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A força que ergue e destrói coisas belas

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Carta à minha filha, engenheira debutante, nesse momento crítico da história do Brasil.

Por Carlos Eduardo Leão*

Tomo a liberdade de compartilhar com os meus leitores uma página dirigida à minha filha Eduarda que hoje se forma em Engenharia. São palavras de incentivo e esperança que se fazem necessárias nesse crítico momento político que vivemos:

Minha filha tão querida, hoje você acorda ainda mais bela. Seu semblante, de traços perfeitos e suaves, está enriquecido por uma alegria que transcende o entendimento comum e nos contagia de forma irreversível. Um misto de orgulho e admiração invade sem nenhuma cerimônia o meu coração, totalmente envaidecido por mais este sonho realizado.

Hoje, você acorda engenheira! Um fato corriqueiro não fosse o raro brilhantismo que acompanhou a sua trajetória impecável nos bancos da Escola de Engenharia da UFMG. Não se trata de corujice de uma pai apaixonado. As notas, as menções e os conceitos falam por si ao longo de sua graduação que mereceu, sem nenhum favor, o reconhecimento de seus professores e mestres.
Claro que você sabe que a engenharia não é apenas a arte da aplicação dos princípios matemáticos e físicos. É também uma ciência que exige a aplicação da experiência, do julgamento de ideias e, sobretudo, do senso comum para implementar pensamentos e ações em benefício não apenas da humanidade mas, principalmente, da natureza que nos mantém vivos. Tenho absoluta certeza do seu comprometimento com este conceito. Conhecendo-a como conheço, Eduarda, você acorda hoje completamente compenetrada de sua importância social e do que dela pode extrair para o bem coletivo.
Não tenho dúvida, minha filha, que a sua aflorada sensibilidade se contrapõe à frieza do concreto e à aspereza do ferro. Da mesma forma, o amor que implementa às suas realizações, das mais simples às mais elaboradas, cotidianas ou profissionais, faz igual contraponto à intransigência dos números e à inexorabilidade das fórmulas. Tenha sempre nessas virtudes os norteadores de suas condutas e feitos profissionais. A cega obediência à ética completa esse pequeno conselho visto que a atuação profissional da engenharia civil influencia definitivamente em todos os segmentos da sociedade humana.
As grandes realizações da sua fascinante ciência remontam a história antiga e vão desde os impressionantes Aquedutos Romanos passando pelas Muralhas da China e Farol de Alexandria até chegar às grandes pontes, estradas, barragens e portos contemporâneos. De Imhotep, o primeiro engenheiro, a Smeaton, o pai da engenharia civil, o mundo evoluiu  espantosamente. Apenas uma coisa, Duda, se faz presente nisso tudo: o compromisso com o bem comum. Está é, pois, a sua ciência. Edificante, essencial e necessária, principalmente neste Brasil de hoje subtraído dos seu valores primordiais, fruto de um pensamento político completamente distorcido sobre a real importância da arte da construção para o povo e pelo povo.
Que você seja muito feliz na sua escolha profissional. Que você projete, execute e construa seus mais lindos sonhos, seja na engenheira ou na vida pessoal. Lembre-se sempre que, tanto numa como noutra, percalços são encontrados, rachaduras e trincas freqüentemente aparecem e abalos nas estruturas vez ou outra acontecem. Nada disso, porém, atinge quem tem, como você, um alicerce fixado sobre sólida cultura profissional e num amor incomensurável e eterno que emana do coração de seus pais.
Leve para a sua arte uma citação de Theodore Karman: "Os cientistas descobrem o mundo que existe. Os engenheiros criam o mundo que nunca existiu". Vá em frente, minha filha, e construa o seu mundo.
Do seu pai, com amor.
*Carlos Eduardo Leão é médico e cronista.

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