Amigas continuam ação de Natal após morte de criadora do projeto

Caio Gomes Silveira
Do G1 Itapetininga e Região

Por ordem da esquerda para direita: Kátia, Valéria (irmã da Kátia), Sandra, Maria Inês, Renata e Andreia (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Rodrigues)Amigas Kátia, Valéria, Sandra, Maria Inês, Renata e Andreia (Foto: Arquivo pessoal/ Sandra Rodrigues)












Com a morte da farmacêutica Cirley de Oliveira, em 2011, as crianças da zona rural de São Miguel Arcanjo (SP) quase ficaram sem a ação solidária de Natal que a moradora realizava desde 2006. Porém, as cinco amigas de infância da farmacêutica decidiram se unir e continuar com o projeto. Para elas, a ação foi um legado que Cirley deixou para o grupo. “Somos irmãs. Não poderíamos deixar que esse ato solidário, que era tão importante para ela, acabar”, conta a cartorária Sandra Rodrigues, de 45 anos.
Cirley com uma das filhas de Sandra; ela morreu aos 40 anos (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Rodrigues)
Cirley posa com filha de Sandra; ela morreu aos
40 anos (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Rodrigues)
Além de Sandra, o grupo é formado pela funcionária pública Kátia Raskevicius, as dentistas Renata Souza e Andreia Galvão e a contadora Maria Inês Nunes. Todas têm 45 anos e estudaram juntas em São Miguel Arcanjo. Além das amigas, a irmã de Sandra, Valéria Rodrigues, também entrou para o projeto. “Somos amigas desde a infância, passando pela adolescência até a vida adulta. Somos como uma família mesmo, porque sempre que possível estamos reunidas”, ressalta Sandra.
De acordo com as amigas, Cirley morreu por fibrose pulmonar e lutava contra a doença desde 2006. Ela era solteira e não tinha filhos. “Quando ela ficou sabendo da doença, começou esse projeto nos bairros carentes de São Miguel Arcanjo. Acho que ela viu na ação uma possibilidade de fazer o bem nesse mundo. No primeiro ano ela foi aos bairros pilotando uma moto vestida de Papai Noel e levando apenas bolachas (risos)”, lembra Kátia.
A amiga morreu em 8 de maio de 2011, no Dia das Mães e meses antes de uma festa planejada há anos pelo grupo para comemorar o aniversário das amigas de 40 anos. “Foi um golpe muito duro para nós. Mas depois do choque refletimos e decidimos fazer a festa por ela. Isso porque a entrada foi uma bola de plástico e o bar beneficente, que arrecadou dinheiro para comprarmos mais coisas para distribuir”, relata Sandra.
'Natal Friends'
Desde então, o grupo assumiu o projeto que agora é chamado de “Natal Friends”. Em 2016 será o sexto ano comandado por elas, o décimo do projeto. A ação é sempre realizada no último domingo antes do Natal, ou seja, o próximo será no domingo (18). Entre os locais percorridos pelas amigas em um caminhão estão o Bairro Rio Acima, Colônia Pinhal, Bairro dos Paulos, Colônia Tosan e Bairro Boa Vista.

Em cima do caminhão, o “Papai Noel” e suas ajudantes levam bolas e doces para crianças, além de potes plásticos e utensílios para as mães. “A gente se abraça, chora, parece que o ano começa ali. É muito gratificante, porque passamos o ano inteiro planejando, pensando em alguma novidade, guardando dinheiro em uma conta poupança que temos juntas”, afirma Maria Inês.
“Viver estes momentos não têm explicação. Fazemos tudo com muito amor para aquela única data. A gente se sente realizada, com a sensação de missão cumprida”, completa Maria Inês.
Crianças e pais recebem presentes de Natal em ação (Foto: Arquivo Pessoal/ Kátia Raskevicius)Crianças e pais recebem presentes de Natal em ação (Foto: Arquivo Pessoal/ Kátia Raskevicius)
Grupo leva doces e brinquedos em um caminhão por zona rural (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Rodrigues)Grupo leva doces e brinquedos em um caminhão por zona rural (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Rodrigues)
Amigas se reúnem com familiares todos os anos para projeto (Foto: Arquivo Pessoal/ Kátia Raskevicius)Amigas se reúnem com familiares todos os anos para projeto (Foto: Arquivo Pessoal/ Kátia Raskevicius)
Cirley quando ainda praticava a ação como Papai Noel (Foto: Arquivo Pessoal/ Kátia Raskevicius)Cirley quando ainda praticava a ação como Papai Noel (Foto: Arquivo Pessoal/ Kátia Raskevicius)

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