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QUARESMA: REFLEXÕES DOS PADRES DA IGREJA

A alma desejosa em agradar ao Senhor deve pois agarrar-se à paciência e à esperança.
Por Dom Vital Corbellini*
1. As tentações superadas pelo Salvador
Santo Agostinho(séculos IV e V) diz que o Senhor Jesus foi tentado pelo demônio no deserto. Em Cristo fomos também tentados porque ele assumiu a nossa condição humana, para nos dar a sua salvação. Jesus assumiu a nossa morte para nos dar a sua vida; Ele assumiu os nossos ultrajes para nos dar a sua glória. Assim Ele assumiu as nossas tentações para nos dar a sua vitória. Se nele fomos tentados, em Jesus nós também vencemos o Tentador. O Senhor Jesus poderia impedir o demônio de se aproximar dele, mas não fosse tentado não teria dado o exemplo de como nós poderíamos vencer a tentação. Para Santo Agostinho ensina-nos Jesus a vencer o demônio porque Ele por primeiro o venceu no deserto e também na cruz, pela sua morte vitoriosa. 

2. O Senhor não deixará que sejamos tentados além de nossas forças
O escritor Pseudo Macário(século IV) diz que o Senhor dá forças para superar as tentações. Quem quer tornar-se imitador de Cristo, porque também a Ele venha chamar-se filho de Deus, marcado pelo Espírito Santo, é bom que antes de outra coisa suporte de bom ânimo e com paciência as tribulações que lhe aconteçam, isto é, as doenças do corpo, as ofensas por parte das pessoas e as tentações do maligno. Deus de fato no seu desígnio consente que as almas sejam provadas por diversas tribulações porque se revelem com certeza aqueles e aquelas que amam sinceramente o Senhor. 

3. Qual sinal é percebido
Ainda na visão do Pseudo-Macário, o sinal dado aos patriarcas, aos profetas, aos apóstolos, aos mártires de todo tempo, não foi senão aquele de passar através o caminho estreito das tentações e das tribulações e resultar assim agradáveis a Deus. A Sagrada Escritura afirma: (cfr. Eclo 2,1-2) que a alma desejosa em agradar ao Senhor deve pois agarrar-se à paciência e à esperança mais que a toda outra coisa, porque a arte mesma do mal é uma só, aquela de revestir-se de assédio no tempo da tribulação para afastar-nos da esperança no Senhor. 

4. Deus dá força para o ser humano
O Pseudo Macário afirma também que Deus jamais permite que a alma que espera nele seja vencida pelas tentações até se desesperar porque Deus é fiel e não deixará que sejamos tentados além das nossas forças, mas junto à tentação dará também o caminho de saída para suportar(cfr. 1 Cor 10,13), diz o Apóstolo. O tentador aflige a alma não quando quer, mas quando o Senhor permite. Se os seres humanos não ignoram qual é o peso que possa levar um burro, um camelo, mas a cada um impõem o peso que pode carregar, se o ceramista sabe com certeza porquanto tempo os vasos devem passar no fogo, porque ao contrário poderão se quebrar ou tirando-os antes do momento sejam inúteis; infinitamente mais a sabedoria de Deus conhece a medida da tentação que toda alma deve carregar para tornar-se provada e adapta ao reino dos céus. 

5. A luz espiritual
Marcos, o monge(século V) tem presentes as coisas que se devem conquistar para ter a luz espiritual e assim superar as tentações do maligno. A pessoa coloca-se à disposição para adquirir uma lâmpada pessoal que doe a luz espiritual do conhecimento segundo o Espírito, para que a pessoa caminhe sem tropeços na profundíssima noite deste mundo, os passos sejam guiados pelo Senhor, e a pessoa tenha um forte desejo do caminho do evangelho, como diz o profeta(cfr. Sl 36, 37,23) para que se possa abraçar com fé ardente os preceitos evangélicos e tornar-se participantes dos sofrimentos do Senhor graças ao desejo e à oração. 

6. Projeto de superação
O monge coloca também um método maravilhoso, um plano que requer o trabalho da alma e uma mente atenta que colabora com o temor e o amor de Deus, graças a essa colocar-se-á em fuga o exército dos inimigos, como fez o bem aventurado Davi, que matou o gigante estrangeiro com a sua fé e a sua confiança em Deus e assim junto ao seu povo, pôs em fuga facilmente as ações dos inimigos(cfr. 1 Sam 17, 4-54). 

7. Na aflição humana, o olhar é para Cristo
José Hazzaya(Carta sobre os três graus, 31-32, século VIII), tem presentes que os sofrimentos de Cristo Jesus deram sentido a todos os sofrimentos humanos, porque Ele os assumiu dando-lhes redenção. Quando a pessoa passa por paixões, sofrimentos, calúnias deve olhar para Cristo Jesus estendido sobre a cruz, com as mãos e os pés presos com os pregos, com a cabeça reclinada sobre a cruz e com o esplendor da sua face diante do poder da morte. Jesus vence o pecado e a morte. Ele resplandecerá na sua face gloriosa, a ressurreição.
O tempo quaresmal ajude-nos a viver mais o seguimento ao Senhor Jesus na família, na comunidade e na sociedade através da oração, do jejum e da caridade. 
CNBB 23-02-2016.
*Dom Vital Corbellini: Bispo de Marabá (PA).

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