SABEDORIA GREGA

Grecianny Carvalho Cordeiro*

Por volta do ano 405 a.C., foi representada pela primeira vez no teatro grego a peça: “Ifigênia em Áulis”, escrita pelo dramaturgo Eurípides, autor de inúmeras outras peças, dentre dramas satíricos e tragédias.

Na peça “Ifigênia em Áulis”, Eurípides trata sobre o drama do rei Agamenon em ter de sacrificar a própria filha, de modo a obter ventos favoráveis para que a esquadra grega aportada em Áulis pudesse partir em direção à Troia e ali ser vitoriosa.

  Agamenon, rei de Micenas, era o Chefe Supremo dos exércitos gregos que combateriam em Troia, tudo em razão do rapto da bela Helena, esposa do rei espartano Menelau – irmão de Agamenon – pelo príncipe troiano Páris. Os exércitos gregos se reuniram no porto de Áulis, donde partiriam para Troia; todavia, os ventos eram completamente desfavoráveis. Assim, o adivinho Calcas informou que os ventos mudariam somente se a filha de Agamenon, Ifigênia, fosse dada em sacrifício à deusa Ártemis.

Agamenon, Menelau, Calcas e Ulisses tiveram então a ideia de enviar uma mensagem falsa à esposa do primeiro, Clitemnestra, para que levasse a filha Ifigênia ao acampamento grego, a pretexto de contrair núpcias com o glorioso Aquiles. Depois, Agamenon se arrepende e manda uma contraordem, correspondência essa interceptada por Menelau, que se revolta com a traição do irmão.

Esse enredo possui uma atualidade impressionante.

É que numa das passagens da peça, Menelau lembra a Agamenon do período em que este, no desejo de comandar o exército grego, era uma pessoa cordata, disposta a apertar as mãos de todos aqueles que encontrasse, sempre disposto a atender a qualquer pessoa, em qualquer dia e horário em seu palácio. No entanto, quando finalmente conseguiu assumir o comando supremo de todos os gregos, houve uma radical mudança em sua atitude. Seus amigos leais sequer conseguiam se aproximar do mesmo, tornando-se uma pessoa inacessível, reclusa em seu próprio palácio, deixou de ser prestativo e cordato, assumindo uma postura arrogante e diversa daquela até então conhecida por todos.
                      
Portanto, há inúmeros séculos atrás, Eurípides já descrevia o perfil de uma pessoa quando finalmente chega ao poder. Qualquer semelhança com quem conheçamos no cenário político, seja em que esfera for, decerto não é mera coincidência.    
           
*Promotora de Justiça e Escritora

Comentários

Mais Visitadas

Dentro da rotina das redes sociais, mulheres dividem as dificuldades e os pontos positivos de expor a maternidade

A Palavra Não

LAMENTAÇÕES DE UM LÁPIS

Livros com temática de direitos humanos são vandalizados na UnB