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LAUDATO SI - FRANCISCO E A IRMÃ TERRA

2016-05-01 Rádio Vaticana

IRMÃ TERRA

FRANCISCO  Paz e bem!... Bênçãos, boa onda, energias positivas para quem me escuta. Sou Francisco. Sim, Francisco de Assis. No meu tempo, “Assis” era um pequeno povoado, “Assis” de pequenino... Sem brincadeira, vocês devem estar se perguntando o que eu faço aqui. Bom, disseram-me que há problemas graves em nossa casa comum. Também me disseram que há um Papa que escreveu uma carta sobre tudo isso, um Papa que se chama Francisco, como eu... Ou eu me chamo como ele... Dá na mesma, entre chicos nos entendemos. Pois foi para isso que eu vim, para ver o que está acontecendo com a irmã Mãe Terra e com suas criaturas...

TERRA Psiu!... Psiu!

FRANCISCO Ouço um assobio... Quem me chama?... Quem?

TERRA Sou eu, Francisco. Sua mãe.

FRANCISCO Minha mãe, dona Pica?

TERRA Não, Francisco. A Mãe Terra. A que você chama irmã Mãe Terra.

FRANCISCO Sim, pois é...

TERRA E me alegra que me chame assim, porque você e todos os seres vivos nascem em mim, de mim se alimentam e, quando se corta o fio da vida, a mim retornam.                              

FRANCISCO Mas você me parece triste, Mãe Terra... o que você tem, o que está acontecendo?

TERRA Lembra, Francisco, quando chegou, caminhando, ao vale de Rieti, na metade da Itália?

FRANCISCO O lugar mais bonito que já vi na vida... Todo verde, exuberante, rodeado de montes com seus cumes nevados... E mananciais cristalinos com água limpa e fresca... Um paraíso, Mãe Terra.

TERRA Eu tinha mil paraísos como esse, Francisco. Minha pele verde cobria países  inteiros, continentes. Tinha matas, rios, lagoas, vales esplendidos...

FRANCISCO Por que você diz “tinha”? O que aconteceu, Mãe Terra?

TERRA   Você passou muito tempo fora, Francisco. Não viu como os humanos sujaram a casa comum... Não sente o fedor?

FRANCISCO Cheira mal, sim... talvez um animal morto...

TERRA  Não, é que perto daqui há um lixão... E mais outro ali... E lá outro... Todas as cidades do mundo estão rodeadas de montanhas de lixo, garrafas, toneladas de plástico... Nem um exército de bactérias poderia limpar tanta sujeira.

FRANCISCO Por que isso acontece, Mãe Terra?

TERRA   Por algo que não ocorria no seu tempo, Francisco, e que o teu xará chama “cultura do descarte”.

FRANCISCO Não te entendo. Como?

TERRA Diga-me, Francisco, o que fazia tua mãe quando você sujava as fraudas?

MÃE  Lavá-las, pendurar no varal e, esperar que sequem... porque este Chiquinho é muito mijão!

TERRA   Agora não. Agora as fraudas são jogadas fora e se compram novas. E o que fazia tua mãe quando os seus sapatos estragavam?

MÃE  Mestre sapateiro, trago aqui as botinhas de Chiquinho para que as conserte...

SAPATEIRO Com prazer, dona Pica...

TERRA   Agora não. Agora se joga fora e compram sapatos novos. E assim com tudo. Tudo é descartável. Tudo é jogado fora. (FURIOSA) No mundo, nos últimos quarenta anos, jogaram mais lixo em cima de mim que em toda a história da humanidade. Já chega! Eu não aguento mais!

FRANCISCO        Não acredito...

TERRA   Roupa, papéis, móveis, pneus, televisores, carros, celulares, computadores... Um escândalo! Agora muitos aparelhos são fabricados para quebrar logo e não possam ser consertados.

FRANCISCO Não conheço algumas das coisas que menciona...

TERRA   E não só jogam coisas fora. Jogam comida!

FRANCISCO Comida? É por que já não há pessoas com fome?

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