Animação 'Moana' renova apelo a empoderamento feminino

Cena do filme "Moana – um mar de aventuras", dos diretores John Musker e Ron Clements. (Divulgação
Por Neusa Barbosa
Mesmo sem título oficial de nobreza, Moana é uma típica princesa Disney – ou seja, símbolo do empoderamento feminino procurado pelo estúdio em animações como “Mulan” (98), em que uma garota chinesa se vestia de homem para tornar-se soldado, acompanhada de um dragão de estimação.
Na nova animação “Moana – um mar de aventuras”, a heroína-título não precisa de disfarces. Ela é a filha do chefe de uma ilha da Oceania e dela será seu posto quando o dia certo chegar. Tem animais de estimação, como o porquinho Pua e o galo Heihei. E também a aguarda uma jornada de superação.
Atrevida e talentosa, a Moana (voz de Auli’i Cravalho/Any Gabrielly) não falta coragem para encarar o mar, seu sonho. Mas, há centenas de anos, seu povo evita arriscar-se além de um cordão de recifes que protege a ilha. Moana gosta de navegar mas seu pai (Temuera Morrison), nervosamente, a proíbe. E sua avó (Rachel House), amante das tradições ancestrais, é quem a estimula a desafiar o tabu, lançando-se ao mar numa missão ao mesmo tempo mágica e ecológica, que poderia resolver uma inesperada crise alimentar afetando tanto os coqueiros quanto a pesca na região.
Mesmo não tendo um parceiro romântico – outro sinal dos tempos na mitologia Disney -, Moana encontra um aliado importante em sua saga: o semideus Maui (Dwayne Johnson), um espirituoso fortão, todo tatuado e ostentando um saiote de folhas e colar de dentes e pedras no pescoço. A figura robusta de Maui, aliás, rendeu algumas reclamações à Disney, já que, originalmente, o semideus é representado como um homem mais esguio. Além disso, houve quem enxergasse nessa forma roliça do personagem uma velada menção ao clássico estereótipo de obesidade que preconceituosos relacionam a povos nativos do Pacífico.
Encarnando um tipo bonachão, irônico, vaidoso e ambíguo, Maui a princípio resiste a formar uma dupla com a mocinha – embora, no momento, ele bem que esteja necessitado de ajuda para recuperar seu perdido cajado mágico, que lhe permitia assumir diversas formas animais.
Como foi Maui, de qualquer modo, quem rompeu o equilíbrio de forças na natureza quando, muito tempo atrás, apoderou-se do coração de pedra pertencente à deusa da fertilidade, Moana não desiste de obrigá-lo à jornada – até porque é essencial devolver este coração.
Suas aventuras transcorrem num barco em que o outro tripulante é o galinho Heihei, mais tonto impossível, o que funciona como alívio cômico sempre que a situação oferece perigo.
Dois pontos fortes na produção são a riqueza visual dos cenários naturais e marinhos e também as músicas, numa trilha assinada por Mark Mancina, Lin-Manuel Miranda (do premiado musical “Hamilton”), o cantor e compositor polinésio Opetaia Foa’li e sua banda, Ta Vaka.

Reuters

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