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REFLETINDO SOBRE O EVANGELHO

Pe. Raimundo Neto*

João 14, 23-29
SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA
Neste domingo, o Senhor ressuscitado comunica-nos a promessa do Espírito Santo e nos revela a alegria de sua ressurreição. Recebemos a missão de anunciar a boa notícia da salvação. O evangelho de hoje (Jo 14, 23-29), além de tratar da despedida de Jesus, é repleto de ensinamentos para nós. Jesus começa falando sobre “Guardar a palavra”, no seu discurso de despedida. Guardar a palavra de Jesus é guardar a palavra de Deus. Não se trata de coisa decorada, mas posta em prática na vida. A Bíblia diria; gravada no coração. Diante de sua palavra (e de sua pessoa), há os que se escandalizam. Há os que o admiram. Há os que a rejeitam. Há os que não ligam para ela, nem se ligam a ela. Há os que creem nela e guardam com fidelidade. Para os que a guardam, ela se torna espírito e vida, produz vida eterna, comunhão com Deus. Jesus diz que quem o ama, guarda a sua palavra e Deus mora nele.
Ainda no relato desse evangelho, Jesus se despede de seus discípulos e garante sua presença através do Espírito Santo. O Espírito Santo tem dois serviços: o primeiro, mais em nível de inteligência, é o de fazer-nos entender melhor as coisas que Jesus nos disse. O Espírito está relacionado com a Palavra, no sentido de nos tornar aptos a entendê-la e saboreá-la e sentir gosto por ela. O segundo, mais em nível de memória, é o de não deixar que se perca a palavra. É o Espírito Santo que age na memória, gravando a palavra dentro de nós para que seja nossa luz. O Espírito Santo, enviado pelo Pai em seu nome, nos ensina e recorda tudo que Jesus disse iluminando a história pessoal e comunitária de cada cristão, dentro e fora da comunidade eclesial.
Completando a herança que nos deixa, fundada no amor, que é capaz de doar a própria vida, Jesus nos promete a paz. A falar aos seus contemporâneos, Jesus usa, muitas vezes, a palavra paz. Ela está presente na Bíblia, d Antigo e ao Novo Testamento, e a força do seu conteúdo ultrapassa o gesto simbólico de uma simples saudação. No sentido bíblico, paz significa plenitude de vida, tudo o que pode haver de mais completo nas realizações humanas, temporais e espirituais. Em outras palavras, significa harmonia com os outros homens e mulheres, com a natureza, consigo mesmo e com Deus. Paz não significa viver uma tranquilidade aparente, que se consegue de qualquer jeito. A Bíblia alerta para o fato de que o ideal de paz é corrompido pelo pecado que existe nas pessoas e no mundo. É mais fácil cuidar superficialmente das feridas do povo, dizendo: “paz, paz, quando não há paz” (cf. Jr. 6,14), e esconder ou procurar descobrir os conflitos em vez de encarar objetivamente, a realidade e se posicionar diante dela. Jesus, no evangelho deste domingo, esclarece que a sua paz não é aquela que o mundo dá. A paz de Cristo contém em si a promessa e a realização do Reino de Deus. Não é deste do mundo, mas é aqui que ela começa. Da parte dos cristãos, pessoalmente e em comunidade, implica coragem para vencer as tribulações do mundo, com a consciência de que a paz nos é dada na pessoa de Jesus. A paz é o bem messiânico por excelência. A paz é a integridade do ser humano. O ser humano, que tem a
paz de Jesus, é uma pessoa nunca dividida, mas integrada que tem suas necessidades básicas preenchidas.
Que nesta liturgia dominical o Senhor nos ajude através do seu Espírito, a compreender o que devemos fazer como discípulos de Jesus, hoje, para sermos fiéis ao seu projeto de amor e de vida abundante para todos.

Pároco de São Vicente

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