. No fim de semana, o local costuma receber atividades como contação de histórias e oficinas de artesanato. Neste sábado (26), às 11h, Lieza Neves comanda a atração gratuita ‘Da Boca do Povo’, apresentando contos da tradição oral. R. Leandro Dupré, 396, V. Clementino, 5082-2132. 9h/19h (sáb., 9h/18h; fecha dom.).
LIVRARIA ZACCARA
Foto: Felipe Rau/Estadão
+ Ao descrever sua livraria, Cris Zaccara assinala: “Parece que aqui o relógio bate diferente; é como passar por um portal, sem o desespero da cidade.” Fundada em 1982 por ela e seu marido, Lúcio Zaccara, a loja ocupou, até 2007, uma casa na mesma rua, onde começou como loja de discos. O negócio foi ampliado e tornou-se um projeto de vida para o casal, que o transformou em um local de acolhimento, buscando oferecer uma experiência mais completa que a da mera compra de um livro. Nesse sentido, Lúcio afirma não se sentir só um livreiro, mas também um “zelador”, que indica aquilo em que acredita. Ali, há espaço para diferentes manifestações artísticas. Entre livros e discos, o visitante encontra uma série de obras de arte, como esculturas e xilogravuras. Além disso, a livraria recebe atividades como clubes de leitura, shows e peças teatrais. R. Cardoso de Almeida, 1.356, Perdizes, 3384-0908. 10h/19h (sáb., 10h/18h; fecha dom.).
FONOMAG
Foto: Renato Vieira/Estadão
+ Nos anos 1970, a família Takeuchi criou uma loja com discos importados do Japão para atender o público oriental. Há exatos 40 anos, eles decidiram apostar apenas em publicações, investindo em um nicho que, pouco a pouco, passou a crescer. “Com a divulgação da cultura japonesa no Brasil, muitas pessoas começaram a se interessar em aprender a língua. Por causa disso, o público foi se abrindo mais. Recebemos aqui muitas pessoas de fora de São Paulo procurando novidades”, afirma o sócio Joji Aso.
O ponto forte da Fonomag, que se mantém há 21 anos no mesmo imóvel da Liberdade, são os mangás importados, que chegam regularmente do Japão. Os da bem-sucedida série ‘One Piece’, criada em 1997 por Eiichiro Oda, têm saída garantida. “Esses estão entre os mais vendidos no mundo; há um público recorrente que vem aqui procurá-los”, diz Aso.
Outro mimo vendido pela loja é um luxuoso livro com ilustrações da animação do Studio Ghibli ‘A Viagem de Chihiro’ (2001), sucesso de bilheteria dirigido por Hayao Miyazaki. Há ainda aqueles que procuram ali livros que ensinam trabalhos manuais (como patchwork e handcraft), revistas japonesas e livros em português sobre a cultura oriental. Excepcionalmente no segundo e no terceiro domingo do mês, a livraria funciona (10h/17h). Os horários variam nos feriados e podem ser consultados pelo site (www.fonomag.com.br). R. da Glória, 242, Liberdade, 3104-3329. 8h30/ 18h30 (sáb., 8h30/17h; fecha dom.).
COMPANHIA ILIMITADA
Foto: Renato Vieira/Estadão
+ A livraria é um desdobramento da editora de mesmo nome. O casal Douglas e Malu Souto negociava livros em feiras e a demanda de escolas definiu sua especialidade: publicações para o público infantil. Mas livros adultos também estão disponíveis. Nomes como o escritor Ilan Brenman já passaram pela casa da zona norte, que também recebia contação de histórias e oficinas. No fim de 2016, com a crise econômica, as atividades diminuíram e eles pensaram em fechar. “Só não fizemos isso por nosso amor pelos livros”, conta Malu. Em meados de 2017, as finanças foram se equilibrando. Os donos pretendem buscar patrocínio para retomar o ritmo de atividades e, recentemente, chamaram a artista Mari Pavanelli para fazer um trabalho de grafite no quintal da casa. Neste sábado (26), às 13h45, o local recebe um clube de leitura que discute o livro ‘O Cantor de Tango’, de Tomás Eloy Martínez. R. Florinéia, 38, Água Fria, 2978-4564. 9h/18h (sáb,, 9h/13h; fecha dom e fer.).
LIVRARIA NOVESETE
Foto: Júlia Corrêa/Estadão
+ Em 2007, a concentração de escolas na Vila Mariana motivou o casal Gislene Gambini e Jesus Vasquez Pereira a escolher a região para inaugurar a livraria infantojuvenil. Se hoje a internet traz facilidades, Gislene defende, na contramão, o contato das crianças com o livro físico na hora da compra. “Eles devem exercitar a capacidade de escolha”, argumenta a proprietária, que deixa os milhares de títulos da loja não apenas com as lombadas expostas – para que eles possam ser mais bem vistos pelos pequenos. Ao apostar na formação de leitores, Gislene, hoje viúva, vê seu trabalho como uma forma de resistência. Nos fundos, um espaço ainda recebe diferentes apresentações artísticas. R. França Pinto, 97, V. Mariana, 5573-7889. 10h/18h30 (sáb., 10h/18h; fecha dom.). Sáb. (26), 10h30/17h.
PATUSCADA
Foto: Renato Vieira/Estadão
+ Esse misto de livraria e bar – idealizado por Eduardo Lacerda, da editora Patuá – funciona desde dezembro de 2015. “Aqui é um espaço para editoras e autores independentes”, reforça. Seu foco é poesia e literatura brasileira. E oficinas, cursos e saraus ocupam o local regularmente. Lacerda abre a casa apenas quando há lançamentos de livros ou eventos, tentando manter uma agenda regular de quinta-feira a sábado. Hoje (25), a partir das 19h, por exemplo, o proprietário faz ali sua festa de aniversário, aberta ao público, que também tem como anfitriões os poetas Rubens Jardim e Rosana Piccolo. A noite inclui sarau, leitura de poesias e apresentações musicais. No cardápio, apenas bebidas – como cervejas (R$ 8/R$ 14) e cachaça (R$ 5, a dose). R. Luís Murat, 40, V. Madalena, 9 6548-0190. Inf.: www.fb.com/livrariapatuscada
Fonte: Estadão

Comentários

Mais Visitadas

Assunção: Deus recorre aos humildes

1º Festival de Literatura do Sertão do São Francisco vai homenagear escritor de Petrolina, PE

Filme luso-brasileiro com índios Krahô vence Festival de Cinema de Lima

Evento em São Paulo discute as questões do homem contemporâneo

Madonna chega aos 60 anos como uma artista única