Sobre a manifestação dos caminhoneiros

Angélica Sampaio*


Tenho visto, nesses últimos dias, muitos discursos por aqui sobre a manifestação dos caminhoneiros: alguns contra, outros a favor. Mas, o que mais chama a atenção nisso tudo, não é o objetivo do protesto, mas a “guerra” vernacular pra dizer de modo direto ou indireto, por meio de postagens, a intenção de apenas ofender, mostrar quem tem razão, passar nas “fuças” do outro que ele está errado porque a opinião dele é mais importante. Enfim... não vou me alongar nisso! 
Nosso país está passando por um péssimo momento histórico e estamos vivenciando tudo com temor. Mas é isso, grandes transformações não ocorrem por meio de passe de mágica... Sendo assim, ninguém está isento de expor seu ponto de vista, mas, é preciso, antes de tudo, respeitar o outro, mesmo que ele não pense igual a você ou igual a mim. Inclusive, se você não concorda com o que estou dizendo, não tem problema, é apenas mais uma opinião. Enquanto pensarmos assim, que o problema é oriundo apenas de quem votou em A ou B, nada tomará um rumo. Ser hostil, agressivo ou banalizar tudo, não resolverá nada. Quantas vezes, aqui nesta rede social, já li posts que não concordei, mas, nem por isso, bloquei, exclui ou silenciei alguém. Sabe por quê? Porque a minha opinião pode não agradar também, mas, nem por isso, deixo de admirar, aplaudir outras características dessas mesmas pessoas com as quais discordo. O que falta é tolerância no lugar da arrogância. O que faz você diferente de mim e vice-versa é justamente esse pensar diferenciado. Mas, de fato, agora, seria salutar, se pelo menos em se tratando do futuro do nosso país, tivéssemos mais maturidade pessoal, política e social pra debater o que seria melhor pra todos.E, não apenas, uma guerra entre panelas, coxinhas, patos, esquerdistas ou pessoas de direita, admiradores de “mitos” ou de forças ou intervenções militares. Enquanto for só isso o foco do debate, nada irá pra frente. Ah, e se você ficou curioso(a) pra saber a minha opinião sobre os caminhoneiros, aí vai: Eles estão fazendo o que muitos de nós não fizemos, inclusive você ou eu, embora eu não saiba se isso importa ou não. Embora eu e você estejamos sentindo as consequências disto tudo. Outra coisa: eles não estão de greve, porque o que estão fazendo é manifestação. Quem faz greve é quem tem patrão e faz manifestação quem é autônomo, que é isso o que eles são. E, durante a reforma trabalhista, tinha muita gente preocupada em deixar os sindicatos de certas categorias sem ação pra não haver “rebeldia”, mas aí, olha a ironia, veio uma categoria sem amarras e deixou o Brasil de mãos atadas. Confesso que estou receosa do que virá, mas mais cedo ou mais tarde, era certo que tudo chegaria ao ponto que chegou: insuportável. 😢
P.s: Pode ser que depois eu ou você mudemos de opinião, porque mudar de opinião é sempre bom, principalmente quando se percebe que não é fraqueza, mas que é evolução. 


*Professora e Acadêmica da AMLEF

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