Livro "O Nordeste Brasileiro" é lançado hoje (21) no Instituto do Ceará, com a presença do autor Ésio de Souza

O Nordeste que eu estou falando não é o geográfico, é o Nordeste político". Assim Ésio de Souza descreve seu novo livro intitulado "O Nordeste Brasileiro - Invenção, Espaço e Dinâmica' que será lançado nesta segunda-feira (21), no auditório do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará, às 15h30. Na ocasião, a apresentação da obra será feita pelo presidente do Instituto, Pedro Alcântara.
O trabalho discute o surgimento da nomenclatura Nordeste, que ainda não era usada para descrever a região hoje conhecida assim. "Antigamente o Brasil não era dividido em Nordeste, era Norte e Sul, ou você era de um ou outro", ensina Ésio de Souza.
"Esse Norte era enorme, vinha lá do extremo do Acre e ia até o extremo sul da Bahia, e a partir do Espírito Santo já era Sul, uma coisa bem desigual. Era proibido de certa forma, na época do Império, dizer outra coisa que não fosse Norte e Sul", relata o autor.
Ésio de Souza destaca ter sido difícil "encontrar um meio para escrever sobre o Nordeste", por se tratar de um tema já bastante explorado.
Após autores como Gilberto Freyre, Euclides da Cunha e Djacir Menezes abordarem a região em suas produções, ele precisou refletir sobre como poderia trazer algo novo, e revela de onde veio sua inspiração. "Eu tinha visto antes um trabalho do Evaldo Cabral de Melo, da Academia Brasileira de Letras, falando exatamente dessa questão sobre Norte e Sul", aponta.
Aspectos
O livro traz à tona a criação da terminologia Nordeste, e consequentemente, fala do "Nordeste Político", mas sem fugir do nordeste sertanejo, o turístico e o empresarial. A publicação aborda também a fala dos preconceitos ainda existentes com a região.
Foi em Pernambuco que apareceram os primeiros livros com o vocábulo Nordeste, entre eles a tese de Agamenon Magalhães, "Nordeste - Gêneses e Habitat". Assim, a palavra começou a ser empregada não só em publicações bibliográficas, mas nos órgãos federativos. "Os políticos criaram o Nordeste. Os intelectuais chancelaram. E as instituições consolidaram", atesta Souza.
"O Nordeste foi criação do Epitácio Pessoa (presidente do Brasil entre os anos de 1919 a 1922) que era paraibano, nordestino e achava que deveria ser Nordeste e não Norte", relata Ésio de Souza. Para ele, os motivos que levaram à divisão da região Norte em duas são surpreendentes e, ao mesmo tempo, esperados.
"O Nordeste Brasileiro" é cheio de referências históricas e rico em relatos. "Eu abordo muito a questão prática. A experiência que tive. É um relato", revela o autor.
Trajetória
Cearense nascido em Massapê, hoje chamada de Senador Sá, Ésio de Souza é sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará e membro da Academia Cearense de Engenharia. Foi secretário de Agricultura do governo de Virgílio Távora (1963-1966) e Secretário do Interior de Gonzaga Mota (1983-1987).
Formado em Engenharia Agronômica e Técnico em Desenvolvimento Econômico, pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), foi funcionário da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e, através de seu trabalho, conheceu todo o Nordeste e tirou inspiração para escrever seu livro histórico.
A primeira edição de "O Nordeste Brasileiro - Invenção, Espaço e Dinâmica" foi editada pelo Senado Federal em abril deste ano e teve exemplares esgotados em julho. Agora em sua 2º edição, o livro será lançado no Ceará e continua à venda na livraria online do Senado Federal.
Livro
O Nordeste Brasileiro - Invenção, Espaço e Dinâmica
Ésio de Souza
Edições do Senado federal
2017, 152 páginas
R$ 16
Mais informações
Lançamento do livro "O Nordeste Brasileiro - Invenção, Espaço e Dinâmica".
Nesta segunda (21), às 15h30, no Instituto Histórico e Geográfico do Ceará (R. Barão do Rio Branco, 1594, Centro).
Contato: (85) 3021.7559

Diário do Nordeste

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